Conheça o cearense que desenvolveu efeitos visuais para "Vingadores: Era de Ultron"


Conheça o cearense que desenvolveu efeitos visuais para “Vingadores: Era de Ultron”

Especialista em pós-produção, Ivan Lima teve a oportunidade de deixar sua marca em grandes produções hollywoodianas

Por Ana Beatriz Leite em Cinema

26 de outubro de 2015 às 06:00

Há 4 anos

Ivan ainda não tem um Emmy para chamar de seu, mas já deu o seu toque em grandes produções  (FOTO: Arquivo Pessoal)

“Vingadores: A Era de Ultron” foi a 6ª maior bilheteria da história e nem precisamos discutir sobre os motivos de seu sucesso. Quando dizemos que os cearenses vão dominar o mundo, muitos não acreditam. Mas lá, meio a centenas de nomes nos créditos do segundo filme dos heróis da Marvel, está o de Ivan Lima.

Quem assistiu ao filme não viu o cearense e ele muito menos apareceu nos posters e trailers do filme. O que você viu na tela do cinema, porém, é o resultado final de uma pós-produção que passou pelas mãos dele.

Os efeitos visuais são a especialidade de Ivan que, aos 28 anos, já trabalhou em títulos como “John Carter: Entre Dois Mundos”, “O Vingador do Futuro” e a série “Doctor Who”. 

Em 2005 deixou o Ceará pelas paisagens exóticas da Nova Zelândia, onde morava seu pai e onde se graduou em Design Digital. Como a maioria dos jovens, ao prestar vestibular o cearense ainda não sabia o que queria levar como profissão.

Durante e após a graduação, Ivan não duvidou uma única vez de que essa era a sua vocação. Mas antes de ter a oportunidade de fazer parte de grandes produções teve que trabalhar em áreas que não eram bem as que queria seguir. Por dois anos trabalhou com Motion Grafics, técnica geralmente utilizada para a animação de logomarcas, e chegou a desenvolver projeto para o New Zealand Vodafone Music Awards. Não tão satisfeito com sua profissão, saiu em velejo com seu pai por quase um ano na busca de se reencontrar. E o “período sabático” funcionou.

Em Londres, fez um curso focado em pós-produção e começou a se direcionar para o Compositing, técnica que consiste na combinação de elementos visuais a fim de formar uma imagem só com a qual trabalha hoje. Antes mesmo de terminar seu portfólio do curso, conseguiu seu primeiro trabalho na área: os efeitos visuais para um episódio da série britânica “Dr. Who”.

“Confesso que não sei como teria sido no Brasil. Penso que mais difícil principalmente porque as opções [de trabalho] acabam sendo mais apenas para publicidade. Tem menos alternativas para cinema ou TV”, comenta Ivan sobre sua inserção no mercado de trabalho, no qual conseguiu as melhores oportunidades após se mudar para a Alemanha, onde reside atualmente.

No curta "404: Kiss Not Found", ainda sem previsão de lançamento, Ivan Lima experimenta o trabalho de diretor (FOTO: Arquivo Pessoal)

No curta “404: Kiss Not Found”, ainda sem previsão de lançamento, Ivan Lima experimenta o trabalho de diretor (FOTO: Arquivo Pessoal)

Um cearense na pós-produção

Fã da Marvel, o trabalho do qual mais se orgulha não poderia ser outro além de “Vingadores: Era de Ultron”. Na pós-produção do longa-metragem Ivan teve a oportunidade de brincar com o visual de forma que nunca havia tido antes.

“Não apenas eu já sabia que ia ser fã, já gosto dos filmes que vieram antes, como tive oportunidades de arriscar coisas novas e ser criativo. Foi muito bacana poder dar meu input no filme”.

Em entrevista que deu ao NHS, podcasts sobre temas nerds e da cultura pop, o cearense comentou que, por trabalhar com a finalização, assistiu ao filme antes do próprio diretor.

Outra curiosidade que revelou na entrevista foi que Scarlett Johansson teve que ser retocada em todas as cenas do filme, pois estava grávida durante as gravações, o que é incoerente com a personagem que interpreta, a Viúva Negra, que é infértil.

Depois do filme da Marvel, os que mais se orgulha de ter participado são “Broken”, filme de 2012 do diretor britânico Rufus Norris, e “Rush: No Limite da Emoção”, protagonizado por Chris Hemsworth, ator que interpreta Thor nos filmes da Marvel. Ambas são produções de menor visibilidade que outras em que trabalhou, mas, para ele, se destacam por seus roteiros.

