Candidato a deputado estadual no RS, ex-atacante Jardel decide se calar após entrevista desastrosa


Candidato a deputado estadual no RS, ex-atacante Jardel decide se calar após entrevista desastrosa

Conhecido por seus belos gols de cabeça, o cearense sai dos gramados e busca novos horizontes nas urnas

Por Daniel Herculano em Futebol

26 de setembro de 2014 às 10:00

Há 5 anos
Centroavante Jardel agora busca sucesso no campo político. (Foto: Eleições 2014)

Centroavante Jardel agora busca sucesso no campo político. (Foto: Eleições 2014)

Dentro dos gramados, uma estrela. Nas urnas, um amador. Goleador na Libertadores da América, artilheiro da Europa. Sua especialidade eram os gols de cabeça. Mas ao falar de política, sua especialidade é falar muito sem dizer nada. Campeão por Vasco e Grêmio, no Brasil, Porto e Sporting, em Portugal, jogou também na Seleção Brasileira. Agora quer uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Em seus times, usava sempre a camisa 16. Nas eleições 2014 seu número é o 55016. O cearense Mário Jardel Almeida Ribeiro, ou somente Jardel, aquele mesmo, ex-centroavante agora quer ser deputado estadual.

Faltando apenas 10 dias para a eleição, o normal dos candidatos em campanha é tentar aparecer cada vez mais na mídia. Ir para o corpo a corpo com os eleitores e entrar em campo em busca de votos também é comum. Mas depois de uma entrevista desastrosa ao Na Chincha, do Jornal Zero Hora (RS), o ex-atleta e candidato pelo Partido Social Democrático (PSD) não fala mais com a imprensa. O Tribuna do Ceará tentou contato com Jardel, mas sua assessoria de imprensa informou que ele não se pronunciará até a eleição.

Entrevista

A entrevista é editada de forma descontraída, mas seu conteúdo é sério. Há dúvidas sobre por que Jardel decidiu entrar na política, possíveis projetos, casamento gay, seus problemas com as drogas e posicionamento político. Depois de assumir o uso de drogas e sua decadência nos campos, a nova esperança de Jardel reside nas urnas. A pergunta que abre o programa é por que colocou seu nome à disposição. O ex-atleta disse que estava cansado de não fazer nada. “O que me faltava era ocupação, isso tá me fazendo bem e abriu portas pra mim (sic) trabalhar”, abriu o jogo.

Com respostas desencontradas e fala embargada, o ex-atacante deu uma aula de como não se comportar em uma entrevista política. Divergiu sobre o casamento gay ao justificar sua escolha por um fator religioso (“Depois de entrar no processo de recuperação, me tornei evangélico e por isso sou contra”), e quando indagado sobre como se definia politicamente, Jardel respondeu com uma pergunta: “Pode ser de cabeça? Eu me considero de direita, porque sou direito”, ironizou.

Quando indagado sobre a nova política, colocada por Marina Silva, candidata apoiada pelo partido do ex-atleta, o ex-atacante disse que pretende ser um parlamentar que represente o povo, mas com uma resposta desencontrada, sem substância. “Nova política é não deixar ninguém nas ruas passando necessidade, nova política é não deixar gente em metrô superlotado”, em uma tentativa vã de explicar o que almeja ao ser eleito.

Mário Jardel esboçou discorrer sobre projetos futuros, ao falar de abrir clínicas de recuperação de dependentes químicos e de escolas de tempo integral, mas o campeão dos gramados mostrou a habilidade de um juvenil. Apesar do toque de humor, nas redes sociais a entrevista repercutiu de forma negativa.

Outros casos

O fato não é inédito e muitos desportistas já se aventuraram nas urnas. Na eleição deste ano no Ceará, ídolos de Fortaleza (Maizena) e Ceará (Sérgio Alves) disputam votos para o mesmo cargo, e o tetracampeão Romário, deputado federal, disputa uma vaga pelo Senado no Rio de Janeiro. O ex-goleiro Danrlei é deputado estadual no Rio Grande do Sul e disputa sua reeleição em 2014, e os ex-atacantes Bebeto e Roberto Dinamite foram eleitos no Rio de Janeiro em 2010. O ex-goleiro do Atlético-MG João Leite está envolvido com a política desde o início da década de 1990, e Marques (ex-atacante) é deputado estadual por Minas Gerais.

Entre os fracassados em 2010 estão Túlio Maravilha, o ex-goleiro do Goiás Harlei, Robgol (ex-Paysandu), Nunes (ex-Flamengo), Deley (ex-Fluminense), Ademir da Guia (ex-Palmeiras) e os corintianos Marcelinho Carioca, Vampeta e Dinei.

Perfil

Mario Jardel Almeida Ribeiro, ou simplesmente “Super Mario Gol”. Revelado pelo Ferroviário (CE), o centroavante cearense tem entre seus principais títulos o tricampeonato carioca pelo Vasco (1992/93/94), a Libertadores da América (1995) e o bicampeonato gaúcho (1995/96) pelo Grêmio (1995), tricampeonato português (1996-97/1997-98/1998-99) pelo Porto, supercampeão europeu (2000) pelo Galatasaray (TUR), campeão português (2001-2002) pelo Sporting e campeão argentino (2004) pelo Newell´s Old Boys. Em 1999 e 2002 ganhou a Chuteira de Ouro da Europa, como o maior artilheiro do velho continente. Oficialmente, Jardel aposentou-se em 2011. (Com informações de Rodrigo Cavalcante).

