Nordeste Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Nordeste

Contribuintes arretados esperam por serviços pai d’égua

Por Wanfil em Ceará

06 de Maio de 2019

A arrecadação não pode ser vista como um fim em si mesmo: é preciso a contrapartida dos serviços prestados ao contribuinte

Secretários de Fazenda das regiões Norte e Nordeste estiveram reunidos na última sexta-feira (03), em Fortaleza, trocando experiências e alinhando propostas para a reforma tributária.

Na ocasião, o representante de Alagoas, Luiz Dias, apresentou o programa “Contribuinte Arretado”, para estimular “boas práticas de conformidade fiscal”. O Ceará pretende implantar um projeto semelhante ao alagoano, chamado de “Contribuinte Pai D’Égua”.

Na véspera do encontro, a titular da Fazenda no Ceará, Fernanda Pacobahyba, disse que o objetivo é “acabar com essa relação maniqueísta, conflituosa que existe entre o contribuinte e o Fisco“.

O combate à sonegação é necessário. Sem problemas. Agora, sobre o  maniqueísmo apontado pela secretária, a questão vai muito além de uma possível desinformação do contribuinte sobre a natureza social dos impostos.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, 33% do consumo no país é imposto. Isso gera expectativas que acabam frustradas em razão da má qualidade dos serviços públicos. Ineficiência e corrupção se misturam para criar uma legítima desconfiança junto a quem paga a conta.

É fundamental não confundir maniqueísmo com diversionismo. Não adianta batizar programas com expressões regionais simpáticas. É uma regra simples da publicidade. Para a propaganda funcionar a longo prazo, é preciso que o produto seja bom.

O que os contribuintes pai d’égua e arretados esperam mesmo é que a eficiência dos governos em áreas essenciais seja arretada e pai d’égua.

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Governadores do NE cobram Bolsonaro por atrasos e omissões de governos anteriores

Por Wanfil em Política

21 de novembro de 2018

Governadores do NE reunidos em Brasília. Foto: Facebook / Camilo Santana

Governadores eleitos e reeleitos do Nordeste estiveram em Brasília nesta quarta-feira para combinar um pauta regional a ser apresentada ao presidente eleito Jair Bolsonaro, provavelmente em dezembro. Participou ainda do encontro o presidente do Senado, Eunício Oliveira.

Depois da reunião divulgaram uma carta em que cobram da próxima gestão algumas pendências deixadas por governos anteriores, como a “retomada urgente de obras”, “um Pacto Nacional pela Segurança Pública” em que o governo federal assuma ações contra “assaltos a bancos, tráfico de armas e explosivos, atuação de facções criminosas” e ” a viabilização de fontes financeiras para reequilíbrio do pacto federativo, uma vez que Estados e Municípios sofreram drasticamente com a recessão econômica”.

São pedidos pertinentes, e quem assume um governo tem que ser chamado à responsabilidade, mas ainda carecem de contrapartidas para ganhar consistência política. Sinalizar por exemplo, com o apoio das bancadas dos seus estados à reforma da Previdência, prioridade para a nova gestão que herda uma grave situação fiscal, seria interessante para iniciar o diálogo. Eis um trunfo que pode ser bem trabalhado. Caso contrário, fica parecendo jogo de cena.

Além do mais, não é de hoje que os governadores do Nordeste atuam POLITICAMENTE em conjunto. Já repudiaram, em nota, o impeachment de Dilma Rousseff, em desapreço a uma decisão do legislativo, e criticaram setores do judiciário por causa da condenação de Lula, a quem desejaram, sem sucesso, visitar na cadeia. Coincidentemente, durante as gestões de Lula e Dilma, os governadores nunca assinaram cartas ou notas, nem mesmo se reuniram, para protestar contra atrasos de obras ou contra o avanço da criminalidade na região.

Tentam agora compensar o tempo perdido e mesmo assim continuam a perder tempo. Bolsonaro poderia ter recebido pessoalmente os pedidos na semana passada quando se reuniu com governadores eleitos e reeleitos de outras regiões, evento boicotado justamente pelos governadores do Nordeste, com exceção do Piauí. Sem contar que Eunício Oliveira andou se estranhando com o novo governo por causa de pautas bombas.

Dessa forma, o risco de prejudicar articulações junto aos ministérios por causa de conveniências partidárias é grande. É preciso entender que a eleição acabou e que ações sem objetividade representam, nesse instante, desgaste desnecessário.

