Designer cearense auto-didata faz sapatos de couro sob encomenda


Designer cearense auto-didata faz sapatos de couro sob encomenda

O trabalho de Diego Panassol segue o conceito de slow fashion e encanta pelo trabalho manual das peças

Por Ana Beatriz Leite em Moda

5 de agosto de 2015 às 07:00

Há 4 anos
Diego Panassol tem 24 anos e é designer auto-didata

Diego Panassol tem 24 anos e é designer auto-didata

Na contramão das produções de massa, em tempos em que tudo é “fast”, surge uma pontinha de esperança com o conceito de slow fashion. Roupas feitas a mão, com tempo para o detalhamento das peças e em produção de baixa escala, é o que propõe o movimento que tem ganhado cada vez mais adeptos no mundo da moda.

O cearense Diego Panassol, 24 anos, faz sapatos de couro em produção autoral. Uma semana é o tempo médio que seus clientes esperam para receber um par. O resultado, peças trabalhadas e feitas com muito carinho. “Prefiro ir contra a maré e propor um pouco de magia para quem se interessa. E quem gosta de moda, valoriza o trabalho manual”, explica o jovem designer.

Mas o slow não é a única magia de seu trabalho. Ainda mais que esse caráter, o que encanta é saber que o rapaz aprendeu tudo que faz hoje de forma auto-didata. Diego conta que, na verdade, nunca foi antenado em moda. Iniciou sua vida acadêmica cursando Farmácia e, infeliz com o curso, percebeu que queria trabalhar em uma área em que pudesse expressar melhor suas ideias.

Já em outro curso, Marketing, teve seu primeiro contato direto com a produção de moda. Começou a fazer serigrafia em camisetas, técnica que aprendeu sozinho, para vender. Ele buscava editoriais de serigrafia na internet e tentava reproduzir em casa.

Foi quando uma amiga que cursava Design de Moda se interessou por suas estampas e propôs que os dois fizessem sapatos serigrafados. Sua amiga também não conhecia a técnica de fazer calçados, mas, devido à graduação, possuía as noções básicas para modelagem. Como já era de se esperar, a produção da primeira peça foi um desastre. “O sapato ficou inteiro torto e escapava do calcanhar”, lembra. Sua amiga logo desistiu, mas, pelo desafio, Diego continuou produzindo e se apaixonou pelo ofício.

O auto-didatismo não veio por escolha e sim porque o acesso a essas técnicas é difícil. Com o tempo e depois de muitas tentativas, o rapaz desenvolveu um método que deu certo. Mas o mergulho na produção, mesmo que ainda receoso, se deu pela vontade de ter seu próprio trabalho.

“Como meu aprendizado é autodidata, eu tinha bastante receio de que as coisas não funcionassem e de que as peças dessem algum tipo de problema. Daí por estar receoso em comercializar essa ideia dos sapatos, eu preferia produzir para uso próprio. Foi nesse tempo que percebi os pontos que eu deveria melhorar e depois me senti confiável para colocar para venda”, conta o designer.

Foi correndo riscos e aplicando conceitos de empreendedorismo que Diego Panassol fez seu nome no mercado da capital. Com o aumento da demanda, decidiu se dedicar em tempo integral ao ofício e trancou o curso de Marketing na Unifor temporariamente.

A marca que leva o nome do seu autor existe apenas nas redes sociais e, hoje, faz a renda do designer. Ambicioso, Diego possui planos de abrir uma loja física, com produção ampliada. Mas pretende manter o trabalho autoral e a pequena cadeia de produção, permanecendo fiel aos conceitos do slow fashion. “São ideias que eu tenho em mente e que eu tenho que testar para ver como elas reagem no mercado”, revela.

Suas peças têm uma estética limpa e minimalista, e o designer conta que não possui uma figura inspiradora, mas tira a inspiração das coisas do dia-a-dia. “O fato de criar, como diria Herchcovitch, é expor seus sentimentos. Criação é sinestesia pura. É cheiro que estimula, música, personalidades, barulho, perfume, voz…”, explica.

Além dos modelos base, que podem ser encomendados pelos clientes,  Diego também aceita propostas de peças exclusivas, mas já adianta que, se os modelos base demoram cerca de uma semana para serem entregues, estas levariam ainda mais tempo.

Os modelos são divulgados em seu Instagram e as encomendas devem ser feitas via WhatsApp ou Facebook. A forma de entrega pode ser negociada com o cliente. Os valores das peças diferem de encomenda a encomenda, devido a diversos fatores como quantidade de material e complexidade do trabalho, mas variam entre R$ 60,00 e R$ 100,00.

Serviço
Facebook: Diego Panassol
WhatsApp: (85) 9812.7143

DIEGO PANASSOL
1/5

DIEGO PANASSOL

Diego Panassol aprendeu a fazer calçados em couro sozinho – Sandália Anda Luzia R$ 70,00

DIEGO PANASSOL
2/5

DIEGO PANASSOL

A produção de uma peça demora em torno de um dia – Oxford em padronagem vazada

DIEGO PANASSOL
3/5

DIEGO PANASSOL

O designer possui modelos base, mas recebe sugestões de peças excluisivas – Sandália Travessia R$ 60,00

DIEGO PANASSOL
4/5

DIEGO PANASSOL

Suas peças seguem uma estética minimalista – Oxford com técnica de estamparia manual sobre couro

DIEGO PANASSOL
5/5

DIEGO PANASSOL

As encomendas podem ser feitas via Facebook e WhatsApp – Sandália Anda Luzia caramelo R$ 70,00

 

 

 

 

 

 

 

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Designer cearense auto-didata faz sapatos de couro sob encomenda

O trabalho de Diego Panassol segue o conceito de slow fashion e encanta pelo trabalho manual das peças

Por Ana Beatriz Leite em Moda

5 de agosto de 2015 às 07:00

Há 4 anos
Diego Panassol tem 24 anos e é designer auto-didata

Diego Panassol tem 24 anos e é designer auto-didata

Na contramão das produções de massa, em tempos em que tudo é “fast”, surge uma pontinha de esperança com o conceito de slow fashion. Roupas feitas a mão, com tempo para o detalhamento das peças e em produção de baixa escala, é o que propõe o movimento que tem ganhado cada vez mais adeptos no mundo da moda.

