Crítica: Com Jake Gyllenhaal em destaque, "Nocaute" honra os filmes sobre boxe - Cinema Sinergia 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: Com Jake Gyllenhaal em destaque, “Nocaute” honra os filmes sobre boxe

Por Thiago Sampaio em Crítica

02 de outubro de 2015

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Filmes que têm o boxe como pano de fundo já são um subgênero do universo cinematográfico. Mais do que abordar o esporte em si, o tema rendeu clássicos e personagens marcantes como a franquia “Rocky”, com seis longas-metragens e o primeiro faturando o Oscar de Melhor Filme de 1977, e “Touro Indomável”, indicado ao principal prêmio da Academia em 1981. Em pleno 2015, perdendo espaço na mídia para as Artes Marciais Mistas, a “nobre arte” tem o agradável sabor de nostalgia  para os apreciadores. E assim, sem tentar inovar em nenhum quesito, “Nocaute” (Southpaw, 2015) é lançado com o chamariz de emplacar prêmios ao seu protagonista, honrando as produções que o inspiraram, apesar de o produto final ser uma produção esquecível.

Sinopse

O longa narra a fictícia história de  Billy “The Great” Hope (Jake Gyllenhaal), campeão da categoria Peso Médio Junior, famoso pelo estilo pouco ortodoxo. No auge da carreira e da vida pessoal, bem casado com Maureen (Rachel McAdams) e pai da menina Leila (Oona Laurence), o atleta sofre um terrível golpe do destino ao perder a esposa. Entregue à bebida e banido do mundo das lutas por indisciplina, Billy tem sua filha levada pelo Serviço Social. Mas com a ajuda de um ex-lutador de boxe, Tick Wills (Forest Whitaker), ele busca a reinvenção na carreira e na vida pessoal.

Já vi isso antes

Dirigido pelo irregular Antoine Fuqua, cujo prestígio no mercado ainda se deve a “Dia de Treinamento” (2001) – depois apresentou produções medianas como “Rei Arthur” (2004), “Invasão a Casa Branca” (2013) e “O Protetor” (2014) -, “Nocaute” não tenta esconder os inúmeros clichês do gênero. Do contrário do que fez David O. Russell com o ótimo “O Vencedor” (2010) e Ron Howard com “A Luta Pela Esperança” (2005), que por se tratarem de tramas baseadas em fatos reais levavam os dramas familiares como força motriz, Fuqua e o roteirista Kurt Sutter (da série “Sons of Anarchy”) se limitam a uma fórmula já pronta.

Em geral, não há nada de novo, a começar pela própria personalidade de Billy Hope (seria o sobrenome o trocadilho? Imagina!), o atleta de passado humilde que nada mais é do que uma mistura do ar ingênuo e fraternal de Rocky Balboa com o ímpeto autodestrutivo de Jake LaMotta (personagem de Robert De Niro em “Touro Indomável”). Não é preciso ser nenhum gênio para adivinhar que Billy Hope e Miguel ‘Magic’ Escobar (Miguel Gomez), o típico rival que atormenta o mocinho desde o início, vão lutar na cena final. O drama familiar, o treinador desiludido com o esporte e vê no pupilo uma chance de resignação (quase uma mistura dos personagens de Morgan Freeman e Clint Eastwood em ‘Menina de Ouro’, 2004) estão lá marcando presença!

Ótimos combates

No fim das contas, “Nocaute” é um filme honesto, que não tenta ser maior do que é. Ele não existiria sem todas as produções que o antecederam e deixa isso bem claro durante os longos (mas não cansativos) 124 minutos de projeção. Os fãs que deliram ao ver Rocky Balboa  subindo a escadaria da Filadélfia ao som de “Goona Fly Now”, provavelmente vai gostar de ver Billy Hope abandonando o estilo provocador, de guarda baixa, se reinventando e aprendendo a ser cauteloso, levando o boxe como um jogo de xadrez, como o seu próprio treinador diz. E Antoine Fuqua entrega o que muitas produções não conseguem: cenas de luta emocionantes. Sem soarem fantasiosos em demasia, os combates (com destaque óbvio para o clímax), são bem coreografados e devem agradar aos fãs tradicionais do esporte, com direitos a estilosas câmeras em primeira pessoa mostrando o grau de atordoamento dos lutadores.

