Flávia Castelo: "O fator cultural e as transformações que a cidade (re)quer"

ALDEIA GLOCAL

Flávia Castelo: “O fator cultural e as transformações que a cidade (re)quer”

Colunista viajou a Medellín e comentou sobre mudanças na cidade colombiana

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

16 de agosto de 2017 às 16:33

Há 4 meses

Por Flávia Castelo

Tive uma experiência incrível em Medellín! Em apenas dois dias, me reuni com professores do Observatório de Seguridad Humana da Universidade de Antioquia, desbravei o Jardim Botânico, andei pelo Parque de los Deseos, conheci de perto a história do Centro de Desarrollo Cultural de Moravia, percebi uma iniciativa bem sucedida de jardim de infância em comunidades mais vulneráveis, visitei o que eles chamam de Unidade de Valorização Articulada, subi as escadas rolantes da Comuna 13 (o que chamamos de favela) e desci de tobogã, usei o sistema integrado de transporte – que inclui ônibus, metrô e teleférico, fui apresentada às ações e programas da Secretaria de Seguridad e ainda estive na casa dos clubes de futebol Atlético Nacional e Independiente Medellín, para me inteirar do sistema de segurança no estádio.

Foram diálogos excelentes com especialistas nas áreas da arquitetura e urbanismo, assistência social, gestão, sociologia, direito, saúde, psicologia, comunicação e tantas outras, além de um passeio/aula no bairro em que me hospedei (o El Poblado) com uma referência em cidadania cultural – duas vezes Secretário de Cultura na cidade.

Poucos dias, porém intensos e de muito aprendizado, troca e vivências que eu não poderia apenas guardar na memória. Trouxe tudo para a vida, o trabalho e agora compartilho um pouco com vocês.

Para falar em números, começo com os dados que me acompanharam durante a viagem: em 1991 (exatamente, época de Pablo Escobar) eram 6.349 homicídios para cada 100 mil habitantes. E, nesse lugar de aproximadamente 2,5 milhões habitantes, em 2016, o número passou para 535. São taxas, respectivamente, de 368,7 e 21,5, do gráfico histórico, ilustrado semana passada pela prefeitura, que levam sempre ao mesmo questionamento: como, em 25 anos, Medellín mudou tanto?

A resposta não é simples. Mas, posso resumir dizendo que foram múltiplos os fatores e que todos eles têm algo em comum: comprometimento – do Poder Público e da sociedade – o que transformou Medellín em exemplaridade em urbanismo e inovação social.

Quando perguntado, o Professor/guia Jorge Melguizo elegeu três desses compromissos: O Parque Explora – com sua interatividade que mistura ciência e tecnologia; as escadarias elétricas na periferia – que unem a população e exercem um simbolismo importante para os moradores que agora contam com 100% de saneamento e urbanização; e o sistema de mobilidade urbana – de altíssima qualidade e custo acessível. Ele lembrou, ainda, um fator-chave: o cultural – muito importante enquanto resistência pacífica e que trocou o medo pela esperança.

Urbi et orbi e faça parte da ALDEIA GLOCAL em aldeiaglocal.com.br, afinal, quanto mais global, mais local.

*Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e às 18h10.

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Flávia Castelo: “O fator cultural e as transformações que a cidade (re)quer”

Colunista viajou a Medellín e comentou sobre mudanças na cidade colombiana

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

16 de agosto de 2017 às 16:33

Há 4 meses

Por Flávia Castelo

Tive uma experiência incrível em Medellín! Em apenas dois dias, me reuni com professores do Observatório de Seguridad Humana da Universidade de Antioquia, desbravei o Jardim Botânico, andei pelo Parque de los Deseos, conheci de perto a história do Centro de Desarrollo Cultural de Moravia, percebi uma iniciativa bem sucedida de jardim de infância em comunidades mais vulneráveis, visitei o que eles chamam de Unidade de Valorização Articulada, subi as escadas rolantes da Comuna 13 (o que chamamos de favela) e desci de tobogã, usei o sistema integrado de transporte – que inclui ônibus, metrô e teleférico, fui apresentada às ações e programas da Secretaria de Seguridad e ainda estive na casa dos clubes de futebol Atlético Nacional e Independiente Medellín, para me inteirar do sistema de segurança no estádio.

Foram diálogos excelentes com especialistas nas áreas da arquitetura e urbanismo, assistência social, gestão, sociologia, direito, saúde, psicologia, comunicação e tantas outras, além de um passeio/aula no bairro em que me hospedei (o El Poblado) com uma referência em cidadania cultural – duas vezes Secretário de Cultura na cidade.

Poucos dias, porém intensos e de muito aprendizado, troca e vivências que eu não poderia apenas guardar na memória. Trouxe tudo para a vida, o trabalho e agora compartilho um pouco com vocês.

Para falar em números, começo com os dados que me acompanharam durante a viagem: em 1991 (exatamente, época de Pablo Escobar) eram 6.349 homicídios para cada 100 mil habitantes. E, nesse lugar de aproximadamente 2,5 milhões habitantes, em 2016, o número passou para 535. São taxas, respectivamente, de 368,7 e 21,5, do gráfico histórico, ilustrado semana passada pela prefeitura, que levam sempre ao mesmo questionamento: como, em 25 anos, Medellín mudou tanto?

A resposta não é simples. Mas, posso resumir dizendo que foram múltiplos os fatores e que todos eles têm algo em comum: comprometimento – do Poder Público e da sociedade – o que transformou Medellín em exemplaridade em urbanismo e inovação social.

Quando perguntado, o Professor/guia Jorge Melguizo elegeu três desses compromissos: O Parque Explora – com sua interatividade que mistura ciência e tecnologia; as escadarias elétricas na periferia – que unem a população e exercem um simbolismo importante para os moradores que agora contam com 100% de saneamento e urbanização; e o sistema de mobilidade urbana – de altíssima qualidade e custo acessível. Ele lembrou, ainda, um fator-chave: o cultural – muito importante enquanto resistência pacífica e que trocou o medo pela esperança.

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*Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

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