Águeda Muniz: "A praça, a rua e os espaços públicos que nos trazem segurança"

CIDADES EM TRANSFORMAÇÃO

Águeda Muniz: “A praça, a rua e os espaços públicos que nos trazem segurança”

Parques e praças ganham uma importância, cada vez maior, em cidades que desejam oferecer qualidade de vida para seus habitantes

Por Tribuna do Ceará em Águeda Muniz

12 de setembro de 2017 às 09:46

Há 2 meses

Por Águeda Muniz

“Conexões entre pessoas e lugares podem ser a chave para a segurança dos espaços públicos”. Não, este não é um tema inerente somente a Fortaleza, somente às cidades brasileiras. O artigo, escrito por Paula Tanscheit no portal Archdaily, vem demonstrando que o tema da segurança é uma preocupação em cidades do mundo inteiro.

A autora cita que “a noção de segurança é perdida no momento em que uma localidade se torna vazia, não recebe iluminação, uso ou até mesmo a atenção adequada”. Ressalta ainda que “parques e praças ganham uma importância, cada vez maior, em cidades que desejam oferecer qualidade de vida para seus habitantes”.

Em Fortaleza, temos vários exemplos. À Beira Mar, a foz do Riacho Maceió. Se antes era um vazio urbano comprometido pela insegurança, pela degradação ambiental e urbanística; hoje, o espaço público criado reúne diversas rendas, faixas etárias e diversos interesses. Das danças coletivas, aos esportes ao ar livre, ao cenário para ensaios fotográficos, o espaço público hoje integra ambientes natural e construído para proporcionar o bem viver do fortalezense.

A nova Praça Portugal trouxe este conceito de integração, onde o estar, o contemplar, o conviver podem acontecer a qualquer hora do dia. A academia de ginástica sendo utilizada pelo morador do entorno; pelo garçom do restaurante que, ao sair de sua árdua lida, ainda encontra tempo para se exercitar. A praça é de todos!

E para quem pensa ser privilégio de áreas com alto valor imobiliário agregado, ao andar pelo Pirambu, Castelo Encantado, Vila Velha praças bem iluminadas, equipadas com academias de ginástica, parques infantis animam e vigiam as tardes-noites dos que ali residem!

Por último, a autora lembra que manter ruas e calçadas vivas é o que traz segurança as pessoas. As ruas Otoni Façanha de Sá, no bairro Dionísio Torres e Agerson Tabosa, no bairro Guararapes corroboram com esta afirmação. Na primeira, a proposta foi promover convivência harmoniosa de pedestres e ciclistas. Apenas o tráfego de ambulâncias, em caso de emergência, será permitido. Já a Rua Agerson Tabosa ganhou novas calçadas, iluminação diferenciada, grafites nos muros e agora é ponto de encontro de várias celebrações como pré-carnaval, festas juninas e demais eventos culturais. É lá também que foi instalado o primeiro parklet de Fortaleza. A parceria com a sociedade e a iniciativa privada foi imprescindível nestes casos.

Também com este mesmo viés, um pouco mais distante da área central da cidade, no bairro Vila União, vai surgindo a Rua da Esperança. O nome vem do sentimento de crianças, adolescentes, pais, mães, médicos e demais profissionais que convivem com o câncer infanto-juvenil. A esperança de renascer. E esta rua traz este sentimento, pois ali todos devem compartilhar daquele espaço que é rua, é passagem, mas também pode ser uma grande sala ao ar livre para acolher, congregar, celebrar! Arborizada, iluminada, com pavimentação adequada será mais um espaço público para a cidade.

A integração do trinômio ambiente natural, ambiente construído e o cidadão é sim, um dos caminhos para que as cidades se façam mais seguras!

* Águeda Muniz é Doutora em Arquitetura e Urbanismo e titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

A coluna “Cidades em Transformação” é publicada no Tribuna do Ceará, às terça-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às 9h10 de terça-feira.

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CIDADES EM TRANSFORMAÇÃO

Águeda Muniz: “A praça, a rua e os espaços públicos que nos trazem segurança”

Parques e praças ganham uma importância, cada vez maior, em cidades que desejam oferecer qualidade de vida para seus habitantes

Por Tribuna do Ceará em Águeda Muniz

12 de setembro de 2017 às 09:46

Há 2 meses

Por Águeda Muniz

“Conexões entre pessoas e lugares podem ser a chave para a segurança dos espaços públicos”. Não, este não é um tema inerente somente a Fortaleza, somente às cidades brasileiras. O artigo, escrito por Paula Tanscheit no portal Archdaily, vem demonstrando que o tema da segurança é uma preocupação em cidades do mundo inteiro.

A autora cita que “a noção de segurança é perdida no momento em que uma localidade se torna vazia, não recebe iluminação, uso ou até mesmo a atenção adequada”. Ressalta ainda que “parques e praças ganham uma importância, cada vez maior, em cidades que desejam oferecer qualidade de vida para seus habitantes”.

Em Fortaleza, temos vários exemplos. À Beira Mar, a foz do Riacho Maceió. Se antes era um vazio urbano comprometido pela insegurança, pela degradação ambiental e urbanística; hoje, o espaço público criado reúne diversas rendas, faixas etárias e diversos interesses. Das danças coletivas, aos esportes ao ar livre, ao cenário para ensaios fotográficos, o espaço público hoje integra ambientes natural e construído para proporcionar o bem viver do fortalezense.

A nova Praça Portugal trouxe este conceito de integração, onde o estar, o contemplar, o conviver podem acontecer a qualquer hora do dia. A academia de ginástica sendo utilizada pelo morador do entorno; pelo garçom do restaurante que, ao sair de sua árdua lida, ainda encontra tempo para se exercitar. A praça é de todos!

E para quem pensa ser privilégio de áreas com alto valor imobiliário agregado, ao andar pelo Pirambu, Castelo Encantado, Vila Velha praças bem iluminadas, equipadas com academias de ginástica, parques infantis animam e vigiam as tardes-noites dos que ali residem!

Por último, a autora lembra que manter ruas e calçadas vivas é o que traz segurança as pessoas. As ruas Otoni Façanha de Sá, no bairro Dionísio Torres e Agerson Tabosa, no bairro Guararapes corroboram com esta afirmação. Na primeira, a proposta foi promover convivência harmoniosa de pedestres e ciclistas. Apenas o tráfego de ambulâncias, em caso de emergência, será permitido. Já a Rua Agerson Tabosa ganhou novas calçadas, iluminação diferenciada, grafites nos muros e agora é ponto de encontro de várias celebrações como pré-carnaval, festas juninas e demais eventos culturais. É lá também que foi instalado o primeiro parklet de Fortaleza. A parceria com a sociedade e a iniciativa privada foi imprescindível nestes casos.

Também com este mesmo viés, um pouco mais distante da área central da cidade, no bairro Vila União, vai surgindo a Rua da Esperança. O nome vem do sentimento de crianças, adolescentes, pais, mães, médicos e demais profissionais que convivem com o câncer infanto-juvenil. A esperança de renascer. E esta rua traz este sentimento, pois ali todos devem compartilhar daquele espaço que é rua, é passagem, mas também pode ser uma grande sala ao ar livre para acolher, congregar, celebrar! Arborizada, iluminada, com pavimentação adequada será mais um espaço público para a cidade.

A integração do trinômio ambiente natural, ambiente construído e o cidadão é sim, um dos caminhos para que as cidades se façam mais seguras!

* Águeda Muniz é Doutora em Arquitetura e Urbanismo e titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

A coluna “Cidades em Transformação” é publicada no Tribuna do Ceará, às terça-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às 9h10 de terça-feira.