Crítica: 'R.I.P.D. - Agentes do Além' é uma tortura de outro mundo


Crítica: ‘R.I.P.D. – Agentes do Além’ é uma tortura de outro mundo

Comédia de ficção é uma versão menos divertida e movimentada de MIB – Homens de Preto e estrelada por Jeff Bridges, Ryan Reynolds e Kevin Bacon

Por Thiago Sampaio em Cinema

5 de outubro de 2013 às 10:00

Há 6 anos
ripd

R.I.P.D. – Agentes do Além (FOTO: Universal/divulgação)

“R.I.P.D. – Agentes do Além” é uma tortura de outro mundo

Imagine um filme misturando ficção e comédia sobre dois agentes – um é velho e ranzinza, o outro, é um jovem novato – que trabalham em uma organização ultra-secreta e lutam contra criaturas de outro mundo. Pensou em MIB – Homens de Preto? Nada mais natural. Porém, a estreia da vez é R.I.P.D. – Agentes do Além (R.I.P.D., 2013), adaptação da graphic novel escrita por Peter Lenkov, que se apresenta como uma cópia pra lá de mal feita e que não consegue agradar em nada.

Trama

A trama apresenta Nick Walker (Ryan Reynolds), um policial que morre em serviço. Porém, sua alma é enviada para o Departamento Descanse em Paz, uma espécie de agência que trabalha às escondidas na Terra. Devido à sua experiência, Nick logo é enviado de volta à Terra para trabalhar ao lado do veterano Roy Pulsipher (Jeff Bridges) para caçar os mortos que se recusam a fazer a migração.

A semelhança com MIB – Homens de Preto (1997) não é apenas óbvia, como chega ser gritante. O diretor Robert Schwentke (dos bons Plano de Voo, 2005; Te Amarei Para Sempre, 2009; Red – Aposentados e Perigosos, 2010) não mostra a que veio e copia de maneira descarada a condução de Barry Sonnenfeld, desde os créditos inicias, com uma música animadinha e uma cena de ação introdutória. Em geral, ele se resume durante os 96 minutos a tirar qualquer esforço mental do espectador para entretê-lo com piadinhas e movimentação.

Roteiro ruim

A história praticamente não existe. Mas vindo de Phil Hay e Matt Manfredi, roteiristas (ir)responsáveis por O Terno de Dois Bilhões de Dólares (2002) e Fúria de Titãs (2010), nenhuma surpresa. Uma subtrama envolvendo corrupção na polícia e um mistério envolvendo um ouro apreendido em nada prende a atenção. E no fim das contas, tudo não passa de um plano diabólico e clichê, bem parecido com clímax do fracassado Howard, O Super-Herói (1986).

A produção até acerta no interessante conceito de os agentes “mortos-vivos” aparecerem para os humanos com uma fisionomia completamente diferente. Mas mesmo assim, a “obra” insiste em mostrar inúmeras vezes o personagem de Reynolds como um velhinho chinês e o de Bridges como uma mulher gostosa, a fim de arrancar risos do espectador. Até mesmo as tiradas cômicas ficam de lado para se prender apenas a essa estratégia, prolongada até a última cena.

3D e efeitos

Mas em um longa-metragem do estilo, espera-se pelo menos cenas de ação eficientes e bons efeitos especiais, certo? Errado! A ação não é nada diferente do que é visto em outras produções do gênero (com exceção de uma ou outra boa referência a filmes de faroeste) e os efeitos são dignos de uma ficção dos anos 90. Aliás, perdão! Naquela época tivemos obras fantásticas como O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final (1991) e Jurassic Park (1993). O que vemos aqui são bonecos claramente digitais, piorados com um efeito 3D que em nada acrescenta.

Elenco

Se por um lado Ryan Reynolds se encontra no seu tradicional piloto automático, o ótimo Jeff Bridges (apenas o alto salário justifica a sua participação!) ainda salva um pouco o filme de um fracasso geral. Com um sotaque caipira ao encarnar um ex-delegado do Velho Oeste, o veterano diverte como uma auto-paródia do seu personagem em Bravura Indômita (2010). Kevin Bacon, por sua vez, exagera na canastrice para viver um vilão nada atrativo, enquanto Mary-Louise Parker poderia ser facilmente substituída por qualquer desconhecida.

Fracasso

Mal feito, sem graça e nada original. Em meio a tantos defeitos, fica uma boa notícia sobre R.I.P.D. – Agentes do Além: com o fracasso de bilheteria nos Estados Unidos, já que custou altos U$ 130 milhões e rendeu pouco mais de U$ 33 milhões, estamos livres de uma possível continuação. Era o mínimo.

