Ceará Archives - Página 22 de 41 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Ceará

Deputados ignoram secretário e aprovam requerimento pedindo a Camilo que avalie presença da Força Nacional no Ceará

Por Wanfil em Política

19 de novembro de 2015

Numa decisão surpreendente, a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou requerimento de autoria do deputado Capitão Wagner (PR), que solicita ao governador Camilo Santana (PT) que “avalie a necessidade da presença da Força Nacional de Segurança no nosso Estado”.

A razão do pedido foram os recentes casos de assassinatos no bairro Messejana, em Fortaleza; ataques a delegacias e quartéis, com carros incendiados; além de uma onda de boatos no Whatsapp, com ameaças à população.

Para ser aprovado, foram necessárias alterações no texto original. Depois de negociar com o líder do governo na Casa, Evandro Leitão (PDT), a nova redação amenizou o tom de cobrança, destacando tratar-se de uma consulta.

Quando a maioria recua
A surpresa fica por conta da postura da base aliada. Como a oposição é minoria, o requerimento poderia ser reprovado com facilidade, poupando o governador do constrangimento de ter que se posicionar sobre essa possibilidade, que na prática, sugere falta de condições para o controle da situação com as forças locais.

Sem esquecer ainda que a posição da gestão a respeito já havia sido manifestada um dia antes, na própria Assembleia, quando o secretário de Segurança, Delci Teixeira, descartou a ideia de pedir apoio federal. Ficou a impressão de que os aliados de Camilo não acreditaram muito no que diz o próprio governo, na figura do responsável pela área.

Entre a convicção no apoio ao secretário e ao próprio governo e o risco de parecer mais uma vez omissa perante os eleitores, a base optou por aprovar o requerimento.

Segue abaixo o requerimento aprovado:

Requerimento AL Força Nacional

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Redução da desigualdade no Ceará coincide com aumento de famílias dependentes do Bolsa Família entre 2004 e 2014

Por Wanfil em Ceará

18 de novembro de 2015

Informa o site do Governo do Ceará:

“Nos últimos 10 anos, a desigualdade social e a pobreza foram reduzidas de forma drástica no Ceará. (…) Os 10% mais pobres, por exemplo, apresentaram um crescimento médio de 85,1% na renda, entre 2004 e 2014. O percentual de pessoas abaixo da linha da pobreza no Ceará reduziu de 47,5%, em 2004, para 17,3%, em 2014.”

Os dados são do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). Nesses 10 anos avaliados, dois pontos merecem atenção:

1) o período foi marcado por um ambiente econômico favorável nacionalmente, marcado por crescimento econômico razoável, inflação sob controle, oferta de crédito, demanda por commodities, e câmbio barato. Condições que agora deixaram de existir;

2) o papel dos programas de transferência de renda nessa equação, cuja importância é reconhecida pelo próprio diretor do Ipece, Flávio Ataliba. Em certa medida, as pessoas deixaram de ser pobres porque recebem dinheiro desses programas. Se deixarem de receber, voltam a ser pobres. Basta conferir a Matriz de Informação Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome: em 2004, no Ceará, 572.730 famílias eram assistidas pelo Bolsa Família. Dez anos depois, o número de famílias beneficiárias do programa subiu para 1.089.813. Qualquer relação de causa e efeito não é mera coincidência.

Conclusão: cenário econômico de crescimento baseado em oferta de crédito e estímulo ao consumo, somada à programas de transferência, especialmente o Bolsa Família, ajudaram a reduzir, momentaneamente, a pobreza. Na verdade, há nisso tudo uma enorme contradição. Se a pobreza e a desigualdade diminuíram, como explicar o aumento de famílias necessitadas dos programas de transferência?

Não houve, por exemplo, grandes saltos na educação, esperança de emancipação econômica para os filhos dessas famílias beneficiárias. De acordo com o mesmo Ipece, em 2004, apenas 5,5% dos cearenses com mais de 25 anos tinham ensino superior completo, contra 7,4% em 2014. Um avanço muito tímido.

Infelizmente, a redução da desigualdade ainda depende muito, demais, do assistencialismo oficial que vem de fora.

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Seu prefeito quer a volta da CPMF? Diga a ele o que você pensa nas urnas

Por Wanfil em Ceará

13 de novembro de 2015

Cerca de 40 prefeitos de cidades do interior estiveram no Palácio da Abolição, em Fortaleza, em mobilização organizada na manhã de ontem pela Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece). Eles querem a volta da CPMF para cobrir o buraco nos caixas municipais depois que os repasses federais caíram.

