Águeda Muniz: O Triunfo da Cidade
CIDADES EM TRANSFORMAÇÃO

Águeda Muniz: “O Triunfo da Cidade”

Em seu livro O Triunfo da Cidade, o economista norte-americano Edward Glaeser afirma que o melhor modelo de cidade nos dias atuais é Hong Kong

Por Tribuna do Ceará em Águeda Muniz

11 de julho de 2017 às 09:36

Há 1 mês

Por Águeda Muniz

Em seu livro O Triunfo da Cidade, o economista norte-americano Edward Glaeser afirma que o melhor modelo de cidade nos dias atuais é Hong Kong. Basicamente porque Hong Kong “cresce para cima, não para os lados”. E é por ser verticalizada que tem baixos índices de emissões de carbono.

Cidades em Transformação, hoje, traz para o leitor um pouco da obra de Glaeser. Cético em relação a megaeventos como os Jogos Olímpicos, apesar de citar como benefícios a exposição internacional e o crescimento da atividade turística, o autor afirma que tais investimentos muitas vezes não são apropriados para demanda da população.

Além desta, selecionamos algumas afirmações de Edward Glaeser que merecem reflexão e um rebatimento na estrutura urbana de nossa cidade. Vejamos:

“As metrópoles foram e são cruciais para gerar novas ideias, disseminar conhecimento e espalhar a prosperidade. Elas têm enormes desvantagens: o estresse, a poluição, a violência. Mas se compararmos todos os países do mundo, veremos que aqueles com taxas de urbanização acima de 50% têm mais renda, melhor desenvolvimento humano e menor índice de mortalidade infantil que os países com urbanização inferior a 50%”.

“Sempre digo que as cidades não fazem as pessoas ficar pobres. Elas atraem os mais pobres com a promessa de oportunidade econômica, de serviços sociais melhores. As favelas certamente não são os melhores exemplos de sucesso de uma cidade. Representam uma falha de planejamento do Poder Público. Mas não há futuro nenhum na pobreza rural”.

Glaeser é bastante claro quando afirma que as leis de ordenamento territorial que controlam a verticalização e, em especial, aquelas que regulam o uso e ocupação do solo deveriam ser menos restritivas. A verticalização aliada à alta densidade concentra a população e reduz os deslocamentos casa-trabalho. Consequentemente diminui as emissões de carbono. “Uma casa de uma só família num subúrbio americano consome 88% mais energia que um apartamento”.

Além disto, “o excesso de restrições para a construção torna uma cidade insustentável, porque ela continua crescendo para os lados. Pior: torna as cidades excessivamente caras, porque todos querem morar nela, mas apenas os mais ricos conseguem pagar os altos preços dos imóveis em regiões centrais e privilegiadas”.

Muitos contestam essa maneira de vislumbrar o desenvolvimento da cidade. Até semana que vem com mais “Cidades em Transformação”!

* Águeda Muniz é Doutora em Arquitetura e Urbanismo e titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

A coluna “Cidades em Transformação” é publicada no Tribuna do Ceará, às terça-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às 9h10 de terça-feira.

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CIDADES EM TRANSFORMAÇÃO

Águeda Muniz: “O Triunfo da Cidade”

Em seu livro O Triunfo da Cidade, o economista norte-americano Edward Glaeser afirma que o melhor modelo de cidade nos dias atuais é Hong Kong

Por Tribuna do Ceará em Águeda Muniz

11 de julho de 2017 às 09:36

Há 1 mês

Por Águeda Muniz

Em seu livro O Triunfo da Cidade, o economista norte-americano Edward Glaeser afirma que o melhor modelo de cidade nos dias atuais é Hong Kong. Basicamente porque Hong Kong “cresce para cima, não para os lados”. E é por ser verticalizada que tem baixos índices de emissões de carbono.

Cidades em Transformação, hoje, traz para o leitor um pouco da obra de Glaeser. Cético em relação a megaeventos como os Jogos Olímpicos, apesar de citar como benefícios a exposição internacional e o crescimento da atividade turística, o autor afirma que tais investimentos muitas vezes não são apropriados para demanda da população.

Além desta, selecionamos algumas afirmações de Edward Glaeser que merecem reflexão e um rebatimento na estrutura urbana de nossa cidade. Vejamos:

“As metrópoles foram e são cruciais para gerar novas ideias, disseminar conhecimento e espalhar a prosperidade. Elas têm enormes desvantagens: o estresse, a poluição, a violência. Mas se compararmos todos os países do mundo, veremos que aqueles com taxas de urbanização acima de 50% têm mais renda, melhor desenvolvimento humano e menor índice de mortalidade infantil que os países com urbanização inferior a 50%”.

“Sempre digo que as cidades não fazem as pessoas ficar pobres. Elas atraem os mais pobres com a promessa de oportunidade econômica, de serviços sociais melhores. As favelas certamente não são os melhores exemplos de sucesso de uma cidade. Representam uma falha de planejamento do Poder Público. Mas não há futuro nenhum na pobreza rural”.

Glaeser é bastante claro quando afirma que as leis de ordenamento territorial que controlam a verticalização e, em especial, aquelas que regulam o uso e ocupação do solo deveriam ser menos restritivas. A verticalização aliada à alta densidade concentra a população e reduz os deslocamentos casa-trabalho. Consequentemente diminui as emissões de carbono. “Uma casa de uma só família num subúrbio americano consome 88% mais energia que um apartamento”.

Além disto, “o excesso de restrições para a construção torna uma cidade insustentável, porque ela continua crescendo para os lados. Pior: torna as cidades excessivamente caras, porque todos querem morar nela, mas apenas os mais ricos conseguem pagar os altos preços dos imóveis em regiões centrais e privilegiadas”.

Muitos contestam essa maneira de vislumbrar o desenvolvimento da cidade. Até semana que vem com mais “Cidades em Transformação”!

* Águeda Muniz é Doutora em Arquitetura e Urbanismo e titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

A coluna “Cidades em Transformação” é publicada no Tribuna do Ceará, às terça-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às 9h10 de terça-feira.