Livro mapeia trajetória de famílias judias no Ceará

LANÇAMENTO

Livro mapeia trajetória de famílias judias no Ceará

Inscrições de símbolos judaicos, como a Estrela de Davi, em lápides do cemitério São João Batista foram ponto de partida para a pesquisa

Por Jéssica Welma em Agenda Cultural

1 de julho de 2016 às 06:00

Há 3 anos
JUDEUS

Livro será lançado nesta quinta-feira. (Foto: Reprodução/Facebook)

Os registros da chegada de judeus no Ceará datam do século 19, por volta de 1870. De lá para cá, diferentes família se estabeleceram no estado e influenciaram o comércio e os costumes. A diáspora judaica é narrada no livro “Judeus no Ceará“, do historiador Nilton Melo Almeida, que foi lançado na quinta-feira (30), na sede da Associação Cearense de Imprensa.

O interesse pelo tema começou nos textos bíblicos, conta Nilton, a partir da força dramática, literária e histórica. O aprofundamento se deu diante de questionamentos sobre os motivos para essa diáspora ter acontecido.

Foi nas inscrições em lápides do cemitério São João Batista, com símbolos como a Estrela de Davi, que Nilton começou a saga em busca da história dos judeus no Ceará. Antigamente, os túmulos de judeus ficavam reunidos em um mesmo local, destinado aos não-católicos. “Essas fontes epigráficas foram abrindo caminho para outras fontes”, pontua.

O historiador, além das informações escritas nas lápides, buscou os registros de livros de sepultamento para localizar as famílias. Desta forma, mapeia a realidade de pessoas que fugiram de seus países de origem, na Europa, por perseguição política ou preconceito, e construíram nova vida no Ceará. “Nas áreas destacadas aos não-católicos – isso não existe mais aqui – há cerca de 30 sepulturas que permitem identificar as famílias. Entre elas, sobrenomes como Boris, Lilienfeld, Fiterman e Braun, cujos descendentes ainda estão no Ceará”.

“Os testemunhos deles foram importantes para trazer à memória as lembranças da Alemanha até o Ceará, as lutas que tiveram de travar, as estratégias de sobrevivência, o estranhamento do lugar diferente, a mudança na alimentação, nas vestimentas, todas essas questões que permitem analisar como é difícil a vida das pessoas que saem de seus lugares devido a perseguições e são forçadas a viver em uma terra diferente”, pontua Nilton.

A obra foi lançada após cerca de sete anos de produção. O historiador ressalta que a pesquisa não se encerra com a publicação, mas ganha novos contornos e possibilidades de abordagem. O livro é publicado pela editora Intermeios e pode ser adquirido também no site da editora.

 

Publicidade

Dê sua opinião

LANÇAMENTO

Livro mapeia trajetória de famílias judias no Ceará

Inscrições de símbolos judaicos, como a Estrela de Davi, em lápides do cemitério São João Batista foram ponto de partida para a pesquisa

Por Jéssica Welma em Agenda Cultural

1 de julho de 2016 às 06:00

Há 3 anos
JUDEUS

Livro será lançado nesta quinta-feira. (Foto: Reprodução/Facebook)

Os registros da chegada de judeus no Ceará datam do século 19, por volta de 1870. De lá para cá, diferentes família se estabeleceram no estado e influenciaram o comércio e os costumes. A diáspora judaica é narrada no livro “Judeus no Ceará“, do historiador Nilton Melo Almeida, que foi lançado na quinta-feira (30), na sede da Associação Cearense de Imprensa.

O interesse pelo tema começou nos textos bíblicos, conta Nilton, a partir da força dramática, literária e histórica. O aprofundamento se deu diante de questionamentos sobre os motivos para essa diáspora ter acontecido.

Foi nas inscrições em lápides do cemitério São João Batista, com símbolos como a Estrela de Davi, que Nilton começou a saga em busca da história dos judeus no Ceará. Antigamente, os túmulos de judeus ficavam reunidos em um mesmo local, destinado aos não-católicos. “Essas fontes epigráficas foram abrindo caminho para outras fontes”, pontua.

O historiador, além das informações escritas nas lápides, buscou os registros de livros de sepultamento para localizar as famílias. Desta forma, mapeia a realidade de pessoas que fugiram de seus países de origem, na Europa, por perseguição política ou preconceito, e construíram nova vida no Ceará. “Nas áreas destacadas aos não-católicos – isso não existe mais aqui – há cerca de 30 sepulturas que permitem identificar as famílias. Entre elas, sobrenomes como Boris, Lilienfeld, Fiterman e Braun, cujos descendentes ainda estão no Ceará”.

“Os testemunhos deles foram importantes para trazer à memória as lembranças da Alemanha até o Ceará, as lutas que tiveram de travar, as estratégias de sobrevivência, o estranhamento do lugar diferente, a mudança na alimentação, nas vestimentas, todas essas questões que permitem analisar como é difícil a vida das pessoas que saem de seus lugares devido a perseguições e são forçadas a viver em uma terra diferente”, pontua Nilton.

A obra foi lançada após cerca de sete anos de produção. O historiador ressalta que a pesquisa não se encerra com a publicação, mas ganha novos contornos e possibilidades de abordagem. O livro é publicado pela editora Intermeios e pode ser adquirido também no site da editora.