Ceará Archives - Página 30 de 41 - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Ceará

Campanha no Ceará marcada por baixarias: mais respeito com o eleitor, senhores!

Por Wanfil em Eleições 2014

30 de julho de 2014

Começou mal a campanha eleitoral no Ceará. Troca de acusações, xingamentos, demonstrações de ressentimento e o uso de insinuações depreciativas sobre adversários ofuscam qualquer debate sobre os reais problemas do Estado. A maioria dessas manifestações são protagonizadas por membros das duas maiores coligações, geralmente aliados e correligionários dos candidatos.

Pelo lado de Camilo Santana (PT), Ciro Gomes, ex-governador e atual secretário de Saúde – área mais preocupante para o eleitor cearense segundo o Ibope -, abusa das declarações agressivas contra opositores. É do seu estilo, todos sabem, mas como tudo demais é veneno, por muitas vezes essa postura mais atrapalha do que ajuda. Com o agravante de que se trata de político experiente e de inteligência afiada, mas que não raro sucumbe ao apelo das emoções.

Durante a inauguração do comitê do candidato Camilo, Ciro chamou o candidato do PMDB, Eunício Oliveira, entre outras coisas, de “petralha”. O colunista Josias de Souza, do UOL, cravou: “ato falho”. Ciro veria o petismo como sinônimo de roubo, já que o termo petralha, criado pelo jornalista Reinaldo Azevedo, é a junção de petista com metralha, uma alusão aos criminosos “Irmãos Metralha”, personagens de histórias em quadrinhos. Nunca gostei do adjetivo e nunca o empreguei, por entendê-lo com uma espécie de infantilização do debate político. Seu contraponto, assinado por Paulo Henrique Amorim, é o PIG (porco em inglês), que significa Partido da Imprensa Golpista. Quanta bobagem! Voltando ao Ceará, Ciro explicou depois que foi um erro, mas que tem críticas a setores do PT, justamente o partido de Camilo. Ganhou o quê com isso? Nada.

Outro que tenta mostrar serviço como infantaria no front da baixaria foi o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, ao insinuar (repetindo Ciro) que Eunício “se serviu da política” para enriquecer. Se serviu como? Ninguém diz ou mostra indício, muito menos representa judicialmente o que afirma. Se uma autoridade sabe de crimes cometidos por outra e não os revela, então prevarica.

Do lado de Eunício, o vice-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena, acusa a prefeitura de distribuir cargos para cooptar aliados. Assim como seus adversários, fala, mas não prova nada.

Se um candidato tem algo a informar sobre a postura ética ou moral do adversário no passado, e que seja de interesse geral, que o faça, mas desde que amparado em fatos comprovados. Ademais, ninguém é ingênuo de acreditar que uma campanha, parafraseando Nelson Rodrigues, só se faz com bons sentimentos. É preciso bom senso, maturidade.

A política é o espaço natural de confrontação de ideias, de visões de mundo, de concepções e métodos da administração pública. É também – como podemos testemunhar -, ambiente de choque de projetos pessoais, de traições sórdidas e de compromissos não cumpridos. Nada disso é exclusivo dos políticos cearenses, apenas está mais perto de nós que vivemos aqui. Mas com o tempo, ao perdurar esse tipo de instabilidade, a imagem coletiva do Estado se consolida e seu prestígio político míngua. Esse é um dos motivos da ausência de grandes obras federais no Ceará nos últimos anos: seus representantes não possuem unidade estratégica, pois as pontes de diálogo são dinamitadas a cada eleição. A grande coalizão governista aqui nunca passou de uma ilusão, como agora podemos constatar.

É preciso que os candidatos coloquem (se puderem), limites nos seus aliados, para que a campanha tenha algum espaço para proposituras. Como eu já disse em outro post, se não podem fazer isso em respeito ao adversário e à democracia, que façam em atenção ao eleitor.

