Flávia Castelo: Tempo
ALDEIA GLOCAL

Flávia Castelo: “Tempo”

Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei…

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

31 de maio de 2017 às 10:44

Há 3 meses

Por Flávia Castelo

Não sei se por coincidência, consciência ou conjunção astral, mas além das comemorações geminianas iniciarem semana passada (mais precisamente dia 21 de maio), tive os melhores encontros – entre afetos antigos – do ano. Até mesmo dos últimos tempos. Turmas de amigos de 7, 11, 20 e 23 anos colocando os papos em dia e, especialmente, discutindo sobre o tempo – esse menino tímido que passa e a gente não vê (li algo parecido na casa de um casal amigo, em Sceaux, comuna francesa que deixou essa reflexão e também saudades).

Nesses encontros falamos sobre a mudança como motor das nossas vidas e da sociedade. E, também, de como perdemos a esperança de ser jovem para sempre. Como diria Belchior, basicamente, de como “o tempo andou mexendo com a gente”. Sim, pereceremos. Perecemos, na verdade. “Preparem-se: não temos mais do que 15 anos de protagonismo. Acostumem-se já a ser coadjuvantes de suas próprias vidas”, uma das amigas sentenciou. Juíza das nossas vidas e de tantas outras, ela me deu uma outra perspectiva da nossa luta diária.

(FOTO: Flávia Castelo)

No final das contas, o que conta mesmo e conta contra a gente é o tempo. É certo, como lembrou outro amigo, que “na vida individual o tempo se mede em décadas; na história social em séculos; na história natural em milênios; e na história universal em anos-luz” e, ainda que é ele, o tempo “compositor de destinos, tambor de todos os ritmos, tempo, tempo, tempo, tempo”.

Caetano talvez tenha cantado e orado com a esperança de “ser possível reunirmos-nos num outro nível de vínculo”, mas, na verdade, não paro mesmo é de pensar na nossa capacidade de resiliência e de adaptação. Talvez sejam esses nossos valores históricos fundamentais, afinal, como disse – o mesmo amigo, ou a gente muda ou é mudado, ou pensa ou é pensado, ou inova ou é ultrapassado. O que espero disso tudo? Infinitas revoluções do pensamento por minuto. E que a gente tenha muito tempo e deixe tempos melhores para as futuras gerações.

Urbi et orbi e faça parte da ALDEIA GLOCAL em aldeiaglocal.com.br, afinal, quanto mais global, mais local.

*Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e às 18h10.

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Flávia Castelo: “Tempo”

Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei…

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

31 de maio de 2017 às 10:44

Há 3 meses

Por Flávia Castelo

Não sei se por coincidência, consciência ou conjunção astral, mas além das comemorações geminianas iniciarem semana passada (mais precisamente dia 21 de maio), tive os melhores encontros – entre afetos antigos – do ano. Até mesmo dos últimos tempos. Turmas de amigos de 7, 11, 20 e 23 anos colocando os papos em dia e, especialmente, discutindo sobre o tempo – esse menino tímido que passa e a gente não vê (li algo parecido na casa de um casal amigo, em Sceaux, comuna francesa que deixou essa reflexão e também saudades).

Nesses encontros falamos sobre a mudança como motor das nossas vidas e da sociedade. E, também, de como perdemos a esperança de ser jovem para sempre. Como diria Belchior, basicamente, de como “o tempo andou mexendo com a gente”. Sim, pereceremos. Perecemos, na verdade. “Preparem-se: não temos mais do que 15 anos de protagonismo. Acostumem-se já a ser coadjuvantes de suas próprias vidas”, uma das amigas sentenciou. Juíza das nossas vidas e de tantas outras, ela me deu uma outra perspectiva da nossa luta diária.

(FOTO: Flávia Castelo)

No final das contas, o que conta mesmo e conta contra a gente é o tempo. É certo, como lembrou outro amigo, que “na vida individual o tempo se mede em décadas; na história social em séculos; na história natural em milênios; e na história universal em anos-luz” e, ainda que é ele, o tempo “compositor de destinos, tambor de todos os ritmos, tempo, tempo, tempo, tempo”.

Caetano talvez tenha cantado e orado com a esperança de “ser possível reunirmos-nos num outro nível de vínculo”, mas, na verdade, não paro mesmo é de pensar na nossa capacidade de resiliência e de adaptação. Talvez sejam esses nossos valores históricos fundamentais, afinal, como disse – o mesmo amigo, ou a gente muda ou é mudado, ou pensa ou é pensado, ou inova ou é ultrapassado. O que espero disso tudo? Infinitas revoluções do pensamento por minuto. E que a gente tenha muito tempo e deixe tempos melhores para as futuras gerações.

Urbi et orbi e faça parte da ALDEIA GLOCAL em aldeiaglocal.com.br, afinal, quanto mais global, mais local.

*Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e às 18h10.