“O caos planejado e a cidade onde merecemos viver”

CIDADES EM TRANSFORMAÇÃO

“O caos planejado e a cidade onde merecemos viver”

O plano diretor deve orientar o desenvolvimento de uma cidade por 10 anos, de acordo com o Estatuto Cidade

Por Tribuna do Ceará em Águeda Muniz

6 de Fevereiro de 2018 às 18:48

Há 8 meses

A cidade é dinâmica. E as regras impostas, no caso das cidades brasileiras, engessam seu desenvolvimento que levam a informalidade, o desrespeito com seus espaços, que levam ao caos.

Formado por um grupo de 11 colaboradores, a plataforma digital Caos Planejado pretende mostrar uma nova forma de ver e fazer a cidade. Colocando a prova o discurso ideológico formatado há décadas, Caos Planejado aborda temas polêmicos de maneira pragmática, necessária e madura. Em um de seus artigos, publicado em 2014 e intitulado Como a Legislação Impede uma Boa Arquitetura, Rodrigo Petersen, observa que em muitas cidades, o Plano Diretor, que é o instrumento básico do planejamento e gestão urbanos assume o papel do arquiteto e isso ajuda a explicar porque muitos prédios são parecidos em sua forma.

O plano diretor deve orientar o desenvolvimento de uma cidade por 10 anos, de acordo com o Estatuto Cidade. Hoje, muitos planejadores defendem que este período é muito longo dado as inovações a que o cidadão e a cidade estão submetidos. O Plano Diretor jamais deve ser uma lei de restrições ou permissões edilícias, devendo se pautar na resposta a seguinte questão: em que cidade queremos viver? E a reposta certamente será: na cidade que apoia seus cidadãos.

A legislação de uma cidade deve ser simples. A simplicidade deve estar na forma fácil do cidadão acessar a cidade, seja para realizar sua atividade econômica, seja para construir sua própria moradia, seja para implantar seu empreendimento imobiliário. Parâmetros urbanísticos não medem a qualidade de uma cidade. Esta deve ser medida pela relevância dos espaços públicos, pela caminhabilidade de suas calçadas, pelo bom e adequado aproveitamento de seus recursos naturais e pela visibilidade de seu patrimônio construído. Talvez isto possa vir por meio do “caos planejado”.

Baseado nos princípios do Plano Fortaleza 2040, Fortaleza deverá ter seu plano diretor revisado em 2019. E este será o grande desafio da cidade e de seus cidadãos: ter um plano real, dinâmico e que suas regras não engessem a possibilidade do cidadão fortalezense fazer e viver sua cidade.

* Águeda Muniz é Doutora em Arquitetura e Urbanismo e titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

A coluna “Cidades em Transformação” é publicada no Tribuna do Ceará, às terça-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às 9h10 de terça-feira.

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CIDADES EM TRANSFORMAÇÃO

“O caos planejado e a cidade onde merecemos viver”

O plano diretor deve orientar o desenvolvimento de uma cidade por 10 anos, de acordo com o Estatuto Cidade

Por Tribuna do Ceará em Águeda Muniz

6 de Fevereiro de 2018 às 18:48

Há 8 meses

A cidade é dinâmica. E as regras impostas, no caso das cidades brasileiras, engessam seu desenvolvimento que levam a informalidade, o desrespeito com seus espaços, que levam ao caos.

Formado por um grupo de 11 colaboradores, a plataforma digital Caos Planejado pretende mostrar uma nova forma de ver e fazer a cidade. Colocando a prova o discurso ideológico formatado há décadas, Caos Planejado aborda temas polêmicos de maneira pragmática, necessária e madura. Em um de seus artigos, publicado em 2014 e intitulado Como a Legislação Impede uma Boa Arquitetura, Rodrigo Petersen, observa que em muitas cidades, o Plano Diretor, que é o instrumento básico do planejamento e gestão urbanos assume o papel do arquiteto e isso ajuda a explicar porque muitos prédios são parecidos em sua forma.

O plano diretor deve orientar o desenvolvimento de uma cidade por 10 anos, de acordo com o Estatuto Cidade. Hoje, muitos planejadores defendem que este período é muito longo dado as inovações a que o cidadão e a cidade estão submetidos. O Plano Diretor jamais deve ser uma lei de restrições ou permissões edilícias, devendo se pautar na resposta a seguinte questão: em que cidade queremos viver? E a reposta certamente será: na cidade que apoia seus cidadãos.

A legislação de uma cidade deve ser simples. A simplicidade deve estar na forma fácil do cidadão acessar a cidade, seja para realizar sua atividade econômica, seja para construir sua própria moradia, seja para implantar seu empreendimento imobiliário. Parâmetros urbanísticos não medem a qualidade de uma cidade. Esta deve ser medida pela relevância dos espaços públicos, pela caminhabilidade de suas calçadas, pelo bom e adequado aproveitamento de seus recursos naturais e pela visibilidade de seu patrimônio construído. Talvez isto possa vir por meio do “caos planejado”.

Baseado nos princípios do Plano Fortaleza 2040, Fortaleza deverá ter seu plano diretor revisado em 2019. E este será o grande desafio da cidade e de seus cidadãos: ter um plano real, dinâmico e que suas regras não engessem a possibilidade do cidadão fortalezense fazer e viver sua cidade.

* Águeda Muniz é Doutora em Arquitetura e Urbanismo e titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

A coluna “Cidades em Transformação” é publicada no Tribuna do Ceará, às terça-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às 9h10 de terça-feira.