Publicidade

Justiça barra tentativa governista de impedir candidatura de oposição no Ceará

Por Wanfil em Eleições 2014

24 de julho de 2014

Eu sei, eu sei. Os ânimos estão aflorados no Ceará e os ressentimentos turvam o bom senso nessas eleições, mas é preciso discernimento para impedir o impulso da intolerância, afinal, política é o espaço das convergências e também das divergências. Na falta de respeito pelos adversários e pela própria imagem, que isso seja feito pelo menos em consideração ao digníssimo eleitor.

Ameaça
Vou explicar onde quero chegar com essa conversa. A Justiça Eleitoral julgou improcedente o pedido de impugnação feito pela coligação do petista Camilo Santana, candidato à sucessão estadual ungido pelo governador Cid Gomes, contra a coligação do peemedebista e ex-aliado Eunício Oliveira.

Nada contra ações judiciais, que isso é natural e civilizado, mas é preciso levar em consideração a intenção do processo. A candidatura governista buscou impedir judicialmente uma candidatura de oposição, aliás, a única que representa ameaça ao seu projeto de manutenção. Como ainda existem juízes no Ceará, a coisa não prosperou e acabou rejeitada por unanimidade no Tribunal Regional Eleitoral.

O caso
Vamos ao caso. Camilo Santana questionava o conteúdo das atas dos partidos que apoiam Eunício Oliveira, alegando que algumas siglas não registraram os nomes dos demais partidos da coligação feita com o PMDB. Segundo a acusação, alguns desses partidos acabaram enganados, pois ao se aliarem com dois partidos, acabaram incluídos numa aliança com outras sete agremiações.

Em seu voto, o juiz Luis Praxedes citou jurisprudência mostrando que só os partidos da própria coligação questionada teriam legitimidade para mover a ação. O relator do processo no Ministério Público Eleitoral, Rômulo Conrado, afirmou que o fato apontado pela acusação não passa de “mero erro formal”, insuficiente para invalidar a candidatura da oposição.

Quem decide é o eleitor
Como eu já disse, é normal candidatos, partidos e coligações acionarem a justiça, especialmente em período eleitoral. Mas uma coisa é questionar adversários juridicamente sobre eventuais erros de conduta ou vantagens indevidas, como propaganda irregular, uso da máquina pública ou abuso de poder político ou econômico; outra bem diferente é tentar impedir que a oposição tenha uma candidatura. Não se trata de ser a favor deste ou daquele, mas de preservar a prerrogativa básica dos eleitores: o direito ao voto livre.

Uma candidatura, claro, pode ser impugnada e o Ministério Público já acionou a justiça nesse sentido em várias ocasiões. Mas no caso em questão, provocado por candidatura oficial com base em argumentos insustentáveis, vale dizer: operou-se tentativa de interditar o processo eleitoral. Ao contrário do que acontece em regimes autoritários, nas democracias, opositores podem apresentar candidaturas contra os governos de plantão, sem risco de sabotagens ou de intimidações de qualquer natureza. Isso faz parte do conceito de alternância: ninguém é dono do poder, que emana do povo.

Má impressão
No final, a marmota acaba prejudicando a imagem da própria coligação governista. Quando um governo não quer compreender ou aceitar a legitimidade de grupos opositores, buscando deixar o eleitor sem qualquer opção que não seja o seu indicado, é sinal, no mínimo, de arrogância e prepotência. Ou então, de insegurança no próprio candidato que escolheu para manter-se no poder. Não fica bem. Que prevaleça o bom senso.

Publicidade

Ibope mostra diferença de capital político entre candidaturas naturais e as fabricadas

Por Wanfil em Eleições 2014

22 de julho de 2014

Na primeira pesquisa Ibope feita no Ceará após a oficialização das candidaturas, Eunício Oliveira (PMDB) lidera para o governo do Estado com 44% das intenções de voto, seguido por Camilo Santana (PT), que aparece com 14%. Para o Senado, Tasso Jereissati (PSDB) parte na frente com 58%, contra 14% de Mauro Filho (Pros).

Os números, encomendados pela TV Verdes Mares, refletem o peso eleitoral de cada um na largada. Enquanto Eunício e Tasso dispensam padrinhos políticos, Camilo e Mauro, lançados de última hora, surpreendendo até aliados, dependem da transferência de parte do capital político do governador Cid Gomes. Não por acaso, ambos cravaram o mesmo índice. A questão é saber até onde essa influência poderá carregar os candidatos governistas.

