Investigação sobre maior chacina do Ceará desmonta cúpula de facção criminosa

6 MESES DE INVESTIGAÇÃO

Investigação sobre maior chacina do Ceará desmonta cúpula de facção criminosa

A Chacina das Cajazeiras, que registrou 14 mortes, teve cinco mandantes, segundo apontaram as investigações. Todos estão presos

Por TV Jangadeiro em Jornal Jangadeiro

27 de julho de 2018 às 15:22

Há 4 meses
Casa de forro onde aconteceu a maior chacina do estado do Ceará  (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

Casa de forró onde aconteceu a maior chacina do Ceará  (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

As investigações sobre a maior chacina da história do Ceará permitiram à Polícia Civil identificar e prender a cúpula de uma das facções criminosas que atuam na Grande Fortaleza.

A execução de 14 pessoas em janeiro deste ano no bairro Cajazeiras completa seis meses nesta sexta-feira (27). O crime, atribuído à facção Guardiões do Estado (GDE), foi motivado por rivalidade com a facção Comando Vermelho pela disputa pelo domínio do tráfico de drogas. Onze pessoas participantes da chacina foram indiciadas, além de dois adolescentes.

De acordo com as investigações, um dos conselheiros da facção, Misael de Paula Moreira, coordenava o tráfico na região do Siqueira, a 20 km do local da chacina. Ele não teria interesse na disputa por território entre GDE e Comando Vermelho na região do bairro Cajazeiras, mas o envolvimento teria relação com subgrupo da facção conhecido como OQC: Os Quebra Cocos.

A Chacina teve cinco mandantes, segundo apontaram as investigações. Além de Misael, o caso envolveu Deijair de Souza Silva, o “De Deus”, apontado como o conselheiro número 1 da GDE. Um irmão de Misael, Noé de Paula Moreira, o “Gripe”, que já estava preso antes mesmo da chacina, também é acusado pelo crime e indicado como membro da cúpula da GDE. Entre as lideranças de bairros da facção foram apontados os nomes de Zaqueu Oliveira da Silva, o “Pai”, chefe da GDE na comunidade Rosalina, e Auricélio de Sousa Freitas, o “Celim”, o chefe da comunidade Babilônia. Todos presos.

A polícia afirma que a decisão da GDE em executar a Chacina nas Cajazeiras foi uma forma de atingir duramente o Comando Vermelho. O Forró do Gago, casa de show onde aconteceram as execuções, seria um ponto de diversão de parte dos membros da facção rival.

Em 2014, a Polícia Civil prendeu um homem na Grande Messejana. Os policiais encontraram maconha, cocaína, crack e três pistolas. O acusado voltou a ser preso em 2016, também na Messejana, com anotações de apelidos e valores em cadernetas.

Proprietário do Forró do Gago

Arivânio Gomes da Silva, o Neném Maguim, foi apontado como um dos maiores traficantes da área, mas disse em depoimento ser dono de um pequeno clube de forró. Condenado em 2017 a onze anos por tráfico e porte de arma, ele foi identificado recentemente como proprietário da casa de show onde houve a a Chacina das Cajazeiras.

O Forró do Gago funcionava há menos de três quilômetros de onde Neném já havia sido preso duas vezes. A indicação de Neném como proprietário do Forró do Gago aconteceu durante as investigações da chacina das Cajazeiras. De acordo com o delegado geral da Polícia Civil, Neném negou essa versão. Além da cúpula presa, a GDE teve uma outra baixa.

A mulher apontada como fornecedora de munição da facção também foi identificada e presa nas investigações da chacina. Ana Karine da Silva Aquino, a Nega do Pezão, foi localizada na Babilônia menos de um mês após o crime e está no presídio feminino.

O histórico de rivalidade entre GDE e Comando Vermelho na região das Cajazeiras chama atenção. A TV Jangadeiro/SBT apurou que há dois anos a área era controlada pela GDE, mas hoje está nas mãos do Comando Vermelho, o que causa uma guerra por território. Misael de Paula Moreira já teria pertencido ao Comando Vermelho e disse ao ser preso que não poderia ficar num presídio com outros membros dessa facção.