A ideia é pressionar a bancada federal para votar a favor da proposta do governo Dilma Rousseff, de modo que, pela previsão da Confederação Nacional dos Municípios, o imposto gere uma receita extra de R$ 14,4 bilhões. Tudo pela saúde, que até o ano passado era cantada em prosa e verso nas propagandas eleitorais.

No mesmo dia, um laudo de perícia criminal feito pela Polícia Federal para a Operação Lava Jato contabiliza R$ 42,8 bilhões de prejuízo no escândalo da Petrobras, dividido nas seguintes categorias: desvios de recursos, superfaturamento de obras e acordos com empreiteiras.

Ou seja, só o roubo na Petrobras é mais que o triplo dos recursos que os prefeitos e o governo federal querem retirar da sociedade via CPMF. Ou seja, querem que as pessoas, que você, pague a conta da corrupção.

Procure saber se o prefeito da sua cidade acha isso correto e defende a volta do imposto. Ano que vem tem eleições municipais, quando o eleitor também poderá dizer o que pensa a respeito.

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Em véspera de eleição, “mudar tudo para que tudo fique como está”

Por Wanfil em Política

12 de novembro de 2015

Lampedusa desnudou a natureza de certas mudanças políticas

A intenção final de certas mudanças políticas é iludir para conservar o poder

A justiça eleitoral divulgou o calendário para as eleições municipais em 2016. No geral, as mudanças mais impactantes foram a redução do prazo de mudança de partido para candidatos de um ano para seis meses e a diminuição do tempo de campanha, com destaque para a propaganda obrigatória de 45 para 35 dias.

Na verdade, são pequenos ajustes decorrentes da mini reforma eleitoral aprovada pelo Congresso Nacional em setembro passado, que por serem superficiais, em nada alteram a natureza do jogo, seguindo a máxima do príncipe de Falconeri, personagem de Lampedusa em O Leopardo: “tudo deve mudar para que tudo fique como está”.

Assim, a velha prática de ofertar cargos nas máquinas governamentais (e suas verbas, muito cobiçadas em períodos eleitorais), em troca de apoio político, continua intocada.

O governo federal, por exemplo, entregou o a presidência dos Correios ao médico Giovanni Queiroz, ex-deputado do PDT, ligado à Frente Parlamentar da Agropecuária. Pelo currículo, o sujeito não tem nada a ver com os Correios. A indicação coube ao ministro das Comunicações, André Figueiredo, do PDT do Ceará.

Em outro caso, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, também do PDT e candidato à reeleição, chegou a cogitar a criação de uma nova secretaria apenas para abrigar o deputado federal Adail Carneiro, do PHS, de modo a abrir vaga na Câmara o suplente Paulo Henrique Lustosa, garantindo assim o apoio do PP nas próximas eleições.

Como a proposta de criar uma estrutura em tempos de crise apenas por conveniência eleitoral pegou mal, o governador Camilo Santana, do PT, entrou em campo para terceirizar a manobra, nomeando o deputado federal como assessor para articulação política.

Esses são exemplos colhidos na ordem do dia, mas a prática é antiga e disseminada na política nacional, independente de partidos ou ideologias. E assim, apesar das decepções da população, dos escândalos, das denúncias e do descrédito da classe política em razão justamente dessas maquinações, os velhos vícios continuam e as mudanças apresentadas como se fossem reformas, não passam de perfumaria barata “para que tudo fique como está”.

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Só comparando: quanto custa estabilizar um sistema socioeducativo?

Por Wanfil em Ceará

10 de novembro de 2015

O Governo do Ceará anunciou uma série de medidas para conter as rebeliões nos centros de detenção de “jovens em conflito com a lei”, batizado de Plano de Estabilização do Sistema Socioeducativo. O descontrole chegou ao ponto de um adolescente internado morrer baleado, sem que ninguém saiba de onde saiu o disparo.

Esses centros são administrados pela  Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), cujo titular é Josbertini Clementino, que substituiu Evandro Leitão ainda em 2013, no governo Cid Gomes, pela cota do PDT.

Entre as medidas anunciadas está o investimento de aproximadamente R$ 4,2 milhões em infraestrutura, incluindo reformas de algumas unidades que já estavam em andamento.