Em breve o nome de Ivan irá aparecer nos créditos de outro filme da empresa de quadrinhos, “Capitão América: Guerra Civil”, no qual está trabalhando neste momento, em Munique. Testando novos solos, o cearense possui um curta em período de pós-produção, “404: Kiss Not Found”, produção em conjunto com dois amigos, ainda sem previsão para o lançamento.

Planos para o futuro

Questionado se pretende voltar para o Brasil após 10 anos fora, Ivan mostra que já tomou uma decisão: “Eu adoraria dizer que sim, mas infelizmente hoje não está nos meus planos”. Casado com uma médica alemã, se mudar para um país de língua portuguesa tornaria o trabalho de sua esposa, que não fala a língua, inviável.

Mas este não é o único motivo: o cinema brasileiro não possui a mesma cultura de efeitos visuais que o cinema americano e europeu. Voltar para o Brasil seria, então, largar a área que tanto gosta. “O Brasil tem empresas boas de comerciais, mas aqui fora também tem. E como eu disse, prefiro tentar mesclar os dois, filmes e comerciais”, explica.

Sobre os motivos da não existência dessa cultura, Ivan pensa que há dois pontos principais. O primeiro seria o perfil dos filmes e diretores: “O filme brasileiro normalmente foca bastante no roteiro. E normalmente é focado em algo mais dramático que fantasioso, desde “O Auto da Compadecida” a “Cidade de Deus”, o foco é muito mais no relacionamento entre os personagens em si em situações adversas do que em relação ao ambiente onde eles se encontravam ou a época”

O segundo, a infraestrutura. “Para um filme de grande porte como esses da Marvel, algumas cenas se filmam em locação, que para isso os equipamentos podem ser pequenos, como aconteceu em ‘Velozes e Furiosos’ que foi filmado no Rio de Janeiro. Mas também é necessário estrutura para as cenas gravadas em estúdio fechado. E obviamente a estrutura para todo o pessoal. Tende-se a tentar fazer tudo em um país só: a pré-produção, filmagem e pós-produção”, explica.

Enquanto o cinema brasileiro ainda não é referência nesse tipo de produção, Ivan Lima continuará dando o seu toque nos filmes estrangeiros. E, mais importante, mostrando para o mundo o potencial dos cearenses.

Os filmes em que Ivan Lima trabalhou
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Especialista em pós-produção, Ivan Lima teve a oportunidade de deixar sua marca em grandes produções hollywoodianas

Por Ana Beatriz Leite em Cinema

26 de outubro de 2015 às 06:00

Há 4 anos

Ivan ainda não tem um Emmy para chamar de seu, mas já deu o seu toque em grandes produções  (FOTO: Arquivo Pessoal)

“Vingadores: A Era de Ultron” foi a 6ª maior bilheteria da história e nem precisamos discutir sobre os motivos de seu sucesso. Quando dizemos que os cearenses vão dominar o mundo, muitos não acreditam. Mas lá, meio a centenas de nomes nos créditos do segundo filme dos heróis da Marvel, está o de Ivan Lima.

Quem assistiu ao filme não viu o cearense e ele muito menos apareceu nos posters e trailers do filme. O que você viu na tela do cinema, porém, é o resultado final de uma pós-produção que passou pelas mãos dele.

Os efeitos visuais são a especialidade de Ivan que, aos 28 anos, já trabalhou em títulos como “John Carter: Entre Dois Mundos”, “O Vingador do Futuro” e a série “Doctor Who”. 

Em 2005 deixou o Ceará pelas paisagens exóticas da Nova Zelândia, onde morava seu pai e onde se graduou em Design Digital. Como a maioria dos jovens, ao prestar vestibular o cearense ainda não sabia o que queria levar como profissão.

Durante e após a graduação, Ivan não duvidou uma única vez de que essa era a sua vocação. Mas antes de ter a oportunidade de fazer parte de grandes produções teve que trabalhar em áreas que não eram bem as que queria seguir. Por dois anos trabalhou com Motion Grafics, técnica geralmente utilizada para a animação de logomarcas, e chegou a desenvolver projeto para o New Zealand Vodafone Music Awards. Não tão satisfeito com sua profissão, saiu em velejo com seu pai por quase um ano na busca de se reencontrar. E o “período sabático” funcionou.

