Crítica: ‘O Hobbit: Uma Jornada Inesperda’ é um agradável retorno a Terra Média 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: ‘O Hobbit: Uma Jornada Inesperada’ é um agradável retorno a Terra Média

Por Thiago Sampaio em Crítica

19 de dezembro de 2012

Martin Freeman vive o jovem Bilbo Bolseiro em “O Hobbit” – Foto: Divulgação

O diretor Peter Jackson impressionou o mundo e colecionou prêmios ao levar às telonas, entre 2001 e 2003, a trilogia “O Senhor dos Anéis”, obras de J.R.R Tolkien consideradas antes por muitos impossíveis de serem adaptadas. Mais de uma década depois, o cineasta retoma aquele universo com “O Hobbit” rodeado de expectativas e desconfianças. Se os fãs forem assistir sem esperar por uma nova revolução, o resultado é um agradável retorno a mágica Terra Média.

Primeiro de três filmes que adaptam o livro que narra os fatos anteriores a Saga do Anel, “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” apresenta o jovem Bilbo Bolseiro, (Freeman), um pacato hobbit que é procurado pelo mago Gandalf (Ian McKellen) no Condado onde vive e convidado a participar de uma grande aventura: ir além de suas terras para ajudar treze anões a recuperar as suas terras e encontrar um tesouro. Em meio às batalhas, um objeto surge para ameaçar toda a humanidade: Um Anel.

Um dos principais temores dos fãs é o fato de apenas um livro ser transformado em três longos filmes. De fato, 169 minutos para abordar um terço de uma história soa exagerado e a produção, em muitas ocasiões, se torna arrastada. Algumas cenas, como a “visita” dos anões na casa de Bilbo, o primeiro ataque dos Trolls e a reunião da cúpula dos elfos em Valfenda poderiam ser encurtadas sem nenhum prejuízo ao produto final. Além disso, há um excesso de personagens, de modo que alguns surgem deslocados e poderiam ser facilmente excluídos, como o mago atrapalhado Radagast.

Mas por outro lado, Peter Jackson tem mais liberdade para abordar a fundo o mundo criado por Tolkien. Detalhes que ficavam apenas induzidos nos anteriores, como a hierarquia dos poderosos magos, a rivalidade entre elfos e anões a visão desprezível dos adoráveis hobbits perante os outros seres são melhor trabalhados. E como o livro “O Hobbit” é claramente mais direto e infantil do que os demais, o humor em dose reforçada envolvendo a complicada relação entre as espécies é um dos principais pontos fortes do longa metragem, sendo mais leve e engraçado.

Tecnicamente, a obra de Jackson continua impecável. Os ótimos efeitos especiais da Weta Digital contribuem para a funcionalidade de grandes cenas de ação, como as batalhas na terra dos orcs e o combate de encher os olhos entre dois gigantes de pedra. O aguardado encontro entre Bilbo e o monstro Gollum (cuja criação não é mais impactante como foi há mais de 10 anos, mas ainda impressiona, principalmente pelos movimentos faciais) reúne toda a tensão e diversão necessária. Vale lembrar que o trabalho de figurino, direção de arte e os belos cenários da Nova Zelândia (ah, Valfenda…) são uma atração à parte.

E se a primeira trilogia tinha como atrativo a força do elenco, “Uma Jornada Inesperada” traz Martin Freeman como um protagonista que cativa o público ao captar a ingenuidade e o ar moleque do jovem Bilbo Bolseiro. E se Ian McKellen, como o sábio e onipresente Gandalf, e Andy Serkis, o homem por trás de Gollum, continuam soberbos, apenas Richard Armitage, intérprete do rei anão Thorin, merece destaque. Velhos conhecidos como Elijah Wood (Frodo), Cate Blanchett (Galadriel), Hugo Weaving (Elrond) e Christopher Lee (Saruman) fazem apenas participações especiais com o intuito de atenuar a idéia de nostalgia.