Isso é muito ou é pouco? Não sei ao certo. É menos do que os R$ 5 milhões de contratos com a Petrobras que o delator Ricardo Pessoa, dono da UTC e chefe do “clube das empreiteiras” enroladas na Operação Lava Jato, disse ter repassado a Edinho Silva, tesoureiro da campanha da presidente Dilma Rousseff e atual ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, no primeiro turno da última campanha eleitoral.

E o que uma coisa tem a ver com a outra, Wanfil? Nada. Lembrei de Edinho Silva por causa de algumas declarações que ele deu tentando menosprezar a greve dos caminhoneiros, não obstante o fato de que se ele a considerasse realmente irrelevante, não precisaria se pronuncia a respeito. Em seguida, inevitavelmente, lembrei-me de Ricardo Pessoa, que o implicou na Lava Jato.

Vejam só como funcionam essas associações. É que agora, sempre que gestores falam em investimentos, automaticamente uso os valores das propinas citadas nas delações premiadas como parâmetro.

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Morre Beni Veras: seu legado é lição contra as crises

Por Wanfil em Artigo

06 de novembro de 2015

O Governo do Estado decretou luto de três dias pela morte do ex-governador, ex-senador e ex-ministro Beni Veras, aos 80 anos. Jornais e site publicam sua trajetória, desconhecida dos mais jovens.

Aqui me limito a ressaltar um fato que, nos dias de hoje, pode até soar estranho: Beni Veras foi empresário,  político e gestor público sobre quem nunca se ouviu falar de escândalos, denúncias, investigações ou mesmo suspeitas. Algo raro, tomando-se as lideranças do Brasil nestes tempos de crise.

Outra característica marcante em Beni foi a disposição de estudar temas com os quais tinha lidar nos cargos que ocupou, como a questão das desigualdades regionais no Brasil, para sugerir soluções, sem no entanto nunca parecer arrogante. Isso é outra coisa incomum: a noção de que a responsabilidade das posições de comando exige preparo e atualização não apenas no setor privado, mas também nas atividades públicas.

Em tempo de descrédito generalizado da política e dos políticos, o legado de Beni Veras é uma oportuna lembrança: pessoas de bem, independente de colorações partidárias ou ideológicas, devem, na medida de suas possibilidades, compartilhar seus conhecimentos a serviço da política e da gestão pública, apesar dos tipos inescrupulosos que estão sempre por aí.

No Ceará, Beni provou que essa é a melhor forma de enfrentar crises. Que descanse em merecida paz.

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A polêmica dos depósitos judiciais: os fins não podem justificar os meios

Por Wanfil em Ceará

03 de novembro de 2015

O governo busca soluções mágicas para a crise. Mas mágicas, como bem revelou Mister M, não existem.

O governo busca soluções mágicas para a crise. Mas mágicas, como bem revelou Mister M, não existem.

Na última quinta-feira a Assembleia Legislativa aprovou, sem maiores discussões e a toque de caixa, uma lei que transfere do Tribunal de Justiça para o Governo do Estado o controle sobre os chamados depósitos judiciais (cerca de R$1,2 bilhão). E não é só isso: se antes o Judiciário podia usar até 30% desses recursos, agora o Executivo poderá utilizar até 70% desses recursos.

Os depósitos judiciais constituem um fundo privado abastecido em grande parte com dinheiro que pessoas e empresas depositam em juízo, enquanto seus processos correm nos tribunais. Ou seja, não é dinheiro do orçamento público. Naturalmente, a medida causou polêmica.

Inconstitucional
Defensores do projeto alegam que a grana fica parada nos bancos e que melhor seria usá-la em prol do interesse coletivo. No presente caso, para cobrir gastos na previdência estadual e pagar “despesas de capital” não especificadas. Para os críticos do projeto, o custeio da previdência e gastos com obras já deveriam constar no orçamento.

O governo diz que, diante da crise, é preciso buscar novas fontes de recursos. A oposição lembra que os fins não podem justificar os meios, alegando que a medida é inconstitucional. Nesse sentido, a oposição está respaldada pelo Supremo Tribunal Federal. No mesmo dia em que o projeto foi aprovado no Ceará, o ministro Teori Zavascki suspendeu, em caráter liminar, lei semelhante em Minas Gerais por causar “insegurança jurídica” e “risco para o direito de propriedade dos depositantes”.

Confisco e desconfiança
O fato é que os problemas financeiros no caixa estadual decorrentes da crise econômica podem assumir perigosa dimensão. Por isso a pressa e a disposição de apostar em medidas, digamos, criativas, capazes de gerar dúvidas pertinentes.