Interpretações

Mas o principal destaque da produção se resume a um nome: Jake Gyllenhaal. Além da visível transformação física, em que ganhou 22 quilos desde o seu último papel, o ator entrega a carga dramática ideal a Billy Hope, podendo faturar uma indicação ao Oscar de 2016, corrigindo o erro da sua exclusão na lista de 2015 pelo soberbo trabalho em “O Abutre” (sim, ele merecia mais do que Bradley Cooper por “Sniper Americano”!) . Billy é um homem apegado à família, muitas vezes até com o ar infantil de quem não teve uma infância, ao mesmo tempo em que é explosivo, não mede as consequências antes dos atos. O ator confere com eficiência o sofrimento do personagem após os acontecimentos trágicos, o mesmo sujeito que bate forte nos ringues se sente impotente ao levar tapas da filha por não conseguir dar o que ela merece. Sua performance nas lutas é bastante convincente, fruto de um árduo treinamento com pugilistas profissionais.

O sempre competente Forest Whitaker desempenha mais um bom trabalho como o rigoroso treinador Tick Wills, apresentando um semblante depressivo, mas que no fundo mantém um orgulho, como mostra o divertido diálogo em que explica o motivo do olho cego. Rachel McAdams, por sua vez, se limita ao papel da esposa sexy, sem muito tempo em cena para mostrar o seu talento. O rapper 50 Cent fica preso ao estereótipo do papel do empresário que visa apenas os negócios, pouco se importando com a vida pessoal do cliente. Mas a grata surpresa é a pequena Oona Laurence, no papel da filha de Billy Hope, que faz uma eficiente dobradinha com o protagonista durante todo o filme.

Resultado

Antoine Fuqua apresenta o seu melhor longa-metragem desde “Dia de Treinamento”. Se “Nocaute” tivesse sido lançado há décadas atrás, possivelmente atrairia alguns fãs e faturaria indicações aos principais prêmios. Porém, por ficar à sombra dos seus precursores, vai apenas garantir momentos de diversão pelas excelentes cenas de luta e mais um drama com a sensação de já tê-lo visto antes algumas vezes.

Nota: 7,0

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Crítica: Com Jake Gyllenhaal em destaque, “Nocaute” honra os filmes sobre boxe

Por Thiago Sampaio em Crítica

02 de outubro de 2015

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Filmes que têm o boxe como pano de fundo já são um subgênero do universo cinematográfico. Mais do que abordar o esporte em si, o tema rendeu clássicos e personagens marcantes como a franquia “Rocky”, com seis longas-metragens e o primeiro faturando o Oscar de Melhor Filme de 1977, e “Touro Indomável”, indicado ao principal prêmio da Academia em 1981. Em pleno 2015, perdendo espaço na mídia para as Artes Marciais Mistas, a “nobre arte” tem o agradável sabor de nostalgia  para os apreciadores. E assim, sem tentar inovar em nenhum quesito, “Nocaute” (Southpaw, 2015) é lançado com o chamariz de emplacar prêmios ao seu protagonista, honrando as produções que o inspiraram, apesar de o produto final ser uma produção esquecível.

Sinopse

O longa narra a fictícia história de  Billy “The Great” Hope (Jake Gyllenhaal), campeão da categoria Peso Médio Junior, famoso pelo estilo pouco ortodoxo. No auge da carreira e da vida pessoal, bem casado com Maureen (Rachel McAdams) e pai da menina Leila (Oona Laurence), o atleta sofre um terrível golpe do destino ao perder a esposa. Entregue à bebida e banido do mundo das lutas por indisciplina, Billy tem sua filha levada pelo Serviço Social. Mas com a ajuda de um ex-lutador de boxe, Tick Wills (Forest Whitaker), ele busca a reinvenção na carreira e na vida pessoal.

Já vi isso antes

Dirigido pelo irregular Antoine Fuqua, cujo prestígio no mercado ainda se deve a “Dia de Treinamento” (2001) – depois apresentou produções medianas como “Rei Arthur” (2004), “Invasão a Casa Branca” (2013) e “O Protetor” (2014) -, “Nocaute” não tenta esconder os inúmeros clichês do gênero. Do contrário do que fez David O. Russell com o ótimo “O Vencedor” (2010) e Ron Howard com “A Luta Pela Esperança” (2005), que por se tratarem de tramas baseadas em fatos reais levavam os dramas familiares como força motriz, Fuqua e o roteirista Kurt Sutter (da série “Sons of Anarchy”) se limitam a uma fórmula já pronta.

