Artista usa espaço urbano para ressignificar o cotidiano em Fortaleza


Artista usa espaço urbano para ressignificar o cotidiano em Fortaleza

À frente do Filtro de Papel, Leandro Alves se apropria do espaço urbano e dá cor às ruas de Fortaleza através do grafite e stencil

Por Ana Beatriz Leite em Cultura

16 de janeiro de 2016 às 06:00

Há 3 anos
Leandro Alves é artista urbano freelancer e desenvolve trabalhos artísticos para a cena cultural de Fortaleza (FOTO: Arquivo Pessoal)

Leandro Alves é artista urbano freelancer e desenvolve trabalhos artísticos para a cena cultural de Fortaleza (FOTO: Arquivo Pessoal)

Você talvez já tenha se deparado com a frase “+ cor” pelas ruas de Fortaleza ou, quem sabe, com alguma citação de Leminski, como a famosa “Repara bem no que não digo”.

Leandro Alves é o nome por trás dessas intervenções e de muitas outras que ajudam a embelezar o espaço urbano da capital cearense. O artista de 30 anos está à frente do Filtro de Papel, projeto que se relaciona com ofício que é seu meio de vida e que busca promover reflexões através da arte de rua.

“Costumo dizer que dei continuidade à minha fase de criança de experimentar e descobrir o mundo, e nos dias atuais esse imaginário reflete minha relação com a arte, rua e cidade”. Como artista urbano freelancer, além de desenvolver trabalhos para a vida cultural da cidade, Leandro trabalha também com projetos de decoração residenciais a partir do grafite. No Filtro de Papel, recebe ainda a ajuda da esposa, Adriana Vieira, e da filha pequena Lourença.

Tribuna do Ceará: O que é o Filtro de Papel?

Leandro Alves: O projeto é fruto de reflexões de artista que tinha acabado de sair de uma formação de um grupo, mas não queria parar com as atividade de democratização da arte pública, porém casando a ideia street art à um estilo de vida e ofício. É um projeto de pesquisa/produção com intervenções urbanas, que visa possibilitar ao público um espaço de reflexão através da produção de imagens no universo do grafite, stencil, arte digital e fotografia, utilizando técnicas diversas e alternativas com materiais acessíveis.

Tribuna: Pelo que percebi, as ruas são sua plataforma preferida. Por quê?

Leandro: A rua é um espaço que me acompanha desde moleque. Lembro nas minha memória fotográficas eu com mais dois amigos saindo pela comunidade recolhendo o lixo das casas para o espaço de coleta, para no final do dia recolher as moedas e comprar um pão passado com cajuína (risos). Outros tempos! Hoje entendo quando as pessoas mais idosas dizem: no meu tempo era diferente. Então essa relação com a rua é desde muito cedo, isso me fez perceber o potencial que o espaço das ruas tem com sua diversidade de pessoas, suportes, elementos e objetos urbanos, potencializando e ressignificando minha relação artística e pessoal com a cidade.

Tribuna: O que você diria que define o estilo da sua arte? Aquilo que, na sua opinião, torna ela única e faz com que o público a reconheça como sua?

Leandro: Meu trabalho de artista urbano tem uma linha, um estilo bem peculiar, em um processo que considero o mesmo, experimentações visuais a partir das substâncias da matéria e a apropriação do espaço urbano como suporte e galeria ao ar livre. Podemos, por exemplo, desenhar várias linhas de reflexão à respeito do espaço urbano, como questões ambientais, poéticas, a democratização da arte de forma legítima, a apropriação do espaço público, sendo protagonista da minha própria história. Penso que isso torna minha arte “única”, particular do meu eu para a cidade e da cidade para mim.

Tribuna: De onde você tira inspiração para as obras? Tem outros artistas como referência?

Leandro: Vivemos em o mundo que somos bombardeados por informações publicitárias e mercadológicas, que não deixam de ser referências. Mas minhas principais referências vêm do cotidiano, do cinema, fotografia, música, ilustração, animação etc. Por exemplo, fui contemplado no 66º Salão de Abril, em 2015, com a proposta da segunda ação da série “O ser fotográfico” onde o projeto principal tinha como base um trecho da música do Black Alien que diz mais ou menos assim: “Você se assusta com o barulho da bala. Desde moleque eu sou acostumado a adivinhar qual é a arma, isso não é novidade nessa parte da cidade”. Quando estava ouvindo essa canção, me senti no dever de falar sobre a violência, da minha realidade, sacrificando um passarinho do mau imaginário, um dos símbolos que é bastante forte na minha produção. Então as referências não se limitam à artista da arte clássica, como Diego Velásquez e Caravaggio. Os contemporâneos, tenho como referência Borondo, Etam Cru, C215.

Tribuna: Em várias de suas intervenções você usa a frase “+ cor”. Para você, qual é a importância de dar cor à cidade?

