Rosier Alexandre: "Coerência, um bem raro e caro"

QUAL O SEU EVEREST?

Rosier Alexandre: “Coerência, um bem raro e caro”

Diante de tantas coisas que meu pai me ensinou, uma delas foi ter coerência, ou seja, sincronizar a minha fala com as atitudes

Por Tribuna do Ceará em Rosier Alexandre

2 de Abril de 2018 às 14:25

Há 3 semanas

Por Rosier Alexandre*

A palavra coerência vem do latim e significa “conexão” ou “coesão” e quem me ensinou isso foi um sábio filósofo sertanejo que nunca frequentou uma escola, o meu saudoso pai.

Ele conseguiu aprender ler e escrever na areia de um riacho, mas o seu exemplo de vida nos ensinou muito. Era um típico camponês que em toda a sua vida jamais comprou um automóvel ou celular e nunca entrou em um shopping center, mas era um homem sábio e feliz.

Apesar do seu jeito simples, tinha uma profunda filosofia de vida e era um bom contador de histórias. Ele nunca cobrava dos filhos ou de qualquer outra pessoa, algo que ele não estivesse disposto a dar na mesma intensidade. Dentre os muitos conselhos que dava aos filhos, um deles dizia: “fale sempre a verdade, isso vai economizar suas energias, quando precisar contar uma história, basta lembrar do que aconteceu e não de como você contou da última vez”.

Diante de tantas coisas que meu pai me ensinou, uma delas foi ter coerência, ou seja, sincronizar a minha fala com as atitudes. Uma das coisas mais tristes que vejo nas pessoas não é a falta de competência, mas a incoerência, falar algo que não condiz com os fatos, ou transferir para outros a responsabilidade por seus erros.

Nas minhas muitas andanças pelo mundo eu tive oportunidade de conviver com diversos povos e culturas, mas foi entre os sherpas no Nepal que mais lembrei dos ensinamentos do meu pai. Os nepaleses são um dos povos mais pobres que conheci, a renda per capta de um nepalês é pouco mais de 500 dólares americanos, em torno de 1% da renda per capta de um canadense, no entanto, podemos andar livremente nas ruas de Katmandu, a maior cidade do país, a qualquer hora do dia ou da noite sem ser assaltado, e isso se deve em grande parte por sua coerência, o alinhamento entre crenças religiosas e atitudes, algo que falta em muitos lugares da terra.

Vivemos em uma sociedade que estimula as pessoas a mascararem seus sentimentos, sociedade que diz que “homem não chora”, mas isso não faz bem absolutamente. Pessoas coerentes não fingem, não são dissimuladas e demonstram o que sentem e com isso conquistam confiança. Esqueça os possíveis julgamentos, seja você mesmo e será aceito sem precisar violentar seus valores. Mesmo que digam que você é louco, seja coerente com aquilo que acredita, com seus valores e seus sonhos, escale o seu Everest e viva a sua felicidade.

Te desejo uma excelente semana, com o meu abraço do tamanho do Everest.

*Rosier Alexandre é graduado em marketing, palestrante, consultor organizacional e alpinista profissional.

A coluna “Qual o seu Everest?” é publicada no Tribuna do Ceará todas as segundas-feiras e também vai ao ar na Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10.

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Rosier Alexandre: “Coerência, um bem raro e caro”

Diante de tantas coisas que meu pai me ensinou, uma delas foi ter coerência, ou seja, sincronizar a minha fala com as atitudes

Por Tribuna do Ceará em Rosier Alexandre

2 de Abril de 2018 às 14:25

Há 3 semanas

Por Rosier Alexandre*

A palavra coerência vem do latim e significa “conexão” ou “coesão” e quem me ensinou isso foi um sábio filósofo sertanejo que nunca frequentou uma escola, o meu saudoso pai.

Ele conseguiu aprender ler e escrever na areia de um riacho, mas o seu exemplo de vida nos ensinou muito. Era um típico camponês que em toda a sua vida jamais comprou um automóvel ou celular e nunca entrou em um shopping center, mas era um homem sábio e feliz.

Apesar do seu jeito simples, tinha uma profunda filosofia de vida e era um bom contador de histórias. Ele nunca cobrava dos filhos ou de qualquer outra pessoa, algo que ele não estivesse disposto a dar na mesma intensidade. Dentre os muitos conselhos que dava aos filhos, um deles dizia: “fale sempre a verdade, isso vai economizar suas energias, quando precisar contar uma história, basta lembrar do que aconteceu e não de como você contou da última vez”.

Diante de tantas coisas que meu pai me ensinou, uma delas foi ter coerência, ou seja, sincronizar a minha fala com as atitudes. Uma das coisas mais tristes que vejo nas pessoas não é a falta de competência, mas a incoerência, falar algo que não condiz com os fatos, ou transferir para outros a responsabilidade por seus erros.

Nas minhas muitas andanças pelo mundo eu tive oportunidade de conviver com diversos povos e culturas, mas foi entre os sherpas no Nepal que mais lembrei dos ensinamentos do meu pai. Os nepaleses são um dos povos mais pobres que conheci, a renda per capta de um nepalês é pouco mais de 500 dólares americanos, em torno de 1% da renda per capta de um canadense, no entanto, podemos andar livremente nas ruas de Katmandu, a maior cidade do país, a qualquer hora do dia ou da noite sem ser assaltado, e isso se deve em grande parte por sua coerência, o alinhamento entre crenças religiosas e atitudes, algo que falta em muitos lugares da terra.

Vivemos em uma sociedade que estimula as pessoas a mascararem seus sentimentos, sociedade que diz que “homem não chora”, mas isso não faz bem absolutamente. Pessoas coerentes não fingem, não são dissimuladas e demonstram o que sentem e com isso conquistam confiança. Esqueça os possíveis julgamentos, seja você mesmo e será aceito sem precisar violentar seus valores. Mesmo que digam que você é louco, seja coerente com aquilo que acredita, com seus valores e seus sonhos, escale o seu Everest e viva a sua felicidade.

Te desejo uma excelente semana, com o meu abraço do tamanho do Everest.

*Rosier Alexandre é graduado em marketing, palestrante, consultor organizacional e alpinista profissional.

A coluna “Qual o seu Everest?” é publicada no Tribuna do Ceará todas as segundas-feiras e também vai ao ar na Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10.