Flávia Castelo: LET IT BE (em quatro atos)

ALDEIA GLOCAL

Flávia Castelo: LET IT BE (em quatro atos)

Primeiro ato: manejando os explosivos do pensamento.

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

11 de Abril de 2018 às 13:45

Há 5 meses

Por Flávia Castelo

15:30h, 21 de março de 2018: estávamos no Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará numa reunião. O tema era a atratividade da juventude nem-nem-nem a uma rede de escolas criativas que oportuniza domínio de linguagem, com finalidade precípua de mobilidade social. Presentes os institutos Dragão do Mar e Palmas, além de jovens da periferia da cidade que passaram da situação de vulnerabilidade para a de referência – pelo menos, em seus bairros são heróis: estudante de doutorado, bailarino com sua própria companhia de dança, representante de coletivos de sarau, monitor de laboratórios de inovação e tecnologia, lideranças na difusão da música, moda e gastronomia – eles se transformaram e estavam transformando ao redor, via educação, cultura e conectividade.

17:15h assistiríamos “Mas que belo crescimento!”, para debater, ao final, com a cineasta Marie-Monique Robin, o que fazer, com e para esse recorte etário, na seara das políticas públicas culturais. Era uma quarta-feira qualquer. Até que, por volta das 16h, percebemos um blackout: tudo apagado, nada de telefone ou Internet. As ruas lembravam as primeiras páginas de “Ensaio sobre a cegueira” e mais tarde descobriríamos: metade do país estava parcialmente sem luz e a outra parte, completamente.

A programação do dia (de todo brasileiro, imagino) foi interrompida ou cancelada. Inclusive a de Angela Berlinde: artista portuguesa, quem compartilharia conosco, no dia seguinte, a partir de imagens, sua experiência no GNRation. Ela nos apresentou – sob as águas de março do dia 22 este espaço dedicado à criação, produção e difusão de atividades artísticas e criativas, com vista à atração e maximização de talento, à emergência e interação de ideias e negócios, reforçando o posicionamento de Braga no Cluster Regional de Indústrias Criativas. Mas, naquela manhã, o que mais me chamou atenção, fugia (?) ao roteiro proposto: ela disse algo como ‘se estão a procura de um nome para a próxima ação cultural de vocês, já sei: apocalipse!’. Era uma referência ao apagão e aos efeitos da chuva na cidade (menos de uma semana no Brasil e acontece tudo isso!). Mas seu tom não era pejorativo. Era animado. Eufórico, até. E por mais entusiasmada que eu estivesse com tudo, percebi que ela era a mais empolgada de todos. Aquela palavra não me saiu da cabeça. A-P-O-C-A-L-I-P-S-E…

Urbi et orbi e faça parte da ALDEIA GLOCAL em aldeiaglocal.com.br, afinal, quanto mais global, mais local.

*Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e 18:10h.

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Primeiro ato: manejando os explosivos do pensamento.

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

11 de Abril de 2018 às 13:45

Há 5 meses

Por Flávia Castelo

15:30h, 21 de março de 2018: estávamos no Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará numa reunião. O tema era a atratividade da juventude nem-nem-nem a uma rede de escolas criativas que oportuniza domínio de linguagem, com finalidade precípua de mobilidade social. Presentes os institutos Dragão do Mar e Palmas, além de jovens da periferia da cidade que passaram da situação de vulnerabilidade para a de referência – pelo menos, em seus bairros são heróis: estudante de doutorado, bailarino com sua própria companhia de dança, representante de coletivos de sarau, monitor de laboratórios de inovação e tecnologia, lideranças na difusão da música, moda e gastronomia – eles se transformaram e estavam transformando ao redor, via educação, cultura e conectividade.

17:15h assistiríamos “Mas que belo crescimento!”, para debater, ao final, com a cineasta Marie-Monique Robin, o que fazer, com e para esse recorte etário, na seara das políticas públicas culturais. Era uma quarta-feira qualquer. Até que, por volta das 16h, percebemos um blackout: tudo apagado, nada de telefone ou Internet. As ruas lembravam as primeiras páginas de “Ensaio sobre a cegueira” e mais tarde descobriríamos: metade do país estava parcialmente sem luz e a outra parte, completamente.

A programação do dia (de todo brasileiro, imagino) foi interrompida ou cancelada. Inclusive a de Angela Berlinde: artista portuguesa, quem compartilharia conosco, no dia seguinte, a partir de imagens, sua experiência no GNRation. Ela nos apresentou – sob as águas de março do dia 22 este espaço dedicado à criação, produção e difusão de atividades artísticas e criativas, com vista à atração e maximização de talento, à emergência e interação de ideias e negócios, reforçando o posicionamento de Braga no Cluster Regional de Indústrias Criativas. Mas, naquela manhã, o que mais me chamou atenção, fugia (?) ao roteiro proposto: ela disse algo como ‘se estão a procura de um nome para a próxima ação cultural de vocês, já sei: apocalipse!’. Era uma referência ao apagão e aos efeitos da chuva na cidade (menos de uma semana no Brasil e acontece tudo isso!). Mas seu tom não era pejorativo. Era animado. Eufórico, até. E por mais entusiasmada que eu estivesse com tudo, percebi que ela era a mais empolgada de todos. Aquela palavra não me saiu da cabeça. A-P-O-C-A-L-I-P-S-E…

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*Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e 18:10h.