O desempenho das candidaturas menores não deve ser menosprezado. Para o governo estadual, Eliane Novais (PSB) tem 6% e Ailton Lopes (Psol) 3%. Juntos, conseguem quase 10% dos votos, que no final podem fazer falta aos líderes. Já para o Senado, Rachel Dias (Psol) tem 5% e Geovana Cartaxo (PSB), 2%.

Certamente os números deverão variar conforme a dinâmica das campanhas. Fatores como a eventual influência de padrinhos políticos, a capacidade de articulação dos candidatos, as taxas de rejeição, a disputa presidencial, a experiência política de cada um, a propaganda eleitoral e os debates, ainda surtirão efeito.

Por enquanto, nesse começo, Eunício e Tasso trabalham sem grandes contratempos. Na verdade, respiram aliviados por terem conseguido reunir mais apoio do que imaginavam antes das convenções. Já Camilo e Mauro, sob o comando de Cid, por um lado contam com a máquina governista, mas por outro lutam para conter o ressentimento dos pré-candidatos descartados pelo Pros e o racha interno no PT.

Tem ainda a briga para ver quem terá o apoio de Dilma. Entretanto, com a presidente caindo pesquisa após pesquisa, já é o caso de pensar se essa companhia pode realmente ajudar. No Planalto, a preocupação não é mais evitar um segundo turno, mas estar no segundo turno.

A primeira pesquisa mostra uma considerável diferença na largada. Não é sinal de vitória fácil de quem parte na frente, mas indício forte de que a reta final será disputada como há muito tempo não se vê.

Publicidade

Bolsa Família e eleições: tudo a ver

Por Wanfil em Eleições 2014

21 de julho de 2014

Os presidenciáveis Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) marcaram presença na região do Cariri, sul do Ceará, no final de semana. Visitaram, separados, é  claro, a ExpoCrato, famoso evento de agropecuária. Aécio depois foi a Juazeiro do Norte, acompanhado do ex-governador e candidato ao Senado Tasso Jereissati, onde participou de uma missa em memória aos 80 anos da morte do Padre Cícero.

Lideranças locais e candidatos ao governo estadual também estiveram pelos municípios da região. Eunício Oliveira (PMDB), Eliane Novais (PSB), Camilo Santana (PT), este acompanhado do notório deputado José Guimarães (PT), e Ailton Lopes (Psol), marcaram presença.

Geopolítica eleitoral
Se por um lado o Cariri conseguiu atrair os principais nomes da oposição ao governo federal para os mesmos eventos, por outro, não seduziu os estrategistas da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). Por quê? Ora, não é difícil deduzir a resposta. Existe nisso, como em tudo o mais numa eleição, logica e cálculo. É que se no Sul e Sudeste do Brasil Dilma tem seu pior desempenho nas pesquisas, é no Norte e no Nordeste que tem alguma folga. O corolário é óbvio: cada um precisa manter o que conquistou e avançar onde o adversário é mais forte.

No caso das oposições, reduzir a diferença de intenção de votos no Nordeste, que tem mais densidade populacional do que o Norte, é fundamental para levar a disputa para o segundo turno.

De resto, aliás, isso é coisa antiga: presidentes costumam a ter mais popularidade justamente nas regiões mais pobres do país, onde a população depende mais da assistência do governo.

Bolsa Família
Além da convergência de agenda, Campos e Aécio também coincidiram na estratégia de discurso, que focou o compromisso de manter o Bolsa Família. Segundo o tucano, o PT faz terrorismo eleitoral quando diz que a oposição pretende acabar com o programa, o que seria, a seu ver, sinal de que governistas estariam à beira de um ataque de nervos com a queda de Dilma nas pesquisas. De fato, a tática de anunciar a manutenção do programa é uma manobra de defesa.

