Flávia Castelo: "Dia-grama-da-vida"

ALDEIA GLOCAL

Flávia Castelo: “Dia-grama-da-vida”

Realizamos melhor quando sabemos o que estamos realizando e a que respondemos e o que acionamos por agir

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

27 de setembro de 2017 às 08:57

Há 3 meses

Por Flávia Castelo

“O ponto de mutação” está naquele rol – que insistimos reduzir – dos preferidos. Trata-se de um livro do professor Fritjof Capra, publicado em 1983, que só me chamou atenção no começo dos anos 2000 – com seu filme homônimo (de 1991).

Um dos motivos para eu gostar tanto do enredo é que, desde então, vira e mexe, ele ressurge nos pequenos e grandes acontecimentos do mundo, como o de fortalecimento atual do conservadorismo: quando exposição de arte com temática LGBT é cancelada por pressão de internautas; seis bilionários brasileiros possuem a mesma riqueza que os cem milhões mais pobres do país; e equiparação salarial de homens e mulheres, bem como renda média de brancos e negros projetadas, respectivamente, para os anos de 2.047 e 2.086, se considerado nosso ritmo de inclusão de mercado dos últimos 20 anos.

Nesse contexto, li “Um ensaio em epistemologia (working in progress)” do escritor Teixeira Coelho e desenhei uma espécie de diagrama vital, para tentar (vi)ver melhor: estética, ética e lógica num bosquejo que me remeteu aos diálogos entre o poeta, o político e a física sobre paradigmas, mudanças e em como nossa visão altera os acontecimentos. Isso me fez pensar no DIA-a-dia e em como o GRAMAmos d‘o que fazemos’, ‘em nome do quê fazemos’ e d‘o quê colocamos em jogo’.

texto-opinião

(FOTO: Reprodução)

A verdade é que refleti sobre a VIDA.

E a lição que extraí é simples: realizamos melhor quando sabemos o que estamos realizando e a que respondemos e o que acionamos por agir. Mas as dificuldades ontológicas e epistemológicas que se ocultam na integração emoção/pragmática/razão não colaboram para um relacionamento íntimo de cada uma dessas três representações humanas – que são, ao mesmo tempo, independentes e combináveis: o que talvez torne difícil obter uma imagem global com a amplitude que nos deixe/torne intuitivos, práticos e reflexivos numa proporção equilibrada.

Mesmo assim, ninguém precisa ser uma acadêmica desiludida com o uso de suas descobertas científicas pela indústria bélica, um decepcionado profissional diante da mercantilização da arte ou um candidato derrotado à presidência, para entender que a convivência do pensamento racional linear com a consciência ecológica intuitiva não explica que não é porque fazemos algo bem, continuar fazendo-o será necessariamente melhor.

Urbi et orbi e faça parte da ALDEIA GLOCAL em aldeiaglocal.com.br, afinal, quanto mais global, mais local.

*Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e às 18h10.

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Realizamos melhor quando sabemos o que estamos realizando e a que respondemos e o que acionamos por agir

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

27 de setembro de 2017 às 08:57

Há 3 meses

Por Flávia Castelo

“O ponto de mutação” está naquele rol – que insistimos reduzir – dos preferidos. Trata-se de um livro do professor Fritjof Capra, publicado em 1983, que só me chamou atenção no começo dos anos 2000 – com seu filme homônimo (de 1991).

Um dos motivos para eu gostar tanto do enredo é que, desde então, vira e mexe, ele ressurge nos pequenos e grandes acontecimentos do mundo, como o de fortalecimento atual do conservadorismo: quando exposição de arte com temática LGBT é cancelada por pressão de internautas; seis bilionários brasileiros possuem a mesma riqueza que os cem milhões mais pobres do país; e equiparação salarial de homens e mulheres, bem como renda média de brancos e negros projetadas, respectivamente, para os anos de 2.047 e 2.086, se considerado nosso ritmo de inclusão de mercado dos últimos 20 anos.

Nesse contexto, li “Um ensaio em epistemologia (working in progress)” do escritor Teixeira Coelho e desenhei uma espécie de diagrama vital, para tentar (vi)ver melhor: estética, ética e lógica num bosquejo que me remeteu aos diálogos entre o poeta, o político e a física sobre paradigmas, mudanças e em como nossa visão altera os acontecimentos. Isso me fez pensar no DIA-a-dia e em como o GRAMAmos d‘o que fazemos’, ‘em nome do quê fazemos’ e d‘o quê colocamos em jogo’.

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(FOTO: Reprodução)

A verdade é que refleti sobre a VIDA.

E a lição que extraí é simples: realizamos melhor quando sabemos o que estamos realizando e a que respondemos e o que acionamos por agir. Mas as dificuldades ontológicas e epistemológicas que se ocultam na integração emoção/pragmática/razão não colaboram para um relacionamento íntimo de cada uma dessas três representações humanas – que são, ao mesmo tempo, independentes e combináveis: o que talvez torne difícil obter uma imagem global com a amplitude que nos deixe/torne intuitivos, práticos e reflexivos numa proporção equilibrada.

Mesmo assim, ninguém precisa ser uma acadêmica desiludida com o uso de suas descobertas científicas pela indústria bélica, um decepcionado profissional diante da mercantilização da arte ou um candidato derrotado à presidência, para entender que a convivência do pensamento racional linear com a consciência ecológica intuitiva não explica que não é porque fazemos algo bem, continuar fazendo-o será necessariamente melhor.

Urbi et orbi e faça parte da ALDEIA GLOCAL em aldeiaglocal.com.br, afinal, quanto mais global, mais local.

*Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e às 18h10.