Em Fortaleza, 29 partidos disputam as eleições. Para que servem? 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Para que serve um partido político? Vinte e nove disputam as eleições em Fortaleza

Por Wanfil em Eleições 2012, Política

12 de julho de 2012

O pluripartidarismo brasileiro mais parece um emaranhado de letras dispostas ao acaso, sem conexão alguma com ideologias ou com a realidade.

É tempo de eleições municipais. Junto com a inundação de propagandas eleitorais, temos a profusão de números e letras que identificam os partidos políticos envolvidos na disputa. Em Fortaleza, nada menos que 29 partidos participam do processo eleitoral deste ano. Diga aí amigo leitor: Você é capaz de citar mais que cinco ou seis siglas? Eu não vou muito além disso. Poucos conseguem. Certamente ninguém se lembra de todos (confira no final do post).

Nas democracias representativas, no mundo ideal, partidos políticos constituem espaços nos quais propostas de intervenção na realidade são apresentadas à sociedade, baseadas em pressupostos consagrados por uma ideologia. Em suma, é o primeiro passo para tentativa de por uma visão de mundo em prática.

Imaturidade institucional

No Brasil, país de história marcada por sucessivos golpes e acordos venais, o sistema partidário ainda luta para se consolidar como instância confiável. Aqui, clubes de futebol são centenários, partidos políticos não. Os mais antigos estão na casa dos 30. Para efeito de comparação, o partido Democrata, nos EUA, é do tempo da Revolução Francesa. Além da imaturidade institucional, os partidos brasileiros convivem com velhos vícios próprios de uma cultura personalista, populista e clientelista.

Muitos não possuem representatividade alguma e carecem mesmo de base ideológica consistente. Existem apenas para sugar verbas do fundo partidário e vender tempo de propaganda no rádio e televisão. Se o partido cresce um pouco mais, aí já pode sonhar com algum órgão da estrutura administrativa – e suas verbas – para chamar de seu.

Marketing sem conteúdo

Para piorar, as siglas mais fortes, que poderiam fazer a diferença, abdicaram de ter personalidade própria para se homogeneizarem em discursos fabricados por equipes de marketing político. Não quero dizer que o marketing suprimiu a política. Isso seria uma tremenda injustiça. Digo apenas que os profissionais de marketing, na ausência de conteúdo dos partidos, precisam improvisar. A solução mágica é dizer o que o eleitor deseja ouvir, na esperança de conquistar a sua simpatia. Por isso, tome pesquisa.

Não por acaso partidos se alternam nos governos e a política econômica, por exemplo, pouco muda. No plano federal, por exemplo, a última novidade nesse campo, vejam só, foram o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal e as políticas compensatórias, hoje conhecidas como Bolsa Família. Lá se vão quase vinte anos.

Militância e aparelhamento

Os poucos partidos que conseguiram constituir um corpo doutrinário e arregimentar alguma militância genuína, se perderam no aparelhamento do Estado. O militante, que seria o sujeito que consagra sua cidadania a um projeto coletivo, passou a condicionar sua atividade ao retorno – em forma de emprego ou contrato – financeiro num eventual governo. É quando a máquina pública perde eficiência técnica para se transformar num braço partidário.

São todos iguais? Não. Lideranças pontuais, conectadas com as necessidades e com os desafios a serem enfrentados, dispostas a enfrentar acomodações e o status quo, apareçam. É raro, pois figuras assim aparecem não por causa dos partidos políticos, mas apesar deles.

Portanto, respondendo a pergunta-título deste post, os partidos políticos, sem os quais não há democracia, servem na prática de arranjos cartoriais para homologar candidaturas e organizar a distribuição de tempo na propaganda eleitoral gratuita. São, ironicamente, tal e qual seus candidatos de ocasião, promessas que ainda não se cumpriram.

PS. Para quem quiser decorar, os partidos que disputarão em Fortaleza são: PRTB, PPL, PDT, PSol, PSDB, PR, PV, PTN, PSC, PTdoB, PT, PTC, DEM, PCdoB, PSTU, PP, PSB, PEN, PHS, PMDB, PMN, PRB, PRP, PSDC, PSL, PTB, PCB, PPS e PSD.