Por exemplo: o uso de dinheiro de particulares para financiar investimentos e custeio de serviços públicos abre uma brecha perigosa. Hoje são os depósitos judiciais, amanhã, poderá ser a poupança, ressuscitando o trauma do confisco feito pelo ex-presidente Collor de Mello. A lógica é a mesma: fins justificando os meios. Não deu certo antes e Zélia Cardoso (ministra de Collor) caiu em desgraça.

O Estado garante que se houver necessidade de devolver dinheiro aos depositantes em valores que ultrapassem os 30% do fundo em caixa, ele mesmo irá repor a quantia em até cinco dias. Ora, se o próprio governo admite dificuldades, quem haverá de confiar nessa garantia?

A busca continua
No final, diante de tantas dúvidas e dificuldades, inclusive jurídicas, e a exemplo que tem acontecido com a proposta de recriação da CPMF, é bom o Governo do Ceará continuar procurando outras alternativas para equilibrar suas contas. Buscar dinheiro que já tem dono pode parecer o caminho mais rápido, mas, definitivamente, não é o mais seguro. Não passa de ilusão.

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Aula de cinismo: ministro da Educação ignora a realidade e diz que Ceará e Brasil estão crescendo. De onde ele tirou isso?

Por Wanfil em Educação

29 de outubro de 2015

O ministro da Educação, Aluísio Mercadante, veio no Ceará em busca de uma agenda positiva na quarta-feira. Participou de vários eventos cuidadosamente produzidos, falou em pacto nacional pela educação, fez elogios e discursos.

A certa altura, falando a uma plateia de professores e estudantes de escolas premiadas pelo governo estadual, e embalado pela recepção festiva, algo raro nesses tempos de crise, o ministro mandou ver:

“Hoje, o Ceará é o estado que mais cresce no Brasil. E são vocês que ajudam a fazer esse país crescer, pois é através do esforço de cada um de vocês que teremos um futuro ainda mais promissor para o Brasil.”

Correções
De onde Mercadante tirou isso? O país, ministro, está em RECESSÃO! Vamos aos fatos:

O Ceará não é o estado que mais cresce, pelo contrário, está entre os que mais sentem a crise. A economia estadual desabou 5,32% no segundo trimestre de 2015, superando, por exemplo, São Paulo (-5%), Minas Gerais (3,5%), Bahia (-1,9) e Rio Grande do Sul (-0,6).

O Brasil não está crescendo também, como todos sabem. Para o mercado, a expectativa é de que o PIB nacional registre uma retração na casa dos 3% em 2015 e de 1,5% em 2016.

Reprovado
Aluísio Mercadante foi colocado no Ministério da Educação como prêmio de consolação na última reforma ministerial, após ser demitido da poderosa Casa Civil, a pedido, ou melhor, por exigência de Lula e do PMDB. Substituiu o professor Renato Janine Ribeiro, que passou poucos meses no cargo, nomeado depois da saída de Cid Gomes da pasta, que também ficou poucos meses no cargo.

Sem intimidade técnica com a área, Mercadante fez o que sabe fazer: política ruim. Não realizou nada e distorce a realidade para fazer festa. Para isso, não há nada melhor do que vir ao Ceará.

PS. O governador Camilo Santana e o ministro Mercadante, ambos do PT, inauguraram mais uma escola profissionalizante em Fortaleza. Bacana. O nome da escola é Leonel Brizola, maior liderança na história do PDT. É que agora todo mundo por aqui é pedetista desde criancinha.

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Fortaleza é capital mais violenta do Brasil: a culpa não é só de Cid

Por Wanfil em Segurança

02 de outubro de 2015

Em entrevista para a Rede TV exibida na segunda-feira (28/09), o ex-ministro Ciro Gomes classificou de extraordinária a gestão de seu irmão Cid Gomes à frente do governo do Ceará, algo “sem rival”. Dois dias depois a Folha de São Paulo publicou matéria sobre uma realização de Cid de grande repercussão nacional: Fortaleza é a a capital mais violenta do Brasil. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, referentes ao ano de 2014.

Recorde de violência
A capital cearense lidera o ranking de homicídios com 77,34 casos por grupo de 100 mil habitantes. No Rio de Janeiro a taxa é de 20,22. Em São Paulo o índice cai para 11,43. A boa notícia, se é que podemos dizer assim, é que em Fortaleza, entre 2013 e 2014 houve uma redução de 0,97%.

