"Não existe crime avulso, tudo está ligado às facções criminosas", afirma presidente do Conselho Penitenciário
PODER E DINHEIRO

“Não existe crime avulso, tudo está ligado às facções”, afirma presidente do Conselho Penitenciário

Para se filiarem, membros de facções criminosas têm de realizar pagamento em dinheiro e participar de crimes orquestrados pelas lideranças; entenda como funciona essa relação

Por TV Jangadeiro em Jornal Jangadeiro

17 de julho de 2017 às 17:12

Há 2 meses
Crimes envolvendo facções crescem no Ceará (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

Crimes envolvendo facções crescem no Ceará (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

Assaltos a banco, ataques a caixas eletrônicos, roubos de malotes, crimes que se tornaram rotina no Ceará. O Jornal Jangadeiro, da TV Jangadeiro/SBT, mostra qual a relação que existe entre essas ações e o crime organizado. Tudo passa por dinheiro e poder.

A cada dia, as facções criminosas ganham mais força no Ceará. Para se ter uma ideia, o Primeiro Comando da Capital (PCC), tem cerca de 1.500 membros somente dentro dos presídios cearenses.

Já o Comando Vermelho tem cerca de 1.800 filiados nas unidades prisionais. Isso sem contar os outros grupos, como Guardiões do Estado e Família do Norte, e sem contabilizar também todos os membros que estão em liberdade.

Essas facções são organizadas e hoje dominam praticamente todas as ações criminosas que acontecem no estado, desde assaltos, ataques a bancos, passando por ataques a ônibus, até o tráfico de armas e, claro, tráfico de drogas. É o que afirma o presidente do Conselho Penitenciário do Ceará, Cláudio Justa. “Não tem mais crime avulso, está tudo interligado”.

Isso acontece porque, para manter toda a estrutura de uma facção, é preciso muito dinheiro. Seja para comprar mais drogas e armas, contratar advogados e seguranças ou para planejar novas ações. O último caso de grande repercussão foi a tentativa de assalto a um carro-forte em frente a uma casa lotérica no bairro Parque São José, no início da semana.

Houve tiroteio entre os bandidos e a polícia. Quatro pessoas morreram, entre elas três assaltantes e uma pessoa inocente que estava dentro da lotérica na hora do confronto. Um rap assinado pelo grupo Guardiões do Estado faz referência à ação e homenageia os criminosos mortos.

Só esse ano, o Ceará já registrou mais de 30 ataques a bancos, caixas eletrônicos e carros-forte. Assaltos que costumam render altas somas de dinheiro. O próprio secretário de Segurança Pública do Estado, André Costa, confirma que parte desse dinheiro é usada para financiar novas ações criminosas. “Normalmente essas quadrilhas assaltam, e esse dinheiro serve para se manter e, claro, também para fazer outros assaltos adquirindo mais armas e mais explosivos”.

Outra forma de manter em alta a receita financeira das facções e mobilizar as ações é através das cotas que os membros recém-filiados precisam pagar aos grupos. O presidente do Conselho Penitenciário afirma que, além de terem que pagar em dinheiro para se filiarem, esses novos membros e as respectivas famílias são obrigados a participar de crimes orquestrados pelas lideranças.

“Aquele viciado que está traficando para poder manter o vício, quando entra no sistema penitenciário passa a ser escravizado pela facção. A família normalmente é obrigada a pagar uma cota mensal para a segurança dele, para que tenha certos privilégios dentro da unidade penitenciária, como o uso do celular ou o acesso à droga”.

Veja todos detalhes no vídeo do Jornal Jangadeiro, da TV Jangadeiro/SBT:

Veja outros vídeos do Jornal Jangadeiro.

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“Não existe crime avulso, tudo está ligado às facções”, afirma presidente do Conselho Penitenciário

Para se filiarem, membros de facções criminosas têm de realizar pagamento em dinheiro e participar de crimes orquestrados pelas lideranças; entenda como funciona essa relação

Por TV Jangadeiro em Jornal Jangadeiro

17 de julho de 2017 às 17:12

Há 2 meses
Crimes envolvendo facções crescem no Ceará (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

Crimes envolvendo facções crescem no Ceará (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

Assaltos a banco, ataques a caixas eletrônicos, roubos de malotes, crimes que se tornaram rotina no Ceará. O Jornal Jangadeiro, da TV Jangadeiro/SBT, mostra qual a relação que existe entre essas ações e o crime organizado. Tudo passa por dinheiro e poder.

A cada dia, as facções criminosas ganham mais força no Ceará. Para se ter uma ideia, o Primeiro Comando da Capital (PCC), tem cerca de 1.500 membros somente dentro dos presídios cearenses.

Já o Comando Vermelho tem cerca de 1.800 filiados nas unidades prisionais. Isso sem contar os outros grupos, como Guardiões do Estado e Família do Norte, e sem contabilizar também todos os membros que estão em liberdade.

Essas facções são organizadas e hoje dominam praticamente todas as ações criminosas que acontecem no estado, desde assaltos, ataques a bancos, passando por ataques a ônibus, até o tráfico de armas e, claro, tráfico de drogas. É o que afirma o presidente do Conselho Penitenciário do Ceará, Cláudio Justa. “Não tem mais crime avulso, está tudo interligado”.

Isso acontece porque, para manter toda a estrutura de uma facção, é preciso muito dinheiro. Seja para comprar mais drogas e armas, contratar advogados e seguranças ou para planejar novas ações. O último caso de grande repercussão foi a tentativa de assalto a um carro-forte em frente a uma casa lotérica no bairro Parque São José, no início da semana.

Houve tiroteio entre os bandidos e a polícia. Quatro pessoas morreram, entre elas três assaltantes e uma pessoa inocente que estava dentro da lotérica na hora do confronto. Um rap assinado pelo grupo Guardiões do Estado faz referência à ação e homenageia os criminosos mortos.

Só esse ano, o Ceará já registrou mais de 30 ataques a bancos, caixas eletrônicos e carros-forte. Assaltos que costumam render altas somas de dinheiro. O próprio secretário de Segurança Pública do Estado, André Costa, confirma que parte desse dinheiro é usada para financiar novas ações criminosas. “Normalmente essas quadrilhas assaltam, e esse dinheiro serve para se manter e, claro, também para fazer outros assaltos adquirindo mais armas e mais explosivos”.

Outra forma de manter em alta a receita financeira das facções e mobilizar as ações é através das cotas que os membros recém-filiados precisam pagar aos grupos. O presidente do Conselho Penitenciário afirma que, além de terem que pagar em dinheiro para se filiarem, esses novos membros e as respectivas famílias são obrigados a participar de crimes orquestrados pelas lideranças.

“Aquele viciado que está traficando para poder manter o vício, quando entra no sistema penitenciário passa a ser escravizado pela facção. A família normalmente é obrigada a pagar uma cota mensal para a segurança dele, para que tenha certos privilégios dentro da unidade penitenciária, como o uso do celular ou o acesso à droga”.

Veja todos detalhes no vídeo do Jornal Jangadeiro, da TV Jangadeiro/SBT:

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