Final da Champions League 1998-99: os três minutos mais malucos da História do futebol - Esportes


Final da Champions League 1998-99: os três minutos mais malucos da História do futebol

Caio Costa relembra a derrota do Bayern de Munique para o Manchester United naquele ano

Por Caio Costa em Futebol

2 de agosto de 2013 às 15:04

Há 6 anos
O histórico gol de Solskjær aos 48 minutos do segundo tempo

O histórico gol de Solskjær aos 48 minutos do segundo tempo*

*Por Caio Costa

Antes de ganhar tudo que disputou na última temporada e se tornar a coqueluche do momento, o Bayern de Munique protagonizou, da pior forma possível, ao lado Manchester United, uma das finais de campeonato mais incríveis da História do futebol.

O ano era 1999. O time do craque Lothar Matthäus estava tendo uma temporada dos sonhos. Depois de anos tomando ferro dos rivais locais (Borussia Dortmund e Kaiserslautern), os Bávaros tinham recuperado a hegemonia doméstica e chegavam a uma decisão de Champions League após 23 anos.

Do outro lado, estava o poderoso Manchester United, que já dominava o futebol inglês e buscava a consagração continental, contando com jovens como Beckham, Gary Neville, Scholes e veteranos do nível de Schmeichel e Sheringham.

Vamos ao jogo. Eu tinha 14 anos e estudava à tarde, ou seja, seria complicado assistir à partida. Entretanto, junto com mais dois colegas, consegui escapar das últimas aulas para poder ver a final em uma televisão que tinha na biblioteca da escola (já tinha feito essa peripécia antes e se meus pais lerem esse texto vão entender um dos motivos de eu sempre ter ido mal em Matemática).

Como a peleja já estava no segundo tempo, perdi o gol de Mário Basler, que abriu o marcador para o Bayern. A etapa final seguiu com o time inglês pressionando, mas sempre esbarrando na zaga alemã, que além de tudo contava com a segurança do goleiro Oliver Kanh.

Quando a partida já estava aos 40 minutos do segundo tempo, os meus colegas disseram “Vamos embora, não vai dar em nada mais esse jogo”. Resolvi ficar (sob pena de tomar uma suspensão, diga-se passagem). Mas não era porque eu achava que iria acontecer uma reviravolta. Fiquei porque sou chato mesmo, daqueles que espera o apito final e só deixa a sala de cinema depois que terminam os créditos do filme.

Valeu a pena ter permanecido. Aos 46, Teddy Sheringham deixou tudo igual. Dois minutos depois, o talismã Ole Gunnar Solskjær, chamado pela torcida vermelha por “The Baby-Faced Assassin” (o assassino com cara de bebê), matou o sonho germânico e fechou com chave de ouro os três minutos mais malucos da História do futebol.

Até hoje lembro da narração de Carlos Fernando, na TV Cultura (que transmitiu a Champions League naquela temporada), completamente alucinada e do desespero de Samuel Kuffour socando o gramado do Estádio Camp Nou, como se não aceitasse aquela derrota.

O desespero de Kuffour após o apito final foi comovente

O desespero de Kuffour após o apito final foi comovente

Bayern

Com praticamente o mesmo time que caiu diante do Manchester United, o Bayern foi campeão da Champions League de 2001. Só que a final, diante do espanhol Valencia, foi uma das mais chatas de todos os tempos. Talvez para compensar o excesso de emoção daquela decisão no Camp Nou dois anos antes.

*Caio Costa é repórter do Tribuna do Ceará e comentarista no programa Jangadeiro Esporte Clube Debate

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Final da Champions League 1998-99: os três minutos mais malucos da História do futebol

Caio Costa relembra a derrota do Bayern de Munique para o Manchester United naquele ano

Por Caio Costa em Futebol

2 de agosto de 2013 às 15:04

Há 6 anos
O histórico gol de Solskjær aos 48 minutos do segundo tempo

O histórico gol de Solskjær aos 48 minutos do segundo tempo*

*Por Caio Costa

Antes de ganhar tudo que disputou na última temporada e se tornar a coqueluche do momento, o Bayern de Munique protagonizou, da pior forma possível, ao lado Manchester United, uma das finais de campeonato mais incríveis da História do futebol.

O ano era 1999. O time do craque Lothar Matthäus estava tendo uma temporada dos sonhos. Depois de anos tomando ferro dos rivais locais (Borussia Dortmund e Kaiserslautern), os Bávaros tinham recuperado a hegemonia doméstica e chegavam a uma decisão de Champions League após 23 anos.

Do outro lado, estava o poderoso Manchester United, que já dominava o futebol inglês e buscava a consagração continental, contando com jovens como Beckham, Gary Neville, Scholes e veteranos do nível de Schmeichel e Sheringham.

Vamos ao jogo. Eu tinha 14 anos e estudava à tarde, ou seja, seria complicado assistir à partida. Entretanto, junto com mais dois colegas, consegui escapar das últimas aulas para poder ver a final em uma televisão que tinha na biblioteca da escola (já tinha feito essa peripécia antes e se meus pais lerem esse texto vão entender um dos motivos de eu sempre ter ido mal em Matemática).

Como a peleja já estava no segundo tempo, perdi o gol de Mário Basler, que abriu o marcador para o Bayern. A etapa final seguiu com o time inglês pressionando, mas sempre esbarrando na zaga alemã, que além de tudo contava com a segurança do goleiro Oliver Kanh.

Quando a partida já estava aos 40 minutos do segundo tempo, os meus colegas disseram “Vamos embora, não vai dar em nada mais esse jogo”. Resolvi ficar (sob pena de tomar uma suspensão, diga-se passagem). Mas não era porque eu achava que iria acontecer uma reviravolta. Fiquei porque sou chato mesmo, daqueles que espera o apito final e só deixa a sala de cinema depois que terminam os créditos do filme.

Valeu a pena ter permanecido. Aos 46, Teddy Sheringham deixou tudo igual. Dois minutos depois, o talismã Ole Gunnar Solskjær, chamado pela torcida vermelha por “The Baby-Faced Assassin” (o assassino com cara de bebê), matou o sonho germânico e fechou com chave de ouro os três minutos mais malucos da História do futebol.

Até hoje lembro da narração de Carlos Fernando, na TV Cultura (que transmitiu a Champions League naquela temporada), completamente alucinada e do desespero de Samuel Kuffour socando o gramado do Estádio Camp Nou, como se não aceitasse aquela derrota.

O desespero de Kuffour após o apito final foi comovente

O desespero de Kuffour após o apito final foi comovente

Bayern

Com praticamente o mesmo time que caiu diante do Manchester United, o Bayern foi campeão da Champions League de 2001. Só que a final, diante do espanhol Valencia, foi uma das mais chatas de todos os tempos. Talvez para compensar o excesso de emoção daquela decisão no Camp Nou dois anos antes.

*Caio Costa é repórter do Tribuna do Ceará e comentarista no programa Jangadeiro Esporte Clube Debate