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Quando o ministro Sérgio Moro vier ao Ceará…

Por Wanfil em Política

05 de novembro de 2018

Alvo de críticas de Camilo Santana, Sérgio Moro comandará o Ministério da Justiça e da Segurança Pública. (José Cruz/Agência Brasil)

Em julho deste ano, logos após a frustrada tentativa de soltar o ex-presidente Lula com uma canetada monocrática durante plantão judiciário no TRF-4, governadores do Nordeste – entre os quais, Camilo Santana – assinaram uma carta com críticas ao juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, a quem acusavam de “inaceitável parcialidade”, “desprezo pela organização hierárquica do Judiciário” e perseguição.

Sobre isso, um dia depois (10 de julho), fiz o seguinte comentário na Tribuna Band News Fortaleza (101.7): “Não é de interesse do Ceará que sua maior autoridade, em nome de interesses particulares, questione a lisura do poder judiciário“, lembrando que um colegiado na segunda instância confirmara a condenação de Lula, com base nos autos e nas provas colhidas nas investigações do MP e da PF. No mesmo comentário, alertei: “O PT, por sua vez, deveria poupar seus governadores desse constrangimento desnecessário, já que isso não muda o fato de Lula estar preso. O cargo de governador, afinal, não pertence a instâncias partidárias”.

Pois é. Quatro meses depois Sérgio Moro foi anunciado como futuro ministro da Justiça, na gestão do presidente eleito Jair Bolsonaro. A partir do ano que vem, qualquer apoio federal ao Ceará para a área da segurança pública terá que articulada junto ao ex-juiz da Lava Jato.

É claro que todos estamos sujeitos a contestações e críticas, mas a estratégia de centralizar críticas na figura de Moro não surtiu efeito e agora pode se mostrar particularmente constrangedora, já que o governador cearense tem repetido que uma melhora na segurança depende substancialmente de iniciativas federais. Do ponto de vista dos governadores lulistas, melhor teria sido acionar correligionários e parlamentares contra os adversários do partido e jamais usar o peso dos seus cargos executivos para entrar nessa seara.

Considerando os estilos de Sérgio Moro e Camilo Santana, muito dificilmente questões pessoais ou partidárias serão obstáculos para parcerias institucionais. Mas fica a lição: o mundo dá voltas. E será interessante observar como o governador e as autoridades estaduais que apoiam o governo petista receberão o futuro ministro a partir do ano que vem.

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Ibope: Marina lidera no Nordeste, seguida de perto por Ciro e Bolsonaro

Por Wanfil em Pesquisa

28 de junho de 2018

Ibope: Marina Silva surpreende no NE (Foto: José Cruz/ Agência Brasil)

Na pesquisa Ibope/CNI para a eleição presidencial, divulgada nesta quinta-feira, os cinco candidatos melhor colocados no cenário sem Lula, o mais provável pois o ex-presidente é ficha-suja, são estes:

Jair Bolsonaro (PSL): 17%
Marina Silva (Rede): 13%
Ciro Gomes (PDT): 8%
Geraldo Alckmin (PSDB): 6%
Álvaro Dias (Podemos): 3%

No cenário com Lula, que registrou 33% das intenções, Ciro sobe de 4% para 8% e Marina de 7% para 13%. A candidata, portanto, é que mais cresce com a ausência do petista, apesar de Ciro ser o pré-candidato que mais tem se esforçado para ocupar espaços na mídia.

Voltando ao cenário sem Lula, e considerando que a margem de erro é de 2%, podemos dizer que no limite Bolsonaro e Marina empatam tecnicamente na ponta, seguidos por Ciro e Alckmin, também empatados, num segundo bloco.

Quando a pesquisa é segmentada por região, o Nordeste tem os seguintes números:

Marina Silva (Rede): 16%
Ciro Gomes (PDT): 14%
Jair Bolsonaro (PSL): 10%
Geraldo Alckmin (PSDB): 4%
Álvaro Dias (Podemos): 1%

Ciro consegue se afastar de Alckmin na região de seu domicílio eleitoral, mas não lidera. O Nordeste é também a única região em que Marina, que é do Norte (que na pesquisa se junta ao Centro-Oeste), fica à frente. No Sudeste, Bolsonaro, deputado pelo Rio de Janeiro, lidera com 19%. Por lá Marina tem 11%, Alckmin aparece com 8% e Ciro com 5%.

Confira o desempenho dos cinco primeiros colocados por região:

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Governadores não conseguem visitar Lula. Jogo de cena

Por Wanfil em Política

11 de Abril de 2018

Sete governadores do Nordeste, entre eles Camilo Santana, e dois da região Norte, além de três senadores e alguns políticos, se deslocaram ao Paraná ontem para tentar visitar Lula na cadeia. Não conseguiram. Segundo a juíza Carolina Lebbos, da 13ª Vara Federal de Curitiba não há fundamento para a flexibilização do regime geral de visitas próprio à carceragem da Polícia Federal“. Ou seja, Lula está submetido a regras que valem para os demais presos.

