'How I Met Your Mother' deixa resultado satisfatório...mas sem saudade - Cinema Sinergia 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

‘How I Met Your Mother’ deixa resultado satisfatório…mas sem saudade

Por Thiago Sampaio em Série

02 de Abril de 2014

How I Met Your Mother durou nove temporadas

Foto: Divulgação

Considerada uma das séries de comédia de melhor aceitação do público desde “Friends”, “How I Met Your Mother” chegou ao fim esta semana após nove temporadas. Não há dúvidas que marcou uma geração e deixou um resultado positivo, mesmo em meio a muitos altos e baixos, além de um final controverso (o qual comentarei apenas adiante).

A história

Com a premissa de mostrar  Ted Mosby (Josh Radnor) em um futuro contando aos filhos como conheceu a mãe deles, somos remetidos a 2005 (ano do início da série), quando conhecemos os seus amigos: o casal Marshall Eriksen  (Jason Segel) e Lily Aldrin (Alyson Hannigan); o mulherengo Barney Stinson (Neil Patrick Harris) e a bela jornalista canadense Robin Scherbatsky (Cobie Smulders), que o acompanham durante todos esses anos.

Altos

Com um humor eficiente, personagens carismáticos, constantes brincadeiras de edição na trama não linear, “How I Met Your Mother” conquistou o seu público fiel, podendo ser considerado uma espécie de “Friends alcoólico”. Quem acompanhou, certamente se identificou com muitas ocasiões, sejam nas lições sobre amizade, as ideias surgidas nas obrigatórias mesas de bar, além, é claro, nos aprendizados sobre relacionamentos. Existe mesmo aquela pessoa ideal? Talvez, mas os defeitos e diferenças sempre andam juntos, transpostos na tela com muito humor.

Não resta dúvida que Marshall e Lily viraram um exemplo para muitos casais e Barney (fantástica atuação de Neil Patrick Harris) se tornou icônico pelo estilo irreverente e os bordões, como “legen…wait for it…dary!”, “suit up” e “high five”. Além disso, o sitcom primava por não se intimidar em incluir episódios dramáticos, como o da morte do pai de Marshall ou quando Robin descobre que não pode ter filhos. Algo um tanto incomum para o estilo.

Baixos

Fato é que a série pecou pela irregularidade, talvez por ter se prolongado além do que devia, fugindo da premissa inicial. Afinal, no começo todos queriam saber quem era a tal mãe do título e a edição nos permitia nos divertir com isso (o guarda-chuva amarelo…). Mas passando o tempo, em meio a inúmeros relacionamentos frustrados de Ted, se tornou tediosa a repetição, já que qualquer mulher que surgia no seu caminho já sabíamos que não seria a sua futura esposa.

Repetição, por sinal, se tornou uma vertente constante da série, que ficou sem conteúdo novo durante a maior parte das temporadas finais, se resumindo às piadas sobre a personalidade de cada personagem, à evolução do casal Barney-Robin e novas frustrações amorosas de Ted, cuja paixão platônica por Robin chegava a irritar. E a tal mãe do título (vivida por Cristin Milioti)? Cada vez mais desconhecida, tanto que só foi ganhar espaço na temporada final.

O polêmico final (COM SPOILERS)

Não tem como negar que os criadores e roteiristas Carter Bays e Craig Thomas foram ousados ao não entregarem um final bonitinho e dentro do esperado. Nesse caso, mesmo que não deixasse todos felizes e encantados, pelo menos não ofenderia. Mas por seguirem o planejamento original, em que todo o contexto do seriado fora planejado de olho no fim utilizado, certamente terão que lidar com críticas e narizes torcidos de fãs.

Dois fatos são incontestáveis sobre o episódio final, repleto de reviravoltas. Primeiro: ele é difícil de ser digerido. O segundo: ele faz todo sentido, sim!

Eis algumas ponderações verdadeiras:

– Toda a série foi programada visando esse final, certo? E o seriado todo conta a história de Ted e Robin! Desde como se conheceram no episódio-piloto, de como compartilharam um amor em diferentes momentos e como enfrentaram os inúmeros descaminhos da vida para terminarem juntos, mesmo depois dos 50 anos.

– Barney e Robin eram um casal que, aparentemente, combinava. Ambos curtiam viver a vida com intensidade, diferente de Ted, e evoluíram juntos. Mas eles, principalmente Barney, tinham personalidades difíceis de se lidar e as chances de o casamento não vingar eram grandes. O divórcio era algo pontual, mesmo que eles tivessem se amado enquanto juntos, prevalecendo depois o respeito mútuo.

