Roberto Costa: "Carro flex, o simples que muitos complicam"

SEM QUILÔMETROS

Roberto Costa: “Carro flex, o simples que muitos complicam”

Uma das perguntas mais frequentes é: “tenho que usar o álcool e a gasolina em sistema de rodízio?”

Por Tribuna do Ceará em Roberto Costa

15 de outubro de 2016 às 14:51

Há 1 ano

Por Roberto Costa

Com a chegada dos motores flex, o brasileiro apaixonado por automóvel e seus segredos ganhou mais um assunto para discutir e criar mitos.

Muitos desses “entendidos” nunca se preocuparam em se informar tecnicamente sobre o assunto, o que acabou gerando uma gama enorme de supostas verdades baseadas em acontecimentos que, muitas vezes, não tinham nenhuma ligação com o combustível que estava adicionado nos tanques.

De 2003, quando oficialmente chegou ao mercado o primeiro carro flex, aos dias de hoje, muita coisa mudou. O motor evoluiu se tornando mais eficiente, mas os mitos se multiplicaram e uma das perguntas mais frequentes é: “tenho que usar o álcool e a gasolina em sistema de rodízio?”

Como a própria denominação deixa claro, o motor é flexível e, assim sendo, recebe álcool ou gasolina puros ou misturados em qualquer proporção, sem qualquer prejuízo para a vida útil, mudança na forma de dirigir ou no impacto ambiental. Todo o sistema de injeção, através da sonda lambda, identifica qual o combustível utilizado e se adapta para processar a queima. Lembre que a gasolina dita pura, vendida no Brasil, já está misturada com até 20% de etanol.

Todo o sistema de injeção identifica qual o combustível utilizado e se adapta para processar a queima (FOTO: Divulgação)

Todo o sistema de injeção identifica qual o combustível utilizado e se adapta para processar a queima (FOTO: Divulgação)

Não existe nenhuma necessidade, se houvesse os fabricantes informavam, de alternar combustíveis sobre o pretexto da memória do sistema eletrônico “esquecer” um dos dois. Até mesmo aditivos são desaconselhados, já que todo o sistema está programado para receber gasolina ou álcool e, qualquer produto diferente, pode mudar a leitura da sonda lambda.

Nesta situação, enviará para a injeção de combustível uma informação não prevista fazendo com que o motor tenha um funcionamento irregular. Esse é um dos únicos casos onde existe realmente algum risco a vida útil do propulsor.

Alguns detalhes merecem atenção.

Estando com pouco combustível no tanque, abastecendo com outro, ao ligar, o motor poderá ter um funcionamento irregular por dois a três minutos, que é o tempo necessário para que todo o sistema se adapte e volte a funcionar normalmente.

Outra situação que requer atenção é em caso de pane seca ou falta de combustível, o ideal é abastecer com o mesmo que havia no tanque, já que o motor está programado para o mesmo; mas, se não for possível, tenha paciência. Em alguns casos, o motor demora um pouco a pegar. Vai ter um funcionamento normalizado em alguns quilômetros após o sistema reconhecer o combustível diferente.

Nessa situação, é aconselhável rodar ou deixar o carro funcionando mesmo parado por, pelo menos, cinco minutos antes de desligar. Não existe risco nessa troca, apenas alguma dificuldade inicial e logo o funcionamento se normaliza.

Se a construção de um motor flex é complexa, com sua eletrônica embarcada trazendo alguma sofisticação a utilização deve ser exatamente igual ao de um motor convencional visto que a transição dos combustíveis ou a mistura em qualquer proporção está prevista e previamente programada no sistema de injeção de combustível.

Diante destas afirmações escolha o combustível que lhe convém e, de preferencia, o que seu bolso achar mais viável.

*Roberto Costa é jornalista especializado em veículos há 40 anos e autor do blog www.robertopcosta.blogspot.com.br. Com experiência em áreas de vendas, marketing e pós-venda em distribuidores de veículos, atuou também na organização e vistorias de carros em competições automotoras. 

A coluna “Sem Quilômetros” é publicada no Tribuna do Ceará, aos sábados, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às segundas e quartas-feiras, às 7h10, e na Edição da Noite, a partir das 18h.

