Flávia Castelo: "É preciso estar atento e forte"
ALDEIA GLOCAL

Flávia Castelo: “É preciso estar atento e forte”

Em outras palavras, não podemos pensar em propor para os outros aquilo de que não gostamos, nem propor apenas o que apreciamos

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

12 de outubro de 2017 às 07:00

Há 1 semana

Por Flávia Castelo

“Atenção

Tudo é perigoso

Tudo é divino maravilhoso

Atenção para o refrão

É preciso estar atento e forte

Não temos tempo de temer a morte”

Caetano Veloso e Gilberto Gil (1968)

No “Ensaio sobre o gosto nas coisas da natureza e da arte”, Montesquieu dispôs sobre um modo de ser em que a alma desfruta de três espécies de prazer: os extraídos 1 – do fundo da própria existência, 2 – de sua união com o corpo e 3 – das inclinações que instituições, usos e hábitos impõem; para definir o gosto como a “vantagem de descobrir com sutileza e presteza a medida do prazer que cada coisa deve dar às pessoas”.

Este conceito deixa ainda mais preciso o argumento da ex-ministra da Justiça da França, Christiane Taubira, de que um gestor que não participa da programação artística disponível e que é, também, aquele que não lê, não compreende a importância de se investir e financiar cinema, teatro, música, dança e, portanto, essa pessoa não tem o direito de tomar decisões que afetam a vida de outras: simplesmente porque, para cuidar da vida dos outros, é necessário entender o que os move, alimenta suas emoções e motiva suas ações irracionais ou fantasias.

(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

Em outras palavras, não podemos pensar em propor para os outros aquilo de que não gostamos, nem apenas o que apreciamos. Afinal, a política não pode abandonar a poética sem sucumbir, como ensina Edgar Morin. O filósofo, a custa de Godard, defende ser a regra – o que ele chama de cultura: impreterível para se conhecer o ser humano e a exceção, ou seja, a arte: um mergulho nas subjetividades que nenhuma ciência ou conhecimento qualquer se propõe expressar.

Bem, não sei se faltam ou excedem valores sociais, mas “simplifico” a minha lista de prioridades no que chamo agora de meu valor motriz: estar atenta às escolhas. E forte. Como resposta à dinâmica contemporânea – intolerante e desrespeitosa à liberdade, inclusive de expressão. Eu sei: “Isso é muito difícil mesmo”.

Urbi et orbi e faça parte da ALDEIA GLOCAL em aldeiaglocal.com.br, afinal, quanto mais global, mais local.

*Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e 18:10h.

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Flávia Castelo: “É preciso estar atento e forte”

Em outras palavras, não podemos pensar em propor para os outros aquilo de que não gostamos, nem propor apenas o que apreciamos

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

12 de outubro de 2017 às 07:00

Há 1 semana

Por Flávia Castelo

“Atenção

Tudo é perigoso

Tudo é divino maravilhoso

Atenção para o refrão

É preciso estar atento e forte

Não temos tempo de temer a morte”

Caetano Veloso e Gilberto Gil (1968)

No “Ensaio sobre o gosto nas coisas da natureza e da arte”, Montesquieu dispôs sobre um modo de ser em que a alma desfruta de três espécies de prazer: os extraídos 1 – do fundo da própria existência, 2 – de sua união com o corpo e 3 – das inclinações que instituições, usos e hábitos impõem; para definir o gosto como a “vantagem de descobrir com sutileza e presteza a medida do prazer que cada coisa deve dar às pessoas”.

Este conceito deixa ainda mais preciso o argumento da ex-ministra da Justiça da França, Christiane Taubira, de que um gestor que não participa da programação artística disponível e que é, também, aquele que não lê, não compreende a importância de se investir e financiar cinema, teatro, música, dança e, portanto, essa pessoa não tem o direito de tomar decisões que afetam a vida de outras: simplesmente porque, para cuidar da vida dos outros, é necessário entender o que os move, alimenta suas emoções e motiva suas ações irracionais ou fantasias.

(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

Em outras palavras, não podemos pensar em propor para os outros aquilo de que não gostamos, nem apenas o que apreciamos. Afinal, a política não pode abandonar a poética sem sucumbir, como ensina Edgar Morin. O filósofo, a custa de Godard, defende ser a regra – o que ele chama de cultura: impreterível para se conhecer o ser humano e a exceção, ou seja, a arte: um mergulho nas subjetividades que nenhuma ciência ou conhecimento qualquer se propõe expressar.

Bem, não sei se faltam ou excedem valores sociais, mas “simplifico” a minha lista de prioridades no que chamo agora de meu valor motriz: estar atenta às escolhas. E forte. Como resposta à dinâmica contemporânea – intolerante e desrespeitosa à liberdade, inclusive de expressão. Eu sei: “Isso é muito difícil mesmo”.

Urbi et orbi e faça parte da ALDEIA GLOCAL em aldeiaglocal.com.br, afinal, quanto mais global, mais local.

*Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e 18:10h.