Isso tudo faz parte do jogo. Agora, a verdade é que, independente das pesquisas, o uso eleitoreiro do Bolsa Família tem sido recorrente, o que é ruim não apenas do ponto de vista ético, mas também é preocupante pelos aspectos econômico e social. Afinal, após dez anos do seu lançamento, com a promessa de reduzir a miséria, seu evidente peso no debate eleitoral é sinal de que a pobreza e a falta de educação ainda falam alto na nossa democracia.

Publicidade

BRICS terá 7 mil agentes de segurança. Pena que é nuvem passageira

Por Wanfil em Economia

15 de julho de 2014

Sai de cena a festa da Copa do Mundo e entra em campo a aridez dos temas econômicos, com Fortaleza sediando a 6ª Cúpula do BRICS, o grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do sul. No fundo, é o grupo resulta mesmo da política externa de Chia e Rússia, potências militares que sonham com a liderança no concerto da geopolítica mundial. Mas essa é outra história, jogo de gente grande. Para nós do Ceará o que importa é que esses eventos são indiscutíveis oportunidades de consolidar o nome do estado na rota do turismo mundial: a Copa com o lazer, o BRICS com as chances de negócios.

Segurança
Por isso Fortaleza está um brinco, pelo menos no entorno do Centro de Eventos, onde a limpeza e a pavimentação germânicas (para usarmos um padrão da moda), assim como a segurança, não deixam nada a desejar. O Governo do Estado anunciou que ao todo 7.689 agentes atuarão para que tudo ocorra na mais perfeita tranquilidade. São 4.444 de seu próprio contingente, que contam com o reforço de outros 3.245 profissionais vindos de parcerias com órgãos como a Polícia Federal, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ministério da Defesa e Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), Guarda Municipal de Fortaleza (GMF), entre outros.

Basta andar nas ruas próximas ao local para conferir como tudo está tinindo para proteger e impressionar os chefes de estado esperados para o encontro. Temos que causar boa impressão, mirando em futuros investimentos, claro. Nada contra. Quem dera memso essas ações preparadas para o BRICS durassem o ano inteiro e fossem ampliadas para todo o Ceará.

O negócio é tão bacana, que o risco agora é ver essas impressões se confundirem com a realidade. Porém, todo esse arranjo é passageiro, já que a reunião acaba na quarta-feira (16).  Por isso, é bom a gente ficar ligado: assim como promover uma copa não significa dizer que temos uma grande seleção, sediar o encontro do BRICS não é garantia de que temos uma economia equilibrada ou que moramos em lugar seguro.

Economia
Sobre segurança, não é preciso dizer muito. Todos sabem como andam as coisas no Ceará e no Brasil. Já na economia, começamos a sentir no bolso o peso do baixo crescimento e das políticas fiscal e monetária do governo federal. Os dados falam por si. Entre os países do BRICS, o Brasil é o que apresentou pior desempenho econômico nos últimos anos, com a pior taxa de investimentos.

Crescimento (média 2011-2013)
B
rasil – 2%
Rússia – 3%
Índia – 5,4%
China- 8,2%
África do Sul – 2,6%

Taxa de investimento (% PIB)
Brasil – 18%
Rússia – 23%
Índia – 30%
China- 49%
África do Sul – 19% – Fonte: Exame/Abril

O risco inflacionário
O Brasil aparece bem em relação ao PIB per capita e a taxa de pobreza (6%), comparado com o resto do grupo (na China a taxa dobra). Mas essas conquistas estão ameaçadas pela inflação, que já estourou o teto da meta este ano e que no primeiro semestre superou o rendimento da poupança.

Futuro
No futebol, a derrota terminou com a demissão de Felipão e de toda a comissão técnica. Na economia, o debate começa agora, com as eleições entrando de vez no calendário da torcida brasileira. O nome do técnico é Guido Mantega.

Publicidade

O Pros contra os cacos espalhados – Ou: meu partido é um coração partido…

Por Wanfil em Partidos

11 de julho de 2014

Ao indicar na última hora o petista Camilo Santana para a sucessão estadual na chapa governista no Ceará, Cid Gomes criou uma saia justa entre alguns dos seus correligionários do Pros, que nos últimos meses foram estimulados pelo próprio governador a fazer pré-campanha entre os aliados, mas acabaram preteridos.

