O que Fortaleza pode aprender com o projeto Bicocca, em Milão, que revitalizou área fabril
CIDADES EM TRANSFORMAÇÃO

Águeda Muniz: O que Fortaleza pode aprender com o projeto Bicocca, em Milão, que revitalizou área fabril

Como a Pirelli transformou 100 hectares de uma obsoleta área fabril, no bairro da Bicocca, perto de Milão, em um polo tecnológico e cultural

Por Tribuna do Ceará em Águeda Muniz

3 de outubro de 2017 às 10:55

Há 2 semanas

Por Águeda Muniz

Em consequência da competição resultante da globalização dos mercados, em 1970, a Pirelli, referência na fabricação de pneumáticos, cabos elétricos e derivados de borracha, transferiu seu complexo fabril de Milão para Turim. O que fazer com aquele espaço de desvalia?

O projeto Bicocca foi planejado tendo como premissas urbanísticas a articulação entre uso e ocupação do solo; uma boa gestão dos espaços públicos como praças, vias e parques; um sistema de mobilidade eficiente; e um desenho urbano integrado com as outras áreas da cidade. A projeção era que 60 mil pessoas gravitassem na área – habitantes, funcionários, estudantes e turistas.

A intervenção foi realizada em uma parceria público privada entre Prefeitura de Milão, Pirelli – proprietária das terras – e demais investidores, por meio da negociação de parâmetros urbanísticos e permutas. Em contrapartida, houve o fortalecimento dos assentamentos de interesse social, implantação de infraestrutura urbanística e ambiental, bem como contrapartidas financeiras; além da parceria na gestão da área.

Vista áerea de Bicocca, em Milão. (Foto: Università degli Studi di Milano-Bicocca)

Vista áerea de Bicocca, em Milão. (Foto: Università degli Studi di Milano-Bicocca)

Anunciada como a “Bicocca: o centro da periferia”, a estratégia de marketing fez com que a venda de flats, assim como o número de empresas situadas na área fosse quase 40% maior que em outras áreas mais centrais de Milão, isto entre os anos de 1998 e 2003.

O polo tecnológico enquanto assentamento urbano é uma experiência muito interessante no processo de desindustrialização de centros e periferias das cidades. Necessita de pouco espaço para produção e desenvolvimento, e suas atividades são compatíveis com o meio urbano. Características que permitem sua integração com funções como educação, comércio, habitação, lazer e cultura.

E em Fortaleza, a antiga zona industrial da Jacarecanga, não poderia ser a nossa Bicocca?

Até semana que vem com mais “Cidades em Transformação”!

* Águeda Muniz é Doutora em Arquitetura e Urbanismo e titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

A coluna “Cidades em Transformação” é publicada no Tribuna do Ceará, às terça-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às 9h10 de terça-feira.

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CIDADES EM TRANSFORMAÇÃO

Águeda Muniz: O que Fortaleza pode aprender com o projeto Bicocca, em Milão, que revitalizou área fabril

Como a Pirelli transformou 100 hectares de uma obsoleta área fabril, no bairro da Bicocca, perto de Milão, em um polo tecnológico e cultural

Por Tribuna do Ceará em Águeda Muniz

3 de outubro de 2017 às 10:55

Há 2 semanas

Por Águeda Muniz

Em consequência da competição resultante da globalização dos mercados, em 1970, a Pirelli, referência na fabricação de pneumáticos, cabos elétricos e derivados de borracha, transferiu seu complexo fabril de Milão para Turim. O que fazer com aquele espaço de desvalia?

O projeto Bicocca foi planejado tendo como premissas urbanísticas a articulação entre uso e ocupação do solo; uma boa gestão dos espaços públicos como praças, vias e parques; um sistema de mobilidade eficiente; e um desenho urbano integrado com as outras áreas da cidade. A projeção era que 60 mil pessoas gravitassem na área – habitantes, funcionários, estudantes e turistas.

A intervenção foi realizada em uma parceria público privada entre Prefeitura de Milão, Pirelli – proprietária das terras – e demais investidores, por meio da negociação de parâmetros urbanísticos e permutas. Em contrapartida, houve o fortalecimento dos assentamentos de interesse social, implantação de infraestrutura urbanística e ambiental, bem como contrapartidas financeiras; além da parceria na gestão da área.

Vista áerea de Bicocca, em Milão. (Foto: Università degli Studi di Milano-Bicocca)

Vista áerea de Bicocca, em Milão. (Foto: Università degli Studi di Milano-Bicocca)

Anunciada como a “Bicocca: o centro da periferia”, a estratégia de marketing fez com que a venda de flats, assim como o número de empresas situadas na área fosse quase 40% maior que em outras áreas mais centrais de Milão, isto entre os anos de 1998 e 2003.

O polo tecnológico enquanto assentamento urbano é uma experiência muito interessante no processo de desindustrialização de centros e periferias das cidades. Necessita de pouco espaço para produção e desenvolvimento, e suas atividades são compatíveis com o meio urbano. Características que permitem sua integração com funções como educação, comércio, habitação, lazer e cultura.

E em Fortaleza, a antiga zona industrial da Jacarecanga, não poderia ser a nossa Bicocca?

Até semana que vem com mais “Cidades em Transformação”!

* Águeda Muniz é Doutora em Arquitetura e Urbanismo e titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

A coluna “Cidades em Transformação” é publicada no Tribuna do Ceará, às terça-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às 9h10 de terça-feira.