Mencken Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Mencken

Você é uma pessoa bacana, bem resolvida e sem culpas? Então leia Mencken

Por Wanfil em Cultura

28 de julho de 2012

H. L. Mencken – Sem medo das unanimidades ou das “verdades” estabelecidas.

Algumas pessoas possuem um poder de síntese de tal forma aguçado que seus aforismas acabam superando seus textos mais longos. No Brasil, Millôr Fernandes, Otto Lara Resende e Aparício Torelly (Barão de Itararé), são alguns dos representantes mais conhecidos desse tipo de intelectual.

Nos Estados Unidos, a arte de expressar em poucas palavras aspectos sensíveis da natureza humana e das relações sociais tem como um de seus expoentes o jornalista  H. L. Mencken (1880 – 1956). É dele a frase:

A consciência é uma voz interior que nos adverte de que alguém pode estar olhando.

Em tempos de unanimidade politicamente correta, em que a dita boa consciência pode ser adquirida com a simples adesão aos pensamentos influentes do dia, o sarcasmo de Mencken alerta para algo intrínseco ao gênero humano: a culpa. Se antes o pecado, e consequentemente a danação, era o terror a ser evitado, hoje é papel de vilão cabe à culpa. Por isso a maioria finge ser completamente realizada, bastando para isso se declarar ambientalista, saudável, holístico, tolerante, moderno, relativista, socialista, feminista pró-aborto, igualitário e outras rotulações bem aceitas na comunidade das pessoas lindas e maravilhosas.

No entanto, a culpa que nos espreita em silêncio, de soslaio, como bem revela Mencken, é o reconhecimento de que somos feitos não apenas de certezas edificantes, mas essencialmente de conflitos e contradições. E isso não é ruim como pode parecer. As dúvidas – e a busca pela verdade –  são o combustível que movem o pensamento humano. Indo mais além, Mencken nos faz lembrar que a consciência é atributo individual, demonstrando a primazia do sujeito sobre o grupo. Não existem culpas coletivas: isso é política. Existe o indivíduo.

Experimente dizer que você reprova alguns aspectos do Islamismo, ou que as democracias ocidentais são formas de organização social superiores às tribos indígenas. Diga que as cotas raciais constituem a legalização próprio racismo. Ouse afirmar que a igualdade plena é uma ideia injusta pois o talento é privilégio de poucos. O risco de você virar alvo da patrulha do pensamento, apontado nos círculos mais influentes como alguém a ser evitado, é grande. Mas se você quiser ser uma pessoa superior dentro do arquétipo da correção política, fale mal de Israel, dos americanos, da Igreja Católica, ou diga que os brancos estão em dívida com os negros e que isso tem que ser compensado pelo estado. Nunca fale que hip-hop é apologia da ignorância, que pichação não é arte ou que acha maracatu um saco. Pode fumar maconha e pedir sua descriminação, mas o tabagismo está proibido. Pronto. Você já pode ser aceito no clube da felicidade onde não existe culpa (a culpa é dos americanos e da direita, lembra?).

Quando as coisas ficam simples demais, quando as contradições são suprimidas do debate por opressão das unanimidades, é hora de ler gente como H. L. Mencken.

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Você é uma pessoa bacana, bem resolvida e sem culpas? Então leia Mencken

Por Wanfil em Cultura

28 de julho de 2012

H. L. Mencken – Sem medo das unanimidades ou das “verdades” estabelecidas.

Algumas pessoas possuem um poder de síntese de tal forma aguçado que seus aforismas acabam superando seus textos mais longos. No Brasil, Millôr Fernandes, Otto Lara Resende e Aparício Torelly (Barão de Itararé), são alguns dos representantes mais conhecidos desse tipo de intelectual.

Nos Estados Unidos, a arte de expressar em poucas palavras aspectos sensíveis da natureza humana e das relações sociais tem como um de seus expoentes o jornalista  H. L. Mencken (1880 – 1956). É dele a frase:

A consciência é uma voz interior que nos adverte de que alguém pode estar olhando.

Em tempos de unanimidade politicamente correta, em que a dita boa consciência pode ser adquirida com a simples adesão aos pensamentos influentes do dia, o sarcasmo de Mencken alerta para algo intrínseco ao gênero humano: a culpa. Se antes o pecado, e consequentemente a danação, era o terror a ser evitado, hoje é papel de vilão cabe à culpa. Por isso a maioria finge ser completamente realizada, bastando para isso se declarar ambientalista, saudável, holístico, tolerante, moderno, relativista, socialista, feminista pró-aborto, igualitário e outras rotulações bem aceitas na comunidade das pessoas lindas e maravilhosas.

No entanto, a culpa que nos espreita em silêncio, de soslaio, como bem revela Mencken, é o reconhecimento de que somos feitos não apenas de certezas edificantes, mas essencialmente de conflitos e contradições. E isso não é ruim como pode parecer. As dúvidas – e a busca pela verdade –  são o combustível que movem o pensamento humano. Indo mais além, Mencken nos faz lembrar que a consciência é atributo individual, demonstrando a primazia do sujeito sobre o grupo. Não existem culpas coletivas: isso é política. Existe o indivíduo.

Experimente dizer que você reprova alguns aspectos do Islamismo, ou que as democracias ocidentais são formas de organização social superiores às tribos indígenas. Diga que as cotas raciais constituem a legalização próprio racismo. Ouse afirmar que a igualdade plena é uma ideia injusta pois o talento é privilégio de poucos. O risco de você virar alvo da patrulha do pensamento, apontado nos círculos mais influentes como alguém a ser evitado, é grande. Mas se você quiser ser uma pessoa superior dentro do arquétipo da correção política, fale mal de Israel, dos americanos, da Igreja Católica, ou diga que os brancos estão em dívida com os negros e que isso tem que ser compensado pelo estado. Nunca fale que hip-hop é apologia da ignorância, que pichação não é arte ou que acha maracatu um saco. Pode fumar maconha e pedir sua descriminação, mas o tabagismo está proibido. Pronto. Você já pode ser aceito no clube da felicidade onde não existe culpa (a culpa é dos americanos e da direita, lembra?).

Quando as coisas ficam simples demais, quando as contradições são suprimidas do debate por opressão das unanimidades, é hora de ler gente como H. L. Mencken.