As lições aprendidas na China

ARTIGO

As lições aprendidas na China

Por lá, há uma noção generalizada de que cada cidadão é responsável por ajudar o país a tornar-se uma superpotência

Por Tribuna do Ceará em Opinião

6 de setembro de 2018 às 06:10

Há 2 meses

*Ademar Celedônio

Todos sabem dos movimentos constantes tomados pela China para tornar-se uma superpotência mundial em vários quesitos, e educação é um deles. Recentemente fiz uma viagem ao outro lado do mundo para participar do curso “A excelência em Educação Básica – A experiência de Xangai”, conhecer de perto as práticas educacionais de Xangai e buscar entender a fórmula do seu sucesso. Os ingredientes são simples: educação aliada à inovação.

Por lá, há uma noção generalizada de que cada cidadão é responsável por ajudar o país a tornar-se uma superpotência. E em algumas províncias, como Xangai, a educação é tida como principal meio para chegar a esse fim.

Dados da Organização das Nações Unidas, por exemplo, comprovam que os países que têm acima de 35% dos seus alunos no nível 4 na avaliação do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) serão os responsáveis por puxar essa corrente no futuro e influenciar outros. Xangai está nesse barco; já o Brasil, atualmente, possui menos de 4% dos seus alunos nesse mesmo nível.

E o que eles estão fazendo na base para consolidar essa realidade? Os primeiros passos foram mudar o currículo escolar e concentrar a formação de até 70% dos professores na Universidade Nacional de Xangai. A universidade aplica os estágios em escolas públicas modelo e acompanha toda a sua formação pedagógica, assim, há a garantia de que os profissionais sejam treinados em escolas de referência. Os professores precisam completar 360 horas de desenvolvimento profissional durante os primeiros cincos anos de ensino para garantir uma entrada na prática docente com mais segurança.

Há ainda um sistema de avaliação escolar que vai além da mensuração da aprendizagem dos alunos. Desde 2011, alunos, professores e diretores são avaliados de maneira abrangente, abordando também carga acadêmica, relacionamentos interpessoais e motivações para estudar e trabalhar.

Outro ponto importante a ser ressaltado diz respeito à remuneração do professor, que é atribuída de acordo com os resultados globais de avaliação, e aqueles professores com alto desempenho podem galgar postos mais elevados, aumentando seu salário.

Olhando para nosso umbigo, podemos perceber alguns pontos convergentes. A Lei do Ensino Médio, aprovada no ano passado, exige que as universidades brasileiras pautem seu currículo na formação de professores de acordo com a Base Nacional Comum Curricular, com menos tecnicismo e mais prática. Com o tempo, poderemos perceber a mudança nos nossos alunos e cidadãos e, quem sabe, chegar próximo do patamar dos chineses.

Podemos copiar o modelo chinês? A resposta é não, já que a educação de um país é um reflexo de muitos elementos, como a sua cultura. No entanto, pude perceber que valorização, acompanhamento e apoio aos professores em todas as etapas de formação e trabalho são aspectos fundamentais na escala de sucesso do modelo de Xangai.

*Ademar Celedônio – professor de Matemática, autor de material didático e Diretor de Ensino e Inovações Educacionais do SAS

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As lições aprendidas na China

Por lá, há uma noção generalizada de que cada cidadão é responsável por ajudar o país a tornar-se uma superpotência

Por Tribuna do Ceará em Opinião

6 de setembro de 2018 às 06:10

Há 2 meses

*Ademar Celedônio

Todos sabem dos movimentos constantes tomados pela China para tornar-se uma superpotência mundial em vários quesitos, e educação é um deles. Recentemente fiz uma viagem ao outro lado do mundo para participar do curso “A excelência em Educação Básica – A experiência de Xangai”, conhecer de perto as práticas educacionais de Xangai e buscar entender a fórmula do seu sucesso. Os ingredientes são simples: educação aliada à inovação.

Por lá, há uma noção generalizada de que cada cidadão é responsável por ajudar o país a tornar-se uma superpotência. E em algumas províncias, como Xangai, a educação é tida como principal meio para chegar a esse fim.

Dados da Organização das Nações Unidas, por exemplo, comprovam que os países que têm acima de 35% dos seus alunos no nível 4 na avaliação do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) serão os responsáveis por puxar essa corrente no futuro e influenciar outros. Xangai está nesse barco; já o Brasil, atualmente, possui menos de 4% dos seus alunos nesse mesmo nível.

E o que eles estão fazendo na base para consolidar essa realidade? Os primeiros passos foram mudar o currículo escolar e concentrar a formação de até 70% dos professores na Universidade Nacional de Xangai. A universidade aplica os estágios em escolas públicas modelo e acompanha toda a sua formação pedagógica, assim, há a garantia de que os profissionais sejam treinados em escolas de referência. Os professores precisam completar 360 horas de desenvolvimento profissional durante os primeiros cincos anos de ensino para garantir uma entrada na prática docente com mais segurança.

Há ainda um sistema de avaliação escolar que vai além da mensuração da aprendizagem dos alunos. Desde 2011, alunos, professores e diretores são avaliados de maneira abrangente, abordando também carga acadêmica, relacionamentos interpessoais e motivações para estudar e trabalhar.

Outro ponto importante a ser ressaltado diz respeito à remuneração do professor, que é atribuída de acordo com os resultados globais de avaliação, e aqueles professores com alto desempenho podem galgar postos mais elevados, aumentando seu salário.

Olhando para nosso umbigo, podemos perceber alguns pontos convergentes. A Lei do Ensino Médio, aprovada no ano passado, exige que as universidades brasileiras pautem seu currículo na formação de professores de acordo com a Base Nacional Comum Curricular, com menos tecnicismo e mais prática. Com o tempo, poderemos perceber a mudança nos nossos alunos e cidadãos e, quem sabe, chegar próximo do patamar dos chineses.

Podemos copiar o modelo chinês? A resposta é não, já que a educação de um país é um reflexo de muitos elementos, como a sua cultura. No entanto, pude perceber que valorização, acompanhamento e apoio aos professores em todas as etapas de formação e trabalho são aspectos fundamentais na escala de sucesso do modelo de Xangai.

*Ademar Celedônio – professor de Matemática, autor de material didático e Diretor de Ensino e Inovações Educacionais do SAS