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Candidato a deputado estadual no RS, ex-atacante Jardel decide se calar após entrevista desastrosa

Conhecido por seus belos gols de cabeça, o cearense sai dos gramados e busca novos horizontes nas urnas

Por Daniel Herculano em Futebol

26 de setembro de 2014 às 10:00

Há 5 anos
Centroavante Jardel agora busca sucesso no campo político. (Foto: Eleições 2014)

Centroavante Jardel agora busca sucesso no campo político. (Foto: Eleições 2014)

Dentro dos gramados, uma estrela. Nas urnas, um amador. Goleador na Libertadores da América, artilheiro da Europa. Sua especialidade eram os gols de cabeça. Mas ao falar de política, sua especialidade é falar muito sem dizer nada. Campeão por Vasco e Grêmio, no Brasil, Porto e Sporting, em Portugal, jogou também na Seleção Brasileira. Agora quer uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Em seus times, usava sempre a camisa 16. Nas eleições 2014 seu número é o 55016. O cearense Mário Jardel Almeida Ribeiro, ou somente Jardel, aquele mesmo, ex-centroavante agora quer ser deputado estadual.

Faltando apenas 10 dias para a eleição, o normal dos candidatos em campanha é tentar aparecer cada vez mais na mídia. Ir para o corpo a corpo com os eleitores e entrar em campo em busca de votos também é comum. Mas depois de uma entrevista desastrosa ao Na Chincha, do Jornal Zero Hora (RS), o ex-atleta e candidato pelo Partido Social Democrático (PSD) não fala mais com a imprensa. O Tribuna do Ceará tentou contato com Jardel, mas sua assessoria de imprensa informou que ele não se pronunciará até a eleição.

Entrevista

A entrevista é editada de forma descontraída, mas seu conteúdo é sério. Há dúvidas sobre por que Jardel decidiu entrar na política, possíveis projetos, casamento gay, seus problemas com as drogas e posicionamento político. Depois de assumir o uso de drogas e sua decadência nos campos, a nova esperança de Jardel reside nas urnas. A pergunta que abre o programa é por que colocou seu nome à disposição. O ex-atleta disse que estava cansado de não fazer nada. “O que me faltava era ocupação, isso tá me fazendo bem e abriu portas pra mim (sic) trabalhar”, abriu o jogo.

Com respostas desencontradas e fala embargada, o ex-atacante deu uma aula de como não se comportar em uma entrevista política. Divergiu sobre o casamento gay ao justificar sua escolha por um fator religioso (“Depois de entrar no processo de recuperação, me tornei evangélico e por isso sou contra”), e quando indagado sobre como se definia politicamente, Jardel respondeu com uma pergunta: “Pode ser de cabeça? Eu me considero de direita, porque sou direito”, ironizou.

Quando indagado sobre a nova política, colocada por Marina Silva, candidata apoiada pelo partido do ex-atleta, o ex-atacante disse que pretende ser um parlamentar que represente o povo, mas com uma resposta desencontrada, sem substância. “Nova política é não deixar ninguém nas ruas passando necessidade, nova política é não deixar gente em metrô superlotado”, em uma tentativa vã de explicar o que almeja ao ser eleito.

Mário Jardel esboçou discorrer sobre projetos futuros, ao falar de abrir clínicas de recuperação de dependentes químicos e de escolas de tempo integral, mas o campeão dos gramados mostrou a habilidade de um juvenil. Apesar do toque de humor, nas redes sociais a entrevista repercutiu de forma negativa.

Outros casos

O fato não é inédito e muitos desportistas já se aventuraram nas urnas. Na eleição deste ano no Ceará, ídolos de Fortaleza (Maizena) e Ceará (Sérgio Alves) disputam votos para o mesmo cargo, e o tetracampeão Romário, deputado federal, disputa uma vaga pelo Senado no Rio de Janeiro. O ex-goleiro Danrlei é deputado estadual no Rio Grande do Sul e disputa sua reeleição em 2014, e os ex-atacantes Bebeto e Roberto Dinamite foram eleitos no Rio de Janeiro em 2010. O ex-goleiro do Atlético-MG João Leite está envolvido com a política desde o início da década de 1990, e Marques (ex-atacante) é deputado estadual por Minas Gerais.

Entre os fracassados em 2010 estão Túlio Maravilha, o ex-goleiro do Goiás Harlei, Robgol (ex-Paysandu), Nunes (ex-Flamengo), Deley (ex-Fluminense), Ademir da Guia (ex-Palmeiras) e os corintianos Marcelinho Carioca, Vampeta e Dinei.

Perfil

Mario Jardel Almeida Ribeiro, ou simplesmente “Super Mario Gol”. Revelado pelo Ferroviário (CE), o centroavante cearense tem entre seus principais títulos o tricampeonato carioca pelo Vasco (1992/93/94), a Libertadores da América (1995) e o bicampeonato gaúcho (1995/96) pelo Grêmio (1995), tricampeonato português (1996-97/1997-98/1998-99) pelo Porto, supercampeão europeu (2000) pelo Galatasaray (TUR), campeão português (2001-2002) pelo Sporting e campeão argentino (2004) pelo Newell´s Old Boys. Em 1999 e 2002 ganhou a Chuteira de Ouro da Europa, como o maior artilheiro do velho continente. Oficialmente, Jardel aposentou-se em 2011. (Com informações de Rodrigo Cavalcante).