A santidade: surreal ou real?

ARTIGO

A santidade: surreal ou real?

O que mais me admirou foi ver que essa multidão era como uma grande família, universal, compacta, reunida em volta de um acontecimento muito importante: a canonização de um pai comum

Por Tribuna do Ceará em Opinião

15 de junho de 2018 às 15:57

Há 6 meses

*Maria Dulce Belda Plans

O século 20 foi um século de grandes contrastes históricos. Por um lado, aparecimento de grandes vultos da literatura, da ciência, da filosofia e de outros ramos do saber e da cultura. Por outro lado e por contraste, também foi uma época de guerras, atrocidades, extermínios de povos inteiros.

Foi também um século de grandes santos: Santa Edith Stein, s. Maximiliano Kolbe, s. João XXIII, s. Josemaria Escrivá de Balaguer, sta.Teresa de Calcutá, s. João Paulo II e tantos outros. Aproxima-se mais um aniversário da canonização de s. Josemaria Escrivá, Fundador do Opus Dei. A cerimônia aconteceu em Roma, celebrada por um outro santo: O Papa s. Paulo II no dia 06 de outubro do ano 2002.

Eu tive a imensa sorte de poder assistir presencialmente a este grande evento. E uma das coisas que mais me impressionaram na cerimônia foi o público. A praça de são Pedro estava lotada, com uma multidão que saia dela e se extendia por toda a Via della Conciliazione até chegar ao Castelo de Sant´Angelo, lá nos fundos.

Outra coisa que chamou a minha atenção foi contemplar nessa multidão pessoas dos cinco continentes que apresentavam uma grande variedade de línguas e vestimentas procedentes dos mais diversos países, unidas na piedade, na alegria e na ordem, pois quando a cerimônia terminou, todos saíram calmamente, sem atropelamento nem tumulto. Ouviram-se expressões de alegria de encontros inesperados entre famílias, de pessoas que não se viam desde fazia tempo…

Mas, sobretudo, o que mais me admirou foi ver que essa multidão era como uma grande família, universal, compacta, reunida em volta de um acontecimento muito importante: a canonização de um pai comum, que deixou como legado um aspecto que durante séculos estava esquecido: que a santidade no meio do mundo, através da família e do trabalho profissional é acessível a qualquer um, que podemos encontrar a Deus no meio das atividades mais corriqueiras do dia-a-dia, que cada instante de um cristão tem valor de eternidade. Posteriormente, o Concílio Vaticano II tratou amplamente este tema em um dos seus documentos.

S. Josemaria Escrivá fundou por iniciativa divina, o Opus Dei, uma instituição da Igreja Católica, de âmbito universal. Ele sempre dizia que nunca pensou em fundar nada. Mas que Deus lhe fez “ver” o Opus Dei. E desde esse momento começou a difundir entre todo tipo de pessoas a chamada universal à santidade no meio do mundo, não como algo surreal, mas como algo real, que podia alcançar-se com a luta pessoal, contando com a ajuda da graça. Abriram-se para ela todos os caminhos da terra.

Na missa que será celebrada em Fortaleza no dia 26 de junho, no seu dies natalis (dia do seu nascimento para o Céu) em sua honra, que já vai sendo tradicional todos os anos, vai acontecer – salvando as diferenças – algo parecido com o acontecimento da sua canonização: familias, pessoas das mais diversas profissões e de todas as classes sociais reunidas para honrar o “santo do cotidiano” como nomeou o Papa s. João Paulo II a s. Josemaria Escrivá, um santo apaixonado por Jesus Cristo, um santo que indicou um caminho de santidade vivendo no mundo sem ser mundanos, uma tarefa apaixonante para todos os cristãos, um caminho vivido heroicamente por ele próprio, aberto, ao alcance de todos, sem discriminação de raça, língua ou nação.

*Maria Dulce Belda Plans – Lic. Filologia e professora de Línguas

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A santidade: surreal ou real?

O que mais me admirou foi ver que essa multidão era como uma grande família, universal, compacta, reunida em volta de um acontecimento muito importante: a canonização de um pai comum

Por Tribuna do Ceará em Opinião

15 de junho de 2018 às 15:57

Há 6 meses

*Maria Dulce Belda Plans

O século 20 foi um século de grandes contrastes históricos. Por um lado, aparecimento de grandes vultos da literatura, da ciência, da filosofia e de outros ramos do saber e da cultura. Por outro lado e por contraste, também foi uma época de guerras, atrocidades, extermínios de povos inteiros.

Foi também um século de grandes santos: Santa Edith Stein, s. Maximiliano Kolbe, s. João XXIII, s. Josemaria Escrivá de Balaguer, sta.Teresa de Calcutá, s. João Paulo II e tantos outros. Aproxima-se mais um aniversário da canonização de s. Josemaria Escrivá, Fundador do Opus Dei. A cerimônia aconteceu em Roma, celebrada por um outro santo: O Papa s. Paulo II no dia 06 de outubro do ano 2002.

Eu tive a imensa sorte de poder assistir presencialmente a este grande evento. E uma das coisas que mais me impressionaram na cerimônia foi o público. A praça de são Pedro estava lotada, com uma multidão que saia dela e se extendia por toda a Via della Conciliazione até chegar ao Castelo de Sant´Angelo, lá nos fundos.

Outra coisa que chamou a minha atenção foi contemplar nessa multidão pessoas dos cinco continentes que apresentavam uma grande variedade de línguas e vestimentas procedentes dos mais diversos países, unidas na piedade, na alegria e na ordem, pois quando a cerimônia terminou, todos saíram calmamente, sem atropelamento nem tumulto. Ouviram-se expressões de alegria de encontros inesperados entre famílias, de pessoas que não se viam desde fazia tempo…

Mas, sobretudo, o que mais me admirou foi ver que essa multidão era como uma grande família, universal, compacta, reunida em volta de um acontecimento muito importante: a canonização de um pai comum, que deixou como legado um aspecto que durante séculos estava esquecido: que a santidade no meio do mundo, através da família e do trabalho profissional é acessível a qualquer um, que podemos encontrar a Deus no meio das atividades mais corriqueiras do dia-a-dia, que cada instante de um cristão tem valor de eternidade. Posteriormente, o Concílio Vaticano II tratou amplamente este tema em um dos seus documentos.

S. Josemaria Escrivá fundou por iniciativa divina, o Opus Dei, uma instituição da Igreja Católica, de âmbito universal. Ele sempre dizia que nunca pensou em fundar nada. Mas que Deus lhe fez “ver” o Opus Dei. E desde esse momento começou a difundir entre todo tipo de pessoas a chamada universal à santidade no meio do mundo, não como algo surreal, mas como algo real, que podia alcançar-se com a luta pessoal, contando com a ajuda da graça. Abriram-se para ela todos os caminhos da terra.

Na missa que será celebrada em Fortaleza no dia 26 de junho, no seu dies natalis (dia do seu nascimento para o Céu) em sua honra, que já vai sendo tradicional todos os anos, vai acontecer – salvando as diferenças – algo parecido com o acontecimento da sua canonização: familias, pessoas das mais diversas profissões e de todas as classes sociais reunidas para honrar o “santo do cotidiano” como nomeou o Papa s. João Paulo II a s. Josemaria Escrivá, um santo apaixonado por Jesus Cristo, um santo que indicou um caminho de santidade vivendo no mundo sem ser mundanos, uma tarefa apaixonante para todos os cristãos, um caminho vivido heroicamente por ele próprio, aberto, ao alcance de todos, sem discriminação de raça, língua ou nação.

*Maria Dulce Belda Plans – Lic. Filologia e professora de Línguas