"Estão gritando e atirando": inquérito da Chacina das Cajazeiras mostra apelo da população ao Ciops

100 TIROS E 14 MORTES

“Estão gritando e atirando”: inquérito da Chacina das Cajazeiras mostra apelo da população ao Ciops

Os detalhes das ligações foram obtidos pela TV Jangadeiro. Pelo menos quatro contatos com o Ciops foram registrados antes da Chacina, que foi planejada – segundo o inquérito policial – a 5 km do local do crime

Por TV Jangadeiro em Jornal Jangadeiro

5 de julho de 2018 às 15:30

Há 5 meses
Cajazeiras, a maior chacina da história do Ceará  (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

A Chacina das Cajazeiras ocorreu no Forró do Gago (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

O inquérito da maior chacina da história do Ceará, a da Cajazeiras, revelou que foram disparados mais de 100 tiros no local, onde 14 pessoas morreram.

O caso completa seis meses em julho. A investigação da Polícia Civil aponta que o crime foi planejado no bairro Conjunto Palmeiras, a cerca de 5 km do local onde ocorreu.

O inquérito sobre a Chacina das Cajazeiras foi concluído pela Polícia Civil e encaminhado ao Ministério Público. A investigação da Divisão de Homicídios aponta que o crime foi articulado pela facção Guardiões do Estado (GDE). O mentor da ação seria Deijair de Souza Silva, o De Deus. Pelo menos 11 pessoas estão envolvidas direta ou indiretamente nas execuções.

Deijair já havia sido preso por envolvimento com drogas e solto em 2013 por uma liminar investigada pela operação Expresso 150, que apura o comércio de decisões judiciais no Ceará.

A TV Jangadeiro/SBT apurou que, na noite do dia 26 de janeiro, foram feitas pelo menos quatro ligações à Ciops num intervalo de aproximadamente cinco minutos. Eram moradores denunciando anonimamente a presença de homens armados no Conjunto Palmeira. Entre as informações repassadas estavam a cor preta na vestimenta dos criminosos e gritos que faziam referência à facção Guardiões do Estado, organização criminosa que surgiu nessa região.

O Jornal Jangadeiro, da TV Jangadeiro/SBT, teve acesso ao conteúdo dessas ligações. Às 11h14 da noite, um morador do Conjunto Palmeiras telefonou para a Ciops. Ele pedia reforço e explicava: “Acho que tem gente aqui nessa favelinha… acho que tem gente armada aqui…”.

Outros moradores também acionaram a polícia: “estão tudo fortemente armado”; “venham o mais ligeiro possível, pelo amor de Deus”; “estão aterrorizando aqui… estão gritando e atirando”.

Logo após a meia-noite, já no dia 27 de janeiro, foi registrada a chacina. O local do crime, o chamado Forró do Gago, fica em uma área com presença da facção Comando Vermelho, grupo rival à GDE. Há alguns anos, a área das Cajazeiras seria controlada pela GDE. A disputa para retomar o território foi uma das motivação para a chacina.

Dos 11 envolvidos, dois eram adolescentes. Um dos possíveis mandantes do crime, Mizael de Paula Moreira, foi capturado pela polícia na tarde desta quinta-feira (5). No momento da prisão, que aconteceu no bairro Parangaba, o suspeito estava com uma pistola e dois carregadores com mais de trinta munições. Mizael vinha sendo monitorado por homens da inteligência e foi abordado por um reforço de choque após tentar fugir. Ele e mais duas pessoas foram levados para a Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado (Draco).

Agora a polícia procura Auricélio Sousa Freitas, de 35 anos, conhecido como Celin.

Veja mais detalhes no vídeo do Jornal Jangadeiro, da TV Jangadeiro/SBT:

Veja outros vídeos do Jornal Jangadeiro.

Publicidade

Dê sua opinião

100 TIROS E 14 MORTES

“Estão gritando e atirando”: inquérito da Chacina das Cajazeiras mostra apelo da população ao Ciops

Os detalhes das ligações foram obtidos pela TV Jangadeiro. Pelo menos quatro contatos com o Ciops foram registrados antes da Chacina, que foi planejada – segundo o inquérito policial – a 5 km do local do crime

Por TV Jangadeiro em Jornal Jangadeiro

5 de julho de 2018 às 15:30

Há 5 meses
Cajazeiras, a maior chacina da história do Ceará  (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

A Chacina das Cajazeiras ocorreu no Forró do Gago (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

O inquérito da maior chacina da história do Ceará, a da Cajazeiras, revelou que foram disparados mais de 100 tiros no local, onde 14 pessoas morreram.

O caso completa seis meses em julho. A investigação da Polícia Civil aponta que o crime foi planejado no bairro Conjunto Palmeiras, a cerca de 5 km do local onde ocorreu.

O inquérito sobre a Chacina das Cajazeiras foi concluído pela Polícia Civil e encaminhado ao Ministério Público. A investigação da Divisão de Homicídios aponta que o crime foi articulado pela facção Guardiões do Estado (GDE). O mentor da ação seria Deijair de Souza Silva, o De Deus. Pelo menos 11 pessoas estão envolvidas direta ou indiretamente nas execuções.

Deijair já havia sido preso por envolvimento com drogas e solto em 2013 por uma liminar investigada pela operação Expresso 150, que apura o comércio de decisões judiciais no Ceará.

A TV Jangadeiro/SBT apurou que, na noite do dia 26 de janeiro, foram feitas pelo menos quatro ligações à Ciops num intervalo de aproximadamente cinco minutos. Eram moradores denunciando anonimamente a presença de homens armados no Conjunto Palmeira. Entre as informações repassadas estavam a cor preta na vestimenta dos criminosos e gritos que faziam referência à facção Guardiões do Estado, organização criminosa que surgiu nessa região.

O Jornal Jangadeiro, da TV Jangadeiro/SBT, teve acesso ao conteúdo dessas ligações. Às 11h14 da noite, um morador do Conjunto Palmeiras telefonou para a Ciops. Ele pedia reforço e explicava: “Acho que tem gente aqui nessa favelinha… acho que tem gente armada aqui…”.

Outros moradores também acionaram a polícia: “estão tudo fortemente armado”; “venham o mais ligeiro possível, pelo amor de Deus”; “estão aterrorizando aqui… estão gritando e atirando”.

Logo após a meia-noite, já no dia 27 de janeiro, foi registrada a chacina. O local do crime, o chamado Forró do Gago, fica em uma área com presença da facção Comando Vermelho, grupo rival à GDE. Há alguns anos, a área das Cajazeiras seria controlada pela GDE. A disputa para retomar o território foi uma das motivação para a chacina.

Dos 11 envolvidos, dois eram adolescentes. Um dos possíveis mandantes do crime, Mizael de Paula Moreira, foi capturado pela polícia na tarde desta quinta-feira (5). No momento da prisão, que aconteceu no bairro Parangaba, o suspeito estava com uma pistola e dois carregadores com mais de trinta munições. Mizael vinha sendo monitorado por homens da inteligência e foi abordado por um reforço de choque após tentar fugir. Ele e mais duas pessoas foram levados para a Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado (Draco).

Agora a polícia procura Auricélio Sousa Freitas, de 35 anos, conhecido como Celin.

Veja mais detalhes no vídeo do Jornal Jangadeiro, da TV Jangadeiro/SBT:

Veja outros vídeos do Jornal Jangadeiro.