Peões
Por diversas vezes, afinal, Cid disse que a escolha recairia sobre um nome do partido, o maior da sua base de apoio. Cinco nomes apareceram concorriam: Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa; o vice-governador Domingos Filho; o ex-prefeito de Sobral, Leônidas Cristino; o deputado estadual Mauro filho; e Izolda Cela, ex-secretária da Educação. Do grupo, dois lideravam as bolsas de apostas: Domingos Filho, que articulou intensamente com lideranças políticas, e Zezinho Albuquerque, que percorreu o Estado em campanhas contra as drogas e em defesa da refinaria, todas bancadas pela Assembleia Legislativa.

Tanto esforço de nada valeu. Mais do que a frustração com o desfecho na composição da chapa oficial, restava a todos a vergonha de aparecer publicamente como de meros peões de tabuleiro no xadrez eleitoral.

Prêmio de consolação
Como prêmio de consolação, Mauro filho ganhou a chance de disputar o Senado; Domingos tem prometida uma vaga no Tribunal de Contas do Município. Zezinho foi convidado para concorrer como vice de Camilo, mas recusou, sendo então substituído por Izolda. Aliás, sobre prêmios e acordos eleitorais, vale conferir matéria do Tribuna do Ceará sobre a relação entre a ocupação de cargos públicos e o contexto das alianças.

Juntando os cacos
Para desfazer a má impressão e dar ares de republicanismo ao processo sucessório entre os aliados, Zezinho organizou um almoço de apoio a Camilo Santana, em restaurante de Fortaleza na última quarta-feira. O encontro virou um ato de afago a Zezinho, que foi abraçado por Ciro e elogiado por Camilo, todos felizes com a humildade e a compreensão dos parceiros.

Domingos e Zezinho, assim como os torcedores da seleção brasileira, agora sabem a dor de um sonho interrompido de um modo que ninguém esperava, bem no meio do caminho.

Olho aberto
Corre em rodas políticas que a vaga de conselheiro do TCM negociado com Domingos Filho teria sido oferecida também a Mauro Filho, se este perder a eleição para Tasso Jereissati (PSDB). Para evitar riscos, Domingos esperaria assumir em julho ou agosto, antes da eleição. Se ficar para depois, não tem acordo.

Publicidade

Eleição é igual a caminhão sem freio descendo a ladeira

Por Wanfil em Eleições 2014

02 de julho de 2014

Como explicar que ex-adversários se unam de uma hora para outra e que ex-aliados acabem em lados opostos às vésperas de uma eleição no Brasil? Como é possível uma aliança com vinte partidos? A união entre Lula, Collor e Maluf é certamente hoje a expressão maior de uma prática antiga em nossa política.

A tradição de conciliar incompatibilidades
Para quem quiser estudar mais a fundo esse fenômeno, sempre indico a leitura do livro “A Consciência Conservadora no Brasil”, do historiador Paulo Mercadante, do qual tomei conhecimento por um artigo de Olavo de Carvalho. O conservador do título não faz referência direta à concepção clássica do termo como movimento doutrinário, mas antes, denuncia a deturpação desse conceito, amoldado às nossas práticas e vícios. Conservar aí é reduzido ao desejo espúrio de manter privilégios e vantagens, mesmo que para isso seja preciso mudar de convicções. É uma tradição conciliadora, capaz de acomodar valores teoricamente incompatíveis e assimilar ideais contraditórios em parcerias improváveis; que celebra o pragmatismo amoral como estratégia de perpetuação (a conservação) no poder. Ninguém foi melhor nisso do que José Sarney.

A prática também é reforçada pela fragilidade dos partidos na democracia brasileira, o fisiologismo, o culto ao personalismo e a própria legislação. Tudo converge para a bagunça. É nela que os políticos se entendem. Não que isso justifique toda e qualquer aliança espúria. Mesmo em ambientes degradados, existem limites.

