Papa Francisco Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Papa Francisco

O papa e os políticos papões: todos querem faturar com a visita de Francisco

Por Wanfil em Brasil

22 de julho de 2013

A visita do papa Francisco ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude tem causado grande expectativa não somente entre os fiéis católicos, mas também entre políticos de diferentes orientações religiosos e credos ideológicos, que se mostram ansiosos para aproveitar a ocasião para reciclar as imagens desgastadas, intenção disfarçada pela alegação das mais angelicais intenções.

É a procissão que reúne oportunistas que buscam lavar as próprias biografias encardidas com o prestígio do novo papa, reconhecido por sua simplicidade e pelo desapego aos bens materiais.

Até Cristina Kirchner, presidente da Argentina que tinha o religioso como desafeto, vai na onda. Irá com Dilma, ex-militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), grupo revolucionário de orientação marxista-leninista, ou seja, anticristã, falar com o pontífice.

A brasileira irá propor uma “ação articulada contra a pobreza”, associando a opção de Francisco pelos pobres aos projetos assistencialistas do governo. Do ponto de vista intelectual, ligar a formação jesuíta do papa ao surrado discurso de luta de classes é uma fraude, mas no jogo de aparências da política, o compromisso com o conhecimento ou a verdade não é levado em consideração. Pior ainda é tentar associá-la a uma administração com intuito de obter dividendos políticos.

Padre Cícero

Na agenda de reuniões do papa está um encontro com o deputado federal pelo Ceará José Guimarães, líder do PT na Câmara Federal, marcado com o apoio da Presidência da República, no qual o parlamentar fará um apelo em favor do processo de reabilitação do Padre Cícero Romão Batista, expulso da Igreja Católica em 1916.

É evidente que a Igreja Católica não necessita da consultoria teológica de políticos brasileiros, mas uma vez que a intenção é mesmo a de criar factoides, isso pouco importa. Se Padre Cícero for redimido, Guimarães poderá usar a foto do encontro com o papa para reivindicar para eleitores a autoria do feito, na esperança de ofuscar o famoso escândalo da cueca em sua biografia, operando o milagre da redenção política.

Recado preventivo aos políticos

É claro que a Igreja sabe das artimanhas dos políticos. E por isso, preventivamente, o porta-voz do Vaticano, Frederico Lombardi, adiantou ao jornal Folha de São Paulo: “O papa fala sempre que a boa nova do Evangelho é para todos. Não toma partido, fala à consciência de cada um na construção da sociedade. São fortes mensagens de responsabilidade, com acentos sobre a solidariedade e o respeito aos direitos individuais.”

Pois é, para a doutrina católica, a salvação é individual, não de classes. É para o rico e para o pobre, segundo a consciência individual de cada um, independente de posições políticas.

Num país com grande número de católicos, o apelo da visita de um novo papa de perfil popular e carismático é uma tentação irresistível ao pecado da vaidade que seduz tantos políticos. Para Francisco, isso deve ser algo comum, próprio da condição que assumiu, afinal, o papa também é um chefe de Estado. Portanto, receber autoridades seculares com interesses que não são os do espírito, não passa de ossos do ofício.

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O papa e os políticos papões: todos querem faturar com a visita de Francisco

Por Wanfil em Brasil

22 de julho de 2013

A visita do papa Francisco ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude tem causado grande expectativa não somente entre os fiéis católicos, mas também entre políticos de diferentes orientações religiosos e credos ideológicos, que se mostram ansiosos para aproveitar a ocasião para reciclar as imagens desgastadas, intenção disfarçada pela alegação das mais angelicais intenções.

É a procissão que reúne oportunistas que buscam lavar as próprias biografias encardidas com o prestígio do novo papa, reconhecido por sua simplicidade e pelo desapego aos bens materiais.

Até Cristina Kirchner, presidente da Argentina que tinha o religioso como desafeto, vai na onda. Irá com Dilma, ex-militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), grupo revolucionário de orientação marxista-leninista, ou seja, anticristã, falar com o pontífice.

A brasileira irá propor uma “ação articulada contra a pobreza”, associando a opção de Francisco pelos pobres aos projetos assistencialistas do governo. Do ponto de vista intelectual, ligar a formação jesuíta do papa ao surrado discurso de luta de classes é uma fraude, mas no jogo de aparências da política, o compromisso com o conhecimento ou a verdade não é levado em consideração. Pior ainda é tentar associá-la a uma administração com intuito de obter dividendos políticos.

Padre Cícero

Na agenda de reuniões do papa está um encontro com o deputado federal pelo Ceará José Guimarães, líder do PT na Câmara Federal, marcado com o apoio da Presidência da República, no qual o parlamentar fará um apelo em favor do processo de reabilitação do Padre Cícero Romão Batista, expulso da Igreja Católica em 1916.

É evidente que a Igreja Católica não necessita da consultoria teológica de políticos brasileiros, mas uma vez que a intenção é mesmo a de criar factoides, isso pouco importa. Se Padre Cícero for redimido, Guimarães poderá usar a foto do encontro com o papa para reivindicar para eleitores a autoria do feito, na esperança de ofuscar o famoso escândalo da cueca em sua biografia, operando o milagre da redenção política.

Recado preventivo aos políticos

É claro que a Igreja sabe das artimanhas dos políticos. E por isso, preventivamente, o porta-voz do Vaticano, Frederico Lombardi, adiantou ao jornal Folha de São Paulo: “O papa fala sempre que a boa nova do Evangelho é para todos. Não toma partido, fala à consciência de cada um na construção da sociedade. São fortes mensagens de responsabilidade, com acentos sobre a solidariedade e o respeito aos direitos individuais.”

Pois é, para a doutrina católica, a salvação é individual, não de classes. É para o rico e para o pobre, segundo a consciência individual de cada um, independente de posições políticas.

Num país com grande número de católicos, o apelo da visita de um novo papa de perfil popular e carismático é uma tentação irresistível ao pecado da vaidade que seduz tantos políticos. Para Francisco, isso deve ser algo comum, próprio da condição que assumiu, afinal, o papa também é um chefe de Estado. Portanto, receber autoridades seculares com interesses que não são os do espírito, não passa de ossos do ofício.