Veja mais detalhes no vídeo do Jornal Jangadeiro, da TV Jangadeiro/SBT:

Veja outros vídeos do Jornal Jangadeiro.

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Investigação sobre maior chacina do Ceará desmonta cúpula de facção criminosa

A Chacina das Cajazeiras, que registrou 14 mortes, teve cinco mandantes, segundo apontaram as investigações. Todos estão presos

Por TV Jangadeiro em Jornal Jangadeiro

27 de julho de 2018 às 15:22

Há 4 meses
Casa de forro onde aconteceu a maior chacina do estado do Ceará  (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

Casa de forró onde aconteceu a maior chacina do Ceará  (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

As investigações sobre a maior chacina da história do Ceará permitiram à Polícia Civil identificar e prender a cúpula de uma das facções criminosas que atuam na Grande Fortaleza.

A execução de 14 pessoas em janeiro deste ano no bairro Cajazeiras completa seis meses nesta sexta-feira (27). O crime, atribuído à facção Guardiões do Estado (GDE), foi motivado por rivalidade com a facção Comando Vermelho pela disputa pelo domínio do tráfico de drogas. Onze pessoas participantes da chacina foram indiciadas, além de dois adolescentes.

De acordo com as investigações, um dos conselheiros da facção, Misael de Paula Moreira, coordenava o tráfico na região do Siqueira, a 20 km do local da chacina. Ele não teria interesse na disputa por território entre GDE e Comando Vermelho na região do bairro Cajazeiras, mas o envolvimento teria relação com subgrupo da facção conhecido como OQC: Os Quebra Cocos.

A Chacina teve cinco mandantes, segundo apontaram as investigações. Além de Misael, o caso envolveu Deijair de Souza Silva, o “De Deus”, apontado como o conselheiro número 1 da GDE. Um irmão de Misael, Noé de Paula Moreira, o “Gripe”, que já estava preso antes mesmo da chacina, também é acusado pelo crime e indicado como membro da cúpula da GDE. Entre as lideranças de bairros da facção foram apontados os nomes de Zaqueu Oliveira da Silva, o “Pai”, chefe da GDE na comunidade Rosalina, e Auricélio de Sousa Freitas, o “Celim”, o chefe da comunidade Babilônia. Todos presos.

A polícia afirma que a decisão da GDE em executar a Chacina nas Cajazeiras foi uma forma de atingir duramente o Comando Vermelho. O Forró do Gago, casa de show onde aconteceram as execuções, seria um ponto de diversão de parte dos membros da facção rival.

Em 2014, a Polícia Civil prendeu um homem na Grande Messejana. Os policiais encontraram maconha, cocaína, crack e três pistolas. O acusado voltou a ser preso em 2016, também na Messejana, com anotações de apelidos e valores em cadernetas.

Proprietário do Forró do Gago

Arivânio Gomes da Silva, o Neném Maguim, foi apontado como um dos maiores traficantes da área, mas disse em depoimento ser dono de um pequeno clube de forró. Condenado em 2017 a onze anos por tráfico e porte de arma, ele foi identificado recentemente como proprietário da casa de show onde houve a a Chacina das Cajazeiras.

O Forró do Gago funcionava há menos de três quilômetros de onde Neném já havia sido preso duas vezes. A indicação de Neném como proprietário do Forró do Gago aconteceu durante as investigações da chacina das Cajazeiras. De acordo com o delegado geral da Polícia Civil, Neném negou essa versão. Além da cúpula presa, a GDE teve uma outra baixa.

A mulher apontada como fornecedora de munição da facção também foi identificada e presa nas investigações da chacina. Ana Karine da Silva Aquino, a Nega do Pezão, foi localizada na Babilônia menos de um mês após o crime e está no presídio feminino.

O histórico de rivalidade entre GDE e Comando Vermelho na região das Cajazeiras chama atenção. A TV Jangadeiro/SBT apurou que há dois anos a área era controlada pela GDE, mas hoje está nas mãos do Comando Vermelho, o que causa uma guerra por território. Misael de Paula Moreira já teria pertencido ao Comando Vermelho e disse ao ser preso que não poderia ficar num presídio com outros membros dessa facção.

Veja mais detalhes no vídeo do Jornal Jangadeiro, da TV Jangadeiro/SBT:

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