Em Londres, fez um curso focado em pós-produção e começou a se direcionar para o Compositing, técnica que consiste na combinação de elementos visuais a fim de formar uma imagem só com a qual trabalha hoje. Antes mesmo de terminar seu portfólio do curso, conseguiu seu primeiro trabalho na área: os efeitos visuais para um episódio da série britânica “Dr. Who”.

“Confesso que não sei como teria sido no Brasil. Penso que mais difícil principalmente porque as opções [de trabalho] acabam sendo mais apenas para publicidade. Tem menos alternativas para cinema ou TV”, comenta Ivan sobre sua inserção no mercado de trabalho, no qual conseguiu as melhores oportunidades após se mudar para a Alemanha, onde reside atualmente.

No curta "404: Kiss Not Found", ainda sem previsão de lançamento, Ivan Lima experimenta o trabalho de diretor (FOTO: Arquivo Pessoal)

No curta “404: Kiss Not Found”, ainda sem previsão de lançamento, Ivan Lima experimenta o trabalho de diretor (FOTO: Arquivo Pessoal)

Um cearense na pós-produção

Fã da Marvel, o trabalho do qual mais se orgulha não poderia ser outro além de “Vingadores: Era de Ultron”. Na pós-produção do longa-metragem Ivan teve a oportunidade de brincar com o visual de forma que nunca havia tido antes.

“Não apenas eu já sabia que ia ser fã, já gosto dos filmes que vieram antes, como tive oportunidades de arriscar coisas novas e ser criativo. Foi muito bacana poder dar meu input no filme”.

Em entrevista que deu ao NHS, podcasts sobre temas nerds e da cultura pop, o cearense comentou que, por trabalhar com a finalização, assistiu ao filme antes do próprio diretor.

Outra curiosidade que revelou na entrevista foi que Scarlett Johansson teve que ser retocada em todas as cenas do filme, pois estava grávida durante as gravações, o que é incoerente com a personagem que interpreta, a Viúva Negra, que é infértil.

Depois do filme da Marvel, os que mais se orgulha de ter participado são “Broken”, filme de 2012 do diretor britânico Rufus Norris, e “Rush: No Limite da Emoção”, protagonizado por Chris Hemsworth, ator que interpreta Thor nos filmes da Marvel. Ambas são produções de menor visibilidade que outras em que trabalhou, mas, para ele, se destacam por seus roteiros.

Em breve o nome de Ivan irá aparecer nos créditos de outro filme da empresa de quadrinhos, “Capitão América: Guerra Civil”, no qual está trabalhando neste momento, em Munique. Testando novos solos, o cearense possui um curta em período de pós-produção, “404: Kiss Not Found”, produção em conjunto com dois amigos, ainda sem previsão para o lançamento.

Planos para o futuro

Questionado se pretende voltar para o Brasil após 10 anos fora, Ivan mostra que já tomou uma decisão: “Eu adoraria dizer que sim, mas infelizmente hoje não está nos meus planos”. Casado com uma médica alemã, se mudar para um país de língua portuguesa tornaria o trabalho de sua esposa, que não fala a língua, inviável.

Mas este não é o único motivo: o cinema brasileiro não possui a mesma cultura de efeitos visuais que o cinema americano e europeu. Voltar para o Brasil seria, então, largar a área que tanto gosta. “O Brasil tem empresas boas de comerciais, mas aqui fora também tem. E como eu disse, prefiro tentar mesclar os dois, filmes e comerciais”, explica.

Sobre os motivos da não existência dessa cultura, Ivan pensa que há dois pontos principais. O primeiro seria o perfil dos filmes e diretores: “O filme brasileiro normalmente foca bastante no roteiro. E normalmente é focado em algo mais dramático que fantasioso, desde “O Auto da Compadecida” a “Cidade de Deus”, o foco é muito mais no relacionamento entre os personagens em si em situações adversas do que em relação ao ambiente onde eles se encontravam ou a época”

O segundo, a infraestrutura. “Para um filme de grande porte como esses da Marvel, algumas cenas se filmam em locação, que para isso os equipamentos podem ser pequenos, como aconteceu em ‘Velozes e Furiosos’ que foi filmado no Rio de Janeiro. Mas também é necessário estrutura para as cenas gravadas em estúdio fechado. E obviamente a estrutura para todo o pessoal. Tende-se a tentar fazer tudo em um país só: a pré-produção, filmagem e pós-produção”, explica.

Enquanto o cinema brasileiro ainda não é referência nesse tipo de produção, Ivan Lima continuará dando o seu toque nos filmes estrangeiros. E, mais importante, mostrando para o mundo o potencial dos cearenses.

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