Águeda Muniz: "Bilbao - meio ambiente, cultura e tecnologia como elementos vitais da transformação urbana"
CIDADES EM TRANSFORMAÇÃO

Águeda Muniz: “Bilbao – meio ambiente, cultura e tecnologia como elementos vitais da transformação urbana”

Bilbao é hoje reconhecida internacionalmente como um exemplo bem-sucedido de transformação urbana

Por Tribuna do Ceará em Águeda Muniz

26 de setembro de 2017 às 09:22

Há 3 semanas

Por Águeda Muniz

Bilbao, na comunidade autônoma do País Basco (Espanha), desenvolveu-se como centro industrial e portuário, por meio da mineração, e em especial pelas indústrias de ferro e aço que dominavam a paisagem urbana até meados do século XX, quando o processo de industrialização na cidade entrou em declínio. Em consequência, o desemprego causado pela forte crise, provocou forte impacto demográfico e a cidade perdeu quase 20% de seus habitantes entre os anos de 1980 e 1995.

A degradação da cidade chegou ao seu ápice quando o Rio Nervión, principal corpo hídrico da cidade, por conta do descuido com as atividades industriais na zona portuária e adjacências, foi declarado ecologicamente morto.

Neste mesmo período, o governo do País Basco iniciou o reposicionamento de sua economia, desligando-se de sua vocação industrial para uma nova vocação voltada para os serviços financeiros e telecomunicações. A transformação radical da paisagem local simbolizou a busca por uma Bilbao pós-industrial emergente, inovadora e competitiva, cujo objetivo imediato era recuperar uma área abandonada e transformá-la em um novo nó funcional capaz de atrair investimentos de capitais local e internacional, além de seu conteúdo representacional também ser significativo na imagem da cidade.

Bilbao-ES

Bilbao (FOTO: Divulgação)

A área de intervenção mais emblemática, Abandoibarra, no centro de Bilbao, incluiu o desenvolvimento da infraestrutura de transporte, a limpeza do rio Nérvion e a estruturação urbana ao longo da orla, incluindo um parque linear. Além disto, incluiu um centro administrativo para a Casa do Governo do Condado de Biscaia, edificações residenciais e lojas, hoteis, uma biblioteca universitária, centro de convenções e o Museu Guggenheim Bilbao, servindo como âncora para ditar a nova vocação do centro histórico.

O objetivo final da intervenção urbana era a criação de um Distrito de Atividades Logísticas para servir de base física para o Zamudio Technology Park e o Instituto Europeu de Software. Estes projetos são a prova do compromisso de Bilbao com a indústria da alta tecnologia, embora a intervenção da frente hídrica tenha adquirido uma imagem global relacionada à cultura, lazer e entretenimento, devido à implantação do Museu Guggenheim.

Foram investidos US$ 800 milhões, entre investimentos públicos e privados. Quase US$ 200 milhões somente no Museu Guggenheim. O impacto do museu na economia local tem sido extraordinário. O Guggenheim sozinho tem atraído uma média de 1 milhão de visitantes por ano. Antes de ser construído, as taxas de ocupação hoteleira aos finais de semana chegavam a 20%.

Hoje, é praticamente impossível encontrar hospedagem aos finais de semana. O aumento da atividade turística ampliou a quantidade de estabelecimentos de comércio e serviços, relacionada a atividade turística (bares, lojas, cafés, pequenos hotéis, restaurantes, guias turísticos e lembranças assim por diante), e os efeitos indiretos na cidade são muitos. Bilbao é hoje reconhecida internacionalmente como um exemplo bem-sucedido de transformação urbana. Até semana que vem com mais “Cidades em Transformação”!

* Águeda Muniz é Doutora em Arquitetura e Urbanismo e titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

A coluna “Cidades em Transformação” é publicada no Tribuna do Ceará, às terça-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às 9h10 de terça-feira.

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CIDADES EM TRANSFORMAÇÃO

Águeda Muniz: “Bilbao – meio ambiente, cultura e tecnologia como elementos vitais da transformação urbana”

Bilbao é hoje reconhecida internacionalmente como um exemplo bem-sucedido de transformação urbana

Por Tribuna do Ceará em Águeda Muniz

26 de setembro de 2017 às 09:22

Há 3 semanas

Por Águeda Muniz

Bilbao, na comunidade autônoma do País Basco (Espanha), desenvolveu-se como centro industrial e portuário, por meio da mineração, e em especial pelas indústrias de ferro e aço que dominavam a paisagem urbana até meados do século XX, quando o processo de industrialização na cidade entrou em declínio. Em consequência, o desemprego causado pela forte crise, provocou forte impacto demográfico e a cidade perdeu quase 20% de seus habitantes entre os anos de 1980 e 1995.

A degradação da cidade chegou ao seu ápice quando o Rio Nervión, principal corpo hídrico da cidade, por conta do descuido com as atividades industriais na zona portuária e adjacências, foi declarado ecologicamente morto.

Neste mesmo período, o governo do País Basco iniciou o reposicionamento de sua economia, desligando-se de sua vocação industrial para uma nova vocação voltada para os serviços financeiros e telecomunicações. A transformação radical da paisagem local simbolizou a busca por uma Bilbao pós-industrial emergente, inovadora e competitiva, cujo objetivo imediato era recuperar uma área abandonada e transformá-la em um novo nó funcional capaz de atrair investimentos de capitais local e internacional, além de seu conteúdo representacional também ser significativo na imagem da cidade.

Bilbao-ES

Bilbao (FOTO: Divulgação)

A área de intervenção mais emblemática, Abandoibarra, no centro de Bilbao, incluiu o desenvolvimento da infraestrutura de transporte, a limpeza do rio Nérvion e a estruturação urbana ao longo da orla, incluindo um parque linear. Além disto, incluiu um centro administrativo para a Casa do Governo do Condado de Biscaia, edificações residenciais e lojas, hoteis, uma biblioteca universitária, centro de convenções e o Museu Guggenheim Bilbao, servindo como âncora para ditar a nova vocação do centro histórico.

O objetivo final da intervenção urbana era a criação de um Distrito de Atividades Logísticas para servir de base física para o Zamudio Technology Park e o Instituto Europeu de Software. Estes projetos são a prova do compromisso de Bilbao com a indústria da alta tecnologia, embora a intervenção da frente hídrica tenha adquirido uma imagem global relacionada à cultura, lazer e entretenimento, devido à implantação do Museu Guggenheim.

Foram investidos US$ 800 milhões, entre investimentos públicos e privados. Quase US$ 200 milhões somente no Museu Guggenheim. O impacto do museu na economia local tem sido extraordinário. O Guggenheim sozinho tem atraído uma média de 1 milhão de visitantes por ano. Antes de ser construído, as taxas de ocupação hoteleira aos finais de semana chegavam a 20%.

Hoje, é praticamente impossível encontrar hospedagem aos finais de semana. O aumento da atividade turística ampliou a quantidade de estabelecimentos de comércio e serviços, relacionada a atividade turística (bares, lojas, cafés, pequenos hotéis, restaurantes, guias turísticos e lembranças assim por diante), e os efeitos indiretos na cidade são muitos. Bilbao é hoje reconhecida internacionalmente como um exemplo bem-sucedido de transformação urbana. Até semana que vem com mais “Cidades em Transformação”!

* Águeda Muniz é Doutora em Arquitetura e Urbanismo e titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

A coluna “Cidades em Transformação” é publicada no Tribuna do Ceará, às terça-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às 9h10 de terça-feira.