Gravidez múltipla em procedimentos de reprodução humana representa risco para gestante

MEDICINA

Gravidez múltipla em procedimentos de reprodução humana representa risco para gestante

Nascimento de bebês múltiplos ocorre por causa do implante de vários embriões

Por Tribuna do Ceará em Mulher

29 de janeiro de 2017 às 07:00

Há 2 anos
grávida

(FOTO: Flickr/ Creative Commons/ Leonardo Dasilva)

As regras para a implantação de embriões no Brasil são determinadas pelo Conselho Federal e Medicina e variam de acordo com a idade da paciente. Para mulheres até 35 anos, devem ser implantados até 2 embriões; dos 36 aos 39 anos, 3 embriões; e em mulheres acima de 40 anos podem ser transferidos até 4 embriões. A decisão médica de implantar mais de um embrião é tomada justamente com o objetivo de aumentar as chances de sucesso nos procedimentos.

O problema é que, com mais embriões transferidos, maiores são as chances de ocorrer uma gravidez múltipla. “Gestação de gêmeos é um pré-natal de alto risco, aumenta em 4 a 5 vezes as complicações, como prematuridade, diabetes gestacional e hipertensão”, alerta o ginecologista e obstetra, especialista em reprodução humana, Alfonso Massaguer.

Um estudo realizado em Nottingham, na Inglaterra, identifica outras consequências para a implantação de mais de um embrião. Os pesquisadores concluíram que implantar dois embriões pode diminuir em 27% as chances de sucesso na fertilização, caso uma das células não seja saudável. Segundo os pesquisadores, o procedimento teria mais sucesso se fosse implantado um embrião por vez.

O estudo foi feito com 1.500 embriões implantados em mulheres de diferentes faixas etárias. Os especialistas perceberam que o corpo tende a se concentrar no embrião pouco saudável e rejeitar uma possível gravidez, ignorando a célula saudável, que poderia gerar uma gestação bem-sucedida.

Como funciona a Fertilização in Vitro

A FIV é a técnica de reprodução assistida que consiste na fertilização do óvulo pelo espermatozoide em laboratório, dando origem a embriões que serão transferidos, posteriormente, para o útero da mulher. O tratamento de FIV (fertilização in vitro) consiste em etapas bem definidas: Indução da ovulação, Coleta de óvulos e espermatozoides, Fertilização em laboratório e transferência dos embriões para o útero.

1- Indução da ovulação

Consiste na administração de hormônios, geralmente de aplicação subcutânea (gordurinhas), para estimular uma maior produção de óvulos para serem fertilizados. Esta etapa dura em média de 9 a 12 dias, sendo que neste período a paciente precisa realizar monitoramento do crescimento dos folículos (que contém os óvulos) por ultrassom transvaginal e eventualmente exames de sangue. Assim que a maioria dos folículos atingirem um volume médio, uma última medicação é aplicada: o HCG (hormônio exclusivo da gravidez), para maturação final dos óvulos e coleta dos mesmos dentro de 34 a 36 horas.

2- Coleta de óvulos e espermatozoides

O procedimento de coleta de óvulos inicia após a anestesia. Guiada por ultrassom transvaginal aspiram-se os óvulos através de uma agulha acoplada ao tubo de ensaio. Ela funciona como um mecanismo de sucção que aspiram os óvulos e os entrega imediatamente ao embriologista que irá avaliá-los e fertilizá-los a seguir.

A coleta de espermatozoides geralmente ocorre no mesmo dia da coleta de óvulos, sendo o procedimento por masturbação (semelhante ao exame de espermograma). Em casos específicos a coleta de espermatozoides pode também ser realizada através de procedimentos cirúrgicos de acordo com a indicação médica.

3- Fertilização dos gametas em laboratório

Após a coleta dos gametas, óvulos e espermatozoides, os mesmos são então fertilizados para formar os embriões. A fertilização pode ser realizada por duas técnicas, FIV convencional ou ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides). Na FIV clássica os óvulos são colocados juntos com os espermatozoides para que estes penetrem a membrana dos óvulos espontaneamente. Já na ICSI os espermatozoides são injetados pelos embriologistas dentro dos óvulos com a ajuda de microscópio.

4- Transferência embrionária

Após a fertilização, os embriões se desenvolvem em laboratório dentro de 3 a 5 dias. A transferência embrionária é um procedimento geralmente indolor, realizado com um cateter que leva o embrião para dentro da cavidade uterina (endométrio) e guiado por ultrassom abdominal. Dentro de 10 a 12 dias da transferência, o exame de gravidez (β-hCG quantitativo) é realizado no sangue.

“Buscamos sempre encontrar a causa da dificuldade para engravidar e tratá-la da maneira mais simples, sendo a fertilização in vitro reservada para aqueles casos que não é possível a gravide natural, como endometriose ou alteração seminal grave”, conclui Alfonso.

