Águeda Muniz: "Quando as cidades oferecem um estilo de vida mais sustentável"

CIDADES EM TRANSFORMAÇÃO

Águeda Muniz: “Quando as cidades oferecem um estilo de vida mais sustentável”

Ao se investir em mobilidade sustentável e espaços públicos voltados para a comunidade, as cidades se tornam mais seguras, mais saudáveis, mais sustentáveis

Por Tribuna do Ceará em Águeda Muniz

31 de outubro de 2017 às 10:58

Há 3 semanas

“Quanto mais se investe em cidades caminháveis e espaços públicos de qualidade, mais seguras estas cidades se tornam”.

Podíamos atribuir esta afirmação a Jane Jacobs, em seu livro Morte e Vida de Grandes Cidades, publicado nos idos de 1960, onde demonstrava que vias iluminadas, vivas e atraentes, com calçadas caminháveis, espaços públicos diversificados e quadras curtas tornando as ruas e esquinas numerosas para se ter oportunidades de mais contato com a vizinhança eram fatores positivos para a vitalidade urbana.

No entanto, a observação é de Jan Gehl, arquiteto e autor de Cidade para Pessoas. Segundo Gehl, investimentos em infraestruturas relacionadas ao ir e vir das pessoas ou um melhor planejamento dos deslocamentos em relação ao trabalho, casa e lazer, assim como espaços públicos convidativos desmotivam episódios de violência e em muitos casos, transformam espaços inseguros, em áreas dinâmicas com pessoas e atividades que favorecem o estar, o compartilhar experiências.

O arquiteto, responsável por pela transformação urbana em Copenhague, capital da Dinamarca, nos anos 1960, mostra que as cidades têm solução e que, para transformar cidades, os espaços urbanos devem dialogar com os cidadãos.

Em entrevista ao blog TheCityFiX Brasil, quando de sua passagem pelo país – em Porto Alegre/RS, em novembro passado, o arquiteto questiona o que está faltando para que as cidades brasileiras se destaquem no sentido de oferecer vias mais estruturadas para pedestres e ciclistas, assim como espaços públicos que proporcionem o bem estar do cidadão.

"Para transformar cidades, os espaços urbanos devem dialogar com os cidadãos". (Foto: Pexels)

“Para transformar cidades, os espaços urbanos devem dialogar com os cidadãos”. (Foto: Pexels)

Ressalta que “o planejamento urbano deve ajudar a criar cidades para as pessoas, e a escala humana deve ser a prioridade. Mais do que dar atenção à forma, a arquitetura precisa ajudar a criar o melhor habitat para o homo sapiens”.

Quando Gehl já implantava em Copenhage os conceitos formulados para que os cidadãos pudessem ser protagonistas da urbanidade, nossas cidades brasileiras ainda discutiam os conceitos do urbanismo modernista, onde a setorização das atividades produzia grandes deslocamentos e demandava infraestrutura e promovia a expansão urbana. Ou seja, não faz muito tempo que as cidades brasileiras vêm buscando na melhoria do seu transporte público com implantação de corredores exclusivos para melhor circulação, na ampliação da malha de ciclovias e ciclofaixas, no incentivo a cidades mais cicláveis, na melhoria dos espaços públicos.

Ainda precisamos oportunizar as relações de moradia, trabalho, lazer e deslocamentos, privilegiando assim a dinamização bairro a bairro. Ainda precisamos ampliar o sentimento de pertença para com a comunidade, para com nossa cidade. Cidades são transformadas com inovações urbanas, com projetos, com obras, com serviços e com atitude cidadã.

Até semana que vem com mais “Cidades em Transformação”!

* Águeda Muniz é Doutora em Arquitetura e Urbanismo e titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

A coluna “Cidades em Transformação” é publicada no Tribuna do Ceará, às terça-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às 9h10 de terça-feira.

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CIDADES EM TRANSFORMAÇÃO

Águeda Muniz: “Quando as cidades oferecem um estilo de vida mais sustentável”

Ao se investir em mobilidade sustentável e espaços públicos voltados para a comunidade, as cidades se tornam mais seguras, mais saudáveis, mais sustentáveis

Por Tribuna do Ceará em Águeda Muniz

31 de outubro de 2017 às 10:58

Há 3 semanas

“Quanto mais se investe em cidades caminháveis e espaços públicos de qualidade, mais seguras estas cidades se tornam”.

Podíamos atribuir esta afirmação a Jane Jacobs, em seu livro Morte e Vida de Grandes Cidades, publicado nos idos de 1960, onde demonstrava que vias iluminadas, vivas e atraentes, com calçadas caminháveis, espaços públicos diversificados e quadras curtas tornando as ruas e esquinas numerosas para se ter oportunidades de mais contato com a vizinhança eram fatores positivos para a vitalidade urbana.

No entanto, a observação é de Jan Gehl, arquiteto e autor de Cidade para Pessoas. Segundo Gehl, investimentos em infraestruturas relacionadas ao ir e vir das pessoas ou um melhor planejamento dos deslocamentos em relação ao trabalho, casa e lazer, assim como espaços públicos convidativos desmotivam episódios de violência e em muitos casos, transformam espaços inseguros, em áreas dinâmicas com pessoas e atividades que favorecem o estar, o compartilhar experiências.

O arquiteto, responsável por pela transformação urbana em Copenhague, capital da Dinamarca, nos anos 1960, mostra que as cidades têm solução e que, para transformar cidades, os espaços urbanos devem dialogar com os cidadãos.

Em entrevista ao blog TheCityFiX Brasil, quando de sua passagem pelo país – em Porto Alegre/RS, em novembro passado, o arquiteto questiona o que está faltando para que as cidades brasileiras se destaquem no sentido de oferecer vias mais estruturadas para pedestres e ciclistas, assim como espaços públicos que proporcionem o bem estar do cidadão.

"Para transformar cidades, os espaços urbanos devem dialogar com os cidadãos". (Foto: Pexels)

“Para transformar cidades, os espaços urbanos devem dialogar com os cidadãos”. (Foto: Pexels)

Ressalta que “o planejamento urbano deve ajudar a criar cidades para as pessoas, e a escala humana deve ser a prioridade. Mais do que dar atenção à forma, a arquitetura precisa ajudar a criar o melhor habitat para o homo sapiens”.

Quando Gehl já implantava em Copenhage os conceitos formulados para que os cidadãos pudessem ser protagonistas da urbanidade, nossas cidades brasileiras ainda discutiam os conceitos do urbanismo modernista, onde a setorização das atividades produzia grandes deslocamentos e demandava infraestrutura e promovia a expansão urbana. Ou seja, não faz muito tempo que as cidades brasileiras vêm buscando na melhoria do seu transporte público com implantação de corredores exclusivos para melhor circulação, na ampliação da malha de ciclovias e ciclofaixas, no incentivo a cidades mais cicláveis, na melhoria dos espaços públicos.

Ainda precisamos oportunizar as relações de moradia, trabalho, lazer e deslocamentos, privilegiando assim a dinamização bairro a bairro. Ainda precisamos ampliar o sentimento de pertença para com a comunidade, para com nossa cidade. Cidades são transformadas com inovações urbanas, com projetos, com obras, com serviços e com atitude cidadã.

Até semana que vem com mais “Cidades em Transformação”!

* Águeda Muniz é Doutora em Arquitetura e Urbanismo e titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

A coluna “Cidades em Transformação” é publicada no Tribuna do Ceará, às terça-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às 9h10 de terça-feira.