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Roberto Costa: “Carro flex, o simples que muitos complicam”

Uma das perguntas mais frequentes é: “tenho que usar o álcool e a gasolina em sistema de rodízio?”

Por Tribuna do Ceará em Roberto Costa

15 de outubro de 2016 às 14:51

Há 1 ano

Por Roberto Costa

Com a chegada dos motores flex, o brasileiro apaixonado por automóvel e seus segredos ganhou mais um assunto para discutir e criar mitos.

Muitos desses “entendidos” nunca se preocuparam em se informar tecnicamente sobre o assunto, o que acabou gerando uma gama enorme de supostas verdades baseadas em acontecimentos que, muitas vezes, não tinham nenhuma ligação com o combustível que estava adicionado nos tanques.

De 2003, quando oficialmente chegou ao mercado o primeiro carro flex, aos dias de hoje, muita coisa mudou. O motor evoluiu se tornando mais eficiente, mas os mitos se multiplicaram e uma das perguntas mais frequentes é: “tenho que usar o álcool e a gasolina em sistema de rodízio?”

Como a própria denominação deixa claro, o motor é flexível e, assim sendo, recebe álcool ou gasolina puros ou misturados em qualquer proporção, sem qualquer prejuízo para a vida útil, mudança na forma de dirigir ou no impacto ambiental. Todo o sistema de injeção, através da sonda lambda, identifica qual o combustível utilizado e se adapta para processar a queima. Lembre que a gasolina dita pura, vendida no Brasil, já está misturada com até 20% de etanol.

Todo o sistema de injeção identifica qual o combustível utilizado e se adapta para processar a queima (FOTO: Divulgação)

Todo o sistema de injeção identifica qual o combustível utilizado e se adapta para processar a queima (FOTO: Divulgação)

Não existe nenhuma necessidade, se houvesse os fabricantes informavam, de alternar combustíveis sobre o pretexto da memória do sistema eletrônico “esquecer” um dos dois. Até mesmo aditivos são desaconselhados, já que todo o sistema está programado para receber gasolina ou álcool e, qualquer produto diferente, pode mudar a leitura da sonda lambda.

Nesta situação, enviará para a injeção de combustível uma informação não prevista fazendo com que o motor tenha um funcionamento irregular. Esse é um dos únicos casos onde existe realmente algum risco a vida útil do propulsor.

Alguns detalhes merecem atenção.

Estando com pouco combustível no tanque, abastecendo com outro, ao ligar, o motor poderá ter um funcionamento irregular por dois a três minutos, que é o tempo necessário para que todo o sistema se adapte e volte a funcionar normalmente.

Outra situação que requer atenção é em caso de pane seca ou falta de combustível, o ideal é abastecer com o mesmo que havia no tanque, já que o motor está programado para o mesmo; mas, se não for possível, tenha paciência. Em alguns casos, o motor demora um pouco a pegar. Vai ter um funcionamento normalizado em alguns quilômetros após o sistema reconhecer o combustível diferente.

Nessa situação, é aconselhável rodar ou deixar o carro funcionando mesmo parado por, pelo menos, cinco minutos antes de desligar. Não existe risco nessa troca, apenas alguma dificuldade inicial e logo o funcionamento se normaliza.

Se a construção de um motor flex é complexa, com sua eletrônica embarcada trazendo alguma sofisticação a utilização deve ser exatamente igual ao de um motor convencional visto que a transição dos combustíveis ou a mistura em qualquer proporção está prevista e previamente programada no sistema de injeção de combustível.

Diante destas afirmações escolha o combustível que lhe convém e, de preferencia, o que seu bolso achar mais viável.

*Roberto Costa é jornalista especializado em veículos há 40 anos e autor do blog www.robertopcosta.blogspot.com.br. Com experiência em áreas de vendas, marketing e pós-venda em distribuidores de veículos, atuou também na organização e vistorias de carros em competições automotoras. 

A coluna “Sem Quilômetros” é publicada no Tribuna do Ceará, aos sábados, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às segundas e quartas-feiras, às 7h10, e na Edição da Noite, a partir das 18h.