Flávia Castelo: "LET IT BE (em quatro atos)"

ALDEIA GLOCAL

Flávia Castelo: “LET IT BE (em quatro atos)”

Quarto ato: da opinião pública à guerra civil

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

2 de Maio de 2018 às 17:03

Há 5 meses

Por Flávia Castelo

O apocalipse de Maffesoli se divide em três partes: 1 – “Opinião pública e opinião publicada”; 2 -“Tribos pós-modernidade” e 3 – “Rumo à guerra civil?”

De trás pra frente, volto ao disco dos dos Beatles: ele foi produzido (1969) e lançado (1970) numa época marcada por disputas políticas e palco de transformações sociais, tempo de confronto entre mentalidades conservadoras e novas correntes culturais de ode à liberdade. Um ano antes (1968) a Irlanda encenava o impasse entre protestantes e católicos. E a Guerra Fria se estendia há muito tempo (desde 1945), bem como seus conflitos indiretos – como a Guerra do Vietnã (1955/1975).

Era uma época revolucionária, no que se refere aos direitos civis e das minorias: As palavras de Martin Luther King e dos Black Panthers pelo fim da discriminação dos negros, os motins de Stonewall que originaram a luta LGBT e as marchas feministas que conquistaram mais espaço. Revolvere, para concordar com o autor: compreender as verdadeiras revoluções, que intervêm regularmente, ciclicamente, na história humana. Pois para todo homem educado, por menos letrado que seja, a palavra revolução tem um sentido preciso: revolvere, aquilo que faz voltar atrás como um círculo, por meu lado prefiro dizer como uma espiral, o que o linearismo mecânico ou o progressismo idiota tinham acreditado relegar às idades passadas e obscuras da infância da humanidade. Ou o radicalismo do pensamento, se quiser estar de acordo com o que é, deve, justamente, detectar a longa duração das raízes profundas da natureza humana: instintos, emoções, paixões e afetos diversos que constituem o terreno a partir do qual irão crescer as diversas culturas.

“Tribos pós-modernas” atenta para o fato de que a política foi contaminada pelo jogo. Não acreditas? Checas o furo jornalístico do dia. E nesse mar de heterotelias, tentas enxergar um retrato do Brasil, onde a ponta do iceberg não seja maior do que a base. Procures por eternos domingos: Não os publicados. Nem os públicos. Porque a confusão da palavra, meu amigo, leva à confusão das coisas. Estas, à confusão dos sentimentos, que nos leva à confusão dos modos de viver. Retornes à palavra. Revolvere: um brinde dionísico.

Esta coluna é a quarta parte de uma ‘tetralogia’ baseada em: Maffesoli, Michel, 1944-Saturação / Michel Maffesoli ; tradução de Ana Goldberger. — São Paulo : Iluminuras : Itaú Cultural, 2010.

Urbi et orbi e faça parte da ALDEIA GLOCAL em aldeiaglocal.com.br, afinal, quanto mais global, mais local.

*Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e 18:10h.

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Quarto ato: da opinião pública à guerra civil

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

2 de Maio de 2018 às 17:03

Há 5 meses

Por Flávia Castelo

O apocalipse de Maffesoli se divide em três partes: 1 – “Opinião pública e opinião publicada”; 2 -“Tribos pós-modernidade” e 3 – “Rumo à guerra civil?”

De trás pra frente, volto ao disco dos dos Beatles: ele foi produzido (1969) e lançado (1970) numa época marcada por disputas políticas e palco de transformações sociais, tempo de confronto entre mentalidades conservadoras e novas correntes culturais de ode à liberdade. Um ano antes (1968) a Irlanda encenava o impasse entre protestantes e católicos. E a Guerra Fria se estendia há muito tempo (desde 1945), bem como seus conflitos indiretos – como a Guerra do Vietnã (1955/1975).

Era uma época revolucionária, no que se refere aos direitos civis e das minorias: As palavras de Martin Luther King e dos Black Panthers pelo fim da discriminação dos negros, os motins de Stonewall que originaram a luta LGBT e as marchas feministas que conquistaram mais espaço. Revolvere, para concordar com o autor: compreender as verdadeiras revoluções, que intervêm regularmente, ciclicamente, na história humana. Pois para todo homem educado, por menos letrado que seja, a palavra revolução tem um sentido preciso: revolvere, aquilo que faz voltar atrás como um círculo, por meu lado prefiro dizer como uma espiral, o que o linearismo mecânico ou o progressismo idiota tinham acreditado relegar às idades passadas e obscuras da infância da humanidade. Ou o radicalismo do pensamento, se quiser estar de acordo com o que é, deve, justamente, detectar a longa duração das raízes profundas da natureza humana: instintos, emoções, paixões e afetos diversos que constituem o terreno a partir do qual irão crescer as diversas culturas.

“Tribos pós-modernas” atenta para o fato de que a política foi contaminada pelo jogo. Não acreditas? Checas o furo jornalístico do dia. E nesse mar de heterotelias, tentas enxergar um retrato do Brasil, onde a ponta do iceberg não seja maior do que a base. Procures por eternos domingos: Não os publicados. Nem os públicos. Porque a confusão da palavra, meu amigo, leva à confusão das coisas. Estas, à confusão dos sentimentos, que nos leva à confusão dos modos de viver. Retornes à palavra. Revolvere: um brinde dionísico.

Esta coluna é a quarta parte de uma ‘tetralogia’ baseada em: Maffesoli, Michel, 1944-Saturação / Michel Maffesoli ; tradução de Ana Goldberger. — São Paulo : Iluminuras : Itaú Cultural, 2010.

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*Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e 18:10h.