Flávia Castelo: "Essa sujeira toda não fala só de Brasília. Fala do país. Fala de você"

ALDEIA GLOCAL

Flávia Castelo: “Essa sujeira toda não fala só de Brasília. Fala do país. Fala de você”

Inspirada na música de Rita Lee, colunista conta um pouco sobre “A História das Coisas”

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

26 de outubro de 2016 às 07:38

Há 2 anos

Por Flávia Castelo

“Como vai você?” pergunta Rita Lee em “Nem luxo, nem lixo”.

Ouvir essa música hoje me fez pensar em você. E, também, em lixo. Afinal, a melhor forma de conhecer uma pessoa não é analisando o que ela ‘joga fora’?

Quem não está cansado de saber que consumimos e dispensamos mais coisas do que necessitamos e talvez até do que desejamos?

Nos EUA, por exemplo, 99% do que é cultivado, processado e transformado, ou seja, quase tudo o que percorre o sistema de consumo é descartado em menos de 6 meses, segundo Annie Leonard, uma expert em matéria de cooperação internacional, desenvolvimento sustentável e saúde ambiental conhecida, especialmente, pelo vídeo que virou livro, “A História das Coisas”.

O Brasil? Fica em quarto lugar no ranking de quem produz mais resíduos na América do Sul, com 383 kg anuais per capta, segundo mapa interativo criado pela Infografia do El País. A Guyana é quem mais produz. São 558 kg. Na ordem decrescente, temos ainda Suriname com 496 kg e Chile com 456 kg.

Essa colocação brasileira é tão feia quanto o Estrutural, um dos maiores e mais velhos lixões do mundo. Ele acumula, em Brasília, 25 milhões de toneladas de dejetos ao longo dos 50 anos de atividade.

Essa sujeira toda não fala só de Brasília. Fala do país. Aliás, dá pra falar de todo o mundo. Simbólico, não?

Quer se autoconhecer? Perceba o que você anda ‘jogando fora’. Aposto que é pior do que você imagina. E o que você diria de uma vida sem sujeira?

Quer se autoconhecer? Perceba o que você anda 'jogando fora' (Ilustração: Thiago Mello)

Quer se autoconhecer? Perceba o que você anda ‘jogando fora’ (Ilustração: Thiago Mello)

Parece absurdo, mas é verdade. Faltar resíduo é realidade, por exemplo, na Suécia, como consequência dos padrões de educação e consciência ambiental, além da tradição de reciclar e incinerar. O país tem muitas usinas para transformar dejetos em energia e muitas pessoas comprometidas com todo o processo.

Estou falando de um modelo de reciclagem onde as usinas geradoras de energia elétrica e térmica (a partir da incineração de lixo) ficaram sem “matéria-prima”, e a solução é adquirir dos vizinhos.

Cidades na Alemanha, Bélgica, Holanda e de outros países também estão remando contra a maré. O que falta à Fortaleza para entrar nessa canoa que não tem nada de furada? O que falta a você?

Urbi et orbi e faça parte da ALDEIA GLOCAL em aldeiaglocal.com.br, afinal, quanto mais global, mais local.

* Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10.

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Flávia Castelo: “Essa sujeira toda não fala só de Brasília. Fala do país. Fala de você”

Inspirada na música de Rita Lee, colunista conta um pouco sobre “A História das Coisas”

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

26 de outubro de 2016 às 07:38

Há 2 anos

Por Flávia Castelo

“Como vai você?” pergunta Rita Lee em “Nem luxo, nem lixo”.

Ouvir essa música hoje me fez pensar em você. E, também, em lixo. Afinal, a melhor forma de conhecer uma pessoa não é analisando o que ela ‘joga fora’?

Quem não está cansado de saber que consumimos e dispensamos mais coisas do que necessitamos e talvez até do que desejamos?

Nos EUA, por exemplo, 99% do que é cultivado, processado e transformado, ou seja, quase tudo o que percorre o sistema de consumo é descartado em menos de 6 meses, segundo Annie Leonard, uma expert em matéria de cooperação internacional, desenvolvimento sustentável e saúde ambiental conhecida, especialmente, pelo vídeo que virou livro, “A História das Coisas”.

O Brasil? Fica em quarto lugar no ranking de quem produz mais resíduos na América do Sul, com 383 kg anuais per capta, segundo mapa interativo criado pela Infografia do El País. A Guyana é quem mais produz. São 558 kg. Na ordem decrescente, temos ainda Suriname com 496 kg e Chile com 456 kg.

Essa colocação brasileira é tão feia quanto o Estrutural, um dos maiores e mais velhos lixões do mundo. Ele acumula, em Brasília, 25 milhões de toneladas de dejetos ao longo dos 50 anos de atividade.

Essa sujeira toda não fala só de Brasília. Fala do país. Aliás, dá pra falar de todo o mundo. Simbólico, não?

Quer se autoconhecer? Perceba o que você anda ‘jogando fora’. Aposto que é pior do que você imagina. E o que você diria de uma vida sem sujeira?

Quer se autoconhecer? Perceba o que você anda 'jogando fora' (Ilustração: Thiago Mello)

Quer se autoconhecer? Perceba o que você anda ‘jogando fora’ (Ilustração: Thiago Mello)

Parece absurdo, mas é verdade. Faltar resíduo é realidade, por exemplo, na Suécia, como consequência dos padrões de educação e consciência ambiental, além da tradição de reciclar e incinerar. O país tem muitas usinas para transformar dejetos em energia e muitas pessoas comprometidas com todo o processo.

Estou falando de um modelo de reciclagem onde as usinas geradoras de energia elétrica e térmica (a partir da incineração de lixo) ficaram sem “matéria-prima”, e a solução é adquirir dos vizinhos.

Cidades na Alemanha, Bélgica, Holanda e de outros países também estão remando contra a maré. O que falta à Fortaleza para entrar nessa canoa que não tem nada de furada? O que falta a você?

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* Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10.