Professora de canto é entusiasta da música erudita no Ceará há mais de 30 anos


Professora de canto é entusiasta da música erudita no Ceará há mais de 30 anos

Maninha Motta participou da apresentação histórica da ópera Aida no Castelão e é o nome responsável pela formação musical de vários artistas do estado

Por Ana Beatriz Leite em Música

15 de novembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Maninha Motta foi aprendiz de grandes mestres da música e hoje compartilha sua bagagem com os alunos da escola de canto que leva seu nome (FOTO: Reprodução/Kiko Silva)

Maninha Motta foi aprendiz de grandes mestres da música e hoje compartilha sua bagagem com os alunos da escola de canto que leva seu nome (FOTO: Reprodução/Kiko Silva)

Em 1995, a música erudita viveu um momento histórico no Ceará, quando 15 mil pessoas reunidas no Castelão apreciaram pela primeira e única vez uma grande ópera no estado. O espetáculo era Aida, famosa criação do italiano Giuseppe Verdi, que data de 1871.

Entre os cantores responsáveis pela montagem no estádio, havia um nome que é entusiasta do canto lírico desde os anos 80 e responsável pela formação musical de muitos dos artistas de Fortaleza: Maninha Motta.

Com 31 anos de carreira, a ópera Aida não foi a única vez que a paraibana participou da história do Ceará. Aliás, o trabalho de Maninha na escola de canto que leva seu nome faz história todos os dias. A cantora se formou em Canto Lírico pela Universidade Federal de João Pessoa e, por muitos anos, atuou como solista, acumulando experiências vividas dentro e fora do país. Foi no ensino, porém, que se encontrou na profissão, junto à oportunidade de passar seus conhecimentos para frente.


Para aprimorar sua técnica, antes de aportar na capital cearense nos anos 80, a professora passeou pelo mundo enquanto aprendiz de grandes mestres, como Neide Thomaz, Lena Smith Carter, Richard Strauss e Alfred Kraus. A radiciação no Ceará foi fruto do que a paraibana revela ser uma história complicada. “Vim aqui uma vez e me apaixonei pela cidade. Eu sempre falei que aqui é um celeiro, aqui tem muita gente talentosa, então decidi ficar”.

“A voz é um jogo de encaixe, basta você ter vontade. As vezes a pessoa nem sabe que tem o dom” (Maninha Motta)

Escola de canto

Na cidade, fundou a Escola de Canto Maninha Motta, que hoje possui 150 alunos e por onde passaram muitos dos artistas do estado. O trabalho, porém, vai muito além da formação musical do indivíduo e visa também à transformação. Para isso, porém, é preciso mais que simples ato de cantar: é preciso interpretar. “É muito fácil pegar uma música de um CD e dizer ‘vou cantar essa música’. Cantar é fácil, interpretar é diferente. É buscar dentro de si coisas que você nem conhece. A música tem esse poder de transformar, mas tem que se lançar nela para isso”, explica.

Maninha não esconde sua paixão, a música erudita, e objetiva a formação de plateia em Fortaleza para o estilo. O canto lírico possui técnica mais complicada e exige muito estudo, mas a professora conta que tem mais a ver com dedicação que com talento. Como entusiasta, incentiva em seus alunos a experimentação. “A voz é um jogo de encaixe, basta você ter vontade. Como a ópera é mais erudita, a pessoa as vezes não tem o habito de escutar, porque não é da nossa cultura. As vezes nem sabe que tem o dom. Eu começo a trabalhar com a pessoa e depois apresento a música erudita pra ela”.

O fato de não estar presente na cultura do estado não significa que a música erudita não possa ser acessível à população. Para estimular o hábito desde cedo, além das aulas em sua escola, Maninha realiza um projeto com crianças carentes do Vicente Pinzón, o Vivências. A partir do projeto, que atualmente contempla 65 alunos com idades entre 6 e 14 anos, a professora planta a semente da ópera nas crianças, que tem sua primeira vivência com o canto lírico.

