Aprenda a comer caranguejo e curta a tradição da quinta-feira em Fortaleza


Aprenda a comer caranguejo

Costume de comer o crustáceo no meio da semana permanece, mas está descentralizado, agora se consome em bares, restaurantes e até em pastelarias

Por Wolney Batista em Check- In

29 de maio de 2014 às 14:00

Há 5 anos
Abrir o crustáceo é o momento mais difícil do consumo (FOTO: Wolney Batista)

Abrir o crustáceo é o momento mais difícil do consumo (FOTO: Wolney Batista)

Tão certo quanto as agitadas ondas da Praia do Futuro é a tradição do fortalezense de comer caranguejo nas quintas-feiras. Mas um dos grandes empecilhos na hora de saborear a carne do crustáceo é a dificuldade para quebrar a sua dura casca.

O Tribuna do Ceará pediu a um especialista na iguaria, o vice-presidente da Associação dos Empresários da Praia do Futuro, Flávio Costa, para ensinar aos desajeitados e turistas quando e como usar as mãos e o martelo.

A técnica mais utilizada é quebrar as patas, e cada articulação delas, com as mãos. Normalmente a carne sai inteira, ou, se não sair, é só sugar. As garras do crustáceo  são as que contém mais carne, mas também as mais difíceis de abrir. Para elas, não tem outra solução senão usar o martelo e a tábua.

O restante da carne do corpo também é comestível, e a abertura é super simples. Basta retirar uma parte localizada embaixo do crustáceo. Após abrir e comer a carne das articulações na parte de baixo do caranguejo, separe-as do restante do corpo e coma a carne de dentro da cabeça. É costume dos cearenses misturá-la com farofa e um caldo que normalmente acompanha a iguaria nos bares da cidade.

Como-comer-caranguejo


Menos na praia, mais nos bairros

A comercialização do caranguejo em Fortaleza sofreu uma mudança geográfica nos últimos anos, segundo o vice-presidente da Associação dos Empresários da Praia do Futuro.

A venda no litoral teve uma expressiva queda por conta da violência no local e da oferta de outros bairros.  “O consumo aumentou como um todo, mas diminuiu na praia”, concluiu.

Preparação para a Copa

A festa está garantida nas barracas da Praia do Futuro. Flávio Costa garante que as maiores delas vão dispor de telões e bandas antes e após as partidas. Quanto ao estoque de caranguejo, a promessa é mais contida. Ele esclarece que a iguaria não pode ficar estocada por mais de sete dias, por isso, ainda não dá para prever qual o volume do crustáceo para os meses do mundial.

Perfil dos consumidores

Os maiores fãs da carne de caranguejo na Capital são na maioria fortalezenses, mesmo na alta estação. O vice-presidente arrisca aferir que 70% é de público local, 20% de turista nacional e os 10% restante de estrangeiros.

“O turista internacional não tem muito acesso ao caranguejo, compra pela curiosidade, mas ele não consegue [comer]. Ele tem que ter um  cearense do lado. Quanto ao nacional, só os que já tem uma raiz do Nordeste ou Norte, regiões onde se consome mais”.

A tradição

O começo do costume de comer caranguejo nas quinta-feiras é bastante antigo, segundo Flávio Costa tem mais de 25 anos. Mas ele conta que a tradição nasceu entre os jovens que comiam caranguejo nos finais de semana. “Pra não esperar até o outro domingo, alguém teve a ideia de saber o dia que o caranguejo chegava às barracas – sempre às quintas-feiras – e daí o público passou a frequentar as barracas nesse dia para pedir o crustáceo recém-chegado” explica. Em Fortaleza quinta-feira é dia de comer caranguejo, e agora você sabe porquê.

 

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Aprenda a comer caranguejo

Costume de comer o crustáceo no meio da semana permanece, mas está descentralizado, agora se consome em bares, restaurantes e até em pastelarias

Por Wolney Batista em Check- In

29 de maio de 2014 às 14:00

Há 5 anos
Abrir o crustáceo é o momento mais difícil do consumo (FOTO: Wolney Batista)

Abrir o crustáceo é o momento mais difícil do consumo (FOTO: Wolney Batista)

Tão certo quanto as agitadas ondas da Praia do Futuro é a tradição do fortalezense de comer caranguejo nas quintas-feiras. Mas um dos grandes empecilhos na hora de saborear a carne do crustáceo é a dificuldade para quebrar a sua dura casca.

O Tribuna do Ceará pediu a um especialista na iguaria, o vice-presidente da Associação dos Empresários da Praia do Futuro, Flávio Costa, para ensinar aos desajeitados e turistas quando e como usar as mãos e o martelo.

A técnica mais utilizada é quebrar as patas, e cada articulação delas, com as mãos. Normalmente a carne sai inteira, ou, se não sair, é só sugar. As garras do crustáceo  são as que contém mais carne, mas também as mais difíceis de abrir. Para elas, não tem outra solução senão usar o martelo e a tábua.

O restante da carne do corpo também é comestível, e a abertura é super simples. Basta retirar uma parte localizada embaixo do crustáceo. Após abrir e comer a carne das articulações na parte de baixo do caranguejo, separe-as do restante do corpo e coma a carne de dentro da cabeça. É costume dos cearenses misturá-la com farofa e um caldo que normalmente acompanha a iguaria nos bares da cidade.

Como-comer-caranguejo


Menos na praia, mais nos bairros

A comercialização do caranguejo em Fortaleza sofreu uma mudança geográfica nos últimos anos, segundo o vice-presidente da Associação dos Empresários da Praia do Futuro.

A venda no litoral teve uma expressiva queda por conta da violência no local e da oferta de outros bairros.  “O consumo aumentou como um todo, mas diminuiu na praia”, concluiu.

Preparação para a Copa

A festa está garantida nas barracas da Praia do Futuro. Flávio Costa garante que as maiores delas vão dispor de telões e bandas antes e após as partidas. Quanto ao estoque de caranguejo, a promessa é mais contida. Ele esclarece que a iguaria não pode ficar estocada por mais de sete dias, por isso, ainda não dá para prever qual o volume do crustáceo para os meses do mundial.

Perfil dos consumidores

Os maiores fãs da carne de caranguejo na Capital são na maioria fortalezenses, mesmo na alta estação. O vice-presidente arrisca aferir que 70% é de público local, 20% de turista nacional e os 10% restante de estrangeiros.

“O turista internacional não tem muito acesso ao caranguejo, compra pela curiosidade, mas ele não consegue [comer]. Ele tem que ter um  cearense do lado. Quanto ao nacional, só os que já tem uma raiz do Nordeste ou Norte, regiões onde se consome mais”.

A tradição

O começo do costume de comer caranguejo nas quinta-feiras é bastante antigo, segundo Flávio Costa tem mais de 25 anos. Mas ele conta que a tradição nasceu entre os jovens que comiam caranguejo nos finais de semana. “Pra não esperar até o outro domingo, alguém teve a ideia de saber o dia que o caranguejo chegava às barracas – sempre às quintas-feiras – e daí o público passou a frequentar as barracas nesse dia para pedir o crustáceo recém-chegado” explica. Em Fortaleza quinta-feira é dia de comer caranguejo, e agora você sabe porquê.