Documentário cearense conta a história de ex-presidiário de Fortaleza

MINAS GERAIS

Documentário cearense conta a história de ex-presidiário de Fortaleza

O filme mostra a realidade de Ivan Silva, que está em liberdade condicional e vive monitorado através da tornozeleira eletrônica

Por Lyvia Rocha em Cinema

27 de janeiro de 2017 às 07:00

Há 2 anos

Ivan Silva passa 8 horas trabalhando apertando parafuso por determinação da Justiça (FOTO: Reprodução)

Um cenário que é invisível por muitos e uma realidade que pouco se conta. Assim é o documentário “Corpo Delito” que fala da história de Ivan Silva, homem que ficou preso por 8 anos que, agora tem a chance de voltar a conviver em sociedade, mas com uma restrição: a tornozeleira eletrônica, pois o mesmo ainda está em liberdade condicional.

O filme de 74 minutos tem direção cearense Pedro Rocha e o roteiro de Diego Hoefel estreia nacional na Mostra de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais, nesta sexta-feira (27). A história se passa na favela dos índios, próximo a Via Expressa e ao terminal do Papicu, local invisível a sociedade da classe média e alta da cidade.

A escolha pelo tema foi dá visibilidade a algo que normalmente não é contado em filmes, como explica o diretor Pedro Rocha. “Uma pesquisa foi feita ano passado e 67% das pessoas acreditam que “bandido bom é bandido morto”, então quis mostrar um pouco sobre a realidade de um ex-presidiários, os dramas que ele vive. O filme também vem um momento propício, pois tivemos vários massacres em presídios, então é bom questionar um pouco do que é passado para a população sobre essas pessoas”, afirma.

Mesmo com toda a vontade de contar essa realidade, o diretor afirmou que também teve receio da convivência em um local que não conhecia e também por ser distante do que ele convivia.

“Tivemos sim um receio, medo da comunidade imaginar que podíamos ser um policial infiltrado, um local que não é nosso, e também houve uma certa resistência de Ivan, mas conseguimos passar confiança e realizar as filmagens”, ressalta.

Durante o documentário, Ivan Silva passa por vários momentos e ao lado dele outras histórias de quem é próximo dele também se misturam no roteiro.

O grande questionamento do ex-presidiário é burlar ou não aquele equipamento de segurança da polícia que é a tornozeleira. Ele só pode ir do trabalho (por determinação da Justiça ele passa 8 horas em um fábrica apertando parafuso) para casa, e da casa para o trabalho. “Em vários momentos ele pensa se burla ou não a lei. Pois, existe uma parte de plástico na tornozeleira que ao ser retirado automaticamente ele vira foragido da justiça, esse é apenas um dos dilemas de Ivan”, conta o diretor.

O filme “Corpo Delito” foi um dos selecionados no projeto “Histórias que ficam”, um programa de consultoria, fomento e difusão do documentário brasileiro. Realizado pela Fundação CSN, ele aposta no modelo de patrocínio à documentários criativos, onde o financiador é um parceiro ativo na construção artística, oferecendo laboratórios de consultoria com cineastas renomados ao longo de todo o processo de realização dos filmes, desde o desenvolvimento do projeto até a sua exibição.

O processo começa com um concurso nacional, onde 12 projetos finalistas participam de um pitching. Ao final, quatro projetos de documentários inéditos são contemplados e recebem, cada um, o valor de até R$330 mil para a produção de um filme de 70 minutos.

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Documentário cearense conta a história de ex-presidiário de Fortaleza

O filme mostra a realidade de Ivan Silva, que está em liberdade condicional e vive monitorado através da tornozeleira eletrônica

Por Lyvia Rocha em Cinema

27 de janeiro de 2017 às 07:00

Há 2 anos

Ivan Silva passa 8 horas trabalhando apertando parafuso por determinação da Justiça (FOTO: Reprodução)

Um cenário que é invisível por muitos e uma realidade que pouco se conta. Assim é o documentário “Corpo Delito” que fala da história de Ivan Silva, homem que ficou preso por 8 anos que, agora tem a chance de voltar a conviver em sociedade, mas com uma restrição: a tornozeleira eletrônica, pois o mesmo ainda está em liberdade condicional.

O filme de 74 minutos tem direção cearense Pedro Rocha e o roteiro de Diego Hoefel estreia nacional na Mostra de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais, nesta sexta-feira (27). A história se passa na favela dos índios, próximo a Via Expressa e ao terminal do Papicu, local invisível a sociedade da classe média e alta da cidade.

A escolha pelo tema foi dá visibilidade a algo que normalmente não é contado em filmes, como explica o diretor Pedro Rocha. “Uma pesquisa foi feita ano passado e 67% das pessoas acreditam que “bandido bom é bandido morto”, então quis mostrar um pouco sobre a realidade de um ex-presidiários, os dramas que ele vive. O filme também vem um momento propício, pois tivemos vários massacres em presídios, então é bom questionar um pouco do que é passado para a população sobre essas pessoas”, afirma.

Mesmo com toda a vontade de contar essa realidade, o diretor afirmou que também teve receio da convivência em um local que não conhecia e também por ser distante do que ele convivia.

“Tivemos sim um receio, medo da comunidade imaginar que podíamos ser um policial infiltrado, um local que não é nosso, e também houve uma certa resistência de Ivan, mas conseguimos passar confiança e realizar as filmagens”, ressalta.

Durante o documentário, Ivan Silva passa por vários momentos e ao lado dele outras histórias de quem é próximo dele também se misturam no roteiro.

O grande questionamento do ex-presidiário é burlar ou não aquele equipamento de segurança da polícia que é a tornozeleira. Ele só pode ir do trabalho (por determinação da Justiça ele passa 8 horas em um fábrica apertando parafuso) para casa, e da casa para o trabalho. “Em vários momentos ele pensa se burla ou não a lei. Pois, existe uma parte de plástico na tornozeleira que ao ser retirado automaticamente ele vira foragido da justiça, esse é apenas um dos dilemas de Ivan”, conta o diretor.

O filme “Corpo Delito” foi um dos selecionados no projeto “Histórias que ficam”, um programa de consultoria, fomento e difusão do documentário brasileiro. Realizado pela Fundação CSN, ele aposta no modelo de patrocínio à documentários criativos, onde o financiador é um parceiro ativo na construção artística, oferecendo laboratórios de consultoria com cineastas renomados ao longo de todo o processo de realização dos filmes, desde o desenvolvimento do projeto até a sua exibição.

O processo começa com um concurso nacional, onde 12 projetos finalistas participam de um pitching. Ao final, quatro projetos de documentários inéditos são contemplados e recebem, cada um, o valor de até R$330 mil para a produção de um filme de 70 minutos.