A improvisação de uma visita feita às cegas por gente tão importante e bem assessorada, sem a confirmação prévia de sua possibilidade junto à PF, é algo estranho. Quem acompanha a cobertura de políticos sabe que um governador não sai por aí sem que antes tudo tenha sido cuidadosamente planejado.

Pelo visto, a visita sem sucesso parece seguir o roteiro político que teve início desde a decretação da prisão de Lula pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro na semana passada. Após a encenação de resistência, agora a romaria frustrada de aliados. Tudo para dar a impressão de que o ex-presidente é vítima de um regime de exceção e de quebra explorar a popularidade do ex-presidente no Norte e Nordeste. Foi pensando em dividendos eleitorais, por exemplo, que Renan Filho, de governador Alagoas, se juntou ao grupo. Sim, ele é filho do senador Renan Calheiros.

Nada os impede de tentar novamente, agora do jeito certo. Um de cada vez, quem sabe. Para expressar solidariedade não é necessário fazer ato político partidário em contra decisão judicial que obedeceu o devido rito.

Para encerrar, uma pergunta: quem custeou o descolamento desses governadores e parlamentares? Foi de avião de carreira ou de jatinho?

É só uma pergunta. E perguntar não ofende.

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Lula convida Ciro a visitar transposição para impedir que Temer se aproprie da obra

Por Wanfil em Política

16 de Março de 2017

Temer que aparecer – sozinho! – na foto da transposição – (Beto Barata/Presidência da República)

Lula convidou Dilma Rousseff e Ciro Gomes, que foi ministro da Integração nacional na gestão do petista, para visitar a transposição do Rio São Francisco no próximo domingo, na Paraíba. Pelo menos é o que dizem os principais jornais do país. Seria uma resposta ao presidente Michel Temer, que recentemente foi inspecionar a obra, com direito a discursos na expectativa de mostrar serviço aos nordestinos. Na prática, os ex-aliados disputam sua paternidade.

Aos fatos: o empreendimento saiu do papel na gestão de Lula em 2007, com previsão de ser concluída em 2010, mas atrasou. Dilma o sucedeu, mas não conseguiu terminar a transposição. Aliás, a obra chegou a parar na sua administração. Michel Temer agora corre para destravar entraves burocráticos e problemas financeiros para concluí-la e faturar politicamente com sua inauguração.

Disputas à parte, é evidente que se existe um “pai” para a transposição, esse é Lula. Não há o que discutir. Tudo o que diz respeito a sua execução deve ser atribuído ao petismo, por uma questão de justiça. Tudo! A obra, os custos estratosféricos, as licitações complicadas, as relações com empreiteiras enroladas na Lava-Jato e os atrasos injustificáveis. Temer, na condição de aliado importante, com boa vontade pode figurar como padrinho, para bem ou para o mal.

Não sei o porquê de tanta discussão. Resta saber se Ciro topa ir fazer palanque para o réu Lula, já que os dois são pré-candidatos à Presidência da República.

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Dnocs: briga por verbas contra a seca é coisa antiga

Por Wanfil em Política

19 de agosto de 2016

Ouvintes da Band News e leitores aqui do blog pedem para que eu fale sobre a decisão do governo federal de transferir dos estados para o Dnocs o controle de ações de combate aos efeitos da seca.

O PT e aliados reclamam que a medida é tecnicamente errada e não passa de uma manobra política para fortalecer o PMDB. Já o PMDB garante que o objetivo é revitalizar o principal órgão de obras contra a seca.

Nos últimos anos, PT e PMDB, então aliados, nunca reclamaram de nada. Parece até que as medidas de convivência com a seca eram exemplares. Tudo era só elogio. Rompidos, agora brigam pelo controle das verbas para a seca.

O PT chora a perda de prestígio político. Aliás, por isso sucateou o Dnocs, para que aliados locais do governo federal escanteassem seus adversários. Foi assim no Ceará e nos demais estados do Nordeste. Hoje o PMDB faz o caminho inverso, tendo o PT como adversário e retirando de seus parceiros os instrumentos que tantas vantagens eleitorais lhes renderam.

No final, todos garantem que estão preocupados somente com a qualidade de vida da população.

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Vem pra cá também, Dilma!

