Flávia Castelo: "LET IT BE (em quatro atos)"

ALDEIA GLOCAL

Flávia Castelo: “LET IT BE (em quatro atos)”

Terceiro ato: revelação

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

25 de Abril de 2018 às 16:54

Há 6 meses

Por Flávia Castelo

“Apocalipse”: nome do primeiro capítulo maffesoliano saturado. Ele inicia com o significado etimológico: revelação.

Na fotografia, a função da revelação é obter a matriz (o negativo) para (imprimir) as fotos. Tecnicamente, é o ‘processamento do negativo’. Dividido em fases (para se obter cópias em papel), posso resumi-lo em: 1 – exposição (à luz, o que nos dá uma imagem latente), 2 – revelação (reação química para deixar a imagem mais visível), 3 – fixação (embora o revelador transforme a imagem latente em visível, isto só acontece nas partes mais sensível, havendo, portanto, um residual a ser iluminado), 4 – interrupção (a existência de manchas significativas na imagem final, faz necessária esta etapa intermediária – entre a revelação e fixação, para neutralizar o efeito do revelador, permitindo, assim, o contato do filme com o fixador, e, consequentemente, uma imagem mais clara do capturado) e 5 – lavagem (última parte do processamento do negativo e de importância capital para garantir a qualidade da imagem).

Mas atenção: não se pode descobrir o que está à vista, o que não está coberto. O que me lembra o dia 21: o dia em que muito brasileiro conseguir (vi)ver porque não tinha luz. E uma imagem em particular – que ilustra um álbum e empresta nome à coluna de hoje (e das duas últimas semanas e da próxima): deixe estar. Ou: deixar fazer, deixar ser, deixar viver.

Fiz questão de explicar sinteticamente cada fase do que chamamos de ‘revelação’ (em fotografia), porque é do que trata “apocalipse”: de desvendar as metamorfoses ambulantes do que é natural e cultural. Parte de um processo maior – íntimo e infinito: saturação, a reconstrução do desconstruído com os mesmos elementos que o constituía, pela gestão de um instituinte possivelmente perigoso e abandono do instituído normal; uma política cultural para parar com taxidermias e começar a enxergar. Inquietar-se. Perceber a mentira. Parar de mentir. Para os outros e a si. Porque a crise é societal, é chegada a hora de romper com o eurocentrismo e demais valores ditos universais. Por uma ecosofia que reconheça que nossos fundamentos estão impregnados: conhecimento da casa comum que ilumine as dicopodias e fissuras das modernas teorias.

Esta coluna é a terceira parte de uma ‘tetralogia’ baseada em: Maffesoli, Michel, 1944-Saturação / Michel Maffesoli ; tradução de Ana Goldberger. — São Paulo : Iluminuras : Itaú Cultural, 2010.

Urbi et orbi e faça parte da ALDEIA GLOCAL em aldeiaglocal.com.br, afinal, quanto mais global, mais local.

*Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e 18:10h.

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Flávia Castelo: “LET IT BE (em quatro atos)”

Terceiro ato: revelação

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

25 de Abril de 2018 às 16:54

Há 6 meses

Por Flávia Castelo

“Apocalipse”: nome do primeiro capítulo maffesoliano saturado. Ele inicia com o significado etimológico: revelação.

Na fotografia, a função da revelação é obter a matriz (o negativo) para (imprimir) as fotos. Tecnicamente, é o ‘processamento do negativo’. Dividido em fases (para se obter cópias em papel), posso resumi-lo em: 1 – exposição (à luz, o que nos dá uma imagem latente), 2 – revelação (reação química para deixar a imagem mais visível), 3 – fixação (embora o revelador transforme a imagem latente em visível, isto só acontece nas partes mais sensível, havendo, portanto, um residual a ser iluminado), 4 – interrupção (a existência de manchas significativas na imagem final, faz necessária esta etapa intermediária – entre a revelação e fixação, para neutralizar o efeito do revelador, permitindo, assim, o contato do filme com o fixador, e, consequentemente, uma imagem mais clara do capturado) e 5 – lavagem (última parte do processamento do negativo e de importância capital para garantir a qualidade da imagem).

Mas atenção: não se pode descobrir o que está à vista, o que não está coberto. O que me lembra o dia 21: o dia em que muito brasileiro conseguir (vi)ver porque não tinha luz. E uma imagem em particular – que ilustra um álbum e empresta nome à coluna de hoje (e das duas últimas semanas e da próxima): deixe estar. Ou: deixar fazer, deixar ser, deixar viver.

Fiz questão de explicar sinteticamente cada fase do que chamamos de ‘revelação’ (em fotografia), porque é do que trata “apocalipse”: de desvendar as metamorfoses ambulantes do que é natural e cultural. Parte de um processo maior – íntimo e infinito: saturação, a reconstrução do desconstruído com os mesmos elementos que o constituía, pela gestão de um instituinte possivelmente perigoso e abandono do instituído normal; uma política cultural para parar com taxidermias e começar a enxergar. Inquietar-se. Perceber a mentira. Parar de mentir. Para os outros e a si. Porque a crise é societal, é chegada a hora de romper com o eurocentrismo e demais valores ditos universais. Por uma ecosofia que reconheça que nossos fundamentos estão impregnados: conhecimento da casa comum que ilumine as dicopodias e fissuras das modernas teorias.

Esta coluna é a terceira parte de uma ‘tetralogia’ baseada em: Maffesoli, Michel, 1944-Saturação / Michel Maffesoli ; tradução de Ana Goldberger. — São Paulo : Iluminuras : Itaú Cultural, 2010.

Urbi et orbi e faça parte da ALDEIA GLOCAL em aldeiaglocal.com.br, afinal, quanto mais global, mais local.

*Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e 18:10h.