Sabe de nada, inocente!
No Ceará, o governador Cid Gomes e seu irmão Ciro parecem muito surpresos e indignados com o fato de Eunício Oliveira, de quem receberam o apoio nas últimas três eleições (duas para governador e uma para a Prefeitura de Fortaleza), ter lançado candidatura própria ao governo estadual, imaginando poder contar com a reciprocidade dos antigos parceiros. Como não conseguiu apoio, rompeu. E rompido, buscou apoio dos adversários de Cid, com quem mantinha uma relação, digamos, sem atritos.

O problema é que os Gomes há mais de vinte anos mudam de lado ao sabor de eleições. Hoje são aliados objetivos, por exemplo, dos citados Collor, Sarney e Maluf, pela reeleição da presidente Dilma. E nem por isso acusam a candidata de ser incoerente, vejam só. É a velha indignação seletiva: só vale para os outros. Aí, não cola.

Metáfora pragmática
Conversando sobre essas alianças, um amigo me contou nesses dias uma história interessante, que disse ter ouvido pessoalmente de Leonel Brizola. “Eleição é como um caminhão sem freio descendo a ladeira. Na boleia ficam os amigos, os mais próximos. Na parte de trás, sobe quem quiser. Quando o carro chegar lá embaixo (as eleições), quem cair, caiu, quem se segurar, fica. Aí é tocar a primeira e seguir caminho”. É o tal pragmatismo.

Publicidade

A tensão pré-convenções e as falsas notícias

Por Wanfil em Eleições 2014

27 de junho de 2014

No próximo domingo (29) finalmente o Pros e o PT anunciam em convenção conjunta quem serão seus candidatos para as eleições de outubro. No mesmo dia e na mesma hora, o PMDB confirmará a candidatura de Eunício Oliveira ao governo estadual. Na segunda (30), prazo final determinado pela Lei Eleitoral, será a vez do PSDB formalizar sua posição.

Por enquanto, sobram especulações. Jornais, sites, blogs e colunas buscam antecipar supostas decisões, e quadros diferentes surgem de um dia para o outro. Um festival de chutes imprecisos.

Uma hora Zezinho Albuquerque aparece como o preferido de Cid Gomes. O mesmo acontece com Leônidas Cristino. Logo depois o comentário de bastidor garante que Domingos Filho é o queridinho das bases, e que por isso pode ser o candidato do Pros, mesmo sem a inteira confiança do governador. A última conta que Isolda Cela ainda tem chances por contemplar o perfil desenhado nas pesquisas, mas ninguém diz que perfil seria esse.

De manhã, Eunício Oliveira (PMDB) é fiel aliado da presidente Dilma Rousseff (PT), à tarde já teria acertado com Aécio Neves (PSDB).

Em certo momento dá-se por certo a candidatura de José Guimarães (PT) ao Senado. Mas rumores sempre dão conta de o Pros resiste ao seu nome por receio de uma associação com o escândalo dos dólares na cueca. Todos negam, mas nesse ambiente de desconfiança geral, a negativa é lida como desfaçatez.

Segundo o noticiário, Tasso Jereissati pode tanto ser candidato a vice-presidente como ao Senado, em parceria com Eunício, ou ainda continuar tocando suas empresas, longe da disputa. Pode acontecer tudo, ou nada.

O certo mesmo é que os principais nomes nada dizem de concreto. Em silêncio, jogam o xadrez da política, enquanto suas equipes atuam na guerra de informações. Por isso, até domingo ou segunda, cuidado com o que você lê. Pode ser apenas uma cortina de fumaça, um balão de ensaio, uma fofoca, uma maledicência, um interesse oculto, disfarçado de notícia.

Publicidade

O recado de Ciro Gomes

Por Wanfil em Eleições 2014

26 de junho de 2014

Ciro Gomes (Pros) passou a atacar o ex-aliado Eunício Oliveira (PMDB). Chama agora o novo adversário de “biruta de aeroporto”, “lambanceiro” e “riquinho”, além de fazer insinuações sobre suposta prática de suborno (crime tipificado) e ilações desabonadoras sobre as atividades empresarias do senador pelo PMDB.

