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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

leis trabalhistas

Desacordo com reformas não justifica greve: por que não protestam no feriado?

Por Wanfil em Política

27 de Abril de 2017

É assim que se protesta: sem atrapalhar o público e sem matar o trabalho.

A maioria dos brasileiros já tem opinião – qualquer uma – sobre as reformas trabalhista e da Previdência. Por isso nem entro no mérito da questão, embora tenha lido os projetos e nos dois casos, encontrado pontos com os quais concordo (maioria) ou discordo. Quero mesmo é chamar a atenção para o ânimo que marca os debates e divergências. Penso que falta paixão e o que tenho percebido é desânimo, a prevalência de certo desalento com o futuro.

O cineasta Woody Allen diz que o pessimista é o sujeito que acredita ter chegado ao fundo poço e o otimista é aquele que acha possível cair um pouco mais. Pois é, no Brasil estamos mais ou menos assim. Não se pode confiar em conceitos como esquerda ou mercado, relação por aqui personificada na relação entre Lula e Emílio Odebrecht. Na práxis política, tanto reformistas como antirreformistas eram aliados  – ou comparsas – até outro dia. Se hoje estão separados, não é por causa de divergências sobre reformas, mas pela insaciável disputa por cargos, verbas e propinas. As referências de lideranças ficam assim escassas.

Alguma pressão poderia vir das ruas. Centrais sindicais convocaram uma greve geral, mas aí voltamos ao mesmo ponto: as centrais, sempre agindo a serviço de partidos políticos de esquerda, esses que quebraram o País e destruíram os fundos  de pensão, sempre cegas aos escândalos de corrupção, também estão desacreditadas. O direito à greve é indiscutível, porém, nesse caso, não se trata de impasse entre empregados e empregadores deste ou daquele setor, mas de ato político contra um governo. É perfeitamente legítimo se posicionar politicamente, mas para tanto seria mais adequado que protestassem no final de semana, como fizeram os que pediam a saída de Dilma. O que passageiros de ônibus ou estudantes, por exemplo, têm a ver com isso? Por que precisam ser atingidos?

As reformas, sem a força das convicções e sem representantes ou críticos de credibilidade, acabarão em arremedos para dar algum alívio temporário aos governos. E o Brasil continuará entre “o velho que não quer passar e o novo que não quer chegar”, expressão que tomo emprestada do filósofo alemão Ernest Bloch, publicada no livro “O Princípio da Esperança”.

A esperança pode ser um antídoto contra o desalento. Pois bem: a única esperança, a única chance de renovação para o Brasil está nas urnas. O risco é grande.

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Desacordo com reformas não justifica greve: por que não protestam no feriado?

Por Wanfil em Política

27 de Abril de 2017

É assim que se protesta: sem atrapalhar o público e sem matar o trabalho.

A maioria dos brasileiros já tem opinião – qualquer uma – sobre as reformas trabalhista e da Previdência. Por isso nem entro no mérito da questão, embora tenha lido os projetos e nos dois casos, encontrado pontos com os quais concordo (maioria) ou discordo. Quero mesmo é chamar a atenção para o ânimo que marca os debates e divergências. Penso que falta paixão e o que tenho percebido é desânimo, a prevalência de certo desalento com o futuro.

O cineasta Woody Allen diz que o pessimista é o sujeito que acredita ter chegado ao fundo poço e o otimista é aquele que acha possível cair um pouco mais. Pois é, no Brasil estamos mais ou menos assim. Não se pode confiar em conceitos como esquerda ou mercado, relação por aqui personificada na relação entre Lula e Emílio Odebrecht. Na práxis política, tanto reformistas como antirreformistas eram aliados  – ou comparsas – até outro dia. Se hoje estão separados, não é por causa de divergências sobre reformas, mas pela insaciável disputa por cargos, verbas e propinas. As referências de lideranças ficam assim escassas.

Alguma pressão poderia vir das ruas. Centrais sindicais convocaram uma greve geral, mas aí voltamos ao mesmo ponto: as centrais, sempre agindo a serviço de partidos políticos de esquerda, esses que quebraram o País e destruíram os fundos  de pensão, sempre cegas aos escândalos de corrupção, também estão desacreditadas. O direito à greve é indiscutível, porém, nesse caso, não se trata de impasse entre empregados e empregadores deste ou daquele setor, mas de ato político contra um governo. É perfeitamente legítimo se posicionar politicamente, mas para tanto seria mais adequado que protestassem no final de semana, como fizeram os que pediam a saída de Dilma. O que passageiros de ônibus ou estudantes, por exemplo, têm a ver com isso? Por que precisam ser atingidos?

As reformas, sem a força das convicções e sem representantes ou críticos de credibilidade, acabarão em arremedos para dar algum alívio temporário aos governos. E o Brasil continuará entre “o velho que não quer passar e o novo que não quer chegar”, expressão que tomo emprestada do filósofo alemão Ernest Bloch, publicada no livro “O Princípio da Esperança”.

A esperança pode ser um antídoto contra o desalento. Pois bem: a única esperança, a única chance de renovação para o Brasil está nas urnas. O risco é grande.