Estreia da semana mostra que seres humanos são mais estranhos que o robô "Chappie"


Estreia da semana, “Chappie” mostra que seres humanos são mais estranhos que seu robô

Ficção é a nova produção do diretor Neill Blomkap de “Distrito 9” (indicado ao Ocsar) e “Elysium”; estreiam também “Não Olhe Para Trás” e “As Maravilhas”

Por Wolney Batista em Cinema

16 de abril de 2015 às 08:00

Há 4 anos
"Chappie" se passa  África do Sul em um tempo que policiais são substituídos por robôs  (FOTO: Divulgação)

“Chappie” se passa África do Sul em um tempo que policiais são substituídos por robôs (FOTO: Divulgação)

A inteligência artificial é o mote para a ficção “Chappie“, maior estreia desta quinta-feira (16) nos cinemas – confira todas as sessões nas salas da Grande Fortaleza.

O novo filme de Neill Blomkap divide as críticas mas garante uma unanimidade entre os especialistas: não é tão bom quanto “Distrito 9” nem tão fraco quanto “Elysium“, duas produções anteriores do diretor.

“Chappie” (2015) se passa na Joanesburgo do futuro, na África do Sul, quando os governantes decidem substituir os policiais humanos por uma frota de resistentes robôs e dotados de inteligência artificial.

O criador dos modelos, o cientista Deon (Dev Patel, de Quem Quer ser Um Milionário), sonha em embutir emoções nos robôs, mas a diretora da empresa de segurança (Sigourney Weaver, de Avatar) desaprova a ideia.

Diante disso, ele rouba um modelo defeituoso e faz experiências, até conseguir criar Chappie (Sharlto Copley – em atuação por captura de movimentos), um robô capaz de pensar e aprender por conta própria. Mas o robô é roubado por uma dupla de ladrões (os rappers Die Antwoord) que precisa da ajuda para um assalto a banco. Quando Vincent (Hugh Jackman, o eterno Wolverine), um engenheiro rival de Deon, decide sabotar as experiências do colega de trabalho, a segurança do país e o futuro de Chappie correm riscos.

“Robô com corpo de um assassino, mas a mente de uma criança, em ‘Chappie’, o cineasta sul-africano engata o chip da emoção ao levantar o fator de estranheza social para esta amável sátira cibernética. Graças a uma maravilhosa performance de captura de movimentos e voz de Sharlto Copley, este robô é muito mais: é adorável, simpático e até mesmo relacionável, enfim, uma alma perdida em um mundo cruel”, aprecia o Timeout, que conferiu quatro estrelas, para o máximo de cinco.

A admiração não foi acompanhada pelo colunista brasileiro Rodrigo Salém, do jornal Folha de São Paulo. “‘Chappie’ é uma decepção, mas não é vergonhoso. O robô é um personagem maravilhoso, mas que sofre com todos os problemas ao seu redor. Os efeitos são de cair o queixo e devem ser indicados ao Oscar. Mas é muito pouco para um cineasta que prometia ser um dos grandes representantes do universo fantástico em Hollywood”.

Menos rigoroso que o brasileiro, o Los Angeles Weekly apresenta uma diagnóstico ponderado do longa. “É difícil dizer não à ‘Chappie’, apesar de falhas óbvias. O enredo é simples e bons atores como Hugh Jackman e Sigourney Weaver estão simplesmente soltos para fazer parte da paisagem. Mas há algo sem medo, e irresistível sobre o filme: a pureza do personagem. ‘Chappie’ é emocional de forma diferente, pois mostra que os seres humanos são mais estranhos que o robô protagonista”.

Al Pacino

A outra estreia desta semana é o filme “Não Olhe Para Trás” (Danny Collins, 2015), baseado em fatos reaise estreia na direção do roteirista Dan Gogelman – que assina as animações de sucesso Enrolados (2010), Bolt: o supercão (2008) e Carros (2006).

Protagonizada por Al Pacino, a produção conta a história de Danny Collins (Pacino) um músico muito popular que vive há mais de 30 anos sem compor uma música sequer, apenas reprisando os seus maiores sucessos. Cansado da rotina de drogas e excessos, ele descobre uma carta que John Lennon escreveu para ele há décadas, mas que nunca tinha chegado às suas mãos. Inspirado pelas palavras do músico, Danny decide interromper a carreira e tentar reatar com o filho já adulto, que ele nunca conheceu.

Cinema de Arte

“As Maravilhas” (Le Meraviglie, 2014), da italiana Alice Rohrwacher, estreia no Cinema de Arte no Cinépolis do Shopping Riomar.

Ganhador do Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes, do Prêmio Especial do Júri e de Melhor Atriz do Festival de Sevilha-Espanha, e de Melhor Roteiro do Festival de Mar del Plata, o drama expressa o ambiente rural italiano quase intocado no tempo e as famílias mantidas à moda antiga por pais que se adequam à natureza e distante da sociedade tecnológica.

Grande sucesso de público local, “Um Fim de Semana em Paris” (Le Week-end, 2013) – do mesmo diretor de Um Lugar Chamado Notting Hill (1999) continua em cartaz, pela terceira semana consecutiva. O Cinema de Arte tem sessões no Cinépolis Riomar, de segunda a sexta-feira, às 19h30; aos sábados, 10h30; e domingos, ao 12h.

Cinema Dragão do Mar

“As Maravilhas” também é a principal estreia da semana do cinema do Dragão do Mar. Segue em cartaz “Vício Inerente”, “O Sal da Terra”, “Eden” e “Bem Perto de Buenos Aires”.

