Paulo Roberto Costa Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Paulo Roberto Costa

Paulo Roberto Costa e as “armações políticas” no Ceará

Por Wanfil em Política

18 de setembro de 2014

O Supremo Tribunal Federal derrubou a liminar que impedia a circulação, em todo o país, da revista ISTOÉ. No último final de semana, a edição com a revelação de denúncias que teriam sido feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa contra o governador do Ceará, Cid Gomes, em depoimento tomado dado à Polícia Federal após acordo de delação premiada.

Repercussão demorada
Embora diversos políticos e partidos tenham sido acusados de participar desse esquema de desvio de dinheiro público em contratos da estatal, somente a Cid Gomes ocorreu a ideia de tentar impedir a venda da revista. Para o desgosto do governador cearense, foi exatamente isso que deu notoriedade ao caso.

De início a notícia ficou restrita à cobertura do portal Tribuna do Ceará e da rádio Tribuna Bandnews FM, mas com a decisão judicial de impedir a comercialização da revista, tomada a pedido do governo e imediatamente interpretada como censura (o que foi confirmado pelo STF), que o caso ganhou o imenso destaque nos grandes veículos da imprensa nacional e até internacional.

Quem são? Como agiram?
No entanto, nada disso guarda relação com o mérito da matéria jornalística que deu início a toda essa confusão. Sobre isso, o que se tem até o momento é a nota de Cid publicada no site do governo do Ceará, e que confirma a resposta enviada para a ISTOÉ, segundo a qual tudo não passa de “armação criada por meus adversários, visando interferir na disputa eleitoral no Ceará”. Diante disso, cabe perguntar: quem são esses adversário? Até o momento, ninguém foi apontado oficialmente. E como se deu essa armação? Paulo Roberto Costa mentiu deliberadamente a serviço de inimigos dos políticos que citou ou a revista inventou o depoimento? Não se sabe exatamente os detalhes dessa suposta trama denunciada por Cid. E isso debilita seu argumento, pois apelar a generalidade e apontar teses conspiratórias é mais ou menos a resposta padrão de todo político em situação de emergência.

Aliados do governador argumentam que a intenção real desse noticiário negativo seria atingir Camilo Santana (PT), indicado por Cid à sucessão estadual. A vinculação entre padrinho e apadrinhado é inegável, mas é bom lembrar mais uma vez que foi a reação do governo que ajudou a propagar o episódio, turbinando, inclusive, as vendas da revista. Dado o conjunto da obra, caberia concluir que gente das próprias hostes governistas estaria envolvida na “armação”. Além do mais, de acordo com a justificativa de Cid, o mais lógico seria atacar diretamente o próprio Camilo, que tem o passivo do famoso escândalo dos banheiros.

Silêncio e suspense na CPI
No mesmo dia que o STF derrubou a liminar contra a revista, Paulo Roberto Costa foi depor na CPI mista do Congresso Nacional que investiga escândalos na Petrobras. O depoente ficou em silêncio. Não disse nada, não confirmou nomes, não apresentou documentos. Como bem lembrou o jornalista Ricardo Boechat, da Bandnews, essa postura é reveladora. Paulo Roberto Costa optou pelo direito de permanecer calado, para não prejudicar o acordo de delação premiada. Caso tivesse revelado algo dito anteriormente à polícia e à Justiça, quebraria o acordo de confidencialidade exigido pelas autoridades. É sinal de que leva a delação a sério. Alívio momentâneo para os nomes citados na imprensa que vazaram dessas oitivas, suspense para quem vive o medo de ser realmente atingido pela investigação.

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O Ceará e o propinoduto da Petrobras: cautela nas conclusões e urgência na investigação

Por Wanfil em Corrupção

15 de setembro de 2014

Reportagem da revista Istoé coloca o governador do Ceará, Cid Gomes, na lista de políticos que supostamente receberam propina em contratos superfaturados da Petrobras. A denúncia teria sido feita por Paulo Roberto costa, ex-diretor da estatal, que após ter sido preso, fez um acordo de delação premiada com a Justiça.

Verossimilhança
O caso é grave, pois a Petrobras hoje é foco de negócios mal explicados; por isso, a situação exige cautela e, ao mesmo tempo, urgência. Cautela porque a investigação está em andamento; o que foi divulgado até agora não é oficial e vazou por meio de grandes veículos da imprensa. Mas é preciso também urgência para evitar que os citados, em caso de inocência, não tenham a honra e as imagens prejudicadas, já que estão envolvidos numa história que, no mínimo, guarda bastante verossimilhança com os fatos.

Vejamos alguns: 1) o delator ocupou posição de destaque na Petrobras. Era mesmo um figurão com acesso, portanto, a informações detalhadas desses contratos; 2) a Petrobras está metida até o pescoço numa rede de corrupção descoberta na operação Lava Jato, da Polícia Federal; 3) os políticos apontados no esquema atuam em estados onde a estatal tinha projetos envolvendo refinarias; 4) a delação só tem serventia se resultarem em fatos comprovados, ou seja, o delator não tem o que ganhar mentindo, pelo contrário, perde o benefício caso tente usar a investigação para outros fins. Esse conjunto de fatores não prova nada, nem garante que tudo o que o ex-diretor diz é verdade, mas agrava as denúncias, pois as tornam críveis para o público e para os investigadores.

