Ceará cai de 3ª para 20ª posição na produção de tilápia devido ao baixo volume de água no Castanhão

PREJUÍZO

Ceará cai de 3ª para 20ª posição na produção de tilápia devido ao baixo volume de água no Castanhão

O baixo volume de água no açude Castanhão, que hoje está com apenas 3,5% da capacidade, tem reduzido a produção de peixes nas águas do reservatório

Por TV Jangadeiro em Jornal Jangadeiro

18 de fevereiro de 2019 às 17:36

Há 1 mês
Baixo volume de água no açude Castanhão prejudica na criação de peixes (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

Baixo volume de água no açude Castanhão prejudica criação de peixes (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

O baixo volume de água no Açude Castanhão tem reduzido a produção de peixes nas águas do reservatório.

Segundo o produtor de tilápia João Eckner Gonçalves, a medição da água do Açude Castanhão indicou pouca quantidade de oxigênio. Em poucas horas, os peixes que ele cria no reservatório iriam morrer.

Foi uma correria para reunir os amigos de barco até as gaiolas para retirar o máximo possível de peixe da água. Ele conseguiu salvar cerca de 6 mil quilos, que foram comercializados por um preço menor porque não estavam no tamanho ideal.

O produtor de peixe Lauro Clementino conhece bem o prejuízo em uma produção. Há 15 dias, perdeu 5 mil quilos de tilápia – metade de tudo o que tinha. Quase R$ 15 mil investidos na compra de alevinos e de ração para alimentá-los durante meses foi por água abaixo.

Somente na última semana, mais de 500 toneladas de peixes mortos foram retirados do Castanhão. As produções mais afetadas foram as que ficam nas comunidades de Curupati e Jaburu.

Motivação

O motivo ainda está em análise; mas, segundo o Dnocs, a principal suspeita é a combinação da mudança de temperatura com a diminuição do oxigênio na água causada pelo acúmulo de matéria orgânica – problema que está diretamente ligado ao baixo nível do reservatório.

De acordo com o Dnocs, a água do Castanhão não tem mais qualidade para a criação de peixes. Tanto que muitos produtores já saíram daqui e foram tentar a sorte em outros estados do Nordeste. A estimativa é que a produção de tilápia tenha sofrido uma redução de 85% desde o início da estiagem, o que fez o Ceará cair da 3ª para a 20ª posição no ranking brasileiro.

O produtor de peixe Evandro Feitosa até tentou montar um criatório em Pernambuco, mas a distância tornou o negócio inviável. Ele persiste no Castanhão, mesmo produzindo bem menos do que antes da seca. Passou de 35 para 12 toneladas por mês. E as gaiolas precisam ser monitoradas 24 horas por dia para retirada rápida das tilápias caso haja risco de mortes.

Hoje, o volume do Castanhão é de cerca de 238 milhões de m³ de água. Pode parecer muito, mas representa menos de 3,5% da capacidade de armazenamento. Para se ter uma ideia, dos 36 mil hectares de área, menos de 4 mil ainda têm água. Dos quatro parques aquícolas, que são espaços existentes nos reservados para a produção dos peixes, dois já estão desativados: o de Jaguaretama e o de Jaguaribe, por estarem 100% secos.

Para o açude ter uma boa recarga, o ideal seriam chuvas acima de 80 milímetros por dia nos municípios do Cariri, como Farias Brito, Crato, Juazeiro do Norte, Milagres, Mauriti, Porteiras e Brejo Santo. É lá onde está situado o Rio Salgado, que faz parte da bacia do Rio Jaguaribe e é a principal fonte de abastecimento do Castanhão.

Veja todos os detalhes no vídeo do Jornal Jangadeiro, da TV Jangadeiro/SBT:

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Ceará cai de 3ª para 20ª posição na produção de tilápia devido ao baixo volume de água no Castanhão

O baixo volume de água no açude Castanhão, que hoje está com apenas 3,5% da capacidade, tem reduzido a produção de peixes nas águas do reservatório

Por TV Jangadeiro em Jornal Jangadeiro

18 de fevereiro de 2019 às 17:36

Há 1 mês
Baixo volume de água no açude Castanhão prejudica na criação de peixes (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

Baixo volume de água no açude Castanhão prejudica criação de peixes (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

O baixo volume de água no Açude Castanhão tem reduzido a produção de peixes nas águas do reservatório.

Segundo o produtor de tilápia João Eckner Gonçalves, a medição da água do Açude Castanhão indicou pouca quantidade de oxigênio. Em poucas horas, os peixes que ele cria no reservatório iriam morrer.

Foi uma correria para reunir os amigos de barco até as gaiolas para retirar o máximo possível de peixe da água. Ele conseguiu salvar cerca de 6 mil quilos, que foram comercializados por um preço menor porque não estavam no tamanho ideal.

O produtor de peixe Lauro Clementino conhece bem o prejuízo em uma produção. Há 15 dias, perdeu 5 mil quilos de tilápia – metade de tudo o que tinha. Quase R$ 15 mil investidos na compra de alevinos e de ração para alimentá-los durante meses foi por água abaixo.

Somente na última semana, mais de 500 toneladas de peixes mortos foram retirados do Castanhão. As produções mais afetadas foram as que ficam nas comunidades de Curupati e Jaburu.

Motivação

O motivo ainda está em análise; mas, segundo o Dnocs, a principal suspeita é a combinação da mudança de temperatura com a diminuição do oxigênio na água causada pelo acúmulo de matéria orgânica – problema que está diretamente ligado ao baixo nível do reservatório.

De acordo com o Dnocs, a água do Castanhão não tem mais qualidade para a criação de peixes. Tanto que muitos produtores já saíram daqui e foram tentar a sorte em outros estados do Nordeste. A estimativa é que a produção de tilápia tenha sofrido uma redução de 85% desde o início da estiagem, o que fez o Ceará cair da 3ª para a 20ª posição no ranking brasileiro.

O produtor de peixe Evandro Feitosa até tentou montar um criatório em Pernambuco, mas a distância tornou o negócio inviável. Ele persiste no Castanhão, mesmo produzindo bem menos do que antes da seca. Passou de 35 para 12 toneladas por mês. E as gaiolas precisam ser monitoradas 24 horas por dia para retirada rápida das tilápias caso haja risco de mortes.

Hoje, o volume do Castanhão é de cerca de 238 milhões de m³ de água. Pode parecer muito, mas representa menos de 3,5% da capacidade de armazenamento. Para se ter uma ideia, dos 36 mil hectares de área, menos de 4 mil ainda têm água. Dos quatro parques aquícolas, que são espaços existentes nos reservados para a produção dos peixes, dois já estão desativados: o de Jaguaretama e o de Jaguaribe, por estarem 100% secos.

Para o açude ter uma boa recarga, o ideal seriam chuvas acima de 80 milímetros por dia nos municípios do Cariri, como Farias Brito, Crato, Juazeiro do Norte, Milagres, Mauriti, Porteiras e Brejo Santo. É lá onde está situado o Rio Salgado, que faz parte da bacia do Rio Jaguaribe e é a principal fonte de abastecimento do Castanhão.

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