– Nada mais coerente do que Ted passar tanto tempo para contar para os seus filhos como conheceu a mãe deles que morreu, vítima de uma doença, com o intuito de homenagear a imagem dela. Fora isso, qual o sentido de segurá-los por tantas horas (que para o espectador foram nove anos) em uma poltrona?

Agora, eis algumas frustrações:

– Não deixa de ser frustrante a sensação de que um seriado o enganou durante tanto tempo. Culpa, talvez, do sucesso inesperado que o fez se prolongar bem mais do que o planejado originalmente. Quando o final foi planejado, todos ainda torciam para que Ted e Robin terminassem juntos, sensação que o próprio seriado tratou de desconstruir ao longo desses nove anos.

– A série fez mais do que o necessário para alimentar a curiosidade para, no fim, vermos que a mãe do título estava morta. Todos esperavam conhecer mais da personagem. Os roteiristas reservaram apenas uma temporada para isso e, mesmo assim, com menos importância do que o esperado. De fato, como dizem os próprios filhos de Ted para ele, ela pouco aparece na história narrada por ele. Então, esperar tanto para descobrir que a personagem do título, propositalmente, tem uma relevância pequena apenas para causar surpresa no episódio final, é como se sentir boicotado.

– Foi exagerado o trabalho (bem sucedido) para que os fãs torcessem para o sucesso da relação entre Robin e Barney, que começaram a se envolver ainda na terceira temporada. Tanto que a última temporada inteira, mostrando os preparativos para o casamento, já parecia tornar isso um fato irreversível, e tudo fora pro espaço em apenas alguns minutos do episódio final.

– Barney ter um filho com uma mulher qualquer (que sequer é mostrada) pareceu uma tentativa forçada de humanizá-lo, já que não teve o seu casamento adiante com Robin. Os espectadores viram um aparente amadurecimento quando ele estava apaixonado e, por isso, vê-lo voltar a vida de “pegador” causou a sensação de rodar e voltar ao mesmo lugar. Muitas pessoas envelhecem com esse estilo de vida? Sim, mas nem todas. Mais uma ilusão provocada pelos roteiristas, decepcionando os que torciam por um relacionamento estável para o personagem.

No fim das contas, a sensação é de que “How I Met Your Mother” cumpriu o seu dever e deixou um resultado satisfatório. E assim como em amizades e relacionamentos, há decepções. Por isso, não deve deixar tanta saudade em muitos.

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‘How I Met Your Mother’ deixa resultado satisfatório…mas sem saudade

Por Thiago Sampaio em Série

02 de Abril de 2014

How I Met Your Mother durou nove temporadas

Foto: Divulgação

Considerada uma das séries de comédia de melhor aceitação do público desde “Friends”, “How I Met Your Mother” chegou ao fim esta semana após nove temporadas. Não há dúvidas que marcou uma geração e deixou um resultado positivo, mesmo em meio a muitos altos e baixos, além de um final controverso (o qual comentarei apenas adiante).

A história

Com a premissa de mostrar  Ted Mosby (Josh Radnor) em um futuro contando aos filhos como conheceu a mãe deles, somos remetidos a 2005 (ano do início da série), quando conhecemos os seus amigos: o casal Marshall Eriksen  (Jason Segel) e Lily Aldrin (Alyson Hannigan); o mulherengo Barney Stinson (Neil Patrick Harris) e a bela jornalista canadense Robin Scherbatsky (Cobie Smulders), que o acompanham durante todos esses anos.

Altos

Com um humor eficiente, personagens carismáticos, constantes brincadeiras de edição na trama não linear, “How I Met Your Mother” conquistou o seu público fiel, podendo ser considerado uma espécie de “Friends alcoólico”. Quem acompanhou, certamente se identificou com muitas ocasiões, sejam nas lições sobre amizade, as ideias surgidas nas obrigatórias mesas de bar, além, é claro, nos aprendizados sobre relacionamentos. Existe mesmo aquela pessoa ideal? Talvez, mas os defeitos e diferenças sempre andam juntos, transpostos na tela com muito humor.

Não resta dúvida que Marshall e Lily viraram um exemplo para muitos casais e Barney (fantástica atuação de Neil Patrick Harris) se tornou icônico pelo estilo irreverente e os bordões, como “legen…wait for it…dary!”, “suit up” e “high five”. Além disso, o sitcom primava por não se intimidar em incluir episódios dramáticos, como o da morte do pai de Marshall ou quando Robin descobre que não pode ter filhos. Algo um tanto incomum para o estilo.