Desmentido
Em resposta, por meio de sua assessoria, Cid disse que não conhece e que nunca esteve com Paulo Roberto, e que é vítima de uma armação de adversários políticos, sem dar nomes. Acontece que, como mostrou o portal Tribuna do Ceará, Cid já esteve reunido ele sim, com quem chegou participar, aqui no Ceará, do lançamento da pedra fundamental da refinaria da Petrobras – obra que não saiu do papel -, ao lado de Lula (confira as imagens).

Talvez o governador tenha sido traído por um lapso de memória, mas ser desmentido na própria defesa é outro elemento que ajuda a dar ares de verdade às acusações do delator. Pode até não lembrar, mas Cid conhecia e esteve sim com seu suposto acusador.

Quanto a suposição de uma armação política, trata-se de um argumento tão grave quanto o conteúdo dos depoimentos de Paulo Roberto Costa, pois nesse caso a Polícia Federal e o Ministério Público Federal estariam envolvidas na trama. Sem contar que o depoente não tem, pelo menos até onde se sabe, atuação política no Ceará. É preciso mais que uma tese conspiratória para desacreditar a testemunha inconveniente; seria necessário mostrar o que ele ganharia agindo assim.

Presunção de inocência
No mais é bom lembrar que todos os implicados pelo ex-diretor da Petrobras, Renan Calheiros, Roseana Sarney, Cândido Vacarezza, Romero Jucá, entre outros expoentes da política brasileira, são inocentes até prova em contrário. Cid Gomes e seu grupo, também.

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O Ceará e o propinoduto da Petrobras: cautela nas conclusões e urgência na investigação

Por Wanfil em Corrupção

15 de setembro de 2014

Reportagem da revista Istoé coloca o governador do Ceará, Cid Gomes, na lista de políticos que supostamente receberam propina em contratos superfaturados da Petrobras. A denúncia teria sido feita por Paulo Roberto costa, ex-diretor da estatal, que após ter sido preso, fez um acordo de delação premiada com a Justiça.

Verossimilhança
O caso é grave, pois a Petrobras hoje é foco de negócios mal explicados; por isso, a situação exige cautela e, ao mesmo tempo, urgência. Cautela porque a investigação está em andamento; o que foi divulgado até agora não é oficial e vazou por meio de grandes veículos da imprensa. Mas é preciso também urgência para evitar que os citados, em caso de inocência, não tenham a honra e as imagens prejudicadas, já que estão envolvidos numa história que, no mínimo, guarda bastante verossimilhança com os fatos.

Vejamos alguns: 1) o delator ocupou posição de destaque na Petrobras. Era mesmo um figurão com acesso, portanto, a informações detalhadas desses contratos; 2) a Petrobras está metida até o pescoço numa rede de corrupção descoberta na operação Lava Jato, da Polícia Federal; 3) os políticos apontados no esquema atuam em estados onde a estatal tinha projetos envolvendo refinarias; 4) a delação só tem serventia se resultarem em fatos comprovados, ou seja, o delator não tem o que ganhar mentindo, pelo contrário, perde o benefício caso tente usar a investigação para outros fins. Esse conjunto de fatores não prova nada, nem garante que tudo o que o ex-diretor diz é verdade, mas agrava as denúncias, pois as tornam críveis para o público e para os investigadores.

Desmentido
Em resposta, por meio de sua assessoria, Cid disse que não conhece e que nunca esteve com Paulo Roberto, e que é vítima de uma armação de adversários políticos, sem dar nomes. Acontece que, como mostrou o portal Tribuna do Ceará, Cid já esteve reunido ele sim, com quem chegou participar, aqui no Ceará, do lançamento da pedra fundamental da refinaria da Petrobras – obra que não saiu do papel -, ao lado de Lula (confira as imagens).

Talvez o governador tenha sido traído por um lapso de memória, mas ser desmentido na própria defesa é outro elemento que ajuda a dar ares de verdade às acusações do delator. Pode até não lembrar, mas Cid conhecia e esteve sim com seu suposto acusador.

Quanto a suposição de uma armação política, trata-se de um argumento tão grave quanto o conteúdo dos depoimentos de Paulo Roberto Costa, pois nesse caso a Polícia Federal e o Ministério Público Federal estariam envolvidas na trama. Sem contar que o depoente não tem, pelo menos até onde se sabe, atuação política no Ceará. É preciso mais que uma tese conspiratória para desacreditar a testemunha inconveniente; seria necessário mostrar o que ele ganharia agindo assim.

Presunção de inocência
No mais é bom lembrar que todos os implicados pelo ex-diretor da Petrobras, Renan Calheiros, Roseana Sarney, Cândido Vacarezza, Romero Jucá, entre outros expoentes da política brasileira, são inocentes até prova em contrário. Cid Gomes e seu grupo, também.