Flávia Castelo: Preciso ser um outro para ser eu mesmo
ALDEIA GLOCAL

Flávia Castelo: “Preciso ser um outro para ser eu mesmo”

Oscar Wilde já entendia que o sentimento de identidade pode ter como consequência tanto as dádivas da inclusão como as adversidades da exclusão

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

26 de julho de 2017 às 09:06

Há 3 meses

Por Flávia Castelo

Quando o dramaturgo irlandês Oscar Wilde afirmou que “a maioria das pessoas são outras pessoas”, já entendia que o sentimento de identidade pode ter como consequência tanto as dádivas da inclusão como as adversidades da exclusão. Ele era convicto que “seus pensamentos são opiniões de outras pessoas, suas vidas, um imitação, suas paixões, uma citação” – o que inspirou o economista indiano Amartya Sen a pensar sobre os efeitos aterradores do apequenamento das pessoas.

E o que me lembrou o tal “control c, control v” – aquele de quando se tem preguiça de pensar. Mas é bem mais perigoso do que isso. Aliás, um dos maiores escritores de todos os tempos, Guimarães Rosa, dizia que “viver é muito perigoso”. E foi Grande Sertão Veredas, que me fez olhar para a arte, também, como um grande risco. Não apenas dos traços de artistas como Antônio Bandeira ou Raimundo Cela.

Atentei-me para o lado negro da cultura, numa alusão geek à (p)arte sombria que os Siths praticam contra a Ordem Jedi. Ou você esqueceu da presença da cultura intolerante e discriminatória nos programas de governo de países como União Soviética, Alemanha nazista, Itália facista e também Brasil (o do Estado Novo/getulista/1937-1945)? E da máxima stockhauseana de que o que aconteceu com as Torres Gêmeas em 11 de setembro foi a maior obra de arte de todos os tempos? Coitado… …o músico alemão passou o resto da vida tentando se explicar.

coluna-flavia

(FOTO: Flávia Castelo)

Vamos voltar para 2017? Temer cortou mais verbas da pasta ambiental do que Trump! São menos 51% no orçamento do Ministério do Meio Ambiente contra a queda de 31% na Agência de Proteção Ambiental norte americana. Quer outra? Está tramitando, em regime de urgência, um projeto de lei sobre licenciamento ambiental com retrocessos inenarráveis à política ambiental.

Mas o que podemos fazer? Sabendo agora que a identidade é um lugar onde inclusão e exclusão andam de mãos dadas, podemos e precisamos exercer nossa cidadania por uma melhor qualidade de vida, numa parceria diária no caminho para o desenvolvimento sustentável. Se liga na política atual. Fica de olho no que vereadores, deputados e senadores estão votando. Como diz Mia Couto, quem empresta poesia ao título de hoje “…no mundo que combato morro/no mundo por que luto nasço”.

Urbi et orbi e faça parte da ALDEIA GLOCAL em aldeiaglocal.com.br, afinal, quanto mais global, mais local.

*Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e às 18h10.

Publicidade

Dê sua opinião

ALDEIA GLOCAL

Flávia Castelo: “Preciso ser um outro para ser eu mesmo”

Oscar Wilde já entendia que o sentimento de identidade pode ter como consequência tanto as dádivas da inclusão como as adversidades da exclusão

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

26 de julho de 2017 às 09:06

Há 3 meses

Por Flávia Castelo

Quando o dramaturgo irlandês Oscar Wilde afirmou que “a maioria das pessoas são outras pessoas”, já entendia que o sentimento de identidade pode ter como consequência tanto as dádivas da inclusão como as adversidades da exclusão. Ele era convicto que “seus pensamentos são opiniões de outras pessoas, suas vidas, um imitação, suas paixões, uma citação” – o que inspirou o economista indiano Amartya Sen a pensar sobre os efeitos aterradores do apequenamento das pessoas.

E o que me lembrou o tal “control c, control v” – aquele de quando se tem preguiça de pensar. Mas é bem mais perigoso do que isso. Aliás, um dos maiores escritores de todos os tempos, Guimarães Rosa, dizia que “viver é muito perigoso”. E foi Grande Sertão Veredas, que me fez olhar para a arte, também, como um grande risco. Não apenas dos traços de artistas como Antônio Bandeira ou Raimundo Cela.

Atentei-me para o lado negro da cultura, numa alusão geek à (p)arte sombria que os Siths praticam contra a Ordem Jedi. Ou você esqueceu da presença da cultura intolerante e discriminatória nos programas de governo de países como União Soviética, Alemanha nazista, Itália facista e também Brasil (o do Estado Novo/getulista/1937-1945)? E da máxima stockhauseana de que o que aconteceu com as Torres Gêmeas em 11 de setembro foi a maior obra de arte de todos os tempos? Coitado… …o músico alemão passou o resto da vida tentando se explicar.

coluna-flavia

(FOTO: Flávia Castelo)

Vamos voltar para 2017? Temer cortou mais verbas da pasta ambiental do que Trump! São menos 51% no orçamento do Ministério do Meio Ambiente contra a queda de 31% na Agência de Proteção Ambiental norte americana. Quer outra? Está tramitando, em regime de urgência, um projeto de lei sobre licenciamento ambiental com retrocessos inenarráveis à política ambiental.

Mas o que podemos fazer? Sabendo agora que a identidade é um lugar onde inclusão e exclusão andam de mãos dadas, podemos e precisamos exercer nossa cidadania por uma melhor qualidade de vida, numa parceria diária no caminho para o desenvolvimento sustentável. Se liga na política atual. Fica de olho no que vereadores, deputados e senadores estão votando. Como diz Mia Couto, quem empresta poesia ao título de hoje “…no mundo que combato morro/no mundo por que luto nasço”.

Urbi et orbi e faça parte da ALDEIA GLOCAL em aldeiaglocal.com.br, afinal, quanto mais global, mais local.

*Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e às 18h10.