Sem entrar no mérito desse, digamos assim, estilo retórico carente de provas, cabe observar que o expediente já se tornou um padrão que não surpreende ninguém, afinal, nada mais previsível do que Ciro batendo em alguém, enquanto seu irmão Cid opta por uma atuação mais discreta. A estratégia já perdeu a capacidade de atingir seus alvos com impacto. As falas dos irmãos parecem formas opostas de lidar com a situação, mas são ações sincronizadas e complementares. Tanto é assim que Ciro nunca é desautorizado, muito menos convidado a calar-se. É um porta-voz informal a passar recados que não cairiam bem se pronunciados pelo governador.

E que recados são esses? Tolices, na maioria. Indiretas que revelam o estado de espírito no Palácio da Abolição. Juras de inimizade. Sugestões de que segredos podem ser revelados. Ameaças veladas. Um conjunto de declarações que acabam revelando que há um nervosismo no ar, misto de mágoa, raiva e medo.

Se no passado a palavra de Ciro tinha o peso de um potencial candidato competitivo à Presidência da República, no presente guarda a autoridade limitada de um secretário estadual. Daí que Eunício, líder do PMDB no Senado Federal, nem se deu ao trabalho de responder-lhe as críticas, como quem dissesse ter mais o que fazer. Fosse o governador a fazê-las, seria outra a reação.

Por fim, Ciro cobra lealdade e coerência ideológica do peemedebista. Não deixa de ter razão, uma vez que Eunício foi governista até um dia desses, mas o problema é que o próprio Ciro nunca criou raízes em partido político algum e leva consigo um histórico de ex-aliados deixados de lado em períodos eleitorais. Ciro, aliás, generaliza dizendo que o PMDB é um ajuntamento de assaltantes, mas nunca viu problema em se aliar com o partido que ele mesmo desqualifica. Assim, fica difícil ser levado a sério nesses quesitos.

Ao final, o recado de Ciro Gomes não altera nada, não repercute como outrora, não gera ansiedade nos adversários e talvez nem anime os aliados. É  mais do mesmo.

Publicidade

Queda na pressão de Cid faz subir pressão de cidistas

Por Wanfil em Política

23 de junho de 2014

Cid Gomes passa mal em convenção do PDT e é amparado por aliados - Foto: Tribuna do Ceará

Cid Gomes passa mal em convenção do PDT e é amparado por aliados – Foto: Tribuna do Ceará

O governador Cid Gomes passou mal e chegou a desmaiar durante convenção estadual do PDT, realizada em Fortaleza neste domingo (22). Segundo boletim médico do HGF, a causa foi uma “hipotensão postural”. Felizmente, apesar do susto, o governador recebeu alta no mesmo dia e se recupera em casa.

No entanto, a pressão política entre os liderados do governador só aumenta. É que acaba no próximo dia 30 de junho o prazo para que os partidos definam seus candidatos. E nesse momento, o grupo político liderado por Cid vive a tensão de ainda não saber quem será o candidato oficial à sucessão. Tempo é que não faltou, mas após duas gestões, a indefinição acaba sugerindo duas possibilidades: a) um erro de estratégia; b) uma crise que se prolonga por ainda haver arestas a serem aparadas entre os próprios aliados. Mas esse não é o único problema que faz subir a pressão dos governistas no Ceará.

Estresse
Recentemente, Cid viveu dias de muito estresse por causa de divergências com a direção nacional do Pros, seu atual partido. Isso lhe consumiu energia, capital político e tempo. Tem ainda a pré-candidatura de Eunício Oliveira (PMDB) ao governo estadual. A movimentação junto à base aliada no Estado e a desenvoltura nas articulações com o comando do PMDB e do PT em Brasília, fazem do ex-aliado o maior risco ao projeto de poder dos Ferreira Gomes.

Outro fator de risco para a pressão política entre os cidistas é que apesar da agenda de inaugurações e dos investimentos em publicidade, o governo se ressente com a falta de bons indicadores na área da segurança pública, fato que naturalmente vem sendo explorado por adversários e mina a credibilidade da gestão, como indicam as pesquisas.

