Águeda Muniz: "Cidades Inteligentes: foco, simplicidade e parceria"

CIDADES EM TRANSFORMAÇÃO

Águeda Muniz: “Cidades Inteligentes: foco, simplicidade e parceria”

O valor hoje é dado às ideias, ao conhecimento, que são geradas a partir da inovação

Por Tribuna do Ceará em Águeda Muniz

29 de agosto de 2017 às 10:31

Há 3 meses

Por Águeda Muniz

O mundo está mudando, sobretudo nas cidades, onde as novas tecnologias, modelos de negócios, estilos de vida e as atitudes apresentam novas formas de viver. Baseado na nova infraestrutura tecnológica, o processo de globalização tem modificado o modo de produzir, consumir, administrar, informar e pensar. O valor hoje é dado às ideias, ao conhecimento, que são geradas a partir da inovação.

As economias nacionais bem-sucedidas no século XXI são cada vez mais medidas pela capacidade de gerar riqueza através da inovação gerando a economia do conhecimento. Embora façam parte de um país, uma nação, cidadãos moram em cidades e se identificam com as características, a forma, ou seja, a identidade, o perfil de cada cidade.

Quando inovação e conhecimento são ativados no fazer cidade, surgem as cidades inteligentes. De acordo com a União Europeia, cidades inteligentes são sistemas de pessoas interagindo e usando energia, materiais, serviços e financiamento para catalisar o desenvolvimento econômico e a melhoria da qualidade de vida. Esses fluxos de interação são considerados inteligentes por fazer uso estratégico de infraestrutura e serviços e de informação e comunicação com planejamento e gestão urbana para dar resposta às necessidades sociais e econômicas da sociedade.

Comparativamente, o Brasil por meio do Estatuto da Cidade, Lei Federal No.10.257/2001 definiu que a principal finalidade de uma cidade é cumprir sua função social e isto se faz promovendo o acesso da população à vida urbana, por meio de cidades acessíveis com mobilidade urbana e demais infraestruturas de qualidade; espaços públicos estruturados; gestão democrática por meio da participação da população nas decisões; habitação; trabalho e renda. Ou seja, o Brasil desde 2001 trabalha com o conceito de que a cidade inteligente é aquela que proporciona melhoria da qualidade de vida para seu cidadão.

Considerado um dos maiores especialistas sobre Smart Cities da atualidade, Renato de Castro propõe para os citymakers, aqueles que fazem cidade, primeiramente uma disrupção, isto é, romper com o mesmo, buscar quebrar paradigmas no fazer uma cidade melhor. A disrupção é o primeiro passo para pensar diferente, para pensar o futuro.

Renato vai além e cita ainda algumas premissas para esta forma de fazer cidade: foco, a simplicidade e a parceria entre o setor público, privado e população. Entende-se como foco de uma cidade, sua visão de futuro; simplicidade, quando a cidade tem como base legislações, desenho, processos e rotinas simplificados que possam ser acessíveis a todos os cidadãos; e a parceria entre o setor público, privado e população é essencial, pois o setor público sozinho não transforma a dinâmica de uma cidade. O poder público deve promover a imagem positiva da cidade, através de manutenção, implantação e inovação de infraestruturas e serviços, mas como forma de atrair investidores, visitantes e usuários.

E os sistemas informacionais, aplicativos e portais? São extremamente importantes, constituem-se em ferramentas, instrumentais para se ter uma cidade melhor, mas jamais irão cumprir sua função se não estiverem conectados, com os conceitos e preceitos da cidade inteligente.

* Águeda Muniz é Doutora em Arquitetura e Urbanismo e titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

A coluna “Cidades em Transformação” é publicada no Tribuna do Ceará, às terça-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às 9h10 de terça-feira.

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CIDADES EM TRANSFORMAÇÃO

Águeda Muniz: “Cidades Inteligentes: foco, simplicidade e parceria”

O valor hoje é dado às ideias, ao conhecimento, que são geradas a partir da inovação

Por Tribuna do Ceará em Águeda Muniz

29 de agosto de 2017 às 10:31

Há 3 meses

Por Águeda Muniz

O mundo está mudando, sobretudo nas cidades, onde as novas tecnologias, modelos de negócios, estilos de vida e as atitudes apresentam novas formas de viver. Baseado na nova infraestrutura tecnológica, o processo de globalização tem modificado o modo de produzir, consumir, administrar, informar e pensar. O valor hoje é dado às ideias, ao conhecimento, que são geradas a partir da inovação.

As economias nacionais bem-sucedidas no século XXI são cada vez mais medidas pela capacidade de gerar riqueza através da inovação gerando a economia do conhecimento. Embora façam parte de um país, uma nação, cidadãos moram em cidades e se identificam com as características, a forma, ou seja, a identidade, o perfil de cada cidade.

Quando inovação e conhecimento são ativados no fazer cidade, surgem as cidades inteligentes. De acordo com a União Europeia, cidades inteligentes são sistemas de pessoas interagindo e usando energia, materiais, serviços e financiamento para catalisar o desenvolvimento econômico e a melhoria da qualidade de vida. Esses fluxos de interação são considerados inteligentes por fazer uso estratégico de infraestrutura e serviços e de informação e comunicação com planejamento e gestão urbana para dar resposta às necessidades sociais e econômicas da sociedade.

Comparativamente, o Brasil por meio do Estatuto da Cidade, Lei Federal No.10.257/2001 definiu que a principal finalidade de uma cidade é cumprir sua função social e isto se faz promovendo o acesso da população à vida urbana, por meio de cidades acessíveis com mobilidade urbana e demais infraestruturas de qualidade; espaços públicos estruturados; gestão democrática por meio da participação da população nas decisões; habitação; trabalho e renda. Ou seja, o Brasil desde 2001 trabalha com o conceito de que a cidade inteligente é aquela que proporciona melhoria da qualidade de vida para seu cidadão.

Considerado um dos maiores especialistas sobre Smart Cities da atualidade, Renato de Castro propõe para os citymakers, aqueles que fazem cidade, primeiramente uma disrupção, isto é, romper com o mesmo, buscar quebrar paradigmas no fazer uma cidade melhor. A disrupção é o primeiro passo para pensar diferente, para pensar o futuro.

Renato vai além e cita ainda algumas premissas para esta forma de fazer cidade: foco, a simplicidade e a parceria entre o setor público, privado e população. Entende-se como foco de uma cidade, sua visão de futuro; simplicidade, quando a cidade tem como base legislações, desenho, processos e rotinas simplificados que possam ser acessíveis a todos os cidadãos; e a parceria entre o setor público, privado e população é essencial, pois o setor público sozinho não transforma a dinâmica de uma cidade. O poder público deve promover a imagem positiva da cidade, através de manutenção, implantação e inovação de infraestruturas e serviços, mas como forma de atrair investidores, visitantes e usuários.

E os sistemas informacionais, aplicativos e portais? São extremamente importantes, constituem-se em ferramentas, instrumentais para se ter uma cidade melhor, mas jamais irão cumprir sua função se não estiverem conectados, com os conceitos e preceitos da cidade inteligente.

* Águeda Muniz é Doutora em Arquitetura e Urbanismo e titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

A coluna “Cidades em Transformação” é publicada no Tribuna do Ceará, às terça-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às 9h10 de terça-feira.