É claro que essa realidade é um legado da gestão de Cid Gomes. É preciso dizer isso para evitar certas mistificações e autoelogios desmedidos. Isso não apaga méritos da referida administração em outras áreas, mas inegavelmente é uma nódoa da qual não ele poderá fugir e que será devidamente registrada pela História: nunca a criminalidade avançou tanto em Fortaleza e no Ceará inteiro como nos anos em que Cid governou. Mas, para evitar injustiças, é preciso situar a questão no tempo e no espaço.

Atenuantes e agravantes
A violência tem crescido em todo o país, principalmente na região Nordeste. Ou seja, o Ceará e sua capital acompanharam um tendência devidamente registrada. O fato, entretanto, de Fortaleza figurar como a mais violenta entre as capitais mais violentas, isso é pode ser debitado na conta de problemas de gestão. Vale dizer que nesse mesmo período, Maceió, que em 2013 era a capital mais perigosa do Brasil, conseguiu reduzir seu índice de 81,37 para 69,53, sendo ultrapassada agora por Fortaleza. Não há como fugir da conclusão de que as políticas de segurança no Ceará foram mal planejadas.

Diferença fundamental
Outro ponto que vale a pena destacar é a conjuntura política. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, como vimos, estados com capitais muito, mas muito, muito mesmo, menos violentas do que a capital do Ceará, os governadores estaduais são duramente cobrados em matéria de segurança pela oposição, pela imprensa, por entidades não governamentais, pela OAB, pela Igreja e pela própria população. Qualquer crime mais chocante, lá estão seus governadores, responsáveis pela política de segurança, dando explicações, anunciando medidas, pedindo desculpas, colocando-se à frente do problema.

No Ceará, o tema foi tratado como tabu. Tudo o que aliados – e no Ceará quase todos os deputados estaduais são aliados de qualquer governo – se limitavam a fazer era, pasmem, elogiar os investimentos, como se isso bastasse. Quem lembrasse, seja no parlamento ou na imprensa, que os resultados não estavam aparecendo, era chamado, no mínimo, de pessimista. Esse estado de omissão dava a impressão de que boas medidas estavam sendo tomadas, quando isso era falso. Deu no que deu. Uma tragédia construída pelo governo, com o apoio de de muitos.

A esperança é que o governo, apesar de ser de continuidade, mudou.

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A reforma ministerial deformada e o “prestígio” do Ceará

Por Wanfil em Política

30 de setembro de 2015

Esplanada dos Ministérios deformada: o velho balcão de negócios elevado a programa de governo

Atrás do Congresso, a  Esplanada dos Ministérios deformada: o velho balcão de negócios elevado a programa de governo

Enquanto a presidente Dilma Rousseff dava palpites em Nova Iorque sobre a reforma nas Nações Unidas, a reforma ministerial aqui no Brasil se arrasta em meio a disputas políticas e falta de rumo.

Pela nova configuração que se desenha o PMDB passa a ser o partido forte na gestão federal, como prêmio para a sigla não endossar agora o impeachment. Já os espaços de articulação política ocupados pelo PT ficam com pessoas ligadas ao ex-presidente Lula, que assume de vez o papel de eminência parda, isolando a presidente Dilma e seus auxiliares mais próximos. O dilmista Aloizio Mercadante, por exemplo, que recentemente havia sido elogiado pelo Planalto, perdeu o cargo na Casa Civil, que vai para o lulista Jacques Wagner.

No que diz respeito ao Ceará, o novo ministério aguarda algumas novidades, sobre as quais falo a seguir.

Governo do Ceará na dependência de Cunha
Na Saúde deve assumir um nome indicado pelo deputado Eduardo Cunha, pela cota do PMDB na Câmara Federal. Como todos sabem, Cunha é desafeto de Cid Gomes, que o acusou de se achacador e que por isso foi demitido do Ministério da Educação.

Caso isso se confirme,  ironia será ver o governador do Ceará, Camilo Santana, que no episódio da briga entre Cunha e Cid foi à Brasília prestar solidariedade ao ex-governador, além de também ser crítico do PMDB, ser obrigado a pedir recursos para a Saúde a um preposto de Cunha.

Parece prestígio, mas não é
Na dança das cadeiras na Esplanada dos Ministérios, o deputado federal André Figueiredo é apontado para assumir a pasta das Comunicações, como recibo da compra da permanência do PDT na base. Na Integração Nacional, o comando pode fica com alguém indicado pelo senador Eunício Oliveira, pela cota do PMDB no Senado. O mais otimista já enxergam nisso sinais de prestígio do Ceará.