Se a adaptação de “O Hobbit” tivesse sido lançada antes de “O Senhor dos Anéis”, seguindo a cronologia natural, certamente seria bem mais valorizada. Mas como tudo o que for apresentado não é mais novidade e as comparações sempre serão inevitáveis, a nova trilogia tende a se apoiar na lembrança dos filmes que consagraram a franquia. Mas não necessariamente tais obras, dentro do que se propõem, deixam de ser fantásticas…

Nota: 8,0

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Crítica: ‘O Hobbit: Uma Jornada Inesperada’ é um agradável retorno a Terra Média

Por Thiago Sampaio em Crítica

19 de dezembro de 2012

Martin Freeman vive o jovem Bilbo Bolseiro em “O Hobbit” – Foto: Divulgação

O diretor Peter Jackson impressionou o mundo e colecionou prêmios ao levar às telonas, entre 2001 e 2003, a trilogia “O Senhor dos Anéis”, obras de J.R.R Tolkien consideradas antes por muitos impossíveis de serem adaptadas. Mais de uma década depois, o cineasta retoma aquele universo com “O Hobbit” rodeado de expectativas e desconfianças. Se os fãs forem assistir sem esperar por uma nova revolução, o resultado é um agradável retorno a mágica Terra Média.

Primeiro de três filmes que adaptam o livro que narra os fatos anteriores a Saga do Anel, “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” apresenta o jovem Bilbo Bolseiro, (Freeman), um pacato hobbit que é procurado pelo mago Gandalf (Ian McKellen) no Condado onde vive e convidado a participar de uma grande aventura: ir além de suas terras para ajudar treze anões a recuperar as suas terras e encontrar um tesouro. Em meio às batalhas, um objeto surge para ameaçar toda a humanidade: Um Anel.

Um dos principais temores dos fãs é o fato de apenas um livro ser transformado em três longos filmes. De fato, 169 minutos para abordar um terço de uma história soa exagerado e a produção, em muitas ocasiões, se torna arrastada. Algumas cenas, como a “visita” dos anões na casa de Bilbo, o primeiro ataque dos Trolls e a reunião da cúpula dos elfos em Valfenda poderiam ser encurtadas sem nenhum prejuízo ao produto final. Além disso, há um excesso de personagens, de modo que alguns surgem deslocados e poderiam ser facilmente excluídos, como o mago atrapalhado Radagast.

Mas por outro lado, Peter Jackson tem mais liberdade para abordar a fundo o mundo criado por Tolkien. Detalhes que ficavam apenas induzidos nos anteriores, como a hierarquia dos poderosos magos, a rivalidade entre elfos e anões a visão desprezível dos adoráveis hobbits perante os outros seres são melhor trabalhados. E como o livro “O Hobbit” é claramente mais direto e infantil do que os demais, o humor em dose reforçada envolvendo a complicada relação entre as espécies é um dos principais pontos fortes do longa metragem, sendo mais leve e engraçado.

Tecnicamente, a obra de Jackson continua impecável. Os ótimos efeitos especiais da Weta Digital contribuem para a funcionalidade de grandes cenas de ação, como as batalhas na terra dos orcs e o combate de encher os olhos entre dois gigantes de pedra. O aguardado encontro entre Bilbo e o monstro Gollum (cuja criação não é mais impactante como foi há mais de 10 anos, mas ainda impressiona, principalmente pelos movimentos faciais) reúne toda a tensão e diversão necessária. Vale lembrar que o trabalho de figurino, direção de arte e os belos cenários da Nova Zelândia (ah, Valfenda…) são uma atração à parte.

E se a primeira trilogia tinha como atrativo a força do elenco, “Uma Jornada Inesperada” traz Martin Freeman como um protagonista que cativa o público ao captar a ingenuidade e o ar moleque do jovem Bilbo Bolseiro. E se Ian McKellen, como o sábio e onipresente Gandalf, e Andy Serkis, o homem por trás de Gollum, continuam soberbos, apenas Richard Armitage, intérprete do rei anão Thorin, merece destaque. Velhos conhecidos como Elijah Wood (Frodo), Cate Blanchett (Galadriel), Hugo Weaving (Elrond) e Christopher Lee (Saruman) fazem apenas participações especiais com o intuito de atenuar a idéia de nostalgia.

Se a adaptação de “O Hobbit” tivesse sido lançada antes de “O Senhor dos Anéis”, seguindo a cronologia natural, certamente seria bem mais valorizada. Mas como tudo o que for apresentado não é mais novidade e as comparações sempre serão inevitáveis, a nova trilogia tende a se apoiar na lembrança dos filmes que consagraram a franquia. Mas não necessariamente tais obras, dentro do que se propõem, deixam de ser fantásticas…

Nota: 8,0