Augusto Bonequeiro: o humor por meio de bonecos


Augusto Bonequeiro: o humor por meio de bonecos

Série ‘Por Trás da Fantasia’ vai trazer cinco reportagens sobre o humor

Por Ana Beatriz Leite em Humor

28 de janeiro de 2013 às 16:12

Há 6 anos

O povo cearense tem o bom humor como uma das suas principais características. Esse atributo é tão marcante, que se tornou um dos atrativos turísticos da cidade de Fortaleza e faz a alegria de quem aqui mora e quem aqui vem.

A partir desta segunda-feira (28), você vai conferir a série ‘Por trás da Fantasia’, que vai contar a história de cinco humoristas, suas experiências e curiosidades.

Dono de um acervo com cerca de 100 bonecos, entre mamulengos e fantoches, Augusto Bonequeiro, ou Augusto César Barreto Oliveira, atualmente trabalha intensamente com o boneco Fuleragem em casas do humor, na capital cearense.

Confira galeria de fotos da coleção do humorista

Humorista com o personagem Cocorote, inspirado em Zé Carioca (Foto: Renata Pimentel)

O começo

Formado professor de Educação Artística, o pernambucano Augusto tinha no palco o ambiente para desenvolver seu trabalho com crianças e adolescentes, ainda em sua terra natal, na década de 70. Esse trabalho era desenvolvido em escolas particulares, mas o cenário nas instituições públicas não era o mesmo e a solução era inovar.

‘Foi a partir dessa dificuldade que eu comecei a trabalhar com ventriloquia (uso do artifício de falar, ao mesmo tempo em que manipula um boneco). Em seguida, comecei a pesquisar sobre bonecos, daí nasceu o Festival Brasileiro de Bonecos e eu me apaixonei de vez’, relembra.

Já na década de 80, o bonequeiro veio a Fortaleza e montou um grupo onde 90% do trabalho era voltado para crianças. Mas o mercado atual o fez mudar o perfil do seu trabalho.

‘Há 20 anos o público mudou e não porque eu quis, mas pelo espaço. As escolas não investem mais nesse tipo de trabalho e fui levado para o público adulto. Antes eu fazia apresentações em festa de aniversários, escolas, mas esse mercado foi definhando. Nos últimos 10 anos, de 20 apresentações, somente duas eram para crianças’, explica.

O público muda e a linguagem também

Os adultos se tornaram o alvo de Augusto Bonequeiro e com isso, os textos sofreram alteração também. Quando está em ação com o Fuleragem, ele explica que começou a usar palavrões, palavras picantes. ‘As piadas são mais escrachadas e com ar de deboche’, completa.

Juntos com a mudança surgiram novas experiências e consequentemente situações engraçadas. Augusto nos conta uma história que resultou em uma denúncia contra o boneco Fuleragem.

‘Em meados dos anos 90 eu e o Fuleragem fomos fazer um show em uma barraca de praia. Um senhor estava acompanhado de duas garotas, ele já tinha bebido bastante e começou a tirar onda com o boneco – aquilo começou a me irritar e eu, ou melhor, o Fuleragem fez uma piada que ele não gostou. No fim das contas, eles foi para a delegacia e registrou um Boletim de Ocorrência (B.O) contra o boneco. A apresentação já tinha terminado quando a polícia chegou perguntando pelo Fuleragem e quando eu mostrei quem era o pessoal caiu na gargalhada. Até agora o B.O deve está lá’,  (risos).

O Fuleragem

Augusto posa com seu xodó (Foto: Renata Pimentel)

Xodó do humoristas, o Fuleragem pesa mais de 6 quilos e foi totalmente adaptado por Augusto e feito pelas mãos de Pedro ‘Boca Rica’. ‘Ele era pra ser uma marionete, mas como era muito pesado não dava para manipular. Decidi tirar todas as estruturas e fiz transformações para ser um boneco de ventriloquia’, esclarece.

Ele também fala sobre a escolha do nome. ‘Eu pensei em colocar um nome bem cearense. Pensei em Severino, Zé alguma coisa e acabou sendo Fuleragem’. A relação entre criador e criatura é muito forte, o ator faz frequentemente manutenção no seu ‘amigo’ e não o vende por nada. ‘Vender? De jeito nenhum’, enfatiza.

Além dos cuidados com seu principal personagem, Augusto também foi responsável durante 15 anos pelo Seu Encreca – boneco feito de espuma, que era dono de uma bodega – o programa era exibido na TV Jangadeiro.

Outra criação que ele destaca é o Cocorote, um papagaio inspirado no Zé Carioca, de Maurício de Sousa. ‘Tenho esse boneco há 30 anos e ele me rendeu grandes alegrias’.