É preciso cuidado para não cair nessa conversa. O prestígio do Ceará junto ao governo federal pode ser medido pelo golpe da refinaria, pela reforma do aeroporto que acabou em puxadinho ou pelo contingenciamento de verbas que prejudica a Transposição do São Francisco, tudo sob o silêncio conivente dos aliados locais. A nomeação de cearenses para esse ou aquele cargo atende somente a interesses partidários, independente de critérios técnicos e é completamente alheia a qualquer coisa minimamente parecida com um planejamento em políticas públicas para o Ceará. Quem tem prestígio é o “toma lá, dá cá” do fisiologismo.

Nau à deriva
Por último, o modo como a reforma ministerial em curso tem sido conduzida revela que o uso tradicional balcão de negócios  para buscar apoio  se transformou, ele mesmo, em agenda de governo. Por que o ministro da Saúde caiu? Por que o Ministério das Comunicações vai  mudar de comando? Metas não cumpridas? Não. É para dar espaço a aliados comprados.

Se antes os fins (governabilidade) pareciam justificar os meios (fisiologismo), agora os meios definitivamente se transformaram em fim.

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A reforma ministerial deformada e o “prestígio” do Ceará

Por Wanfil em Política

30 de setembro de 2015

Esplanada dos Ministérios deformada: o velho balcão de negócios elevado a programa de governo

Atrás do Congresso, a  Esplanada dos Ministérios deformada: o velho balcão de negócios elevado a programa de governo

Enquanto a presidente Dilma Rousseff dava palpites em Nova Iorque sobre a reforma nas Nações Unidas, a reforma ministerial aqui no Brasil se arrasta em meio a disputas políticas e falta de rumo.

Pela nova configuração que se desenha o PMDB passa a ser o partido forte na gestão federal, como prêmio para a sigla não endossar agora o impeachment. Já os espaços de articulação política ocupados pelo PT ficam com pessoas ligadas ao ex-presidente Lula, que assume de vez o papel de eminência parda, isolando a presidente Dilma e seus auxiliares mais próximos. O dilmista Aloizio Mercadante, por exemplo, que recentemente havia sido elogiado pelo Planalto, perdeu o cargo na Casa Civil, que vai para o lulista Jacques Wagner.

No que diz respeito ao Ceará, o novo ministério aguarda algumas novidades, sobre as quais falo a seguir.

Governo do Ceará na dependência de Cunha
Na Saúde deve assumir um nome indicado pelo deputado Eduardo Cunha, pela cota do PMDB na Câmara Federal. Como todos sabem, Cunha é desafeto de Cid Gomes, que o acusou de se achacador e que por isso foi demitido do Ministério da Educação.

Caso isso se confirme,  ironia será ver o governador do Ceará, Camilo Santana, que no episódio da briga entre Cunha e Cid foi à Brasília prestar solidariedade ao ex-governador, além de também ser crítico do PMDB, ser obrigado a pedir recursos para a Saúde a um preposto de Cunha.

Parece prestígio, mas não é
Na dança das cadeiras na Esplanada dos Ministérios, o deputado federal André Figueiredo é apontado para assumir a pasta das Comunicações, como recibo da compra da permanência do PDT na base. Na Integração Nacional, o comando pode fica com alguém indicado pelo senador Eunício Oliveira, pela cota do PMDB no Senado. O mais otimista já enxergam nisso sinais de prestígio do Ceará.

É preciso cuidado para não cair nessa conversa. O prestígio do Ceará junto ao governo federal pode ser medido pelo golpe da refinaria, pela reforma do aeroporto que acabou em puxadinho ou pelo contingenciamento de verbas que prejudica a Transposição do São Francisco, tudo sob o silêncio conivente dos aliados locais. A nomeação de cearenses para esse ou aquele cargo atende somente a interesses partidários, independente de critérios técnicos e é completamente alheia a qualquer coisa minimamente parecida com um planejamento em políticas públicas para o Ceará. Quem tem prestígio é o “toma lá, dá cá” do fisiologismo.

Nau à deriva
Por último, o modo como a reforma ministerial em curso tem sido conduzida revela que o uso tradicional balcão de negócios  para buscar apoio  se transformou, ele mesmo, em agenda de governo. Por que o ministro da Saúde caiu? Por que o Ministério das Comunicações vai  mudar de comando? Metas não cumpridas? Não. É para dar espaço a aliados comprados.

Se antes os fins (governabilidade) pareciam justificar os meios (fisiologismo), agora os meios definitivamente se transformaram em fim.