Em geral, não há nada de novo, a começar pela própria personalidade de Billy Hope (seria o sobrenome o trocadilho? Imagina!), o atleta de passado humilde que nada mais é do que uma mistura do ar ingênuo e fraternal de Rocky Balboa com o ímpeto autodestrutivo de Jake LaMotta (personagem de Robert De Niro em “Touro Indomável”). Não é preciso ser nenhum gênio para adivinhar que Billy Hope e Miguel ‘Magic’ Escobar (Miguel Gomez), o típico rival que atormenta o mocinho desde o início, vão lutar na cena final. O drama familiar, o treinador desiludido com o esporte e vê no pupilo uma chance de resignação (quase uma mistura dos personagens de Morgan Freeman e Clint Eastwood em ‘Menina de Ouro’, 2004) estão lá marcando presença!

Ótimos combates

No fim das contas, “Nocaute” é um filme honesto, que não tenta ser maior do que é. Ele não existiria sem todas as produções que o antecederam e deixa isso bem claro durante os longos (mas não cansativos) 124 minutos de projeção. Os fãs que deliram ao ver Rocky Balboa  subindo a escadaria da Filadélfia ao som de “Goona Fly Now”, provavelmente vai gostar de ver Billy Hope abandonando o estilo provocador, de guarda baixa, se reinventando e aprendendo a ser cauteloso, levando o boxe como um jogo de xadrez, como o seu próprio treinador diz. E Antoine Fuqua entrega o que muitas produções não conseguem: cenas de luta emocionantes. Sem soarem fantasiosos em demasia, os combates (com destaque óbvio para o clímax), são bem coreografados e devem agradar aos fãs tradicionais do esporte, com direitos a estilosas câmeras em primeira pessoa mostrando o grau de atordoamento dos lutadores.

Interpretações

Mas o principal destaque da produção se resume a um nome: Jake Gyllenhaal. Além da visível transformação física, em que ganhou 22 quilos desde o seu último papel, o ator entrega a carga dramática ideal a Billy Hope, podendo faturar uma indicação ao Oscar de 2016, corrigindo o erro da sua exclusão na lista de 2015 pelo soberbo trabalho em “O Abutre” (sim, ele merecia mais do que Bradley Cooper por “Sniper Americano”!) . Billy é um homem apegado à família, muitas vezes até com o ar infantil de quem não teve uma infância, ao mesmo tempo em que é explosivo, não mede as consequências antes dos atos. O ator confere com eficiência o sofrimento do personagem após os acontecimentos trágicos, o mesmo sujeito que bate forte nos ringues se sente impotente ao levar tapas da filha por não conseguir dar o que ela merece. Sua performance nas lutas é bastante convincente, fruto de um árduo treinamento com pugilistas profissionais.

O sempre competente Forest Whitaker desempenha mais um bom trabalho como o rigoroso treinador Tick Wills, apresentando um semblante depressivo, mas que no fundo mantém um orgulho, como mostra o divertido diálogo em que explica o motivo do olho cego. Rachel McAdams, por sua vez, se limita ao papel da esposa sexy, sem muito tempo em cena para mostrar o seu talento. O rapper 50 Cent fica preso ao estereótipo do papel do empresário que visa apenas os negócios, pouco se importando com a vida pessoal do cliente. Mas a grata surpresa é a pequena Oona Laurence, no papel da filha de Billy Hope, que faz uma eficiente dobradinha com o protagonista durante todo o filme.

Resultado

Antoine Fuqua apresenta o seu melhor longa-metragem desde “Dia de Treinamento”. Se “Nocaute” tivesse sido lançado há décadas atrás, possivelmente atrairia alguns fãs e faturaria indicações aos principais prêmios. Porém, por ficar à sombra dos seus precursores, vai apenas garantir momentos de diversão pelas excelentes cenas de luta e mais um drama com a sensação de já tê-lo visto antes algumas vezes.

Nota: 7,0