Termo vetor - segunda versão - DEITADA - 2

Publicidade

Dê sua opinião

Crítica: ‘R.I.P.D. – Agentes do Além’ é uma tortura de outro mundo

Comédia de ficção é uma versão menos divertida e movimentada de MIB – Homens de Preto e estrelada por Jeff Bridges, Ryan Reynolds e Kevin Bacon

Por Thiago Sampaio em Cinema

5 de outubro de 2013 às 10:00

Há 6 anos
ripd

R.I.P.D. – Agentes do Além (FOTO: Universal/divulgação)

“R.I.P.D. – Agentes do Além” é uma tortura de outro mundo

Imagine um filme misturando ficção e comédia sobre dois agentes – um é velho e ranzinza, o outro, é um jovem novato – que trabalham em uma organização ultra-secreta e lutam contra criaturas de outro mundo. Pensou em MIB – Homens de Preto? Nada mais natural. Porém, a estreia da vez é R.I.P.D. – Agentes do Além (R.I.P.D., 2013), adaptação da graphic novel escrita por Peter Lenkov, que se apresenta como uma cópia pra lá de mal feita e que não consegue agradar em nada.

Trama

A trama apresenta Nick Walker (Ryan Reynolds), um policial que morre em serviço. Porém, sua alma é enviada para o Departamento Descanse em Paz, uma espécie de agência que trabalha às escondidas na Terra. Devido à sua experiência, Nick logo é enviado de volta à Terra para trabalhar ao lado do veterano Roy Pulsipher (Jeff Bridges) para caçar os mortos que se recusam a fazer a migração.

A semelhança com MIB – Homens de Preto (1997) não é apenas óbvia, como chega ser gritante. O diretor Robert Schwentke (dos bons Plano de Voo, 2005; Te Amarei Para Sempre, 2009; Red – Aposentados e Perigosos, 2010) não mostra a que veio e copia de maneira descarada a condução de Barry Sonnenfeld, desde os créditos inicias, com uma música animadinha e uma cena de ação introdutória. Em geral, ele se resume durante os 96 minutos a tirar qualquer esforço mental do espectador para entretê-lo com piadinhas e movimentação.

Roteiro ruim

A história praticamente não existe. Mas vindo de Phil Hay e Matt Manfredi, roteiristas (ir)responsáveis por O Terno de Dois Bilhões de Dólares (2002) e Fúria de Titãs (2010), nenhuma surpresa. Uma subtrama envolvendo corrupção na polícia e um mistério envolvendo um ouro apreendido em nada prende a atenção. E no fim das contas, tudo não passa de um plano diabólico e clichê, bem parecido com clímax do fracassado Howard, O Super-Herói (1986).

A produção até acerta no interessante conceito de os agentes “mortos-vivos” aparecerem para os humanos com uma fisionomia completamente diferente. Mas mesmo assim, a “obra” insiste em mostrar inúmeras vezes o personagem de Reynolds como um velhinho chinês e o de Bridges como uma mulher gostosa, a fim de arrancar risos do espectador. Até mesmo as tiradas cômicas ficam de lado para se prender apenas a essa estratégia, prolongada até a última cena.

3D e efeitos

Mas em um longa-metragem do estilo, espera-se pelo menos cenas de ação eficientes e bons efeitos especiais, certo? Errado! A ação não é nada diferente do que é visto em outras produções do gênero (com exceção de uma ou outra boa referência a filmes de faroeste) e os efeitos são dignos de uma ficção dos anos 90. Aliás, perdão! Naquela época tivemos obras fantásticas como O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final (1991) e Jurassic Park (1993). O que vemos aqui são bonecos claramente digitais, piorados com um efeito 3D que em nada acrescenta.

Elenco

Se por um lado Ryan Reynolds se encontra no seu tradicional piloto automático, o ótimo Jeff Bridges (apenas o alto salário justifica a sua participação!) ainda salva um pouco o filme de um fracasso geral. Com um sotaque caipira ao encarnar um ex-delegado do Velho Oeste, o veterano diverte como uma auto-paródia do seu personagem em Bravura Indômita (2010). Kevin Bacon, por sua vez, exagera na canastrice para viver um vilão nada atrativo, enquanto Mary-Louise Parker poderia ser facilmente substituída por qualquer desconhecida.

Fracasso

Mal feito, sem graça e nada original. Em meio a tantos defeitos, fica uma boa notícia sobre R.I.P.D. – Agentes do Além: com o fracasso de bilheteria nos Estados Unidos, já que custou altos U$ 130 milhões e rendeu pouco mais de U$ 33 milhões, estamos livres de uma possível continuação. Era o mínimo.

Termo vetor - segunda versão - DEITADA - 2