Leandro: + cor foi um série de ações em caixas telefônicas desenvolvidas logo no início do projeto Filtro de Papel, junto com “O ser fotográfico”, “As superfícies dos corpos”, entre outros. Vivemos em uma cidade muito caótica, onde as pessoas cada vez mais são condicionadas em atividades cotidianas, afastando-as das relações poéticas com o espaço urbano. Esse é um dos principais objetivos que enxergo na importância da cidade ter mais cor, ressignificar, resgatar, desconstruir e construir sensações, memórias e o reconhecimento da importância dos espaços urbanos além da simples locomoção de ir e vir. Precisamos de mais cor, mais cor, mais cor…

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Leandro Alves é o artista à frente do Filtro de Papel, projeto que busca promover reflexões através da arte de rua (FOTO: Reprodução/Facebook)

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À frente do Filtro de Papel, Leandro Alves se apropria do espaço urbano e dá cor às ruas de Fortaleza através do grafite e stencil

Por Ana Beatriz Leite em Cultura

16 de janeiro de 2016 às 06:00

Há 3 anos
Leandro Alves é artista urbano freelancer e desenvolve trabalhos artísticos para a cena cultural de Fortaleza (FOTO: Arquivo Pessoal)

Leandro Alves é artista urbano freelancer e desenvolve trabalhos artísticos para a cena cultural de Fortaleza (FOTO: Arquivo Pessoal)

Você talvez já tenha se deparado com a frase “+ cor” pelas ruas de Fortaleza ou, quem sabe, com alguma citação de Leminski, como a famosa “Repara bem no que não digo”.

Leandro Alves é o nome por trás dessas intervenções e de muitas outras que ajudam a embelezar o espaço urbano da capital cearense. O artista de 30 anos está à frente do Filtro de Papel, projeto que se relaciona com ofício que é seu meio de vida e que busca promover reflexões através da arte de rua.

“Costumo dizer que dei continuidade à minha fase de criança de experimentar e descobrir o mundo, e nos dias atuais esse imaginário reflete minha relação com a arte, rua e cidade”. Como artista urbano freelancer, além de desenvolver trabalhos para a vida cultural da cidade, Leandro trabalha também com projetos de decoração residenciais a partir do grafite. No Filtro de Papel, recebe ainda a ajuda da esposa, Adriana Vieira, e da filha pequena Lourença.

Tribuna do Ceará: O que é o Filtro de Papel?

Leandro Alves: O projeto é fruto de reflexões de artista que tinha acabado de sair de uma formação de um grupo, mas não queria parar com as atividade de democratização da arte pública, porém casando a ideia street art à um estilo de vida e ofício. É um projeto de pesquisa/produção com intervenções urbanas, que visa possibilitar ao público um espaço de reflexão através da produção de imagens no universo do grafite, stencil, arte digital e fotografia, utilizando técnicas diversas e alternativas com materiais acessíveis.

Tribuna: Pelo que percebi, as ruas são sua plataforma preferida. Por quê?

Leandro: A rua é um espaço que me acompanha desde moleque. Lembro nas minha memória fotográficas eu com mais dois amigos saindo pela comunidade recolhendo o lixo das casas para o espaço de coleta, para no final do dia recolher as moedas e comprar um pão passado com cajuína (risos). Outros tempos! Hoje entendo quando as pessoas mais idosas dizem: no meu tempo era diferente. Então essa relação com a rua é desde muito cedo, isso me fez perceber o potencial que o espaço das ruas tem com sua diversidade de pessoas, suportes, elementos e objetos urbanos, potencializando e ressignificando minha relação artística e pessoal com a cidade.

Tribuna: O que você diria que define o estilo da sua arte? Aquilo que, na sua opinião, torna ela única e faz com que o público a reconheça como sua?

Leandro: Meu trabalho de artista urbano tem uma linha, um estilo bem peculiar, em um processo que considero o mesmo, experimentações visuais a partir das substâncias da matéria e a apropriação do espaço urbano como suporte e galeria ao ar livre. Podemos, por exemplo, desenhar várias linhas de reflexão à respeito do espaço urbano, como questões ambientais, poéticas, a democratização da arte de forma legítima, a apropriação do espaço público, sendo protagonista da minha própria história. Penso que isso torna minha arte “única”, particular do meu eu para a cidade e da cidade para mim.

Tribuna: De onde você tira inspiração para as obras? Tem outros artistas como referência?

Leandro: Vivemos em o mundo que somos bombardeados por informações publicitárias e mercadológicas, que não deixam de ser referências. Mas minhas principais referências vêm do cotidiano, do cinema, fotografia, música, ilustração, animação etc. Por exemplo, fui contemplado no 66º Salão de Abril, em 2015, com a proposta da segunda ação da série “O ser fotográfico” onde o projeto principal tinha como base um trecho da música do Black Alien que diz mais ou menos assim: “Você se assusta com o barulho da bala. Desde moleque eu sou acostumado a adivinhar qual é a arma, isso não é novidade nessa parte da cidade”. Quando estava ouvindo essa canção, me senti no dever de falar sobre a violência, da minha realidade, sacrificando um passarinho do mau imaginário, um dos símbolos que é bastante forte na minha produção. Então as referências não se limitam à artista da arte clássica, como Diego Velásquez e Caravaggio. Os contemporâneos, tenho como referência Borondo, Etam Cru, C215.

Tribuna: Em várias de suas intervenções você usa a frase “+ cor”. Para você, qual é a importância de dar cor à cidade?

Leandro: + cor foi um série de ações em caixas telefônicas desenvolvidas logo no início do projeto Filtro de Papel, junto com “O ser fotográfico”, “As superfícies dos corpos”, entre outros. Vivemos em uma cidade muito caótica, onde as pessoas cada vez mais são condicionadas em atividades cotidianas, afastando-as das relações poéticas com o espaço urbano. Esse é um dos principais objetivos que enxergo na importância da cidade ter mais cor, ressignificar, resgatar, desconstruir e construir sensações, memórias e o reconhecimento da importância dos espaços urbanos além da simples locomoção de ir e vir. Precisamos de mais cor, mais cor, mais cor…

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