O cearense Diego Panassol, 24 anos, faz sapatos de couro em produção autoral. Uma semana é o tempo médio que seus clientes esperam para receber um par. O resultado, peças trabalhadas e feitas com muito carinho. “Prefiro ir contra a maré e propor um pouco de magia para quem se interessa. E quem gosta de moda, valoriza o trabalho manual”, explica o jovem designer.

Mas o slow não é a única magia de seu trabalho. Ainda mais que esse caráter, o que encanta é saber que o rapaz aprendeu tudo que faz hoje de forma auto-didata. Diego conta que, na verdade, nunca foi antenado em moda. Iniciou sua vida acadêmica cursando Farmácia e, infeliz com o curso, percebeu que queria trabalhar em uma área em que pudesse expressar melhor suas ideias.

Já em outro curso, Marketing, teve seu primeiro contato direto com a produção de moda. Começou a fazer serigrafia em camisetas, técnica que aprendeu sozinho, para vender. Ele buscava editoriais de serigrafia na internet e tentava reproduzir em casa.

Foi quando uma amiga que cursava Design de Moda se interessou por suas estampas e propôs que os dois fizessem sapatos serigrafados. Sua amiga também não conhecia a técnica de fazer calçados, mas, devido à graduação, possuía as noções básicas para modelagem. Como já era de se esperar, a produção da primeira peça foi um desastre. “O sapato ficou inteiro torto e escapava do calcanhar”, lembra. Sua amiga logo desistiu, mas, pelo desafio, Diego continuou produzindo e se apaixonou pelo ofício.

O auto-didatismo não veio por escolha e sim porque o acesso a essas técnicas é difícil. Com o tempo e depois de muitas tentativas, o rapaz desenvolveu um método que deu certo. Mas o mergulho na produção, mesmo que ainda receoso, se deu pela vontade de ter seu próprio trabalho.

“Como meu aprendizado é autodidata, eu tinha bastante receio de que as coisas não funcionassem e de que as peças dessem algum tipo de problema. Daí por estar receoso em comercializar essa ideia dos sapatos, eu preferia produzir para uso próprio. Foi nesse tempo que percebi os pontos que eu deveria melhorar e depois me senti confiável para colocar para venda”, conta o designer.

Foi correndo riscos e aplicando conceitos de empreendedorismo que Diego Panassol fez seu nome no mercado da capital. Com o aumento da demanda, decidiu se dedicar em tempo integral ao ofício e trancou o curso de Marketing na Unifor temporariamente.

A marca que leva o nome do seu autor existe apenas nas redes sociais e, hoje, faz a renda do designer. Ambicioso, Diego possui planos de abrir uma loja física, com produção ampliada. Mas pretende manter o trabalho autoral e a pequena cadeia de produção, permanecendo fiel aos conceitos do slow fashion. “São ideias que eu tenho em mente e que eu tenho que testar para ver como elas reagem no mercado”, revela.

Suas peças têm uma estética limpa e minimalista, e o designer conta que não possui uma figura inspiradora, mas tira a inspiração das coisas do dia-a-dia. “O fato de criar, como diria Herchcovitch, é expor seus sentimentos. Criação é sinestesia pura. É cheiro que estimula, música, personalidades, barulho, perfume, voz…”, explica.

Além dos modelos base, que podem ser encomendados pelos clientes,  Diego também aceita propostas de peças exclusivas, mas já adianta que, se os modelos base demoram cerca de uma semana para serem entregues, estas levariam ainda mais tempo.

Os modelos são divulgados em seu Instagram e as encomendas devem ser feitas via WhatsApp ou Facebook. A forma de entrega pode ser negociada com o cliente. Os valores das peças diferem de encomenda a encomenda, devido a diversos fatores como quantidade de material e complexidade do trabalho, mas variam entre R$ 60,00 e R$ 100,00.

Serviço
Facebook: Diego Panassol
WhatsApp: (85) 9812.7143

DIEGO PANASSOL
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DIEGO PANASSOL

Diego Panassol aprendeu a fazer calçados em couro sozinho – Sandália Anda Luzia R$ 70,00

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DIEGO PANASSOL

A produção de uma peça demora em torno de um dia – Oxford em padronagem vazada

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DIEGO PANASSOL

O designer possui modelos base, mas recebe sugestões de peças excluisivas – Sandália Travessia R$ 60,00

DIEGO PANASSOL
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DIEGO PANASSOL

Suas peças seguem uma estética minimalista – Oxford com técnica de estamparia manual sobre couro

DIEGO PANASSOL
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DIEGO PANASSOL

As encomendas podem ser feitas via Facebook e WhatsApp – Sandália Anda Luzia caramelo R$ 70,00