Serviço:
Escola de Canto Maninha Motta
Rua Professor Heráclito, 868 – Papicu
Informações: (85) 3242.9725

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Professora de canto é entusiasta da música erudita no Ceará há mais de 30 anos

Maninha Motta participou da apresentação histórica da ópera Aida no Castelão e é o nome responsável pela formação musical de vários artistas do estado

Por Ana Beatriz Leite em Música

15 de novembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Maninha Motta foi aprendiz de grandes mestres da música e hoje compartilha sua bagagem com os alunos da escola de canto que leva seu nome (FOTO: Reprodução/Kiko Silva)

Maninha Motta foi aprendiz de grandes mestres da música e hoje compartilha sua bagagem com os alunos da escola de canto que leva seu nome (FOTO: Reprodução/Kiko Silva)

Em 1995, a música erudita viveu um momento histórico no Ceará, quando 15 mil pessoas reunidas no Castelão apreciaram pela primeira e única vez uma grande ópera no estado. O espetáculo era Aida, famosa criação do italiano Giuseppe Verdi, que data de 1871.

Entre os cantores responsáveis pela montagem no estádio, havia um nome que é entusiasta do canto lírico desde os anos 80 e responsável pela formação musical de muitos dos artistas de Fortaleza: Maninha Motta.

Com 31 anos de carreira, a ópera Aida não foi a única vez que a paraibana participou da história do Ceará. Aliás, o trabalho de Maninha na escola de canto que leva seu nome faz história todos os dias. A cantora se formou em Canto Lírico pela Universidade Federal de João Pessoa e, por muitos anos, atuou como solista, acumulando experiências vividas dentro e fora do país. Foi no ensino, porém, que se encontrou na profissão, junto à oportunidade de passar seus conhecimentos para frente.


Para aprimorar sua técnica, antes de aportar na capital cearense nos anos 80, a professora passeou pelo mundo enquanto aprendiz de grandes mestres, como Neide Thomaz, Lena Smith Carter, Richard Strauss e Alfred Kraus. A radiciação no Ceará foi fruto do que a paraibana revela ser uma história complicada. “Vim aqui uma vez e me apaixonei pela cidade. Eu sempre falei que aqui é um celeiro, aqui tem muita gente talentosa, então decidi ficar”.

“A voz é um jogo de encaixe, basta você ter vontade. As vezes a pessoa nem sabe que tem o dom” (Maninha Motta)

Escola de canto

Na cidade, fundou a Escola de Canto Maninha Motta, que hoje possui 150 alunos e por onde passaram muitos dos artistas do estado. O trabalho, porém, vai muito além da formação musical do indivíduo e visa também à transformação. Para isso, porém, é preciso mais que simples ato de cantar: é preciso interpretar. “É muito fácil pegar uma música de um CD e dizer ‘vou cantar essa música’. Cantar é fácil, interpretar é diferente. É buscar dentro de si coisas que você nem conhece. A música tem esse poder de transformar, mas tem que se lançar nela para isso”, explica.

Maninha não esconde sua paixão, a música erudita, e objetiva a formação de plateia em Fortaleza para o estilo. O canto lírico possui técnica mais complicada e exige muito estudo, mas a professora conta que tem mais a ver com dedicação que com talento. Como entusiasta, incentiva em seus alunos a experimentação. “A voz é um jogo de encaixe, basta você ter vontade. Como a ópera é mais erudita, a pessoa as vezes não tem o habito de escutar, porque não é da nossa cultura. As vezes nem sabe que tem o dom. Eu começo a trabalhar com a pessoa e depois apresento a música erudita pra ela”.

O fato de não estar presente na cultura do estado não significa que a música erudita não possa ser acessível à população. Para estimular o hábito desde cedo, além das aulas em sua escola, Maninha realiza um projeto com crianças carentes do Vicente Pinzón, o Vivências. A partir do projeto, que atualmente contempla 65 alunos com idades entre 6 e 14 anos, a professora planta a semente da ópera nas crianças, que tem sua primeira vivência com o canto lírico.

Serviço:
Escola de Canto Maninha Motta
Rua Professor Heráclito, 868 – Papicu
Informações: (85) 3242.9725