Rosier Alexandre: Recue sempre que necessário, desistir jamais

QUAL O SEU EVEREST?

Rosier Alexandre: “Recue sempre que necessário, desistir jamais”

Recue quando for necessário, mas nunca desista dos seus sonhos, são eles que dão sentido a sua vida.

Por Tribuna do Ceará em Rosier Alexandre

24 de Abril de 2017 às 14:28

Há 1 ano

Por Rosier Alexandre

A sociedade em que vivemos, futurista e em constantes transformações, nos enche de cobranças, pressão e exige mudanças a toda hora. Recebemos uma demanda e, em pouco tempo, ela já está ultrapassada por novas necessidades. Com isso, muitos projetos são deixados para trás, por terem nascido já atrasados no tempo. Este processo nos dá a sensação de estar deixando algo inacabado ou desistindo de alguma coisa.

No dia a dia, precisamos entender e separar os conceitos de desistir e recuar. Desistir tem caráter permanente. Recuar pode exigir uma parada ou até alguns passos atrás, no entanto, isso ocorre por estratégia ou necessidade para avançar com mais força em direção a um objetivo. Na execução do “Projeto Sete Cumes”, eu precisei exercitar o ato de recuar algumas vezes, ora por um erro de estratégia, ora por uma mudança de cenário.

Em 2010, fiz a minha primeira expedição ao McKinley, a maior montanha da América do Norte. Houve uma brusca mudança de clima, e eu recuei quando estava apenas a 63 metros do cume. Era muito perto, mas, por segurança, eu precisei dar meia volta e adiar a conquista daquela montanha. Não foi uma decisão confortável, mas foi muito acertada, porque há momentos em que um erro te tira a possibilidade de uma nova chance no futuro.

Em 2012, eu retornei ao McKinley e cheguei ao cume com segurança. Com o Everest, a situação foi ainda mais difícil: eu sobrevivi as duas maiores tragédias da história da montanha. Em 2014, uma avalanche deixou 16 mortos, dentre eles três colegas da minha equipe. Em 2015, um terremoto provocou uma série de avalanches e uma delas deixou 19 mortos, incluindo a médica da minha expedição. Foram dois anos que precisei recuar. No entanto, em 2016, com mais experiência e maturidade, eu retornei ao Everest e finalmente levei a nossa bandeira ao topo do mundo.

Quando se trata de sonhos, eu até aceito negociar os prazos, o que pode exigir algum recuo estratégico. Jamais negocio a essência, pois isso significa desistência e desistir não é uma atitude que faz bem. Meu conselho a você é: recue quando for necessário, mas nunca desista dos seus sonhos, são eles que dão sentido a sua vida.

Tenha uma ótima semana, com o meu abraço do tamanho do Everest.

*Rosier Alexandre é graduado em marketing, palestrante, consultor organizacional e alpinista profissional.

A coluna “Qual o seu Everest?” é publicada no Tribuna do Ceará todas as segundas-feiras e também vai ao ar na Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10.

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QUAL O SEU EVEREST?

Rosier Alexandre: “Recue sempre que necessário, desistir jamais”

Recue quando for necessário, mas nunca desista dos seus sonhos, são eles que dão sentido a sua vida.

Por Tribuna do Ceará em Rosier Alexandre

24 de Abril de 2017 às 14:28

Há 1 ano

Por Rosier Alexandre

A sociedade em que vivemos, futurista e em constantes transformações, nos enche de cobranças, pressão e exige mudanças a toda hora. Recebemos uma demanda e, em pouco tempo, ela já está ultrapassada por novas necessidades. Com isso, muitos projetos são deixados para trás, por terem nascido já atrasados no tempo. Este processo nos dá a sensação de estar deixando algo inacabado ou desistindo de alguma coisa.

No dia a dia, precisamos entender e separar os conceitos de desistir e recuar. Desistir tem caráter permanente. Recuar pode exigir uma parada ou até alguns passos atrás, no entanto, isso ocorre por estratégia ou necessidade para avançar com mais força em direção a um objetivo. Na execução do “Projeto Sete Cumes”, eu precisei exercitar o ato de recuar algumas vezes, ora por um erro de estratégia, ora por uma mudança de cenário.

Em 2010, fiz a minha primeira expedição ao McKinley, a maior montanha da América do Norte. Houve uma brusca mudança de clima, e eu recuei quando estava apenas a 63 metros do cume. Era muito perto, mas, por segurança, eu precisei dar meia volta e adiar a conquista daquela montanha. Não foi uma decisão confortável, mas foi muito acertada, porque há momentos em que um erro te tira a possibilidade de uma nova chance no futuro.

Em 2012, eu retornei ao McKinley e cheguei ao cume com segurança. Com o Everest, a situação foi ainda mais difícil: eu sobrevivi as duas maiores tragédias da história da montanha. Em 2014, uma avalanche deixou 16 mortos, dentre eles três colegas da minha equipe. Em 2015, um terremoto provocou uma série de avalanches e uma delas deixou 19 mortos, incluindo a médica da minha expedição. Foram dois anos que precisei recuar. No entanto, em 2016, com mais experiência e maturidade, eu retornei ao Everest e finalmente levei a nossa bandeira ao topo do mundo.

Quando se trata de sonhos, eu até aceito negociar os prazos, o que pode exigir algum recuo estratégico. Jamais negocio a essência, pois isso significa desistência e desistir não é uma atitude que faz bem. Meu conselho a você é: recue quando for necessário, mas nunca desista dos seus sonhos, são eles que dão sentido a sua vida.

Tenha uma ótima semana, com o meu abraço do tamanho do Everest.

*Rosier Alexandre é graduado em marketing, palestrante, consultor organizacional e alpinista profissional.

A coluna “Qual o seu Everest?” é publicada no Tribuna do Ceará todas as segundas-feiras e também vai ao ar na Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10.