Baixos

Fato é que a série pecou pela irregularidade, talvez por ter se prolongado além do que devia, fugindo da premissa inicial. Afinal, no começo todos queriam saber quem era a tal mãe do título e a edição nos permitia nos divertir com isso (o guarda-chuva amarelo…). Mas passando o tempo, em meio a inúmeros relacionamentos frustrados de Ted, se tornou tediosa a repetição, já que qualquer mulher que surgia no seu caminho já sabíamos que não seria a sua futura esposa.

Repetição, por sinal, se tornou uma vertente constante da série, que ficou sem conteúdo novo durante a maior parte das temporadas finais, se resumindo às piadas sobre a personalidade de cada personagem, à evolução do casal Barney-Robin e novas frustrações amorosas de Ted, cuja paixão platônica por Robin chegava a irritar. E a tal mãe do título (vivida por Cristin Milioti)? Cada vez mais desconhecida, tanto que só foi ganhar espaço na temporada final.

O polêmico final (COM SPOILERS)

Não tem como negar que os criadores e roteiristas Carter Bays e Craig Thomas foram ousados ao não entregarem um final bonitinho e dentro do esperado. Nesse caso, mesmo que não deixasse todos felizes e encantados, pelo menos não ofenderia. Mas por seguirem o planejamento original, em que todo o contexto do seriado fora planejado de olho no fim utilizado, certamente terão que lidar com críticas e narizes torcidos de fãs.

Dois fatos são incontestáveis sobre o episódio final, repleto de reviravoltas. Primeiro: ele é difícil de ser digerido. O segundo: ele faz todo sentido, sim!

Eis algumas ponderações verdadeiras:

– Toda a série foi programada visando esse final, certo? E o seriado todo conta a história de Ted e Robin! Desde como se conheceram no episódio-piloto, de como compartilharam um amor em diferentes momentos e como enfrentaram os inúmeros descaminhos da vida para terminarem juntos, mesmo depois dos 50 anos.

– Barney e Robin eram um casal que, aparentemente, combinava. Ambos curtiam viver a vida com intensidade, diferente de Ted, e evoluíram juntos. Mas eles, principalmente Barney, tinham personalidades difíceis de se lidar e as chances de o casamento não vingar eram grandes. O divórcio era algo pontual, mesmo que eles tivessem se amado enquanto juntos, prevalecendo depois o respeito mútuo.

– Nada mais coerente do que Ted passar tanto tempo para contar para os seus filhos como conheceu a mãe deles que morreu, vítima de uma doença, com o intuito de homenagear a imagem dela. Fora isso, qual o sentido de segurá-los por tantas horas (que para o espectador foram nove anos) em uma poltrona?

Agora, eis algumas frustrações:

– Não deixa de ser frustrante a sensação de que um seriado o enganou durante tanto tempo. Culpa, talvez, do sucesso inesperado que o fez se prolongar bem mais do que o planejado originalmente. Quando o final foi planejado, todos ainda torciam para que Ted e Robin terminassem juntos, sensação que o próprio seriado tratou de desconstruir ao longo desses nove anos.

– A série fez mais do que o necessário para alimentar a curiosidade para, no fim, vermos que a mãe do título estava morta. Todos esperavam conhecer mais da personagem. Os roteiristas reservaram apenas uma temporada para isso e, mesmo assim, com menos importância do que o esperado. De fato, como dizem os próprios filhos de Ted para ele, ela pouco aparece na história narrada por ele. Então, esperar tanto para descobrir que a personagem do título, propositalmente, tem uma relevância pequena apenas para causar surpresa no episódio final, é como se sentir boicotado.

– Foi exagerado o trabalho (bem sucedido) para que os fãs torcessem para o sucesso da relação entre Robin e Barney, que começaram a se envolver ainda na terceira temporada. Tanto que a última temporada inteira, mostrando os preparativos para o casamento, já parecia tornar isso um fato irreversível, e tudo fora pro espaço em apenas alguns minutos do episódio final.

– Barney ter um filho com uma mulher qualquer (que sequer é mostrada) pareceu uma tentativa forçada de humanizá-lo, já que não teve o seu casamento adiante com Robin. Os espectadores viram um aparente amadurecimento quando ele estava apaixonado e, por isso, vê-lo voltar a vida de “pegador” causou a sensação de rodar e voltar ao mesmo lugar. Muitas pessoas envelhecem com esse estilo de vida? Sim, mas nem todas. Mais uma ilusão provocada pelos roteiristas, decepcionando os que torciam por um relacionamento estável para o personagem.

No fim das contas, a sensação é de que “How I Met Your Mother” cumpriu o seu dever e deixou um resultado satisfatório. E assim como em amizades e relacionamentos, há decepções. Por isso, não deve deixar tanta saudade em muitos.