Águeda Muniz: Cidades Caminháveis e as Calçadas da Nossa Fortaleza

CIDADES EM TRANSFORMAÇÃO

Águeda Muniz: Cidades Caminháveis e as Calçadas da Nossa Fortaleza

Permitir e fazer com que o cidadão seja convidado a circular pela cidade talvez seja o maior ato de cidadania

Por Tribuna do Ceará em Águeda Muniz

20 de Fevereiro de 2018 às 18:32

Há 4 meses

Águeda Muniz

Ainda considerada um dos ícones do planejamento urbano, a jornalista Jane Jacobs, em seu livro Morte e Vida de Grandes Cidades, afirmava que vias iluminadas, vivas e atraentes, com calçadas caminháveis, espaços públicos diversificados e quadras curtas tornando as ruas e esquinas numerosas para se ter oportunidades de mais contato com a vizinhança eram fatores positivos para a vitalidade urbana.

Esta orientação, datada dos idos de 1960, é completamente aplicável na cidade contemporânea. Tão aplicável, que o urbanista da contemporaneidade, Jan Gehl, arquiteto e autor do livro Cidade para Pessoas, afirma que espaços públicos convidativos desmotivam episódios de violência e em muitos casos, transformam espaços inseguros, em áreas dinâmicas com pessoas e atividades que favorecem o estar, o compartilhar experiências.

Se Gehl fala de espaços públicos convidativos, Jacobs é mais direta e fala de Calçadas Caminháveis. Isto mesmo! Como estão as calçadas de nossa cidade? Em sua maioria, em situação nada convidativa. E esta é uma situação nacional. Em qualquer cidade brasileira, não é fácil caminhar por nossas calçadas. O desafio do caminhar em uma calçada se faz por meio de passeios desnivelados, pisos feitos de material inadequado, necessidade de manutenção e reparo e em alguns casos, lixo acumulado.

Já falamos em responsabilidade compartilhada. E somente, por meio da parceria poderemos encarar o desafio de possuirmos em nossas cidades espaços públicos convidativos… Calçadas Caminháveis!

Diz o Código de Obras e Posturas, seja de qualquer cidade brasileira, e também é o caso de nossa Fortaleza que a responsabilidade da implantação e manutenção das nossas calçadas é do proprietário do imóvel. Diz o art. 605 do Código de Obras e Posturas de Fortaleza: “Todos os proprietários de imóveis edificados ou não, com frente para vias públicas, onde já se encontrem implantados os meios-fios, são obrigados a construir ou reconstruir os respectivos passeios e mantê-los em perfeito estado de conservação e limpeza, independentemente de qualquer intimação”.

Invadir o espaço da calçada com o muro, construir rampa para acesso do carro à garagem, ou o que vemos em algumas situações: a escada do primeiro andar começa ainda na calçada! Portanto, a calçada é de nossa responsabilidade! Permitir e fazer com que o cidadão seja convidado a circular pela cidade, ou permitir que o cidadão possa se locomover com a mobilidade e acessibilidade ideal, talvez seja o maior ato de cidadania que podemos prestar a Fortaleza.

* Águeda Muniz é Doutora em Arquitetura e Urbanismo e titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

A coluna “Cidades em Transformação” é publicada no Tribuna do Ceará, às terça-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às 9h10 de terça-feira.

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CIDADES EM TRANSFORMAÇÃO

Águeda Muniz: Cidades Caminháveis e as Calçadas da Nossa Fortaleza

Permitir e fazer com que o cidadão seja convidado a circular pela cidade talvez seja o maior ato de cidadania

Por Tribuna do Ceará em Águeda Muniz

20 de Fevereiro de 2018 às 18:32

Há 4 meses

Águeda Muniz

Ainda considerada um dos ícones do planejamento urbano, a jornalista Jane Jacobs, em seu livro Morte e Vida de Grandes Cidades, afirmava que vias iluminadas, vivas e atraentes, com calçadas caminháveis, espaços públicos diversificados e quadras curtas tornando as ruas e esquinas numerosas para se ter oportunidades de mais contato com a vizinhança eram fatores positivos para a vitalidade urbana.

Esta orientação, datada dos idos de 1960, é completamente aplicável na cidade contemporânea. Tão aplicável, que o urbanista da contemporaneidade, Jan Gehl, arquiteto e autor do livro Cidade para Pessoas, afirma que espaços públicos convidativos desmotivam episódios de violência e em muitos casos, transformam espaços inseguros, em áreas dinâmicas com pessoas e atividades que favorecem o estar, o compartilhar experiências.

Se Gehl fala de espaços públicos convidativos, Jacobs é mais direta e fala de Calçadas Caminháveis. Isto mesmo! Como estão as calçadas de nossa cidade? Em sua maioria, em situação nada convidativa. E esta é uma situação nacional. Em qualquer cidade brasileira, não é fácil caminhar por nossas calçadas. O desafio do caminhar em uma calçada se faz por meio de passeios desnivelados, pisos feitos de material inadequado, necessidade de manutenção e reparo e em alguns casos, lixo acumulado.

Já falamos em responsabilidade compartilhada. E somente, por meio da parceria poderemos encarar o desafio de possuirmos em nossas cidades espaços públicos convidativos… Calçadas Caminháveis!

Diz o Código de Obras e Posturas, seja de qualquer cidade brasileira, e também é o caso de nossa Fortaleza que a responsabilidade da implantação e manutenção das nossas calçadas é do proprietário do imóvel. Diz o art. 605 do Código de Obras e Posturas de Fortaleza: “Todos os proprietários de imóveis edificados ou não, com frente para vias públicas, onde já se encontrem implantados os meios-fios, são obrigados a construir ou reconstruir os respectivos passeios e mantê-los em perfeito estado de conservação e limpeza, independentemente de qualquer intimação”.

Invadir o espaço da calçada com o muro, construir rampa para acesso do carro à garagem, ou o que vemos em algumas situações: a escada do primeiro andar começa ainda na calçada! Portanto, a calçada é de nossa responsabilidade! Permitir e fazer com que o cidadão seja convidado a circular pela cidade, ou permitir que o cidadão possa se locomover com a mobilidade e acessibilidade ideal, talvez seja o maior ato de cidadania que podemos prestar a Fortaleza.

* Águeda Muniz é Doutora em Arquitetura e Urbanismo e titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

A coluna “Cidades em Transformação” é publicada no Tribuna do Ceará, às terça-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às 9h10 de terça-feira.