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Para que serve um partido político? Vinte e nove disputam as eleições em Fortaleza

Por Wanfil em Eleições 2012, Política

12 de julho de 2012

O pluripartidarismo brasileiro mais parece um emaranhado de letras dispostas ao acaso, sem conexão alguma com ideologias ou com a realidade.

É tempo de eleições municipais. Junto com a inundação de propagandas eleitorais, temos a profusão de números e letras que identificam os partidos políticos envolvidos na disputa. Em Fortaleza, nada menos que 29 partidos participam do processo eleitoral deste ano. Diga aí amigo leitor: Você é capaz de citar mais que cinco ou seis siglas? Eu não vou muito além disso. Poucos conseguem. Certamente ninguém se lembra de todos (confira no final do post).

Nas democracias representativas, no mundo ideal, partidos políticos constituem espaços nos quais propostas de intervenção na realidade são apresentadas à sociedade, baseadas em pressupostos consagrados por uma ideologia. Em suma, é o primeiro passo para tentativa de por uma visão de mundo em prática.

Imaturidade institucional

No Brasil, país de história marcada por sucessivos golpes e acordos venais, o sistema partidário ainda luta para se consolidar como instância confiável. Aqui, clubes de futebol são centenários, partidos políticos não. Os mais antigos estão na casa dos 30. Para efeito de comparação, o partido Democrata, nos EUA, é do tempo da Revolução Francesa. Além da imaturidade institucional, os partidos brasileiros convivem com velhos vícios próprios de uma cultura personalista, populista e clientelista.

Muitos não possuem representatividade alguma e carecem mesmo de base ideológica consistente. Existem apenas para sugar verbas do fundo partidário e vender tempo de propaganda no rádio e televisão. Se o partido cresce um pouco mais, aí já pode sonhar com algum órgão da estrutura administrativa – e suas verbas – para chamar de seu.

Marketing sem conteúdo

Para piorar, as siglas mais fortes, que poderiam fazer a diferença, abdicaram de ter personalidade própria para se homogeneizarem em discursos fabricados por equipes de marketing político. Não quero dizer que o marketing suprimiu a política. Isso seria uma tremenda injustiça. Digo apenas que os profissionais de marketing, na ausência de conteúdo dos partidos, precisam improvisar. A solução mágica é dizer o que o eleitor deseja ouvir, na esperança de conquistar a sua simpatia. Por isso, tome pesquisa.

Não por acaso partidos se alternam nos governos e a política econômica, por exemplo, pouco muda. No plano federal, por exemplo, a última novidade nesse campo, vejam só, foram o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal e as políticas compensatórias, hoje conhecidas como Bolsa Família. Lá se vão quase vinte anos.

Militância e aparelhamento

Os poucos partidos que conseguiram constituir um corpo doutrinário e arregimentar alguma militância genuína, se perderam no aparelhamento do Estado. O militante, que seria o sujeito que consagra sua cidadania a um projeto coletivo, passou a condicionar sua atividade ao retorno – em forma de emprego ou contrato – financeiro num eventual governo. É quando a máquina pública perde eficiência técnica para se transformar num braço partidário.

São todos iguais? Não. Lideranças pontuais, conectadas com as necessidades e com os desafios a serem enfrentados, dispostas a enfrentar acomodações e o status quo, apareçam. É raro, pois figuras assim aparecem não por causa dos partidos políticos, mas apesar deles.

Portanto, respondendo a pergunta-título deste post, os partidos políticos, sem os quais não há democracia, servem na prática de arranjos cartoriais para homologar candidaturas e organizar a distribuição de tempo na propaganda eleitoral gratuita. São, ironicamente, tal e qual seus candidatos de ocasião, promessas que ainda não se cumpriram.

PS. Para quem quiser decorar, os partidos que disputarão em Fortaleza são: PRTB, PPL, PDT, PSol, PSDB, PR, PV, PTN, PSC, PTdoB, PT, PTC, DEM, PCdoB, PSTU, PP, PSB, PEN, PHS, PMDB, PMN, PRB, PRP, PSDC, PSL, PTB, PCB, PPS e PSD.