Confira a parceria entre Fuleragem e Augusto Bonequeiro

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Augusto Bonequeiro: o humor por meio de bonecos

Série ‘Por Trás da Fantasia’ vai trazer cinco reportagens sobre o humor

Por Ana Beatriz Leite em Humor

28 de janeiro de 2013 às 16:12

Há 6 anos

O povo cearense tem o bom humor como uma das suas principais características. Esse atributo é tão marcante, que se tornou um dos atrativos turísticos da cidade de Fortaleza e faz a alegria de quem aqui mora e quem aqui vem.

A partir desta segunda-feira (28), você vai conferir a série ‘Por trás da Fantasia’, que vai contar a história de cinco humoristas, suas experiências e curiosidades.

Dono de um acervo com cerca de 100 bonecos, entre mamulengos e fantoches, Augusto Bonequeiro, ou Augusto César Barreto Oliveira, atualmente trabalha intensamente com o boneco Fuleragem em casas do humor, na capital cearense.

Confira galeria de fotos da coleção do humorista

Humorista com o personagem Cocorote, inspirado em Zé Carioca (Foto: Renata Pimentel)

O começo

Formado professor de Educação Artística, o pernambucano Augusto tinha no palco o ambiente para desenvolver seu trabalho com crianças e adolescentes, ainda em sua terra natal, na década de 70. Esse trabalho era desenvolvido em escolas particulares, mas o cenário nas instituições públicas não era o mesmo e a solução era inovar.

‘Foi a partir dessa dificuldade que eu comecei a trabalhar com ventriloquia (uso do artifício de falar, ao mesmo tempo em que manipula um boneco). Em seguida, comecei a pesquisar sobre bonecos, daí nasceu o Festival Brasileiro de Bonecos e eu me apaixonei de vez’, relembra.

Já na década de 80, o bonequeiro veio a Fortaleza e montou um grupo onde 90% do trabalho era voltado para crianças. Mas o mercado atual o fez mudar o perfil do seu trabalho.

‘Há 20 anos o público mudou e não porque eu quis, mas pelo espaço. As escolas não investem mais nesse tipo de trabalho e fui levado para o público adulto. Antes eu fazia apresentações em festa de aniversários, escolas, mas esse mercado foi definhando. Nos últimos 10 anos, de 20 apresentações, somente duas eram para crianças’, explica.

O público muda e a linguagem também

Os adultos se tornaram o alvo de Augusto Bonequeiro e com isso, os textos sofreram alteração também. Quando está em ação com o Fuleragem, ele explica que começou a usar palavrões, palavras picantes. ‘As piadas são mais escrachadas e com ar de deboche’, completa.

Juntos com a mudança surgiram novas experiências e consequentemente situações engraçadas. Augusto nos conta uma história que resultou em uma denúncia contra o boneco Fuleragem.

‘Em meados dos anos 90 eu e o Fuleragem fomos fazer um show em uma barraca de praia. Um senhor estava acompanhado de duas garotas, ele já tinha bebido bastante e começou a tirar onda com o boneco – aquilo começou a me irritar e eu, ou melhor, o Fuleragem fez uma piada que ele não gostou. No fim das contas, eles foi para a delegacia e registrou um Boletim de Ocorrência (B.O) contra o boneco. A apresentação já tinha terminado quando a polícia chegou perguntando pelo Fuleragem e quando eu mostrei quem era o pessoal caiu na gargalhada. Até agora o B.O deve está lá’,  (risos).

O Fuleragem

Augusto posa com seu xodó (Foto: Renata Pimentel)

Xodó do humoristas, o Fuleragem pesa mais de 6 quilos e foi totalmente adaptado por Augusto e feito pelas mãos de Pedro ‘Boca Rica’. ‘Ele era pra ser uma marionete, mas como era muito pesado não dava para manipular. Decidi tirar todas as estruturas e fiz transformações para ser um boneco de ventriloquia’, esclarece.

Ele também fala sobre a escolha do nome. ‘Eu pensei em colocar um nome bem cearense. Pensei em Severino, Zé alguma coisa e acabou sendo Fuleragem’. A relação entre criador e criatura é muito forte, o ator faz frequentemente manutenção no seu ‘amigo’ e não o vende por nada. ‘Vender? De jeito nenhum’, enfatiza.

Além dos cuidados com seu principal personagem, Augusto também foi responsável durante 15 anos pelo Seu Encreca – boneco feito de espuma, que era dono de uma bodega – o programa era exibido na TV Jangadeiro.

Outra criação que ele destaca é o Cocorote, um papagaio inspirado no Zé Carioca, de Maurício de Sousa. ‘Tenho esse boneco há 30 anos e ele me rendeu grandes alegrias’.

Confira a parceria entre Fuleragem e Augusto Bonequeiro