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Estreia da semana, “Chappie” mostra que seres humanos são mais estranhos que seu robô

Ficção é a nova produção do diretor Neill Blomkap de “Distrito 9” (indicado ao Ocsar) e “Elysium”; estreiam também “Não Olhe Para Trás” e “As Maravilhas”

Por Wolney Batista em Cinema

16 de abril de 2015 às 08:00

Há 4 anos
"Chappie" se passa  África do Sul em um tempo que policiais são substituídos por robôs  (FOTO: Divulgação)

“Chappie” se passa África do Sul em um tempo que policiais são substituídos por robôs (FOTO: Divulgação)

A inteligência artificial é o mote para a ficção “Chappie“, maior estreia desta quinta-feira (16) nos cinemas – confira todas as sessões nas salas da Grande Fortaleza.

O novo filme de Neill Blomkap divide as críticas mas garante uma unanimidade entre os especialistas: não é tão bom quanto “Distrito 9” nem tão fraco quanto “Elysium“, duas produções anteriores do diretor.

“Chappie” (2015) se passa na Joanesburgo do futuro, na África do Sul, quando os governantes decidem substituir os policiais humanos por uma frota de resistentes robôs e dotados de inteligência artificial.

O criador dos modelos, o cientista Deon (Dev Patel, de Quem Quer ser Um Milionário), sonha em embutir emoções nos robôs, mas a diretora da empresa de segurança (Sigourney Weaver, de Avatar) desaprova a ideia.

Diante disso, ele rouba um modelo defeituoso e faz experiências, até conseguir criar Chappie (Sharlto Copley – em atuação por captura de movimentos), um robô capaz de pensar e aprender por conta própria. Mas o robô é roubado por uma dupla de ladrões (os rappers Die Antwoord) que precisa da ajuda para um assalto a banco. Quando Vincent (Hugh Jackman, o eterno Wolverine), um engenheiro rival de Deon, decide sabotar as experiências do colega de trabalho, a segurança do país e o futuro de Chappie correm riscos.

“Robô com corpo de um assassino, mas a mente de uma criança, em ‘Chappie’, o cineasta sul-africano engata o chip da emoção ao levantar o fator de estranheza social para esta amável sátira cibernética. Graças a uma maravilhosa performance de captura de movimentos e voz de Sharlto Copley, este robô é muito mais: é adorável, simpático e até mesmo relacionável, enfim, uma alma perdida em um mundo cruel”, aprecia o Timeout, que conferiu quatro estrelas, para o máximo de cinco.

A admiração não foi acompanhada pelo colunista brasileiro Rodrigo Salém, do jornal Folha de São Paulo. “‘Chappie’ é uma decepção, mas não é vergonhoso. O robô é um personagem maravilhoso, mas que sofre com todos os problemas ao seu redor. Os efeitos são de cair o queixo e devem ser indicados ao Oscar. Mas é muito pouco para um cineasta que prometia ser um dos grandes representantes do universo fantástico em Hollywood”.

Menos rigoroso que o brasileiro, o Los Angeles Weekly apresenta uma diagnóstico ponderado do longa. “É difícil dizer não à ‘Chappie’, apesar de falhas óbvias. O enredo é simples e bons atores como Hugh Jackman e Sigourney Weaver estão simplesmente soltos para fazer parte da paisagem. Mas há algo sem medo, e irresistível sobre o filme: a pureza do personagem. ‘Chappie’ é emocional de forma diferente, pois mostra que os seres humanos são mais estranhos que o robô protagonista”.

Al Pacino

A outra estreia desta semana é o filme “Não Olhe Para Trás” (Danny Collins, 2015), baseado em fatos reaise estreia na direção do roteirista Dan Gogelman – que assina as animações de sucesso Enrolados (2010), Bolt: o supercão (2008) e Carros (2006).

Protagonizada por Al Pacino, a produção conta a história de Danny Collins (Pacino) um músico muito popular que vive há mais de 30 anos sem compor uma música sequer, apenas reprisando os seus maiores sucessos. Cansado da rotina de drogas e excessos, ele descobre uma carta que John Lennon escreveu para ele há décadas, mas que nunca tinha chegado às suas mãos. Inspirado pelas palavras do músico, Danny decide interromper a carreira e tentar reatar com o filho já adulto, que ele nunca conheceu.

Cinema de Arte

“As Maravilhas” (Le Meraviglie, 2014), da italiana Alice Rohrwacher, estreia no Cinema de Arte no Cinépolis do Shopping Riomar.

Ganhador do Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes, do Prêmio Especial do Júri e de Melhor Atriz do Festival de Sevilha-Espanha, e de Melhor Roteiro do Festival de Mar del Plata, o drama expressa o ambiente rural italiano quase intocado no tempo e as famílias mantidas à moda antiga por pais que se adequam à natureza e distante da sociedade tecnológica.

Grande sucesso de público local, “Um Fim de Semana em Paris” (Le Week-end, 2013) – do mesmo diretor de Um Lugar Chamado Notting Hill (1999) continua em cartaz, pela terceira semana consecutiva. O Cinema de Arte tem sessões no Cinépolis Riomar, de segunda a sexta-feira, às 19h30; aos sábados, 10h30; e domingos, ao 12h.

Cinema Dragão do Mar

“As Maravilhas” também é a principal estreia da semana do cinema do Dragão do Mar. Segue em cartaz “Vício Inerente”, “O Sal da Terra”, “Eden” e “Bem Perto de Buenos Aires”.