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Gravidez múltipla em procedimentos de reprodução humana representa risco para gestante

Nascimento de bebês múltiplos ocorre por causa do implante de vários embriões

Por Tribuna do Ceará em Mulher

29 de janeiro de 2017 às 07:00

Há 2 anos
grávida

(FOTO: Flickr/ Creative Commons/ Leonardo Dasilva)

As regras para a implantação de embriões no Brasil são determinadas pelo Conselho Federal e Medicina e variam de acordo com a idade da paciente. Para mulheres até 35 anos, devem ser implantados até 2 embriões; dos 36 aos 39 anos, 3 embriões; e em mulheres acima de 40 anos podem ser transferidos até 4 embriões. A decisão médica de implantar mais de um embrião é tomada justamente com o objetivo de aumentar as chances de sucesso nos procedimentos.

O problema é que, com mais embriões transferidos, maiores são as chances de ocorrer uma gravidez múltipla. “Gestação de gêmeos é um pré-natal de alto risco, aumenta em 4 a 5 vezes as complicações, como prematuridade, diabetes gestacional e hipertensão”, alerta o ginecologista e obstetra, especialista em reprodução humana, Alfonso Massaguer.

Um estudo realizado em Nottingham, na Inglaterra, identifica outras consequências para a implantação de mais de um embrião. Os pesquisadores concluíram que implantar dois embriões pode diminuir em 27% as chances de sucesso na fertilização, caso uma das células não seja saudável. Segundo os pesquisadores, o procedimento teria mais sucesso se fosse implantado um embrião por vez.

O estudo foi feito com 1.500 embriões implantados em mulheres de diferentes faixas etárias. Os especialistas perceberam que o corpo tende a se concentrar no embrião pouco saudável e rejeitar uma possível gravidez, ignorando a célula saudável, que poderia gerar uma gestação bem-sucedida.

Como funciona a Fertilização in Vitro

A FIV é a técnica de reprodução assistida que consiste na fertilização do óvulo pelo espermatozoide em laboratório, dando origem a embriões que serão transferidos, posteriormente, para o útero da mulher. O tratamento de FIV (fertilização in vitro) consiste em etapas bem definidas: Indução da ovulação, Coleta de óvulos e espermatozoides, Fertilização em laboratório e transferência dos embriões para o útero.

1- Indução da ovulação

Consiste na administração de hormônios, geralmente de aplicação subcutânea (gordurinhas), para estimular uma maior produção de óvulos para serem fertilizados. Esta etapa dura em média de 9 a 12 dias, sendo que neste período a paciente precisa realizar monitoramento do crescimento dos folículos (que contém os óvulos) por ultrassom transvaginal e eventualmente exames de sangue. Assim que a maioria dos folículos atingirem um volume médio, uma última medicação é aplicada: o HCG (hormônio exclusivo da gravidez), para maturação final dos óvulos e coleta dos mesmos dentro de 34 a 36 horas.

2- Coleta de óvulos e espermatozoides

O procedimento de coleta de óvulos inicia após a anestesia. Guiada por ultrassom transvaginal aspiram-se os óvulos através de uma agulha acoplada ao tubo de ensaio. Ela funciona como um mecanismo de sucção que aspiram os óvulos e os entrega imediatamente ao embriologista que irá avaliá-los e fertilizá-los a seguir.

A coleta de espermatozoides geralmente ocorre no mesmo dia da coleta de óvulos, sendo o procedimento por masturbação (semelhante ao exame de espermograma). Em casos específicos a coleta de espermatozoides pode também ser realizada através de procedimentos cirúrgicos de acordo com a indicação médica.

3- Fertilização dos gametas em laboratório

Após a coleta dos gametas, óvulos e espermatozoides, os mesmos são então fertilizados para formar os embriões. A fertilização pode ser realizada por duas técnicas, FIV convencional ou ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides). Na FIV clássica os óvulos são colocados juntos com os espermatozoides para que estes penetrem a membrana dos óvulos espontaneamente. Já na ICSI os espermatozoides são injetados pelos embriologistas dentro dos óvulos com a ajuda de microscópio.

4- Transferência embrionária

Após a fertilização, os embriões se desenvolvem em laboratório dentro de 3 a 5 dias. A transferência embrionária é um procedimento geralmente indolor, realizado com um cateter que leva o embrião para dentro da cavidade uterina (endométrio) e guiado por ultrassom abdominal. Dentro de 10 a 12 dias da transferência, o exame de gravidez (β-hCG quantitativo) é realizado no sangue.

“Buscamos sempre encontrar a causa da dificuldade para engravidar e tratá-la da maneira mais simples, sendo a fertilização in vitro reservada para aqueles casos que não é possível a gravide natural, como endometriose ou alteração seminal grave”, conclui Alfonso.