E, para completar, não é de hoje que o governador apresenta problemas de saúde em público. Em abril, ele chegou a se licenciar do cargo para um tratamento misterioso, após ter passado mal em Limoeiro do Norte. Também com problemas de pressão arterial, Cid já havia sido internado em 2012.

Doença não tem hora
De tudo isso, fica a impressão de que a rotina crescente de cobranças, dificuldades, intrigas, indefinições e disputas, acabam somatizando fisicamente e o corpo pede assim uma pausa. No entanto, por causa do calendário eleitoral e da opção por deixar tudo para última hora, isso não poderá acontecer nesta semana, quando a demanda pela liderança política do governador é intensamente exigida para costurar apoios e segurar descontentamentos. Qualquer repouso para convalescer que seja indicado a Cid terá esperar para depois, a não ser que a situação seja mais grave e exija cuidados maiores.

O fato é que as condições de saúde de Cid entram agora como um elemento a mais de suspense na reta final para a consolidação das chapas que disputarão as eleições e para o cenário político do Ceará.

Publicidade

Queda na pressão de Cid faz subir pressão de cidistas

Por Wanfil em Política

23 de junho de 2014

Cid Gomes passa mal em convenção do PDT e é amparado por aliados - Foto: Tribuna do Ceará

Cid Gomes passa mal em convenção do PDT e é amparado por aliados – Foto: Tribuna do Ceará

O governador Cid Gomes passou mal e chegou a desmaiar durante convenção estadual do PDT, realizada em Fortaleza neste domingo (22). Segundo boletim médico do HGF, a causa foi uma “hipotensão postural”. Felizmente, apesar do susto, o governador recebeu alta no mesmo dia e se recupera em casa.

No entanto, a pressão política entre os liderados do governador só aumenta. É que acaba no próximo dia 30 de junho o prazo para que os partidos definam seus candidatos. E nesse momento, o grupo político liderado por Cid vive a tensão de ainda não saber quem será o candidato oficial à sucessão. Tempo é que não faltou, mas após duas gestões, a indefinição acaba sugerindo duas possibilidades: a) um erro de estratégia; b) uma crise que se prolonga por ainda haver arestas a serem aparadas entre os próprios aliados. Mas esse não é o único problema que faz subir a pressão dos governistas no Ceará.

Estresse
Recentemente, Cid viveu dias de muito estresse por causa de divergências com a direção nacional do Pros, seu atual partido. Isso lhe consumiu energia, capital político e tempo. Tem ainda a pré-candidatura de Eunício Oliveira (PMDB) ao governo estadual. A movimentação junto à base aliada no Estado e a desenvoltura nas articulações com o comando do PMDB e do PT em Brasília, fazem do ex-aliado o maior risco ao projeto de poder dos Ferreira Gomes.

Outro fator de risco para a pressão política entre os cidistas é que apesar da agenda de inaugurações e dos investimentos em publicidade, o governo se ressente com a falta de bons indicadores na área da segurança pública, fato que naturalmente vem sendo explorado por adversários e mina a credibilidade da gestão, como indicam as pesquisas.

E, para completar, não é de hoje que o governador apresenta problemas de saúde em público. Em abril, ele chegou a se licenciar do cargo para um tratamento misterioso, após ter passado mal em Limoeiro do Norte. Também com problemas de pressão arterial, Cid já havia sido internado em 2012.

Doença não tem hora
De tudo isso, fica a impressão de que a rotina crescente de cobranças, dificuldades, intrigas, indefinições e disputas, acabam somatizando fisicamente e o corpo pede assim uma pausa. No entanto, por causa do calendário eleitoral e da opção por deixar tudo para última hora, isso não poderá acontecer nesta semana, quando a demanda pela liderança política do governador é intensamente exigida para costurar apoios e segurar descontentamentos. Qualquer repouso para convalescer que seja indicado a Cid terá esperar para depois, a não ser que a situação seja mais grave e exija cuidados maiores.

O fato é que as condições de saúde de Cid entram agora como um elemento a mais de suspense na reta final para a consolidação das chapas que disputarão as eleições e para o cenário político do Ceará.