Por Wanfil em Política

12 de junho de 2016

A Folha de São Paulo informa que Dilma resolveu viajar o Nordeste para “denunciar” o retrocesso representado pelo governo de Michel Temer. Curiosamente, a presidente afastada agora defende novas eleições, mas ao chamar de ilegítima a nova gestão, na prática afirma que o Congresso fraudou a democracia. Ocorre que para haver novas eleições é preciso aprovação desse mesmo Congresso. A impressão é de que ela aposta na confusão pela confusão. Mas voltando à Folha, na agenda divulgada estão passagens por João Pessoa (PB) na quarta-feira (15), Salvador (BA) na quinta (16) e Recife (PE) na sexta (17).

E o Ceará? Nada! Fato que, se tratando de Dilma, não é novidade, não é mesmo?

De todo modo, aliados de Dilma no Ceará deveriam deixar de lado eventuais diferenças eleitorais (especialmente em Fortaleza) e convidá-la a vir dar a sua graça por aqui. A não ser que ninguém queira aparecer ao lado da presidente afastada em ano eleitoral, seria uma oportunidade de fazer valer as convicções da turma. Como emblema do avanço promovido nos últimos anos, um palanque poderia ser levantado no local da pedra fundamental da refinaria prometida aos cearenses. E pode ser em dia de semana mesmo que gente sem emprego, portanto, com tempo de sobra para ir ao evento é o que não falta.

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PF investiga fraude na transposição do São Francisco. Governadores do Nordeste farão uma carta?

Por Wanfil em Política

11 de dezembro de 2015

Brasília - DF, 08/12/2015. Presidenta Dilma Rousseff durante reunião com Governadores no Palácio do Planalto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Quando querem, governadores do NE sabem se mobilizar, como na reunião em defesa de Dilma Rousseff . Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Batizada de Vidas Secas – Sinhá Vitória, uma operação da Polícia Federal investiga empresas de fachada que teriam sido usadas para desviar R$ 200 milhões, em dois dos 14 lotes da transposição do rio São Francisco, nos trechos entre Pernambuco e Paraíba. Foram cumpridos 32 mandados judiciais nos Estados de Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e na cidade de Brasília.

Na última terça-feira (8), oito dos nove governadores do Nordeste, entre os quais Camilo Santana, aliado do governo federal e correligionário da petista Dilma Rousseff, publicaram um documento chamado de “Carta da Legalidade”, contra o pedido de impeachment da presidente.

A dedicação é tanta, que no Ceará o governo publicou a carta em sua página oficial, paga com dinheiro público arrecadado junto a população que desaprova Dilma.

Agora, diante da suspeitas de roubo na transposição, com o Nordeste em suplício por causa da seca, resta aguardar uma carta dos governadores em apoio à investigação, pedindo, inclusive, urgência e punição para os responsáveis. Além de cobrar o governo federal, responsável pelas contratações e pelos reiterados atrasados na obra, cuja previsão de custo saltou de 4 bilhões reais para oito.

Afinal, quando querem, os excelentíssimos sabem se mobilizar em defesa da “legalidade”.

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Dilma e governadores do NE: ela finge que governa, eles fingem que acreditam

Por Wanfil em Política

26 de Março de 2015

Dilma e governadores do Nordeste em momento de crise política e econômica: vão rindo, senhores e senhora. (Efeito sobre foto de Roberto Stuckert Filho - divulgação)

Dilma e governadores do Nordeste reunidos em tempos de crise: vão rindo, vão rindo… (Imagem: efeito sobre foto de Roberto Stuckert Filho/PR – divulgação)

A presidente Dilma Rousseff esteve reunida na tarde da quarta-feira (25) com os governadores do Nordeste, em Brasília, para tirar fotos e refazer promessas. Os gestores estaduais pediram mais investimentos e menos cortes de verbas, desejos que, no entanto, contrariam o ajuste fiscal aplicado por Dilma no segundo mandato, para corrigir o desajuste fiscal criado por Dilma no primeiro mandato.

O fato incontornável, para quem acompanha as notícias do mundo real, é que a grana acabou e o Nordeste, que tem dependência histórica dos repasses federais, sofre as consequências sem ter a quem recorrer.

Factoide
No encontro, Dilma – aquela que tapeou cearenses e maranhenses usando a Petrobras, e que jura não ter visto a roubalheira na refinaria dos pernambucanos – garantiu que o Nordeste é prioridade; os governadores, sem muitas opções, fingiram acreditar. Sabe, é a mesma conversa mole dos últimos 12 anos. Chega a ser cansativo dizer isso. Inauguração de uma grande obra, que é bom, nem pensar.

Credibilidade perdida
Com efeito, a reunião teve muito mais de política do que de gestão. É constrangedor ver tantas autoridades juntas para um factoide. Como os governadores não podem denunciar a situação, pois foram parceiros das lorotas governistas, silenciam. Além do mais, a essa altura, melhor ter repasses reduzidos ou atrasados, do que cortados, devem concluir os governantes. Tem lá a sua lógica, mas não deixa de ser constrangedor. Vale destacar que esse silêncio tem prazo de validade. Se as coisas piorarem, eles terão que se posicionar.

No fundo, o evento foi mais uma tentativa de criar uma agenda positiva para tentar estancar a perda de popularidade da presidente, mas acontece que esses truques velhos não servem mais para cobrir a realidade. A credibilidade, uma vez perdida, é difícil de reconquistar.

Sem mudanças
Os estrategistas do Palácio do Planalto estão desesperados, só pode. O que esse encontro vai melhorar na vida das pessoas nos próximos meses? Nada. E na imagem do governo? Nada, também. A crise seguirá açoitando o bolso dos brasileiros (em especial dos nordestinos, que são mais pobres), os governadores continuarão de pires na mão, a opinião pública permanecerá atenta aos escândalos de corrupção e Dilma, que no Nordeste, tradicional reduto eleitoral de presidentes, tem a gestão reprovada por 55% da população, não vai recuperar a popularidade fazendo de conta que governa.

PS. E aí governador Camilo Santana, aproveitou a oportunidade para dizer umas verdades aos que achacaram os cearenses com a promessa da refinaria?

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Dilma e governadores do NE: ela finge que governa, eles fingem que acreditam

Por Wanfil em Política

26 de Março de 2015

Dilma e governadores do Nordeste em momento de crise política e econômica: vão rindo, senhores e senhora. (Efeito sobre foto de Roberto Stuckert Filho - divulgação)

Dilma e governadores do Nordeste reunidos em tempos de crise: vão rindo, vão rindo… (Imagem: efeito sobre foto de Roberto Stuckert Filho/PR – divulgação)

A presidente Dilma Rousseff esteve reunida na tarde da quarta-feira (25) com os governadores do Nordeste, em Brasília, para tirar fotos e refazer promessas. Os gestores estaduais pediram mais investimentos e menos cortes de verbas, desejos que, no entanto, contrariam o ajuste fiscal aplicado por Dilma no segundo mandato, para corrigir o desajuste fiscal criado por Dilma no primeiro mandato.

O fato incontornável, para quem acompanha as notícias do mundo real, é que a grana acabou e o Nordeste, que tem dependência histórica dos repasses federais, sofre as consequências sem ter a quem recorrer.

Factoide
No encontro, Dilma – aquela que tapeou cearenses e maranhenses usando a Petrobras, e que jura não ter visto a roubalheira na refinaria dos pernambucanos – garantiu que o Nordeste é prioridade; os governadores, sem muitas opções, fingiram acreditar. Sabe, é a mesma conversa mole dos últimos 12 anos. Chega a ser cansativo dizer isso. Inauguração de uma grande obra, que é bom, nem pensar.

Credibilidade perdida
Com efeito, a reunião teve muito mais de política do que de gestão. É constrangedor ver tantas autoridades juntas para um factoide. Como os governadores não podem denunciar a situação, pois foram parceiros das lorotas governistas, silenciam. Além do mais, a essa altura, melhor ter repasses reduzidos ou atrasados, do que cortados, devem concluir os governantes. Tem lá a sua lógica, mas não deixa de ser constrangedor. Vale destacar que esse silêncio tem prazo de validade. Se as coisas piorarem, eles terão que se posicionar.

No fundo, o evento foi mais uma tentativa de criar uma agenda positiva para tentar estancar a perda de popularidade da presidente, mas acontece que esses truques velhos não servem mais para cobrir a realidade. A credibilidade, uma vez perdida, é difícil de reconquistar.

Sem mudanças
Os estrategistas do Palácio do Planalto estão desesperados, só pode. O que esse encontro vai melhorar na vida das pessoas nos próximos meses? Nada. E na imagem do governo? Nada, também. A crise seguirá açoitando o bolso dos brasileiros (em especial dos nordestinos, que são mais pobres), os governadores continuarão de pires na mão, a opinião pública permanecerá atenta aos escândalos de corrupção e Dilma, que no Nordeste, tradicional reduto eleitoral de presidentes, tem a gestão reprovada por 55% da população, não vai recuperar a popularidade fazendo de conta que governa.

PS. E aí governador Camilo Santana, aproveitou a oportunidade para dizer umas verdades aos que achacaram os cearenses com a promessa da refinaria?